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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

José Américo Barcellos

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Outubro, 2011

As presentes notas biográficas falam com emoção de um amigo, recentemente falecido, com o qual mantivemos algumas décadas de agradável convivência. José Américo Barcellos, radialista e dentista na cidade de Leopoldina, embora um pouco mais velho, me honrou com sua amizade desde os tempos do velho Colégio Leopoldinense, de histórica memória, e do mestre muito querido do Zé, o inesquecível, Prof. Geraldo de Vasconcelos Barcelos, com suas aulas superlativas no Gabinete de Química. Cito, propositalmente, apenas o Prof. Barcelos, com escusas aos outros grandes professores do célebre educandário, porque sou testemunha da marcada influência que aquele cultíssimo educador exerceu sobre a formação do nosso José Américo. Ele sempre citava o “Barcelão”.

Certa vez, participando de um programa dele na Rádio Jornal, Zé Américo me perguntou, de microfone aberto, se eu sabia que o palmito era uma poderosa fonte de proteína. Fui sincero e disse que não estava seguro disto. Ao que ele retrucou:
- Então o Prof. Barcelos só lecionou isto em minha classe. Ensinamento – prosseguiu ele – que confirmei, depois de adulto, numa matéria de jornal que falava do desenvolvimento da toxina botulínica (que é um complexo protéico) em latas de palmito industrializado. E concluiu José Américo:
– O Barcelão, lá atrás, já me havia ensinado isto!
Notável, seu culto ao velho mestre e poeta Geraldo de Vasconcelos Barcelos.

Mencionei radialista e dentista. Radialista em primeiro lugar porque antes de graduar-se em odontologia pela Universidade Federal de Juiz de Fora, ele já ocupara o microfone da ZYK-5, Rádio Sociedade Leopoldina, ainda estudante do Colégio Leopoldinense. Principalmente em transmissões esportivas.

“Zé Américo”, como veio a se tornar amplamente conhecido pela quase totalidade da população leopoldinense, nasceu no dia 10 de julho de 1932 na cidade mineira de Dom Silvério, filho de Luiz Torres de Barcellos e de Da. Lygia Domingues Barcellos.

A vinda da família para Leopoldina, na década de 30, coincide com a chegada, a esta cidade do Padre, depois Monsenhor, José Domingues Gomes, religioso de cultuada memória, que vinha a ser irmão de Da. Lygia. Assim, Luiz Torres de Barcellos chegou a Leopoldina em companhia do cunhado, sacerdote, tornando-se, depois, funcionário da Concessionária Ford, do Sr. Acácio Serpa.

O menino, José Américo, desde os doze anos, costumava dirigir o carro do tio, Pe. José Domingues, acompanhando-o nas viagens de celebração nos distritos de Leopoldina. Tornou-se ainda coroinha nas missas celebradas pelo Padre, ocasiões em que recitava invocações e orações em latim, circunstância que sempre relatava em família com muito orgulho.

Portanto, residindo em Leopoldina desde a infância, o nosso Zé Américo cursou o primário no “Grupo Escolar Ribeiro Junqueira”, conhecido como “Grupo Velho”, hoje Escola Estadual Ribeiro Junqueira. Primeiro e Segundo graus ele os cursou no então “Colégio Leopoldinense”, rebatizado por sua vez em Escola Estadual Professor Botelho Reis depois da estadualização, na metade dos anos 50.

Graduou-se Zé Américo em Odontologia pela Universidade Federal de Juiz de Fora; graduou-se em Ciências, Física e Biologia pela Faculdade de Filosofia Santa Marcelina de Muriaé; tornando-se, por último, Professor no Programa de Saúde – Anatomia e Escultura Dental, pela Universidade do Trabalho, de Belo Horizonte.

Na área da saúde, paralelamente a seu consultório odontológico particular, na cidade, foi dentista do SESI, ao longo de 25 anos, e prestou serviços odontológicos à SAMSA – Sociedade de Assistência Médica e Social de Argirita, durante 10 anos; por concurso, em 1978, fez-se dentista do Centro de Saúde Dr. Irineu Lisboa, em Leopoldina; e, por duas ocasiões, prestou assessoria à Secretaria Municipal de Saúde de Leopoldina, nos períodos 1993/1996 e 1997/1999.

No concurso de dentista para o Posto de Saúde, Zé Américo foi aprovado em primeiro lugar. Aliás, lembrava ele que, ao inscrever-se nesse certame, foi avisado por alguém que a vaga já estava definida, tinha dono, e que o concurso seria um jogo de cartas marcadas. Deu-se, entretanto, que José Américo obteve uma pontuação tão superior aos demais concorrentes, que acabaram criando uma vaga a mais: uma pro tal “apadrinhado”, que se confirmou existir, e outra para ele, o primeiro colocado no concurso.

No magistério, Zé Américo lecionou Ciências, Física, Biologia e Química na Escola Estadual Professor Botelho Reis, de Leopoldina; lecionou Biologia no Ginásio Espírito Santo, também nesta cidade; exerceu o cargo de Vice-Diretor da Escola Estadual Professor Botelho Reis; e, ainda em nossa terra, fundou, no ano de 1969, um Curso Preparatório para Exames Vestibulares, do qual era o Diretor. A este último curso ele denominava “Escolinha” e as aulas eram aos sábados e domingos, sem custo algum para os alunos. Ali ele ensinava, já naquela época, radioatividade e possibilitou que os alunos tivessem acesso ao microscópio. O prazer dele era ensinar e compartilhar conhecimentos.

Seria, entretanto, na área do jornalismo radiofônico que o nome de Zé Américo calaria mais fundo na alma leopoldinense, com sublinhada inclusão das camadas mais populares dos municípios e localidades adjacentes. Foi homem de rádio por excelência. Sabia levantar a notícia, dizê-la ao microfone de maneira clara e atraente para o grande público.

Dominava como poucos o dom de cativar o ouvinte, repartindo com ele a informação. Suas falas – sempre de improviso – eram permeadas de humor e respeito ao público ouvinte. Quando se socorria em algum vocábulo mais erudito, ele prontamente o “trocava em miúdos” para que todos entendessem. O mesmo fazendo se a “louçania” provinha da boca de algum entrevistado. Era o rádio em sua tarefa básica de divertir e informar.

Se levava ao ar alguma denúncia, era no cumprimento de seu dever profissional, de jornalista e cidadão, mas sempre com o microfone democraticamente aberto para quem desejasse “responder” ou “esclarecer” o fato. Um homem ético, portanto, incapaz da incidência no erro das atitudes inflexíveis ou rancorosas.

As poucas vezes em que o poder político subtraiu-lhe o microfone coincidiram com momentos em que fatos comprometedores reclamavam “versão oficial” que omitisse a verdade. A paixão do velho radialista pelo microfone não era maior que sua honra. Sempre que necessário perdeu o microfone, para manter dignidade. Essa ninguém lhe tascou!

Em sua vida particular sempre foi pessoa acessível e muito simples. Nada mais fácil que chegar a ele e falar com ele. Nas primeiras horas do dia costumava transitar pela Praça João XXIII, nas imediações do Ponto de Taxi fronteiro à Rádio Jornal, quando não se detinha por longos papos nas cadeiras comunicativas do Bar Lamarca. Estar por ali era para ele como tomar o pulso da cidade. Parodiando o antigo colunista Ibraim Sued, ao dizer que “em sociedade tudo se sabe”, Zé Américo frequentava a “República do Lamarca” (denominação dada por ele ao local), esquina onde “a vida leopoldinense é passada a limpo”, e fervilha – talvez até um pouco além da conta...

Para se ter uma ideia do grau de informação daquela esquina, imaginem que há alguns anos, o autor destas linhas combinou com o Otto Valentim (o ex-craque botafoguense, Otinho) a compra de um imóvel que o mesmo possuía em Leopoldina. Acertamos o negócio por telefone, à noite: eu, em minha casa de Leopoldina e ele em seu apartamento do Rio. No dia seguinte, antes do meio dia, Otinho chegava, direto do Rio, ao Cartório do Adilson Velasco, onde já o aguardávamos. Assinamos a escritura e fomos a pé até o Banco do Brasil, na Pça. Gal. Osório, onde o preço do imóvel seria transferido para a conta do vendedor...

Pois não é que, ao passar pelo Bar Lamarca, sem que interrompêssemos a caminhada, pessoas nos davam “parabéns pelo negócio”! Pensei comigo:
- Como eles ficaram sabendo, meu Deus? Haveria uma “escuta”, algum microfone de alta impedância plantado dentro do Cartório?...
Tem-se aí o “grau de informação” reinante na “República do Lamarca”.

Zé Américo sabia das coisas. Sabia que naquela esquina nada passa despercebido. Sem falar que todos os políticos profissionais de Leopoldina têm olheiros plantados naquelas cadeiras. São os “rêmoras”, ou peixe piloto, aqueles miudinhos que acompanham os tubarões para lambiscar migalhas no banquete voraz do predador.

O bom jornalista sabe de suas fontes. Pela Rádio Cataguases Zé Américo chegou a totalizar 381 transmissões esportivas, como repórter e apresentador; pela Rádio Leopoldina foram 62 transmissões esportivas, locais e regionais, Das mãos dele saíram 32 campeonatos regionais de futebol, organizados.

Nos anos 80, por sua atuação na Rádio Cataguases, o nome de Zé Américo firmou-se como influência marcante nas cidades de Leopoldina, Cataguases, Juiz de Fora, Muriaé, Além Paraíba, Miraí, Recreio e Visconde do Rio Branco. Deu-se, aliás, no programa intitulado “Esportes com Zé Américo”, naquela emissora, que nosso biografado atingiu seus mais altos índices de audiência, inclusive com a montagem, ao vivo, nos estúdios do programa, de vários campeonatos regionais – claro, com a participação, “no ar”, de todos os interessados.

A partir de 1987, Zé Américo, assumiu a gerência comercial e administrativa da Multisson Rádio Jornal de Leopoldina, onde se destacou com os programas de jornalismo político, “Flagrantes”, “Fio da Navalha”, “Ponto Crítico”, “Detalhes”, “Integração” e, seu último sucesso de público ouvinte: o “Roda Viva”.
Entre 1989 e 1992 e no ano 2000, trabalhou na Prefeitura Municipal de Leopoldina, como Assessor de Imprensa,

A Rádio Jornal de Leopoldina, antiga ZYK-5, experimentou, na diretoria arrojada de José Américo, sua fase áurea. Realizou transmissões diretas, do Maracanã e do Mineirão, durante 6 anos consecutivos, de jogos do campeonato carioca e mineiro. Dependendo da importância do “clássico”, a cobertura da Rádio incluiu, algumas vezes, transmissões de jogos realizados no interior paulista.

Também no jornalismo escrito a presença de José Américo mostrou-se substanciosa em suas passagens pelos jornais “Nova Fase”, “Gazeta de Leopoldina”, “Folha de Leopoldina”, “Jornal Ilustração” e “Correio da Cidade”, de Cataguases. Mercê de sua simpatia e comunicabilidade, grande traquejo social e notável facilidade de improviso ao microfone, não foram poucas as vezes em que foi solicitado a conduzir eventos políticos, sociais ou culturais.

Felizmente, em muitas oportunidades José Américo logrou colher o reconhecimento de seu trabalho. Exemplo disto foi a Feira Estadual de Ciências, promovida pelo Colégio Central, de Belo Horizonte, em que alcançou classificação com seu aparelho de física denominado “Paradoxo Gravitacional”.

