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domingo, 7 de agosto de 2011

Sebastião Rodrigues de Oliveira

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Foto: Sebastião em encontro de família no Sítio Puris, com João Lima (cunhado), Pequetita (cunhada), Bárbara (irmã), Madalena (irmã), Dalva (cunhada) e Geraldo (irmão)


Sebastião Rodrigues de Oliveira, nasceu em 02/02/1907, mas foi registrado como sendo em 07/01/1907, em Leopoldina. Fez o curso primário na Boa Sorte com a professora Climene Godinho Netto. Quando rapazinho, trabalhava com os irmãos na lavoura. Sentindo, entretanto, que os manos eram mais afeitos àquelas tarefas, pediu ao pai que o deixasse trabalhar em “outra coisa”, pois não se sentia bem no roçado. Empregou-se na farmácia de Maria Eulália, em Leopoldina, cidade em que se casou, a 20 de abril de 1933, com Maria de Lourdes Godinho.

Passou a morar em casa pertencente a Heitor Medeiros, “na Linha” (ferrovia), centro de Leopoldina, tornando-se proprietário de uma venda no mesmo local. Ali nasceram os filhos: Dilma e Dilton. Em 1939 mudou-se para Varginha (localidade rural, na divisa de Leopoldina com Além Paraíba), onde passou a gerenciar o comércio dos Monteiro de Barros. Na Varginha nasceram seus filhos: Dyrlene, Dilmene, Delmo, Dionice e Dilce.

Em 1948, mudou-se para Trimonte, onde adquiriu a loja, “Casa Santa Teresa”. Vendia de tudo um pouco: tecidos, linha, agulha, ferragens, açougue, bebidas, combustível (gasolina, querosene), remédios, secos e molhados, até picolé. Vendia a dinheiro, fiado e, doava, para quem ele achava que não podia pagar. Nunca cobrava um devedor, entendendo que se a pessoa não pagava era porque não podia. E, assim, deixava de receber muita coisa.

Homem íntegro, de honestidade inabalável, humilde, religioso, autodidata, pois tinha pouco estudo formal, mas muita sabedoria - haurida na vida e em tudo que lia e ouvia. A hora do Jornal Nacional, da TV Globo, era sagrada, não podia zumbir mosquito. Respondia sempre ao “Boa noite” do apresentador, Cid Moreira, recolhendo-se logo depois.

 Em 1949 foi nomeado Inspetor Escolar em Trimonte, pelo então Governador de Minas Gerais, Milton Soares Campos, cuja assinatura no documento ao lado é conjunta com o Secretário, Abdgar Renault.

 Em 1951 foi nomeado Adjunto do Promotor de Justiça da Comarca de Além Paraíba, no distrito de Trimonte, pelo então governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek, que firma com Antonio Pedro Braga o documento de nomeação, abaixo.


Em 17 de dezembro de1988 recebeu o Título de Cidadão Honorário da Cidade de Volta Grande, MG, por serviços prestados à comunidade, título que, por modéstia , deixou de ir receber pessoalmente, sendo-lhe entregue em casa.

Com o falecimento da esposa, Maria de Lourdes, em 1969, vendeu seus bens em Trimonte e mudou-se, com Delmo, para Juiz de Fora, onde as filhas Dilma e Dilce já residiam. Os tempos não eram fáceis, mas conseguiu propiciar bons estudos para todos os filhos, que a partir daí puderam seguir, cada um, seu próprio caminho de sucesso.

Gostava de colecionar provérbios, ensiná-los e aplicá-los no seu cotidiano. Exaltava a instituição familiar, comparecendo a todos os eventos para os quais era convidado e se, por algum motivo, não podia comparecer, mandava sempre um representante seu – filho, filha, neta ou neto. Na família e na sociedade foi um homem solidário, nas alegrias e nas tristezas. Em tal sentido deixou seu maior legado, constituindo-se numa referência para os filhos, netos e bisnetos.

Algum tempo antes de falecer, ciente de que estava doente, deixou escrito de próprio punho que não queria tristezas, pois ele era muito feliz, sentia-se uma pessoa realizada em todos os sentidos.

