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domingo, 23 de maio de 2010

Ethos

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Novembro, 2006

A palavra é grega, e quer dizer costume. Em sentido mais amplo, conjunto de caracteres culturais que distingue um grupo social de outro.

A tal propósito, li há algumas semanas na coluna do Carlos Alberto Teixeira, d’O Globo, notícia de estudo acadêmico intitulado “Exploração sexual e alívio retórico”, feito por um certo Todd Frobish, professor da Universidade Estadual de Fayetteville, Carolina do Norte, USA.

Trata-se de abordagem antropológica, que se pretende séria, sobre a indústria do sexo online. Especula sobre o ethos da “tribo” dos internautas freqüentadores do site da Playboy em seus discursos persuasivos de conquista, como exemplo do contraste entre sexo “projetado” para dar continuidade à espécie, e sexo transformado em símbolo de prazer carnal e... virtual.

Esse contraste, às vezes análogo à chegada do astronauta Armstrong à lua, em 1969, quando na terra continuávamos a ter gente morando em cavernas e emitindo grunhidos, é bem ilustrado pela notícia de um jovem casal de alemães. Eles procuraram a Clínica de Fertilidade da Universidade de Lübeck porque, casados há oito anos, não conseguiam ter filhos.

Feitos todos os testes, nada se apurou de errado com ele, de 36 anos, nem com ela, de 30. Mas a razão da infertilidade ficou logo clara quando o especialista lhes perguntou com que frequência faziam sexo. Responderam juntos: “Was?!” (que traduzido do alemão quer dizer: “O quê?”)

Isto mesmo. Eles nunca tinham praticado sexo e nem sabiam do que se tratava. Não eram deficientes mentais. O estrago era cultural mesmo (ethos)... Num mundo que já vai longe em tecnologia e comunicação, os dois foram criados em ambiente social, familiar e religioso ultra antiquados e repressivos. Simplesmente ignoravam que para ter filhos seria necessário algo mais que apenas casar no civil e no religioso.

Conclusão do Carlos Alberto Teixeira é de que assim é este nosso planetinha. De um lado, trabalhos acadêmicos avançados sobre a vida sexual online até de internautas e, de outro, casais que nunca treparam na árvore do conhecimento, em busca da pitanga madurinha da intimidade conjugal.

Isto existe!
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(Leopoldina, 29.11.2006)

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