Em 1985 conquistou o troféu “Destaque Imprensa”, pela Rádio Super B-3, de Juiz de Fora, e, naquele mesmo ano, a Liga de Futebol de Juiz de Fora promoveu um campeonato regional para disputa do “Troféu José Américo Barcellos”, o qual, aliás, veio a ser vencido pelo Nacional Atlético Clube, de Muriaé.

A Câmara Municipal de Cataguases concedeu-lhe o título de Cidadão Cataguasense. Para seu maior orgulho, também o legislativo leopoldinense, como não poderia deixar de ser, atribuiu ao filho dileto – que apenas por acaso não nascera em Leopoldina – o título de Cidadão Leopoldinense.

Nosso maior nome da imprensa falada de Leopoldina tornou-se ainda detentor da “Medalha Ordem do Mérito Legislativo” do Estado de Minas Gerais, a ele outorgada pela Assembléia Legislativa de Minas, no dia 3 de dezembro de 1999.

José Américo Barcellos casou-se, aos 10 de janeiro de 1959, com Da. Wanda Bela Barcellos, falecida há cerca de três anos. O casal teve um único filho, o hoje engenheiro, Helder Bela Barcellos, casado com Walkiria Thomé Barcellos, que deram a José Américo e Wanda as netas, Letícia, de 20 anos e Lara, de 16 anos.

No dia 5 de setembro de 2011 faleceu na Casa de Caridade Leopoldinense esse grande exemplo de homem público e cidadão de nossa terra. Seu passamento cai como sombra e silêncio sobre o céu de Leopoldina. Para o redator destas notas uma enorme perda pessoal.

Inúmeras vezes participamos, na Rádio Jornal, sempre com muito entusiasmo, dos programas do Zé Américo. Seus convites, constantes e a simpatia com que ele nos apresentava a seu público e nos introduzia aos debates, era enorme. Mencionava, quase sempre, a figura de meu falecido sogro, o médico Dr. Lélio Lara, a quem Zé Américo sempre devotou grande carinho.

A lacuna deixada por José Américo Barcellos no coração dos amigos e na vida leopoldinense veio atestar, sim, que algumas pessoas são de fato insubstituíveis. No caso dele, muito especialmente insubstituível para seu extremoso filho, Helder com a esposa Walkíria, para as netas, Letícia e Lara, mercê da figura ímpar que foi, de esposo, pai e avô. Sem o Zé a cidade de Leopoldina não é a mesma.
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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Rido de Barros Oliveira

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Na foto: Rido de Barros, jan. 2003, na sede da BMPL.


Agosto, 2003


Rido de Barros, como era mais conhecido, foi o idealizador e fundador da Banda Musical Princesa Leopoldina, uma instituição leopoldinense sem fins lucrativos que visa atrair para a carreira musical e ensinar música gratuitamente a jovens talentos de nossa cidade, trabalhando a priori com crianças e adolescentes dos segmentos menos favorecidos da sociedade.

Nascido no distrito de Barra Alegre, município de São José do Ribeirão Preto, RJ, aos 11 de março de 1943, era filho o filho mais velho dentre os oito que teve o casal, Odir Barros de Oliveira e Venizia Julia Benvenute de Oliveira.

Seu pai, Odir, foi farmacêutico em Nova Friburgo, RJ, cidade onde Rido residiu desde menino.

Ainda jovem tornou-se sócio e músico clarinetista da Banda de Sâo José do Ribeirão Preto. Depois, em Nova Friburgo, passou a integrar os quadros da famosa Banda Euterpe Friburguense, chegando a Conselheiro da Euterpe.

Vindo para Leopoldina no início dos anos 60, casou-se com a leopoldinense, Maria da Conceição Fajardo Oliveira, com quem teve os filhos: Fernanda, que é casada e tem um filho; Reinaldo, casado com dois filhos; e Juliana, solteira.

Além de seu trabalho na Banda Musical Princesa Leopoldina e de gerir uma propriedade rural – na qual tornou-se o primeiro grande criador de suínos sob técnica apura, no município – Rido tomou em suas mãos o aperfeiçoamento de nossa Casa de Cursilhos e a reforma da Capela do Asilo Santo Antonio.

De suas obras, entretanto, a que mais o emocionava era, sem dúvida, a Banda Musical Princesa Leopoldina.
Essa instituição foi criada em 1998, quando Rido liderou um grupo de amigos – ele, seu cunhado Nelito Barbosa Rodrigues, Ronald Alvim Barbosa, Rodrigo Arantes Queiroz e José do Carmo Rodrigues - e com eles, depois de algumas reuniões, logrou ver formada essa importante agremiação musical de utilidade pública.

De fundamental importância pra o projeto foi o apoio financeiro da Cia. Força e Luz Cataguases Leopoldina, obtido por Rido, para a compra de uniformes, instrumentos, etc, e a própria sede da Banda, em compartimento da Usina Cultural da Hidrelétrica, na Rua Lucas Augusto, 36.

Quem o acompanhava nas apresentações da Banda, percebia que ele mal podia conter a emoção de ver aqueles meninos pobres em suas belíssimas execuções.

Rido faleceu aos 60 anos, no dia 24 de agosto de 2003, às 9:30h, na Casa de Caridade Leopoldinense, vítima de uma fatal pancreatite. Como anotado no jornal LEOPOLDINENSE de 30 de agosto de 2003, Leopoldina perdia um amigo, um benemérito, um insubstituível homem de bem.
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Obs. Nas fotos, oportunidade em que a Banda Musical Princesa Leopoldina participava de evento festivo nas ruas centrais da cidade; embaixo, Rido de Barros ladeado por Nelito Barbosa Rodrigues e pelo então presidente da Banda, José do Carmo Rodrigues, o jovem músico Tiago e um irmão de Rido, de camisa branca.
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(Publicado no LEOPOLDINENSE de 30 de agosto de 2003)

domingo, 7 de agosto de 2011

Sebastião Rodrigues de Oliveira

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Foto: Sebastião em encontro de família no Sítio Puris, com João Lima (cunhado), Pequetita (cunhada), Bárbara (irmã), Madalena (irmã), Dalva (cunhada) e Geraldo (irmão)


Sebastião Rodrigues de Oliveira, nasceu em 02/02/1907, mas foi registrado como sendo em 07/01/1907, em Leopoldina. Fez o curso primário na Boa Sorte com a professora Climene Godinho Netto. Quando rapazinho, trabalhava com os irmãos na lavoura. Sentindo, entretanto, que os manos eram mais afeitos àquelas tarefas, pediu ao pai que o deixasse trabalhar em “outra coisa”, pois não se sentia bem no roçado. Empregou-se na farmácia de Maria Eulália, em Leopoldina, cidade em que se casou, a 20 de abril de 1933, com Maria de Lourdes Godinho.

Passou a morar em casa pertencente a Heitor Medeiros, “na Linha” (ferrovia), centro de Leopoldina, tornando-se proprietário de uma venda no mesmo local. Ali nasceram os filhos: Dilma e Dilton. Em 1939 mudou-se para Varginha (localidade rural, na divisa de Leopoldina com Além Paraíba), onde passou a gerenciar o comércio dos Monteiro de Barros. Na Varginha nasceram seus filhos: Dyrlene, Dilmene, Delmo, Dionice e Dilce.

Em 1948, mudou-se para Trimonte, onde adquiriu a loja, “Casa Santa Teresa”. Vendia de tudo um pouco: tecidos, linha, agulha, ferragens, açougue, bebidas, combustível (gasolina, querosene), remédios, secos e molhados, até picolé. Vendia a dinheiro, fiado e, doava, para quem ele achava que não podia pagar. Nunca cobrava um devedor, entendendo que se a pessoa não pagava era porque não podia. E, assim, deixava de receber muita coisa.

Homem íntegro, de honestidade inabalável, humilde, religioso, autodidata, pois tinha pouco estudo formal, mas muita sabedoria - haurida na vida e em tudo que lia e ouvia. A hora do Jornal Nacional, da TV Globo, era sagrada, não podia zumbir mosquito. Respondia sempre ao “Boa noite” do apresentador, Cid Moreira, recolhendo-se logo depois.

 Em 1949 foi nomeado Inspetor Escolar em Trimonte, pelo então Governador de Minas Gerais, Milton Soares Campos, cuja assinatura no documento ao lado é conjunta com o Secretário, Abdgar Renault.

 Em 1951 foi nomeado Adjunto do Promotor de Justiça da Comarca de Além Paraíba, no distrito de Trimonte, pelo então governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek, que firma com Antonio Pedro Braga o documento de nomeação, abaixo.


Em 17 de dezembro de1988 recebeu o Título de Cidadão Honorário da Cidade de Volta Grande, MG, por serviços prestados à comunidade, título que, por modéstia , deixou de ir receber pessoalmente, sendo-lhe entregue em casa.

Com o falecimento da esposa, Maria de Lourdes, em 1969, vendeu seus bens em Trimonte e mudou-se, com Delmo, para Juiz de Fora, onde as filhas Dilma e Dilce já residiam. Os tempos não eram fáceis, mas conseguiu propiciar bons estudos para todos os filhos, que a partir daí puderam seguir, cada um, seu próprio caminho de sucesso.

Gostava de colecionar provérbios, ensiná-los e aplicá-los no seu cotidiano. Exaltava a instituição familiar, comparecendo a todos os eventos para os quais era convidado e se, por algum motivo, não podia comparecer, mandava sempre um representante seu – filho, filha, neta ou neto. Na família e na sociedade foi um homem solidário, nas alegrias e nas tristezas. Em tal sentido deixou seu maior legado, constituindo-se numa referência para os filhos, netos e bisnetos.

Algum tempo antes de falecer, ciente de que estava doente, deixou escrito de próprio punho que não queria tristezas, pois ele era muito feliz, sentia-se uma pessoa realizada em todos os sentidos.

Sem dar-se conta criou, com as reuniões de familiares promovidas em sua casa, principalmente em Trimonte, o ambiente que proporcionou os posteriores Encontros dos Descendentes de Totônio e Mariquinhas.

Quando se discutiu a não realização do Primeiro Encontro, previsto para setembro de l98l, em virtude do falecimento recente de um parente querido, foi dele o argumento mais forte a favor de se manter a data do Encontro. No seu modo simples e direto, fez ver a todos que se a morte de um parente constituísse um motivo para impedir o Encontro da família, este nunca se realizaria porque “sempre existiriam pessoas com idade para morrer, inclusive ele, que era o filho mais velho de Totônio e Mariquinhas”.

Tio Bastião - como o chamávamos - foi homem boníssimo, prestativo, solidário e muito bem humorado. Tinha também o hábito singular de anotar num caderno os nomes das pessoas que conheceu desde a juventude e a ocasião em que a aproximação se dera. A relação era enorme.

Gostava de contar histórias antigas, curiosas, do seu tempo de rapaz, na Boa Sorte, principalmente envolvendo desavenças corriqueiras entre irmãos, cunhados e outros familiares.

Uma delas conta que, certa vez, Tio Antonico Vicente, que apreciava uma cachacinha, chegou à Boa Sorte e, antes de apear do cavalo, já dava mostras a Totônio de que estaria meio tonto. Podia ser que houvesse um pouco de “teatro” da parte de Antonico que, tal como o cunhado, seria meio brincalhão.

