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quarta-feira, 26 de maio de 2010

A Crise em Conta-Gotas

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Agosto, 2005

Vi a entrevista de Lula no programa Roda Viva da TV Cultura. A impressão que fica é que o nosso presidente tornou-se um homem sem a prerrogativa da verdade. Não dá entrevista por isto, porque não pode dizer a verdade. A verdade o constrange tanto quanto os botões arrochados do terno que já lhe magoam o manequim excedente. Chega a ser desagradável vê-lo comprimido pela verdade e pela roupa. Por obra do PT, Lula é hoje um refém da mentira. Está lidando com ela como o malabarista de circo lida com o fogo que finge engolir.

Sobre a cassação de parlamentares que receberam dinheiro de Delúbio, via indireta - isto é, Delúbio mandou que apanhassem a grana com Valério - minha visão é a do direito penal. Toda conduta para ser considerada delituosa há de ser “típica”. Isto quer dizer que ela tem que estar prevista em lei, como crime. E com todas as letras. É o "princípio da reserva legal": não há crime sem lei (anterior) que o defina. Sendo assim, se o sujeito foi buscar dinheiro com o tesoureiro, seja para encaminhá-lo a prefeito do interior seja para o que for, e a ele foi dito que os recursos estavam com terceiro... Qual o crime? Onde está escrito que, na mão de terceiro (Valério) ele não podia pegar dinheiro? Não está escrito em lugar nenhum? Então, absolvido! Entre o próximo.
O Suplicy viveu dois minutos de glória quando o protocolo lhe deu esse tempo para falar ao Bush. Falou de renda mínima. No lugar dele eu talvez fosse menos cordial, dizendo ao homem mais poderoso do mundo o seguinte: "Presidente, sou José Ninguém, coisíssima nenhuma em minha pequena cidade e na vida de um modo geral. Seja bem-vindo a este país e não se preocupe muito com a aparente influência do Chavez por estas bandas. Há entre nós uma única pessoa com saco e sub-cultura para ouvi-lo: o Sr. Lula. Mas não se exulte. A disposição para ouvir V. Exa. é ainda menor!"

Já a Senadora Heloísa Helena tem decepcionado. Teve a infeliz idéia de vestir camiseta com inscrição “Fora Bush”, na oportunidade da visita do presidente americano! Tiro no pé. Condenou-se a impressionar não mais que o segmento eleitoral rasteiro do "bota pra quebrar". Demonstra ser ave de vôo muito curto. Se tivesse a dimensão correta da história brasileira e de sua inserção na geopolítica das Américas e do mundo, talvez não lhe faltasse sensibilidade para o real sentido da presença do presidente estrangeiro em visita ao país.

Encontraram filão do valerioduto numa subsidiária do Banco do Brasil, a Visanet. Do jeito que a gente temia: era dinheiro nosso! Do contribuinte. Agora é só ir encurtando a linha que vem o resto... Todo furto deixa rabo e ladrão é burro por princípio. Se não fosse, não seria ladrão.
Não procede a má-vontade do presidente Lula com os jornalistas. Jornalista ganha pra ser chato; governante ganha pra ser chateado, porque a ele foi confiada a gestão da "coisa pública" de cujo destino o jornalista é informante e fiscal. Ponto final.

Ninguém pensou no que eu, diante das lágrimas e das orações do Mabel, garrei a maginá. E se em vez de troca partidária, o milhão oferecido à deputada goiana lastreou foi uma cinematográfica "proposta indecente" à moça e, esta, por justa e decente reprimenda, resolveu vingá-la no campo do aliciamento político? Um prato feito para Denise Fraga contar mais uma historinha familiar na TV.
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(Publicada no jornal LEOPOLDINENSE de 31.08.2005)

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