Sem dar-se conta criou, com as reuniões de familiares promovidas em sua casa, principalmente em Trimonte, o ambiente que proporcionou os posteriores Encontros dos Descendentes de Totônio e Mariquinhas.

Quando se discutiu a não realização do Primeiro Encontro, previsto para setembro de l98l, em virtude do falecimento recente de um parente querido, foi dele o argumento mais forte a favor de se manter a data do Encontro. No seu modo simples e direto, fez ver a todos que se a morte de um parente constituísse um motivo para impedir o Encontro da família, este nunca se realizaria porque “sempre existiriam pessoas com idade para morrer, inclusive ele, que era o filho mais velho de Totônio e Mariquinhas”.

Tio Bastião - como o chamávamos - foi homem boníssimo, prestativo, solidário e muito bem humorado. Tinha também o hábito singular de anotar num caderno os nomes das pessoas que conheceu desde a juventude e a ocasião em que a aproximação se dera. A relação era enorme.

Gostava de contar histórias antigas, curiosas, do seu tempo de rapaz, na Boa Sorte, principalmente envolvendo desavenças corriqueiras entre irmãos, cunhados e outros familiares.

Uma delas conta que, certa vez, Tio Antonico Vicente, que apreciava uma cachacinha, chegou à Boa Sorte e, antes de apear do cavalo, já dava mostras a Totônio de que estaria meio tonto. Podia ser que houvesse um pouco de “teatro” da parte de Antonico que, tal como o cunhado, seria meio brincalhão.

Totônio, porém, observando a dificuldade com que Antonico, já no chão, amarrava o animal, gritou para a esposa:
- Mariquinhas, prepara um café forte pro Tio Antonico!
Ao que o visitante, entendendo logo que café forte seria remédio para tonto, ficou bravo e partiu, bravo, na direção do cunhado.
- Você está dizendo que eu estou bêbado!
Foi quando Totônio, precisando dissuadir o genioso, apanhou no alpendre (que na Boa Sorte era baixo, quase ao nível do chão) uma cadeira e, com ela erguida sobre a cabeça como se fosse um porrete, convidou:
- Vamos sentar, Tio Antonico...
Deu tudo certo.

Tio Bastião gostava muito de arroz doce. As irmãs e cunhadas sempre que recebiam sua visita procuravam agradá-lo com esse doce na sobremesa. Ele comia rindo do agrado, tantas vezes repetido.

Faleceu em Juiz de Fora, de câncer de próstata, aos 88 anos, no dia 5 de maio de 1995, e foi sepultado em Leopoldina. Deixava os filhos, Dilma Godinho Rodrigues, solteira; Diltono Godinho Rodrigues, cssado com Darticléa Marinho Rodrigues, com os netos Junia, Marcela e Diltinho; Dirlene Rodrigues Defilipo, viúva de José Brás Defilipo, com os netos Maria Márcia, Paulo Márcio e Maria Angélica; Dilmene Godinho Rodrigues de Mello, casada com José Luciano de Mello, com os netos Leonardo, Júlio César e Priscila; Delmo Godinho Rodrigues, solteiro; e Dilce Godinho Rodrigues Sanches, casada com José Edelberto Sanches, com os netos Rodrigo e Lucília.

A esposa, Maria de Lourdes Godinho Rodrigues, nasceu em 29.11.1908 e faleceu em 29.09.1969. Era filha de Climério Duarte Godinho e Emília Soares. Climério foi durante muitos anos o administrador da Colônia Constança, em Leopoldina, e em função desse cargo residiu na fazenda da Boa Sorte, sede da Colônia, propriedade vizinha à de Antonio Augusto e Maria Antonia, pais de Sebastião.

Climério era filho de Francisco Bittencourt Godinho e Francisca Carolina Duarte e Castro. Pelo lado materno, era neto de Francisco de Paula Duarte e Castro e Carlota Carolina Duarte. Pelo lado de seu pai, Antonio Bittencourt Castro e Florismina da Conceição Coutinho eram os seus avós. Impossível não mencionar que a filha mais velha de Climério, Climene Godinho Netto, foi estimada e histórica professora na escola municipal que hoje tem o seu nome, no bairro da Boa Sorte.
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(Biografia baseada no livro “Os Rodrigues da Fazenda Puri”, de autoria de José Luiz Machado Rodrigues)

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