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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Bom Natal!

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Leopoldina, dezembro de 2003

Neste Natal, se der pra ti, pensemos um pouco em nossa gente que nada tem. É comum ouvirmos falar que o país tem uma grande “dívida social”... Mas o que vem a ser dívida social? Dívida social corresponde ao crédito dos que não têm, oponível ao débito dos que, moralmente, lhes devem o que têm. Em outras palavras, “divida social” é tudo aquilo que nós, os vencedores (ou quase vencedores) nesta sociedade desigual, devemos àqueles que estão simplesmente perdendo a luta pela sobrevivência.

Franco Montoro resumiu suas preocupações dizendo que mais grave do que o sofrimento dos famintos é a inconsciência dos fartos.

Fala-se muito nas benesses da alta tecnologia, no fenômeno da mundialização, na economia globalizada, na progressiva interdependência das nações. A realidade do mundo, no entanto, mostra que paralelamente à fortuna daqueles que a encontram agrava-se, em todos os continentes, um quadro de desemprego, marginalização e miséria.

Uma quinta parte dos habitantes do planeta – um bilhão de seres humanos - vive na penúria e passa fome. Um terço da mão de obra mundial está desempregada. Mesmo nos países ricos, da América e da Europa, 15% da população vive abaixo da linha da pobreza. Pobres, desempregados, sem-teto, sem-terra, migrantes, meninos de rua, favelados, minorias marginalizadas, discriminados de toda ordem.

É urgente que alguma coisa comece a ser feita no mundo. Como disse, certa vez, o então Presidente da França, Mitterrand, não podemos deixar que o mundo se transforme num mercado global, sem outra lei que a do mais forte. Precisamos repensar esse mundo e introduzir o social entre os pontos maiores de nossas preocupações.

O governo brasileiro está anunciando que teremos um bom ano 2004. Os indicadores econômicos parece que confirmam. Se é assim, ótimo. Eu desejo um excelente 2004 para todos!

Que nós, brasileiros, consigamos incluir o maior número possível de pessoas na bonança que se anuncia.

Antes, porém, que tenhamos todos um bom Natal.
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(Publicada no jornal Leopoldinense de 15 de dezembro de 2003)

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