Totônio, porém, observando a dificuldade com que Antonico, já no chão, amarrava o animal, gritou para a esposa:
- Mariquinhas, prepara um café forte pro Tio Antonico!
Ao que o visitante, entendendo logo que café forte seria remédio para tonto, ficou bravo e partiu, bravo, na direção do cunhado.
- Você está dizendo que eu estou bêbado!
Foi quando Totônio, precisando dissuadir o genioso, apanhou no alpendre (que na Boa Sorte era baixo, quase ao nível do chão) uma cadeira e, com ela erguida sobre a cabeça como se fosse um porrete, convidou:
- Vamos sentar, Tio Antonico...
Deu tudo certo.

Tio Bastião gostava muito de arroz doce. As irmãs e cunhadas sempre que recebiam sua visita procuravam agradá-lo com esse doce na sobremesa. Ele comia rindo do agrado, tantas vezes repetido.

Faleceu em Juiz de Fora, de câncer de próstata, aos 88 anos, no dia 5 de maio de 1995, e foi sepultado em Leopoldina. Deixava os filhos, Dilma Godinho Rodrigues, solteira; Diltono Godinho Rodrigues, cssado com Darticléa Marinho Rodrigues, com os netos Junia, Marcela e Diltinho; Dirlene Rodrigues Defilipo, viúva de José Brás Defilipo, com os netos Maria Márcia, Paulo Márcio e Maria Angélica; Dilmene Godinho Rodrigues de Mello, casada com José Luciano de Mello, com os netos Leonardo, Júlio César e Priscila; Delmo Godinho Rodrigues, solteiro; e Dilce Godinho Rodrigues Sanches, casada com José Edelberto Sanches, com os netos Rodrigo e Lucília.

A esposa, Maria de Lourdes Godinho Rodrigues, nasceu em 29.11.1908 e faleceu em 29.09.1969. Era filha de Climério Duarte Godinho e Emília Soares. Climério foi durante muitos anos o administrador da Colônia Constança, em Leopoldina, e em função desse cargo residiu na fazenda da Boa Sorte, sede da Colônia, propriedade vizinha à de Antonio Augusto e Maria Antonia, pais de Sebastião.

Climério era filho de Francisco Bittencourt Godinho e Francisca Carolina Duarte e Castro. Pelo lado materno, era neto de Francisco de Paula Duarte e Castro e Carlota Carolina Duarte. Pelo lado de seu pai, Antonio Bittencourt Castro e Florismina da Conceição Coutinho eram os seus avós. Impossível não mencionar que a filha mais velha de Climério, Climene Godinho Netto, foi estimada e histórica professora na escola municipal que hoje tem o seu nome, no bairro da Boa Sorte.
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(Biografia baseada no livro “Os Rodrigues da Fazenda Puri”, de autoria de José Luiz Machado Rodrigues)

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Carmen da Silva Xavier (Da.)

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Fotos: Jornal LEOPOLDINENSE

Fevereiro, 2001

Da. Carmem da Silva Xavier nasceu em Leopoldina, Minas Gerais, no dia 15 de Janeiro de 1890, mais precisamente no distrito de Tebas, situado a doze quilômetros da sede do município, à margem da rodovia que liga Leopoldina a Juiz de Fora.

Filha de Antônio e Albina da Silva Xavier, Da. Carmen era prima em quarto grau do mártir da Inconfidência Mineira e patrono cívico do Brasil, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, e, comprovadamente, a última “Silva Xavier” a conservar o glorioso sobrenome.

Organista e poetisa, era formada em psicologia, ministrava aulas de piano e para o ensino fundamental. Tendo deixado o arraial de Tebas, no ano de 1913, passou a residir em Leopoldina onde lecionou, por 45 anos, o piano e todas as matérias programadas para admissão ao ginásio

Publicou versos em revistas e jornais de Leopoldina e editou, por conta própria, um livro denominado “Flores Esparsas”, no qual, à página 2, está o poema “Morte”, com a seguinte quadra, transcrita pela Gazeta de Leopoldina, de 17 de fevereiro de 2001:

“Morte! Espectro lúgubre, sombrio
Que sempre nos vigia os passos
E arrebatas estes com gesto frio
Levando todos seguros nos teus braços”.

Da. Carmen foi uma das fundadoras da Igreja Metodista, em Leopoldina, erguida no terreno de sua própria casa, na Rua Manoel Lobato, 88, Bairro da Grama.

Solteira, não teve filhos. Viveu os últimos trinta anos de sua longa existência em companhia da família do senhor Jaime Venâncio Guida, na Rua João Gualberto, 29.

Faleceu em 11 de Fevereiro de 2001, aos 111 anos. Como afirmado pela Gazeta de Leopoldina, em nota por ocasião de seu falecimento, foi “uma das figuras mais queridas da história de Leopoldina”.

E, certamente, das mais ilustres que por aqui nasceram e viveram.
                                                                                                                                                                                                                                                                
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Geraldo Rodrigues de Oliveira


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Geraldo Rodrigues de Oliveira, foi contabilista, bancário, securitário e pecuarista leopoldinense, nascido, em 16.06.1921, no Sítio Puris, de propriedade de seu pai, no Bairro da Onça, em Leopoldina, e falecido no Rio de Janeiro, aos 15.06.1995, sendo sepultado em Leopoldina.

Foi o mais jovem dos sete filhos do também agricultor Antonio Augusto Rodrigues (Totônio Rodrigues) e de sua esposa, Maria Antonia de Oliveira Rodrigues (Mariquinhas).

Geraldo atuou como ex-combatente da Segunda Guerra Mundial, tendo servido à FEB – Força Expedicionária Brasileira, com sua unidade do Exército destacada para o município de Caravelas (BA), onde participou de operações de defesa da costa brasileira, então insegura ante o movimento de navios alemães.

(O Presidente Getúlio Vargas passa em revista as tropas, em Caravelas, BA - Geraldo é o soldado perfilado, em primeiro plano)

Após a guerra, retornou a Leopoldina para exercer as profissões de bancário (Banco Ribeiro Junqueira) e securitário (Sul América Seguros), assumindo ainda a administração da propriedade Sítio Boa Sorte, que lhe coube por herança.

Homem dedicado à família e à sociedade leopoldinense, na qual se fez notavelmente estimado, participou também da direção da Cooperativa de Consumo dos Bancários, foi diretor do Clube Leopoldina e um dos fundadores do Clube do Moinho – todos em Leopoldina..

Por sua formação contábil e bancária, Gerldo foi pessoa extremamente organizada, tendo reunido ampla experiência de vida. Com tais virtudes e grande espírito de familia, veio a ser, para seus filhos e sobrinhos, uma referência de bom conselheiro, apoio e exemplo. Sempre muito solicitado e acatado por todos.

Esteve entre os principais idealizadores da realização dos Encontros da Família Rodrigues, em Leopoldina. É dele o texto abaixo, retirado do livro de sugestões do “IV Encontro da Família Rodrigues”, em 1990:

“A nova geração tem competência para organizar e manter sempre esta confraternização, tão importante para toda a família. É nossa obrigação darmos o nosso apoio e incentivo para que os próximos Encontros tenham mais participação ainda, com base na fé cristã que herdamos de nossos pais. Set / 1990.”

Geraldo Rodrigues de Oliveira e sua esposa, Dalva Rodrigues de Oliveira, com quem se casou em 7 de setembro de 1949, tiveram os filhos: Elisabete, casada com Roberto Maris, residentes em Juiz de Fora, casal que lhes deu os netos, Letícia e Eduardo; Roberto, casado com Elizabeth Tostes Bastos Oliveira, residentes em Niteroi, com os netos, Vitor, Caio e Lucas; Pedro Paulo, casado com Adelina Cadete de Resende Oliveira, residentes no Rio de Janeiro; Leonor, falecida; Fernando, casado com Fernanda Rodrigues Viveiros de Oliveira, residentes em Leopoldina, com os netos, Luísa e Lívia; e Carlos, solteiro, residente em Leopoldina.

A esposa, Dalva Rodrigues de Oliveira, era de Pirapetinga, MG, tendo nascido em 10.11.1927, filha de Nestor de Oliveira e Maria Leonor Luz de Oliveira (Marocas). O casal contraiu núpcias em Providência e fixou residência em Leopoldina, onde sempre viveu.

Dalva veio a falecer aos 13 de setembro de 2008, no hospital de Leopoldina, surpreendida em casa por um infarto do miocárdio, aos 81 anos.

Tia Dalva, como era por todos conhecida, foi dedicadíssima à família, aos filhos, aos netos, aos sobrinhos, genro, noras, cunhados e cunhadas. Tinha como características pessoais a alegria, a comunicabilidade, grande vitalidade, paixão pela vida e pelas pessoas. Como disseram seus filhos, ela “nasceu com o nome de estrela e, depois de brilhar aqui na terra, partiu pra refletir com maior intensidade e guiar nossos caminhos. Foi exemplo de amor, carinho, amizade, jovialidade e vida. A estrela Dalva, ou simplesmente Dalvinha, seguirá brilhando. Eternas saudades. Seus filhos, genro, noras e netos.”
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terça-feira, 10 de maio de 2011

João Rodrigues

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(Foto: Janeiro, 1968)


João Rodrigues foi um agricultor e pecuarista leopoldinense, nascido em 23 de agosto de 1911 na localidade rural denominada Sítio Puris, no Bairro da Onça, e falecido em Leopoldina aos 23.03.1974. Era filho do também agricultor Antonio Augusto Rodrigues (Totônio Rodrigues) e de sua esposa, Maria Antonia de Oliveira Rodrigues (Mariquinhas).

João e seu seis irmãos foram criados na propriedade de Totônio e Mariquinhas, na Boa Sorte, mais exatamente o lote nº22 da Colônia da Constança, adquirido pela família em 1924. Casou-se, em 1937, com a prima de segundo grau, Maria Pereira Machado Rodrigues (Pequetita), professora na escola pública da Vargem Linda e, nesse lugar, também conhecido por Lajinha, nasceram os quatro primeiros dos onze filhos que o casal veio a ter.

A residência era a própria Casa da Escola, construída por João – e que ainda hoje existe - onde a família residiu até o ano de 1945, ocasião em que Pequetita obteve transferência para a Escola do Bairro da Onça, que funcionava numa sala contígua à Capela de Santo Antonio. Por essa ocasião, a família passou a residir no Sítio Puris, onde João nascera.

Autodidata, inteligente e bem informado, João gostava de ler revistas, principalmente Seleções do Reader´s Digest, e também jornais que, naquela época, não chegavam com regularidade ao meio rural. Fazia pouco alarde de suas preferências políticas, mas era simpático ao PR de Artur Bernardes.

Por herança e por compra ou cessão de alguns irmãos, fixou-se no Sítio Puris, que era parte da antiga Fazenda Puri. Nessas terras, além do cultivo de cereais, construiu com suas próprias mãos, curral, paiol, tulha, engenho de cana para fabricação de rapadura e açúcar, olaria, serraria e um moinho de fubá movido a água. Chegou a conquistar, dentre muitos outros, o 1º prêmio, na Exposição Agropecuária de Leopoldina, pela qualidade do produto de seu moinho.

Muito habilidoso, trabalhava com couro, madeira, ferro, hidráulica, eletricidade, construção civil e na ordenha e manejo do gado. Seus empregados se ocupavam apenas da lavoura (plantio e colheita) e da roçagem dos pastos. Todas as demais tarefas João as realizava pessoalmente, com refinado “engenho e arte”.

Por volta de 1946, João dotou a sede da propriedade de água encanada e sanitários - o que, na década de 40, era bastante incomum nas fazendas. Em 1948, juntamente com o vizinho e cunhado, Odilon, eletrificou o Sítio Puris, trazendo posteamento e rede a partir da venda do Timbiras. Pouco tempo depois, tomou a si a tarefa de recuperar teto, paredes e pintura da Capelinha de Santo Antonio, da Onça. (Não é dele – ressalve-se – a desfiguradora reforma do teto que lá está, feita muitos anos depois)

Em 1955, para facilitar a educação dos filhos, muito sacrificados com idas e vindas, a cavalo, ao Colégio Leopoldinense, João e Pequetita adquiriram casa na cidade e se mudaram. Mas a partir daí, e até seu falecimento em março de 1974, foi João que passou a ir, todas as manhãs, tocar a vida do Sítio, que era o sustento de sua família.

Seu falecimento, em março de 1974, se deu em conseqüência de ferimentos em um desastre automobilístico. Após sua morte a família transferiu residência para o Rio de Janeiro (RJ).

João Rodrigues foi um homem muito comunicativo e popular no meio em que vivia. Sempre de bom humor, gostava de rir e fazer piadas com os amigos. Parecia viver algumas situações pelo simples prazer de fazer graça. Um exemplo disto foi o pequeno cavalo que possuiu, chamado Guarani, no qual costumava ir à cidade. Sem dúvida que ele poderia possuir – e muitas vezes possuiu – um animal maior e melhor. Guarani, além de muito pequeno, era ruim de marcha (trotão), o que tornava pouco agradável cavalgá-lo. Mas João gostava de usá-lo. Certa ocasião, o ex-expedicionário da FEB na Itália e primo de minha mãe, Derneval Vargas, comentou comigo em tom de pilhéria:
-Que coisa mais esquisita é aquela! Seu pai um homenzarrão de quase dois metros de altura cavalgando aquele minúsculo Pequira! Parece até que ele está com um cavalinho de brinquedo no meio das pernas...

Além dessa pessoa alegre, João era também extremamente solidário com os menos favorecidos. Estava sempre ajudando pessoas em dificuldade. Mas João foi, sobretudo, um forte, um bravo, um lutador incansável. Suportou a dura tragédia da perda de três filhos ainda jovens, dos onze que teve. Criou os outros oito com os dotes da terra, fecundada com suas próprias mãos. Ele fez jus aos versos de Homero, na Ilíada, pronunciados por Ulisses em tributo ao herói, Aquiles:

Se um dia contarem minha história, digam que andei entre gigantes.
Os homens nascem e morrem, como o trigo no campo.
Mas esses nomes jamais serão esquecidos.
Se um dia contarem a minha história,
digam que vivi no tempo de Heitor, o domador de cavalos...
Digam que vivi na época de Aquiles. 

Quando de seu falecimento, a Câmara Municipal de Leopoldina consignou um voto de pesar à família, cujo agradecimento fizemos nos termos da correspondência abaixo:

Rio Verde (GO), 22 de abril de 1974.

Ao
Exmo. Sr. Vereador
Dr. Dalmo Pires Bastos

Amigo Dr. Dalmo,

Chega-nos hoje o conhecimento de que o Legislativo Municipal de Leopoldina, por moção partida de V. Exa., em sessão de dois do corrente, dignou-se dirigir a nossa família um voto de pesar pela morte de nosso inesquecível pai.
Com esta, vimos manifestar a V. Exa. a gratidão da família, ao mesmo tempo em que nos permitimos solicitar-lhe faça chegar à Mesa, e a cada um dos membros dessa Casa, sinceros agradecimentos.
-Nosso pai, João Rodrigues, não viveu muito. Mas aos 63 anos de sua fecunda existência, soube legar aos filhos o exemplo que foi de chefe de família, de cidadão honrado, de homem do trabalho e, sobretudo, de bondade.
-Consola-nos, hoje, saber que ele partiu deixando realizado todos os seu sonhos; posto que fossem de homem simples esses sonhos.
Mais chegado aos humildes, e essencialmente humilde, nunca almejou a fortuna ou a notoriedade mundana. Lutou não mais que pela educação e bem-estar dos seus, o que arrancou da sorte e da terra, com amor, perseverança e áspero sacrifício.
Tinha no modo simples de ser e na singeleza da vida que gostava de viver, sua maneira própria de ser feliz e de ser bom.
Deixou-nos cedo, mas tendo conhecido a glória, quase sempre rara, de ver-se realizado em si e, na realização dos filhos. Amigo de todos, foi homem de bem na mais completa inteligência da expressão.
-O conforto que – por seu passamento – nos traz essa Casa de Representação Pública, nós o recebemos como justa homenagem da terra querida à memória de seu filho exemplar.
E tal como a inscrição celebre, nós a colhemos no fundo do coração, pois “esta é a glória que fica, eleva, honra e consola...”
Cordialmente,
José do Carmo Rodrigues
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(Dados desta biografia foram extraídos do livro “Os Rodrigues da Fazenda Puri”, de José Luiz Machado Rodrigues – Luar Artgraf Ltda. – Leopoldina, MG – 2006)

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Lydio Machado Bandeira de Mello (Prof.)

***
Setembro, 1983
(Foto: Internet)

O doutor e professor Lydio Machado Bandeira de Mello foi ex-diretor do Colégio Leopoldinense por algum tempo, e, seguramente, um de seus mais notáveis professores em todos os tempos. Em Leopoldina, lecionou também no Colégio Imaculada Conceição, tal como registrado neste Blog na biografia de Maria Machado Rodrigues, em cuja formatura, no ano de 1933, foi o professor Lydio o orador que procedeu ao encerramento da cerimônia de diplomação das formandas.

Detentor de vasta e consagrada bibliografia, grande filósofo e jurista, foi também professor universitário em Belo Horizonte. Empresta ele nome à "Biblioteca Lydio Bandeira de Mello", na Faculdade de Direito - UFMG, sita à Av. João Pinheiro, 100 - Centro, Belo Horizonte / MG.

Em 1950, quando ingressamos no primeiro ano ginasial, no Colégio Leopoldinense, o Prof. Lydio cumpria, possivelmente, seu último ano de magistério em Leopoldina. Não tive, pois, a felicidade de ser seu aluno. Minha mãe, formada normalista em 1930, para quem ele lecionara Português no Colégio Imaculada Conceição, guardou com cuidado e me passou a terceira obra do grande mestre, "No Templo da Sabedoria".

Numa livraria da Rua da Carioca, no Rio de Janeiro, encontrei a "Teoria do Destino", de 1944; e o advogado cataguasense, Dr. Galba Ferraz, ofertou-me, recentemente, a "Prova Matemática da Existência de Deus", uma edição da Gazeta de Leopoldina, de 1942. Faltam-me "O Problema do Mal", "Minutos de Meditação", "Responsabilidade Penal" e "A Procura de Deus".

Mestre do Direito ser ser exatamente um literato, Lydio foi acima de tudo um pensador vigoroso. Em Muriaé existe uma rua com seu nome. Em Leopoldina, nem rua nem praça.

Observem a alta ideia de Deus contida na alegoria que propõe para a gênese humana, na "Teoria do Destino", p. 55:

"A queda não foi um pecado, no sentido de ofensa pensada e voluntária a Deus: foi um ato de liberdade facultado por Deus. Deus deu a Adão e Eva a faculdade de escolher (reflexão e liberdade) e a possibilidade de escolher entre o Paraíso e a Terra. Escolhendo o Paraíso, o Homem teria escolhido o dom inferior da perfeição gratuita, adquirido sem esforço e, pois, sem merecimento; tendo escolhido a terra, o Homem caiu (degradou-se e degredou-se, temporariamente), porém não pecou; não ofendeu voluntariamente a Deus. Preferiu a miséria vencível das coisas imperfeitas unida à possibilidade de adquirir por si mesmo (isto é, pelo exercício da reflexão e da liberdade) a perfeição (e o Paraíso). Tornou-se, em verdade, o Filho Pródigo, a quem o Pai deixou que partisse e, depois, recebeu de braços abertos, com o mesmo infinito e inalterável amor."

Convenhamos, tranquiliza e é muito bonito!

Os dados biográficos que se seguem nós os extraímos da coluna “Ex-Diretores”, do jornal REENCONTRO, em sua edição de setembro de 1993.

Nasceu, o Prof. Lydio, em Abaeté em 19 de julho de 1901. Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, em 1927. Iniciou a advocacia em Muzambinho (Sul de Minas), Professor Catedrático de Direito Penal na UFMG, professor de Aritmética, Álgebra, Geometria, Trigonometria, Matemática, Português, Direito Constitucional, Direito Civil, Técnica Comercial, Estatística, História Econômica e Administrativa do Brasil e Legislação Fiscal. Filósofo, autor do ensaio “The Biology of war and the Law of the peace”, considerado por americanos como o melhor texto filosófico de 1969, um dos brasileiros a figurar no “The International Who´s Who”, edição de 69/70, autor de 70 livros com 44 publicados e espalhados por 800 universidades do mundo.

Compõe um sistema filosófico que procura provar serem ontológicas as leis da Matemática pura “que, por conseguinte, nos levam (em sintonia com as leis da lógica formal) a um conhecimento do universo”. Nunca foi reconhecido no Brasil.

Em 1969 ele resolveu, por correspondência, um problema matemático sem solução no Japão. Nas aulas não admitia interpelações; aplaudia, na sala, sua linha filosófica, Platô e Visconde de Araguaia.

Foi professor e Diretor Técnico do Ginásio Leopoldinense, de 01.03.46 a 01.03.47. Iniciou em 06.05.42 uma série de artigos filosóficos, “Novos Minutos de Meditação, publicados no jornal quinzenal do Ginásio, o “Três de Junho”.

Por ocasião do lançamento de seu novo livro “Prova Matemática da Existência de Deus” dirigindo-se aos alunos do Ginásio, em outubro de 1942... “E, se alguém vos disser que Deus é apenas um sonho de nossa alma o qual não tem cabida na Ciência, respondei, com esse livrinho, que Deus é Quem dá existência e leis à nossa razão; que todas as ciências conduzem a Deus pela via direta de seus corpos de doutrina; que a afirmação provada da existência de Deus é o teorema supremo das ciências matemáticas”.

Faleceu em 30.09.84, vítima de insuficiência cardíaca congestiva, no Hospital das Clínicas em Belo Horizonte, tão desconhecido quanto sua obra filosófica.
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(Publicada no jornal REENCONTRO, de setembro de 1983)

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Augusto Timbira (Augusto Lima de Brito)


Foto: Do Certificado do Consulado Geral de Portugal, no Rio de Janeiro, expedido em 12.07.1937
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Fevereiro, 2011

“Augusto Timbira” era como chamavam, na primeira metade do século passado, ali pela região da Onça, Boa Sorte, Constança, Paraíso e adjacências, o comerciante português, Sr. Augusto Lima de Brito. Era ele o dono da “Casa Timbiras”, situada no Bairro da Onça, no início da estrada que demanda a Boa sorte. A “casa da venda” ainda existe, com a frente íntegra. Pertence, hoje, a herdeiros de Francisco Monteiro de Resende.

O Sr. Augusto, que conheci quando criança (entre os anos de 1944 e 1950) e fazia compras para minha mãe, em sua “venda”, a “Venda do Timbira”, era um cidadão português alto, claro, já um tanto calvo por aquele tempo em que contava uns 55 anos, falava com acento lusitano bastante pronunciado, era sublinhadamente bom, amigo, prestativo, correto, atencioso e querido de todos que com ele lidavam, principalmente por seus empregados. Jamais se ouvia uma restrição ou queixa em relação à pessoa do “Sô Augusto”.

Como por aqueles tempos os Armazéns de Secos e Molhados – como a “Casa Timbiras” – tinham, nas comunidades rurais e fazendas, uma função adicional bastante similar à de uma Casa Bancária, o pressuposto da confiança no comerciante assumia importância fundamental. Era ele o comprador ou depositário de parte ou da totalidade da safra dos sitiantes, com os quais mantinha uma relação de Haver e Débito, em caderneta, possibilitando aos proprietários realizar suas compras domésticas sem uso da moeda (de módica circulação, aliás) ou mesmo remunerar seus empregados através do caixa da casa comercial.

De seu Certificado de Inscrição nº22920, do Consulado Geral de Portugal no Rio de Janeiro, expedido em 12 de julho de 1937 - cujo original me foi cedido, para cópia, pelo filho Daniel Lima de Brito - constou ter Augusto Lima de Brito 1,78m de altura, rosto oval (era normalíssimo), cabelos e olhos castanhos, nariz e boca regulares, barba raspada e cor branca; ser solteiro, comerciante, nascido em 13 de fevereiro de 1890, na freguesia de Nespereira, “concelho” de Sinfães, distrito de Viseu, na República Portuguesa - filho de Joaquim Pereira de Brito e de Olívia Joaquina Lima.

Pelo mesmo documento acima consta ainda ter chegado ao Brasil em 12 de dezembro de 1903 – com apenas 13 anos, portanto (O que leva a supor ter emigrado com seus dois irmãos mais velhos, Manoel Lima de Brito, que foi comerciante em Além Paraíba, e Joaquim Lima de Brito, estabelecido como contador no Rio de Janeiro). Lê-se também que à data de expedição do aludido Certificado, Augusto forneceu como seu endereço a Rua Paula Matos, 134, no Rio de Janeiro, e a cidade de Leopoldina, Minas. O endereço da Rua Paula Matos, no Rio, poderia perfeitamente ser o domicílio de seu irmão Joaquim.

A localidade da Onça era, nos anos 40 e 50 (e certamente antes), de muitos sitiantes com seus empregados de roça, basicamente gente pobre, de pés descalços, que vivia de uma incipiente produção agrícola e pecuária. Ainda não se falava de Carteiras de Trabalho, nada de Previdência Social, nada de Salários fixos. Roupinhas simples de panos “da Fábrica” (CFTL – Cia. De Fiação e tecidos Leopoldinense), botinas e sapatos reservados para ocasiões festivas ou religiosas, mesmo assim para poucos.

Era nesse universo de diminuta circulação de moeda que Augusto Lima de Brito tocava sua “venda”, seu pequeno retiro (de leite), sua beneficiadora de arroz e sua criação de porcos. A casa comercial, espaçosa, de bom padrão construtivo e várias portas com arcadas superiores, dispunha de telefone e rádio – únicos ao alcance de toda a região da Onça, Boa Sorte e Constança.

Do escritório do Sô Augusto, na parte anterior da loja, é que as pessoas desse meio rural, que só dispunham de estrada de terra, podiam chamar médicos para visitas domiciliares nos momentos aflitos, ou o “carro de praça” (táxi), nos casos de pronta remoção para o hospital. Os meios de transporte disponíveis eram: cavalo, charrete, carro de bois e, uma vez pelas manhãs, o caminhão que apanhava o leite para a Cooperativa Leopoldinense.

O prestativo Augusto Timbira fazia de seu telefone particular o “telefone público” da região. Com igual desprendimento cedia seus reprodutores suínos, por empréstimo, a sitiantes que não podiam manter em seus chiqueiros um animal com fim exclusivo de reprodução, quando não possuíam mais que uma ou duas fêmeas - tratadas com restos de comida da casa, algum fubá e milho.

Sabia-se que Sô Augusto teve um sócio na Casa Timbiras, o Sr. Elias Veiga, seu grande amigo, que teria vendido sua parte no negócio (antes de 1944, quando os conheci) e montado sua loja exclusiva, de secos e molhados, na cidade, na Rua João Neto, mesmo local onde ainda hoje, reside sua neta Helena Maria Ferraz Veiga, filha de Ruimar. Aliás, após o falecimento do Sr. Augusto, em outubro de 1952, seus filhos, Daniel e Abel, já órfãos de mãe, foram acolhidos, até a maioridade, na residência do Sr. Elias. Abel, nascido em 1936, contava apenas 16 anos. Daniel, o mais velho, também era menor.

Como “Caixeiro” de seu armazém teve Augusto Timbira, por muitos anos, a auxiliá-lo no balcão, o Sr. Antonio do Couto, casado com Da. Terezinha. Este casal tinha um único filho, Expedito. Um rapaz muito claro e alto. Antonio do Couto residia em boa casa, próxima à sede da confrontante, Da. Cecília Pedroso, dentro, entretanto, das terras do Timbiras. Bem próxima, também, do lado oposto ao riacho, era a casa do retireiro, Trajano.

Pouco antes do Sr. Augusto vender tudo o que tinha e acabar com a Casa Timbiras, por volta de 1950, Antonio do Couto mudou-se. Constou, na ocasião ter ido, com a família, para o Paraná. O certo é que não mais apareceu. Antes de Antonio do Couto, fora caixeiro de Augusto Timbira, na Onça, o depois conhecidíssimo comerciante de Leopoldina, “Zequita”, que passaria a possuir, já nos anos 50, um armazém na Praça da Bandeira, no mesmo imóvel em que ainda hoje residem seus descendentes.

Operava a beneficiadora de arroz da Casa Timbira, o Sr. Manoel Isidoro, cuja residência ficava um pouco afastada da sede, na subida do morro fronteiriço à propriedade herdada por Odilon Tavares Machado de seus pais, Severino Machado e Afrânia Tavares Machado, na margem superior da estrada de terra, antiga, que demandava à Constança e à Serra da Vileta.

Muitíssimo mais distante, num pequeno sítio de alqueire e meio, no alto da Serra dos Puris, divisa da propriedade dos herdeiros de Totônio Rodrigues com a Fazenda da Floresta, residia um outro empregado (ou parceiro agrícola) de Augusto Timbira, o Sr. Francisco Tigre, sempre referido como “Chico Tigre”. A esposa de Chico Tigre era a famosa “Sá Joana”, a parteira de toda a região. Suas filhas eram mulatas altas, simpáticas, muito bonitas. Também altos e elegantes eram os filhos, Manoel Tigre, Antonio Tigre e José Galdino. Descendentes de Manoel Tigre residem, hoje, próximo à Capelinha de Santo Antonio, da Onça, bem em frente ao Posto de Gasolina “Puris”.

A venda do Timbira era o ponto de encontro da comunidade rural, nos fins de semana. Como ao lado da venda funcionava a indústria de tamancos e vassouras de piaçaba, pertencente a Geraldino Campana, muitas toras de madeira eram depositadas no largo espaço fronteiriço à venda. Nessas toras os homens se sentavam para conversar e ouvir rádio. Isto mesmo: era mais um “serviço público” do Sr. Augusto à população local: bem sobre o arco superior da porta do meio da venda, pelo lado de fora, havia um alto-falante redondo, qual pequeno “tamborim” branco, que trazia para fora o som do rádio do Sô Agusto.

Augusto Lima de Brito faleceu em 04.10.1952, já viúvo e tendo vendido todos os seus bens, móveis e imóveis, deixando dois filhos de sua união com Da. Maria Luíza Eleutéria: Daniel e Abel, residentes no Rio de Janeiro. Ambos possuem, entretanto, casa em Leopoldina, onde costumam passar fins de semana. De união anterior, Da. Maria Luíza tivera também o filho José, portador de distúrbios mentais graves que o tornavam absolutamente incapaz. José faleceu ainda rapaz, internado numa clínica de repouso, segundo constou na época, ao final dos anos 40.

A historiadora Nilza Cantoni anota que na lápide do túmulo em que está sepultado Augusto Lima de Brito, no cemitério de Leopoldina, a data de nascimento que consta é 10.02.1890. Não será provável, não obstante, que a data inscrita no túmulo por terceiros, não parentes de Augusto, esteja mais correta que a do Consulado de Portugal, no Rio. Observa também, Nilza, que no mesmo túmulo encontram-se sepultados Francisco José P. Fernandes, Francisco Martins Fernandes e Julia Fernandes, falecidos entre 1889 e 2007. Os Fernandes eram portuguêses e tiveram propriedade no alto da Serra dos Puris. Vizinhos, portanto, e certamente amigos do "patrício" Augusto Timbira. São muitos os descendentes da patriarca, Da. Rosa Fernandes, ainda hoje residentes em Leopoldina.

Assim foi a pessoa (e também a “Venda”) do Augusto Timbira, que conheci entre meus 6 e 14 anos, de 1944, quando nos mudamos da Vargem Linda para a Onça, e outubro de 1952, quando, já tendo vendido todos os seus bens, o Sr. Augusto veio a falecer, vítima de câncer, residindo em uma casa do Sítio Puris, que lhe cedeu meu pai, e se situava em frente ao atual marco 771 da Rodovia BR-116, à direita de quem segue no sentido Rio/Leopoldina, cinqüenta metros antes da ponte. Morreu em casa, tendo meu pai como sua única companhia até o derradeiro instante.

Augusto Lima de Brito reuniu em vida todos os atributos de um cidadão indispensável, de um homem honrado e bom.
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sábado, 5 de fevereiro de 2011

José Flávio Moraes Ribeiro (Bisuca)



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Dezembro, 1995

Bisuca, como era preferencialmente chamado pelos amigos, nasceu em Abaíba, distrito de Leopoldina, no ano de 1939, vindo fazer o secundário no Colégio Leopoldinense, a partir do início da década de 1950. Foi o mais jovem dos três filhos que tiveram, o Sr. Francisco Edgard Pinto Ribeiro e sua esposa, Da. Heloísa Moraes Ribeiro.

Magrinho e alto, José Flávio se destacava entre os alunos do Colégio por sua grande simpatia e comunicabilidade, tornando-se companhia a todos bem-vinda. Característica esta que era comum, aliás, também a seus dois irmãos, contemporâneos de ginásio, Mary e Francisco Edgard.

Aluno responsável e aplicado, destacava-se ainda o Bizuca por sua habilidade ímpar no “Jogo de Sinuca”, que era o principal “hobby” da rapaziada do Colégio Leopoldinense, reunida aos sábados e domingos no Bar do Sr. Orlando Leite, na Rua Barão de Cotegipe, em frente ao Cine Theatro Alencar. Poucos se comparavam a ele em técnica e precisão no taco.

Ao término do secundário, seguiu para Rio de Janeiro, onde concluiu Ciências Contábeis e ingressou, por concurso, na TELERJ - Cia. Telefônica do Rio de Janeiro, vindo nessa empresa a aposentar-se nos anos 90.

Faleceu aos 56 anos, vítima de ataque cardíaco ocorrido quando visitava a cidade de Ouro Preto, MG, no domingo, dia 17.12.95. Foi sepultado em Leopoldina, naquela mesma data, às 17 horas. Ultimamente vinha, de fato, apresentando problemas cardíacos bastante sérios. Deixou esposa, Grace Aragon Ribeiro e os filhos Flávio e Alice, residentes em Niterói, RJ.

Aposentara-se recentemente da TELERJ, onde fez carreira e ocupou cargos destacados na área Técnica. Residia em Niterói, desde que se casou, porém, muito ligado a Leopoldina, aqui passava dias seguidos reencontrando amigos e cuidando de suas duas propriedades rurais nas proximidades de Vista Alegre.

Bizuca era pura jovialidade. Nem a consciência da doença séria que o passou a afligir, nos últimos tempos, parecia diminuir a felicidade e a disposição com que encarava a vida. Deixou entre os amigos uma frustração muito nítida de partida prematura e injusta.
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(Publicado no Jornal Reencontro, dos ex-alunos do Colégio Leopoldinense)

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

José Geraldo Machado Rodrigues


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1987

O advogado José Geraldo Machado Rodrigues (Ladinho), nasceu em Leopoldina, Minas, mais especificamente na Escola da Vargem Linda, no dia 15 de setembro de 1940, localidade onde sua mãe era professora pública. Faleceu no interior do Estado do Mato Grosso no dia 6 de maio de 1987.

Era o terceiro filho dos onze que tiveram seus pais, João Rodrigues e de Maria Machado Rodrigues.

Ladinho, que iniciou seus estudos em Leopoldina, no Grupo Escolar Botelho Reis e, depois, no Colégio Leopoldinense, bacharelou-se em Direito pela Universidade Federal de Uberlândia, MG, e veio a se transformar numa das muitas vítimas silenciosas, mas heróicas, das questões fundiárias deste País.

Advogado militante, José Geraldo foi brutalmente assassinado, numa primitiva região de Centro Oeste brasileiro, por “ex-adversos”, isto é, pessoas com interesses processuais contrários aos de clientes seus, em procedimentos judiciais, os mais diversos, principalmente envolvendo domínio e posse de terras litigiosas.

Amor ao direito, inteligência e trabalho árduo foram as marcas mais assinaladas desse corajoso leopoldinense. Dentro do direito, uma paixão irrefreável pela defesa dos mais fracos, dos despossuídos, dos injustiçados. Neste mister fez-se presente e intrépido em regiões longínquas e sem lei do nosso incendiado meio rural, na metade do século XX.

Emprestava arrojo e competência nas questões que conduzia, o que lhe rendia grande conceito e boas amizades, entretanto, na outra ponta, necessariamente angariava descontentamentos em indivíduos incivilizados, incapazes de compreender o contraditório forense e o alcance técnico das decisões judiciais.

Tombou, no exercício de um sacerdócio profissional, no cumprimento do dever inalienável do Advogado que se entrega ao Direito, que não transige com a corrupções e com o erro, que nasceu para arrostar sem hesitação às próprias iniquidades humanas.

Arrojado profissional do direito, não hesitava em anunciar o império da Lei mesmo onde o primitivismo poderia responder com o fogo.

Viveu e morreu na luta pela Justiça, herói extraordinário de um Brasil ainda selvático nos limites de suas fronteiras agrícolas.

O advogado e delegado, José Geraldo Machado Rodrigues, foi um profissional do Direito na mais intransigente acepção do conceito. Um bravo, um idealista, para quem os perigos e as dificuldades simplesmente não contavam.

Com sua morte prematura, Ladinho deixou esposa (Maria de Lourdes Souza Rodrigues) e quatro filhas, Raquel (Médica Dermatologista), Reila (Engenheira Eletrônica), Rosana (Médica Radiologista) e Rejane (Arquiteta), todas então residentes no Rio de Janeiro.
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(Publicado no Jornal Reencontro, dos ex-alunos do Colégio Leopoldinense )

sábado, 20 de novembro de 2010

Nelito Barbosa Rodrigues


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Agosto, 2008

Aos 77 anos, faleceu na segunda-feira, 28 de julho (2008), no Hospital de Itaperuna, RJ, onde fora buscar socorro médico cardiológico, o ex-Agente do INSS em Leopoldina, ex-Vereador, ex-Presidente da Câmara Municipal, ex-Conselheiro e Administrador da Casa de Caridade Leopoldinense, Nelito Barbosa Rodrigues.

Queridíssimo nesta Leopoldina onde nasceu e sempre viveu, Nelito era filho de Nestor Augusto Rodrigues e de Sebastiana Barbosa Rodrigues (Nenê), e casado com Marli de Araújo Rodrigues, que o sobrevive, e com quem teve os filhos: Analice Rodrigues de Uzeda, Marcelo de Araújo Rodrigues, Eduardo de Araújo Rodrigues e Isabela de Araújo Rodrigues.

Vinha, há alguns meses, padecendo de complicações cardíacas. Com indicação para diagnóstico e tratamento coronariano (cateterismo), internou-se no Hospital de Itaperuna, vindo a falecer antes mesmo de qualquer procedimento cirúrgico.

Nelito foi homem essencialmente bom, cordial e amigo de todos (desconhece-se quem não gostasse muito do Nelito). Durante muitos anos funcionário da Previdência Social, sempre procurou fazer de cada segurado um alvo para sua desmedida atenção e solidariedade.

Sério até onde alguém pudesse ser sério, amigo até onde alguém pudesse ser amigo, alegre, bem humorado, prestativo, solidário com quem dele precisasse, Nelito viveu para seu trabalho, para sua esposa, seus filhos, seus netos, para a família.

Tivemos a honra de participar, com o primo e amigo, Nelito, com seu cunhado Rido Barros de Oliveira, com o Dr. Ronald Alvim Barbosa e com o Prof. Rodrigo Arantes Queiroz, da fundação da Banda Musical Princesa Leopoldina, no dia 15 de julho de 1999.

Também quando estivemos na função de Provedor da Casa de Caridade Leopoldinense, pudemos contar com a ajuda segura e honesta e com a experiência de Nelito na área da saúde, tendo ele aceitado ser o Administrador do Hospital, nos anos de 1999 e 2000.

Em 1998, Nelito dispôs em livro suas pesquisas genealógicas sobre a ascendência e a descendência do avô, Paulino Augusto Rodrigues, que foi casado em primeiras núpcias, com Umbelina Cândida Rodrigues e, em segundas núpcias, com Maria José Lacerda Rodrigues. Reuniu, numa grande festa familiar em Leopoldina, mais de duzentos descendentes do avô, Paulino.

O jornal LEOPOLDINENSE manifesta à Marli, filhos e netos do nosso estimado Nelito, seu abraço solidário neste momento triste, de enorme perda, não apenas para a família Araújo Rodrigues, mas para Leopoldina inteira, que perde um filho honrado e exemplar.
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(Nota publicada no jornal LEOPOLDINENSE de agosto de 2008)

Fábio Pereira Furtado


***
Janeiro, 2009

Faleceu, aos 73 anos, no último dia 3 de janeiro, o meu amigo muito querido, Fábio Pereira Furtado. Fábio vinha há meses lutando contra um câncer de pulmão, mas, subitamente, o tumor que chegara a reverter-se quase que por inteiro com o tratamento, voltou a causar transtornos respiratórios. Sentindo-se mal na sexta feira, dia 2 à tarde, Fábio foi internado na Casa de Caridade Leopoldinense vindo a falecer no dia seguinte, às 12 horas. O sepultamento se deu às 18 horas do mesmo dia, no cemitério local.

Nascido a 8 de setembro de 1935, na Vargem Linda, Fábio era filho de Franklin Furtado Filho, falecido, e de Aurora Pereira Furtado, que o sobrevive. Casou-se aos 28 de maio de 1961 com a também leopoldinense, Magdalena de Almeida Furtado, e tiveram os filhos: Flávio e Patrícia, ambos casados. De Flávio são suas duas netas, Bianca e Rafaela.

Filho homem mais velho dentre os nove que tiveram Aurora e Franklin, Fábio teve que assumir muito cedo as responsabilidades do pai, prematuramente falecido. Tornou-se, com pouco mais que 15 anos, o grande apoio dos irmãos e da própria mãe. Por essa época iniciou sua vida de muito trabalho, aqui mesmo em Leopoldina, no Posto V8 do senhor Acácio Serpa.

Aos 20 anos, transferiu-se com a família para o Rio de Janeiro em busca de melhores oportunidades. No Rio, onde sempre residiu na Rua Cândido Mendes, no Bairro da Glória, trabalhou em transporte urbano, agregando ônibus a uma concessionária, trabalhou com mercearia, foi servidor do DNOS e passou, em 1992, ao quadro administrativo do Colégio Pedro II, onde se aposentou.

Vinha residindo em Leopoldina há 16 anos, para onde regressou após a aposentadoria. Com ajuda da esposa Madalena, administrava sua “Pousada do Pato Rouco”, nas proximidades da antiga Fazenda Fortaleza.

Fábio nasceu e se criou dentro de uma família numerosa, muito unida e alegre. Sua mãe, Da. Aurora, sempre foi, e ainda é, apesar da avançada idade, uma mulher comunicativa e bem humorada. Enérgica a seu modo na primorosa educação que passou à prole, gosta, entretanto, de rir e de brincar com os nove filhos que a tratam (quase que) “de igual para igual”. Tanto Fábio quanto seus vitoriosos irmãos – Elza, Nilza, Gil, Valter, Euds, Marlene (falecida), Franklin e Laura - sempre tiveram, em comum, essa marca da espontaneidade e da alegria brincalhona de Da. Aurora.

Uma evidência disto era o próprio apelido familiar do Fábio. Por volta de 1960, com uns 25 anos, Fábio apresentou um calo nas cordas vocais. Problema que logo se revelou benigno, sem conseqüência maior que não fosse uma discreta rouquidão. Foi o bastante para os irmãos o apelidarem, carinhosamente, de “Pato Rouco”. O suficiente também para que Fábio, prontamente e por troça, assumisse o apelido. Ao construir sua “pousada”, em Leopoldina, batizou-a de “Pousada do Pato Rouco”...

Assim era o meu velho companheiro, desde a adolescência em Leopoldina e mocidade no Rio de Janeiro, uma pessoa feliz, amiga e muito comunicativa na maneira de lidar com as pessoas e com sua querida esposa, Madalena. Poucos instantes antes de expirar ainda dispunha de bom humor para fazer rir a sobrinha Magna, que o visitava no quarto do hospital.

A família, principalmente esposa e filhos, pediram que o jornal LEOPOLDINENSE consignasse um agradecimento muito especial ao Dr. Sérgio Maranha, que assistiu Fábio no curso da doença e em seus instantes finais. São gratos à notável dedicação, competência e disponibilidade oferecidas pelo Dr. Maranha em cada episódio da moléstia irremediável que levou de nós, ainda no frescor da vitalidade, essa pessoa tão especial e companheira. Um ser humano transbordante de alegria.

“Alegria”, exatamente a palavra com que seu filho, Flávio, nos pediu que encerrássemos esta nota para publicação. Fábio Pereira Furtado, o nosso mensageiro da alegria.
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(Nota publicada no jornal LEOPOLDINENSE de 15 de janeiro de 2009)

domingo, 26 de setembro de 2010

Padre Antonio José Chamel

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Dezembro, 2005

De uma palestra para seminaristas diocesanos, proferida por Pe. Francisco Faus, Doutor em Direito Canônico pela Universidade de Barcelona, extraímos este prólogo:

“No dia da Ascensão, Cristo coloca os Apóstolos - os primeiros instrumentos vivos de Cristo sacerdote - em frente ao mundo, e os lança a ele, dizendo: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado [...] Os discípulos partiram e pregaram por toda a parte. O Senhor cooperava com eles e confirmava a sua palavra com os milagres que a acompanhavam.” (Marcos 16, 15-16.20).

Esta é, sobretudo, a vocação dos sacerdotes seculares. Não é a vocação do monge, afastado do mundo, vocação sem dúvida alguma necessária e admirável, mas diversa da nossa. Por isso, é importante que os sacerdotes seculares (e também, neste ponto, os religiosos de vida apostólica e missionária, que trabalham no século) vejamos o mundo − que é o nosso campo − como Cristo o vê, com os olhos de Cristo.”

Temos entre nós alguns desses homens particularmente especiais, lançados por Deus ao mundo, a espreitar e a edificar sobre a terra com os olhos do próprio Cristo. Um deles, sem dúvida, é o nosso muito querido e muito amado pelos leopoldinenses, Padre Antonio José Chamel.

No dia 8 de dezembro de 1956 o primeiro Bispo da Diocese de Leopoldina, o legendário Dom Delfim Ribeiro Guedes, ordenava Sacerdote àquele jovem religioso que viria a ser, hoje, o boníssimo Monsenhor Antonio Chamel.

Padre Chamel, como costuma ser carinhosamente tratado na cidade, é membro de uma família exemplar composta de pai, mãe e cinco filhos. Nasceu no dia 29.01.1934, na cidade de São Geraldo, MG. São seus pais o Sr. Chamel José e Da. Gurra Habibi José, sendo ele o irmão mais moço do inesquecível mestre em História (do antigo Colégio Leopoldinense), escritor, historiador e membro da Academia Mineira de Letras, Professor Oíliam José. Conta, ainda, o Padre Chamel, os irmãos Miguel, Judith e Júlia.

Criado em família muito católica, vieram de sua mãe e de seus irmãos os primeiros exemplos de vida religiosa, recebidos. Era hábito da família rezar o terço de Nossa Senhora todas as noites e, um dos marcos mais importantes de sua existência – ele afirma – foi a Primeira Comunhão, momento a partir do qual passou a comungar todos os dias, acompanhado de sua mãe, que tinha o hábito da comunhão diária.

O Curso Primário ele o fez em Visconde do Rio Branco e, com apenas onze anos de idade, iniciou seus estudos no Seminário Menor de Mariana. Naquele Seminário cursou o ginasial e o segundo grau. Também no Seminário Maior de Mariana, cursou Filosofia e Teologia ao longo dos seis anos.

O nosso querido Padre Chamel está em Leopoldina desde 09 de março de 1957 e aqui sempre residiu desde o ato de sua ordenação. Já em 1957, em seu primeiro ano de sacerdócio, iniciou sua carreira de educador, no Seminário Menor Nossa Senhora Aparecida, que funcionava no atual prédio do Centro Pastoral Dom Reis. Em março de 1967 passou a também lecionar na Escola Estadual Professor Botelho Reis, educandário em cujo corpo docente permaneceu até o final do ano de 1991, quando aposentou-se do magistério.

Conta o Padre Chamel 49 anos de exercício constante do sacerdócio, atendendo por vários anos a Paróquia de Piacatuba, à qual está ligado há 30 anos, trabalhando na Igreja sede e nas quatro capelas filiais.
Como capelão do Asilo Santo Antonio, de Leopoldina, ali celebra missas há 27 anos.

O Padre Chamel ama esta nossa Leopoldina, que também é muito dele – e não apenas de coração – porque desde 09 março de 1990 tornou-se portador do título de Cidadão Leopoldinense, em merecida homenagem que lhe outorgou a Câmara Municipal.

Em sua longa jornada sacerdotal nesta Diocese de São Sebastião o Padre Chamel trabalhou com os 6 (seis) Bispos que passaram por Leopoldina. Gostou, indistintamente, de todos eles.

Entre os vários cargos que ocupou destacam-se os de Reitor e Ecônomo do Seminário Menor Nossa Senhora Aparecida, Professor do Seminário Menor Nossa Senhora Aparecida, Professor na Escola Estadual Professor Botelho Reis, Chanceler e Ecônomo da Diocese de Leopoldina, Pároco da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário em Leopoldina, Pároco de Piacatuba, Administrador Paroquial das Paróquias de Angustura e de Santo Antonio do Aventureiro.

Sacerdote piedoso e culto, o Padre Chamel enfatiza que o que mais gostaria que acontecesse em Leopoldina seria ver o triunfo da mensagem de Cristo aceita como caminho natural e vida dos cidadãos e que a fé cristã pudesse ser partilhada pela maioria do povo. Eleva suas orações a Deus para que todos possam encontrar trabalho e o pão de cada dia. E que a chaga do desemprego desapareça de nossas vidas, impondo-se, sob a vontade suprema do Criador, o fim do medo, da insegurança e do egoísmo.
Para nós, leopoldinenses, Padre Chamel é um autêntico Padre da Igreja, no sentido que se davam àqueles grandes homens da Igreja que firmaram os conceitos da nossa fé, e enfrentam, hoje, as muitas dificuldades de um mundo em vertiginosas transformações de costumes e que se mantém fiéis e responsáveis pelo que chamamos de Tradição da Igreja.
Um mestre e um soldado da fé a reafirmar-nos a cada dia, com sua postura simples, piedosa e dedicada, as mensagens que Jesus nos legou através dos Apóstolos.
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(Publicada no jornal LEOPOLDINENSE de dezembro de 2005)

sábado, 25 de setembro de 2010

Olyntho Gonçalves Netto

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2003 (?)

Por iniciativa de nossa egrégia Câmara Municipal, foi denominada Rua Olyntho Gonçalves Netto, uma via pública no Bairro Mina de Ouro. Olyntho Netto foi funcionário público estadual nesta cidade, membro do Partido Republicano Mineiro, liderado pelo ex-Presidente Artur Bernardes, e chefe de família exemplar.

Para registro dos dados biográficos do homenageado, transcrevemos adiante o discurso proferido por seu filho, o ex-vereador Ely Rodrigues Netto, por ocasião do descerramento da placa designativa da Rua, na confluência desta com a Rua Professor José Lintz.

“Desejaram os meus irmãos, Eloi e Elisa, que eu fosse o indicado para manifestar a gratidão da família ao Exmo. Sr. Vereador Darcy Luiz Vasconcelos Resende, autor do Projeto de Lei nº08/86, que deu origem à Lei Municipal nº1784/86, de 7/03/86, modificada por motivos técnicos, pela Lei nº 3.416, de 2002, denominando esta via pública, oficializando-a como Rua Olyntho Gonçalves Netto, uma consideração à família que nos honrou a todos, o que nesta oportunidade agradecemos ao autor da proposição, vereador citado, e por seu intermédio à Câmara Municipal de Leopoldina, que transformou a proposta em lei, sancionada pelo Exmo. Sr. Prefeito Municipal, Dr. José Roberto de Oliveira, a quem devotamos amizade e consideração e também dirigimos agradecimentos.

Esboçado, assim, nesta breve introdução, o principal motivo desta manifestação pública, a alegria e a gratidão da família aos que nos proporcionam a emoção desta homenagem póstuma à memória de Olyntho Gonçalves Netto, queremos reviver um pouco a vida do nosso saudoso pai, iniciando com uma expressão cristã de louvor a Deus que ele repetia com freqüência, com respeito e sentimento de oração gratulatória, exclamando: ‘Louvado seja Deus!’

Nosso pai tinha como hábito repetir com freqüência a expressão que parece ter escolhido para louvar a Deus em tudo: - ´Louvado seja Deus!`...

Tenho bem presente em minha lembrança essa curta e constante oração de louvor a Deus, que ele usava em qualquer circunstância como a querer agradecer a Deus por tudo, a partir da própria vida, esse dom maior do Criador, que tão bem soube amar e valorizar. Foi a primeira oração que com ele aprendi, ainda criança, sem mesmo saber avaliar a sutileza e a profundidade da frase-oração, que só mais tarde me foi possível entender, com a lição do apóstolo Paulo, que transcrevo para sublinhar a importância da fé e da vivência cristã de um homem, sobretudo quando ele é pai, chefe de família, líder e dirigente em qualquer setor da atividade humana. Se assim é para o homem, também vale em igual escala para a mulher-mãe. Vamos à lição do Apóstolo Paulo, em sua primeira carta aos Tessalonicenses-5, 17-18: -‘Orai sem cessar em todas as circunstâncias, dai graças porque esta é a vontade de Deus em Jesus Cristo’.

Não há como negar que este é para nós, também, um momento de ação de graças e de exclamarmos como Olyntho Netto: -‘Louvado seja Deus!’. E o que é mais gratificante para nós, filhos, filha, noras, genro, netos e bisnetos, é verificarmos que após um século do seu nascimento, a vida e a memória de Olyntho Gonçalves Netto estejam sendo lembradas, reverenciadas, apresentadas como exemplo e imortalizadas, tornando-se o nome oficial desta via pública, sinal de que a sua vida e os seus 81 anos, não foram em vão, não foram vazios, não foram infrutíferos. Portanto, temos motivo para dar a essa breve manifestação de contentamento e gratidão, esse sentimento de louvor, repetindo São Paulo: ‘Em todas as circunstâncias, dai graças...’

No início do século passado, mais precisamente no dia 4 de março de 1901, nascia o nosso pai neste município, na região da Fazenda Constança, ‘Sítio Genipapo’, proximidades da Fazenda Boa Sorte, localidades em que ele viveu sua infância e juventude.

Desde a sua adolescência, manifestava alguma vocação para a música. E convivendo com os principais fundadores e integrantes da Banda de Música da Colônia da Boa Sorte foi, também ele, flautista e clarinetista da corporação, pelo menos até seu casamento, que ocorreu em 29 de janeiro de 1930, com Mariana Rodrigues Netto.

Ruralista desde criança, veio para a vida urbana só em 1947, quando a saúde já não lhe permitia grandes esforços físicos na atividade agrícola. Nesta cidade, com uma breve passagem pelo comércio, conquistou logo após, já quase aos 60 anos, sua nomeação como servidor público no Ministério da Educação, onde prestou serviços no Setor de Merenda Escolar, até a sua aposentadoria aos 71 anos de idade.

Desde muito jovem foi leitor diário do então prestigiado Correio da Manhã; e como manifestava formação política democrática e equilibrada, ele se filiou ao então PR - Partido Republicano - de Artur Bernardes, unindo-se aos saudosos amigos Enéas Lacerda França e ao seu irmão Liliu, a Pedro Brito Netto, a Manoel Lacerda, a Artur Leão, a Olivier Fajardo, a Colatino Barbosa de Castro, a Dr. Antônio de Oliveira Guimarães, a Dr. Jairo Salgado Gama e tantos outros de igual valor e tendências político-partidárias, coligando-se mais tarde com o PTB – Partido Trabalhista Brasileiro – de Getúlio Vargas, de Castelar Modesto Guimarães, Aracy César, Prof. Alziro Azevedo de Carvalho e muitos outros e, num embate político árduo e financeiramente desigual que durou anos de exercício democrático e popular, elegeram, finalmente (posse em 31/01/1959), um dos líderes do grupo, o Dr. Jairo Salgado Gama, Prefeito deste município, num mandato que marcou época, inaugurando a alternância do poder político no município e o início de um tempo novo em que a voz do povo e o clamor dos humildes, passaram a ser ouvidos nesta querida Leopoldina, em que os Almeidas, os Britos e os Nettos, plantaram a civilização, segundo o historiador Mauro Almeida, cujo saber, trabalho e gentileza no trato com as pessoas nos deixaram saudades.

No episódio da histórica vitória do Dr. Jairo Salgado Gama e das forças populares, Olyntho Gonçalves Netto estava lá, firme nas suas posições, intransigente na defesa de seus ideais, defensor da justiça para todos, prudente e ético, radical, tanto quanto o homem deve ser na defesa de seus princípios, sobretudo extremamente fiel ao Partido Republicano e ao seu grupo político, sempre dedicados, todos eles, ao bem comum e aos interesses maiores do município.

Que estas pinceladas da história política de uma fase áurea de Leopoldina, possam servir de resposta aos mais jovens que porventura queiram perguntar quem foi Olyntho Gonçalves Netto. Mas a minha resposta pessoal a tal pergunta é bem mais simples, curta e objetiva: Olyntho Gonçalves Netto foi simplesmente um homem!

Assim, sem brilho e sem poesia, termino a tarefa que me foi dada por meus irmãos, sabendo que não fui perfeito. Mas afirmo que usei a sinceridade, a lealdade, a firmeza e a radicalidade que herdei de meu pai.

Só para amenizar e dar um toque de leveza e reflexão neste simples trabalho, transcrevo de Jorge Roberto de Souza Barbosa, do seu ensaio O Anjo do Apocalipse, a página 19, com o título Um Canto de Amor à Liberdade, onde ele, entoando louvores a uma plêiade de homens que dedicaram as suas vidas em prol da LIBERDADE e do AMOR, tais como: MOISÉS, com sua FÉ e coragem inauditas; GHANDI, com a sua não-violência; SÓCRATES, com a sua idéia de união contra o paganismo; o Unigênito do Pai, JESUS, com seu ideal de verdade, justiça e perdão; LECK WALESSA, pela sua voz em favor dos oprimidos, e, ainda, outros, Aristóteles, Galileu Galilei, Luther King, Tereza de Calcutá, Joana D’Arc, filósofos, cientistas, gênios, santos e heróis, para, através deles, nos mostrar que a humanidade, hoje, está carente de dignidade, idealismo, solidariedade, de valores éticos e morais, não sendo por isso tão fácil, hoje, podermos dizer como cada um dos citados: EU SOU UM HOMEM!´

E acrescenta o autor: ‘... ser HOMEM,
é você gritar a verdade sem se importar com as conseqüências;
é você ser inimigo das injustiças;
é você pelo menos tentar construir um mundo onde reine fraternidade e amor;
é você questionar os ensinamentos recebidos;
é você se rebelar quando lhe ferem a dignidade;
é você não aceitar a tirania;
é não depender de uma posição para clamar por seus direitos...
Enfim, ser HOMEM é você ser infinito e viver continuamente cantando... UM CANTO DE AMOR À LIBERDADE!’
Conclui o autor a sua página e também eu a minha.

Por tudo e por todos, ‘Deus Seja Louvado’, como diria Olyntho Gonçalves Netto.”
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(Publicada no Jornal LEOPOLDINENSE)

sábado, 18 de setembro de 2010

Antonio Nilo de Almeida Ramos

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Setembro, 2005



Em setembro de 1999, logo após o sepultamento de Antonio Nilo de Almeida, na condição de colaborador eventual da Gazeta de Leopoldina, publicamos um desabafo de saudade, sob o impacto da emoção e do grande sentimento de perda que aquele momento nos trazia. Dissemos que a vida às vezes é injusta. Que acabávamos de levar à sepultura, em Tebas, na terça-feira, 14 de setembro, nosso dileto amigo, vereador Nilo Ramos, como era conhecido.

Nilo, ou o Nilão que venerávamos, era uma pessoa extraordinária que teria merecido viver muitos anos mais. Homem bom, solidário, esposo exemplar, pai amoroso, vocação pública retilínea e grande caráter. O câncer o surpreendeu na plenitude da capacidade intelectual e criadora.

Por familiares, soubemos que Nilo lutou muito contra a doença. Lutou com muita coragem e fé. Mas Deus tem critérios - para nós, insondáveis - e decidiu mesmo por chamá-lo aos 66 anos de idade. Leopoldina perdeu um valor insubstituível, uma autêntica reserva moral em sua Câmara de Vereadores. Foi enorme a dimensão do desfalque.

Como vereador, Nilo praticava a política pelo lado único da virtude, da exação atávica herdada do pai, o também ex-vereador e ex-vice prefeito Jacyr Ramos. Personificava a lucidez e o espírito conciliatório. Um virtuose do convencimento pela via do diálogo.

Conheci-o ainda criança, meado dos anos 50, fazendo política estudantil no Colégio Leopoldinense. Lembro-me de uma eleição para o Grêmio Estudantil de Colégio Leopoldinense e o jovem Nilo se desdobrando no esforço de levar o companheiro José Laênio Loche à presidência. Ele, um rapazinho loiro, alto, magro, voz inconfundível, meio anasalada, empolgando o microfone da ZYK-5, Rádio Sociedade Leopoldina (que na época funcionava no prédio do Clube Leopoldina) concitando as massas, da sacada do prédio: - "Colegas, votemos em José Laênio Loche !..."

Depois, em 1958, terminado o Ginásio, segui para o Rio de Janeiro já matriculado num cursinho pré-vestibular. Ao descer de um ônibus da velha TAVIL na rodoviária da Praça Mauá, quem estava lá para conduzir-me à primeira morada e introduzir-me na camaradagem da turma de estudantes leopoldinenses residentes no Rio? Ele, o amigo Nilo.

Pela lateral aberta do bonde - os bondes ainda circulavam por aqueles pedaços de história - Nilo apresentou-me a Av. Rio Branco, o Tabuleiro da Baiana, o Passeio Público, os Arcos da Lapa, a Praça Paris e o Restaurante Central dos Estudantes, na Ponta do Calabouço (mais ou menos em frente ao local onde, depois, construiriam o MAM), referencial de sobrevivência dos estudantes pobres chegados ao Rio de Janeiro.

Com ajuda do Nilo, tive meu primeiro passaporte pro Restaurante do Calabouço (Um cartãozinho da UME – União Metropolitana dos Estudantes, que dava direito a duas refeições por dia no Restaurante). Ele conhecia as pessoas certas.

Nossa residência era na Rua Cândido Mendes, 235, no Bairro da Glória. Integrávamos um grupo de jovens determinados que trabalhava, estudava e ainda atiçava a fogueira estudantil que se alastrava da UNE, na Praia do Flamengo, à Av. Beira Mar, endereço do Calabouço, antes e depois do Governo João Goulart. Anos arriscados, de passeatas, detenções, balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo, mas de intensa participação estudantil na vida pública nacional.

Certamente que a influência paterna e o caldo cultural daquele início de anos 60, nutriam o futuro homem público Nilo Ramos, sedimentando nele o democrata irredutível. No início, o udenismo o seduzia. A escarlatina comunista que nos avermelhava a todos - no ambiente estudantil da UNE - não contagiava o Nilo. Pontificavam lideranças de esquerda nos Diretórios Acadêmicos de todas as faculdades. Ele estudava direito no Catete e era lacerdista... (portanto anti-comunista)

O arguto jornalista, deputado e primeiro governador eleito do ex-Estado da Guanabara, Carlos Werneck de Lacerda, senhor de retórica prodigiosa, eloqüente e persuasiva, era quem realmente cativava o Nilo. Foi Lacerda, sem dúvida, a influência mais efetiva em sua formação política.

Como prevalecesse entre nós, outros, a natural simpatia juvenil pela esquerda, fazíamos desse desalinhamento do Nilo o mote para acaloradas polêmicas, em casa, nos espaços estudantis e nas ruas. Controvérsias de faz-de-conta que podiam terminar numa repetida calúnia dos comunistas ao Lacerda: "Teu líder deixou o "PCB" pra fugir com a mala do Comitê!" Vinha aquela gargalhada gostosa do Nilo pra gente também logo embarcar no riso e congelar as desavenças em alguns chopinhos inocentes num bar da Glória ou no Spaghettilândia da Rua Álvaro Alvim, na Cinelândia.

Era assim, o meu companheiro de bons tempos, Antonio Nilo de Almeida, o Nilão, de carinhosa memória. Tempos na verdade difíceis, da luta árdua por um lugar ao sol, da afirmação pessoal, dos vestibulares com questões descritivas, dos comícios no Automóvel Clube; das passeatas na Rio Branco e no Passeio Público; da revolução cubana de 59; da guerra fria.

Mas tempos também de participação e alegria, com os meninos que éramos correndo atrás do caminhão dos bombeiros que trazia, do Galeão, a Seleção de 58; do JK abraçando Garrincha, Didi & Cia. num palanque em frente ao Palácio do Catete; dos primeiros carros nacionais; dos vôos espaciais; do Yuri Gagarin acenando pra gente da sacada da UNE, na praia do Flamengo; da Bossa Nova nascendo em Copacabana, no Beco das Garrafas; do Cinema Novo; dos filmes da Atlândida; da Banda de Ipanema; da crise que foi dar no golpe militar de 64.

E bons tempos também dos bailes da vida; dos anos dourados; do rock 'n roll; dos festivais na TV; do footing na Cinelândia; dos leopoldinenses reunidos na praia, ao sol do Posto-2; das muitas festas de formatura nos salões do Hotel Glória.

O Nilo dessa época, porém, apaixonado por aquela que viria a ser a mãe de seus filhos, já andava disposto a trocar nossa festa carioca pelo amor de sua vida, uma moça linda e inteligente, nascida em Tebas, a Creusa Ávila.

A paixão chegou a fazer dele o nosso seresteiro. Boleros e samba-canções intermináveis, em português e espanhol, cantados pelo Nilo dominavam um pequeno quarto, repleto de estudantes sonhadores, numa ladeira de Santa Tereza, mas a destinatária das canções, a gente sabia que morava em Tebas.

Num outro canto do quarto, equilibrando conceitos apostilados de biologia e química orgânica numa mesinha estreita, o futuro médico Celso Pereira Ávila, o constrangido irmão da moça, compenetrava-se no estudo e devia matutar em silêncio: "Isto é com a minha irmã!"...

Antonio Nilo formou-se em direito pela Faculdade do Catete, casou-se, foi gerente de Banco e ao voltar às origens, aposentado, imaginou que vocação política e amor a Tebas dariam um apostolado. E deu. É dele a assertiva: "Ninguém ama sua terra pelo que ela é, mas sim porque ela é sua".

Duas vezes vereador, tornava-se emblemático mercê de sua dimensão pessoal excedente ao cargo. Sobrando em valores morais e estatura, alcançava aqueles que tanto dignificaram nossa Câmara, inscrevendo seus nomes ilustres na história do legislativo municipal leopoldinense: Carlos Luz, Chico Bastos, Olivier Fajardo, Lolô Vieira, Durval Bastos, Ely Rodrigues Neto, Justiniano Fonseca, Jacyr Ramos, Eloy Rodrigues Neto e tantos outros... Agora também, com toda justiça, seu próprio filho, Ricardo Ávila.

- Companheiro Nilo, você foi um irmão. Obrigado por sua amizade. Obrigado pelo privilégio das experiências e do aprendizado recíproco no pedaço mais bonito de nossas vidas. Como disse, você mereceria ter continuado a viver. Mas se é desígnio do alto, você mereceu também conhecer a Deus. Sempre sentiremos sua falta. Tebas inteira sentirá. Leopoldina sentirá. Sua esposa, seus filhos, os amigos...

Guarde para sempre o meu abraço comovido. Alguém disse, Nilo, que o casulo que serve de túmulo à lagarta é também o berço de uma linda borboleta transformada. Você partiu, interrompendo uma carreira promissora, frustrando sonhos, ideais acalentados, produzindo saudade. Mas quem garante, amigo, que tudo isto não passe de simples renascimento para vôos ainda mais altos? Você passou a trilhar, desde o dia de sua partida, o caminho da resposta.
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(Publicada jornal LEOPOLDINENSE de 15.09.2005)