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sábado, 25 de setembro de 2010

Olyntho Gonçalves Netto

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2003 (?)

Por iniciativa de nossa egrégia Câmara Municipal, foi denominada Rua Olyntho Gonçalves Netto, uma via pública no Bairro Mina de Ouro. Olyntho Netto foi funcionário público estadual nesta cidade, membro do Partido Republicano Mineiro, liderado pelo ex-Presidente Artur Bernardes, e chefe de família exemplar.

Para registro dos dados biográficos do homenageado, transcrevemos adiante o discurso proferido por seu filho, o ex-vereador Ely Rodrigues Netto, por ocasião do descerramento da placa designativa da Rua, na confluência desta com a Rua Professor José Lintz.

“Desejaram os meus irmãos, Eloi e Elisa, que eu fosse o indicado para manifestar a gratidão da família ao Exmo. Sr. Vereador Darcy Luiz Vasconcelos Resende, autor do Projeto de Lei nº08/86, que deu origem à Lei Municipal nº1784/86, de 7/03/86, modificada por motivos técnicos, pela Lei nº 3.416, de 2002, denominando esta via pública, oficializando-a como Rua Olyntho Gonçalves Netto, uma consideração à família que nos honrou a todos, o que nesta oportunidade agradecemos ao autor da proposição, vereador citado, e por seu intermédio à Câmara Municipal de Leopoldina, que transformou a proposta em lei, sancionada pelo Exmo. Sr. Prefeito Municipal, Dr. José Roberto de Oliveira, a quem devotamos amizade e consideração e também dirigimos agradecimentos.

Esboçado, assim, nesta breve introdução, o principal motivo desta manifestação pública, a alegria e a gratidão da família aos que nos proporcionam a emoção desta homenagem póstuma à memória de Olyntho Gonçalves Netto, queremos reviver um pouco a vida do nosso saudoso pai, iniciando com uma expressão cristã de louvor a Deus que ele repetia com freqüência, com respeito e sentimento de oração gratulatória, exclamando: ‘Louvado seja Deus!’

Nosso pai tinha como hábito repetir com freqüência a expressão que parece ter escolhido para louvar a Deus em tudo: - ´Louvado seja Deus!`...

Tenho bem presente em minha lembrança essa curta e constante oração de louvor a Deus, que ele usava em qualquer circunstância como a querer agradecer a Deus por tudo, a partir da própria vida, esse dom maior do Criador, que tão bem soube amar e valorizar. Foi a primeira oração que com ele aprendi, ainda criança, sem mesmo saber avaliar a sutileza e a profundidade da frase-oração, que só mais tarde me foi possível entender, com a lição do apóstolo Paulo, que transcrevo para sublinhar a importância da fé e da vivência cristã de um homem, sobretudo quando ele é pai, chefe de família, líder e dirigente em qualquer setor da atividade humana. Se assim é para o homem, também vale em igual escala para a mulher-mãe. Vamos à lição do Apóstolo Paulo, em sua primeira carta aos Tessalonicenses-5, 17-18: -‘Orai sem cessar em todas as circunstâncias, dai graças porque esta é a vontade de Deus em Jesus Cristo’.

Não há como negar que este é para nós, também, um momento de ação de graças e de exclamarmos como Olyntho Netto: -‘Louvado seja Deus!’. E o que é mais gratificante para nós, filhos, filha, noras, genro, netos e bisnetos, é verificarmos que após um século do seu nascimento, a vida e a memória de Olyntho Gonçalves Netto estejam sendo lembradas, reverenciadas, apresentadas como exemplo e imortalizadas, tornando-se o nome oficial desta via pública, sinal de que a sua vida e os seus 81 anos, não foram em vão, não foram vazios, não foram infrutíferos. Portanto, temos motivo para dar a essa breve manifestação de contentamento e gratidão, esse sentimento de louvor, repetindo São Paulo: ‘Em todas as circunstâncias, dai graças...’

No início do século passado, mais precisamente no dia 4 de março de 1901, nascia o nosso pai neste município, na região da Fazenda Constança, ‘Sítio Genipapo’, proximidades da Fazenda Boa Sorte, localidades em que ele viveu sua infância e juventude.

Desde a sua adolescência, manifestava alguma vocação para a música. E convivendo com os principais fundadores e integrantes da Banda de Música da Colônia da Boa Sorte foi, também ele, flautista e clarinetista da corporação, pelo menos até seu casamento, que ocorreu em 29 de janeiro de 1930, com Mariana Rodrigues Netto.

Ruralista desde criança, veio para a vida urbana só em 1947, quando a saúde já não lhe permitia grandes esforços físicos na atividade agrícola. Nesta cidade, com uma breve passagem pelo comércio, conquistou logo após, já quase aos 60 anos, sua nomeação como servidor público no Ministério da Educação, onde prestou serviços no Setor de Merenda Escolar, até a sua aposentadoria aos 71 anos de idade.

Desde muito jovem foi leitor diário do então prestigiado Correio da Manhã; e como manifestava formação política democrática e equilibrada, ele se filiou ao então PR - Partido Republicano - de Artur Bernardes, unindo-se aos saudosos amigos Enéas Lacerda França e ao seu irmão Liliu, a Pedro Brito Netto, a Manoel Lacerda, a Artur Leão, a Olivier Fajardo, a Colatino Barbosa de Castro, a Dr. Antônio de Oliveira Guimarães, a Dr. Jairo Salgado Gama e tantos outros de igual valor e tendências político-partidárias, coligando-se mais tarde com o PTB – Partido Trabalhista Brasileiro – de Getúlio Vargas, de Castelar Modesto Guimarães, Aracy César, Prof. Alziro Azevedo de Carvalho e muitos outros e, num embate político árduo e financeiramente desigual que durou anos de exercício democrático e popular, elegeram, finalmente (posse em 31/01/1959), um dos líderes do grupo, o Dr. Jairo Salgado Gama, Prefeito deste município, num mandato que marcou época, inaugurando a alternância do poder político no município e o início de um tempo novo em que a voz do povo e o clamor dos humildes, passaram a ser ouvidos nesta querida Leopoldina, em que os Almeidas, os Britos e os Nettos, plantaram a civilização, segundo o historiador Mauro Almeida, cujo saber, trabalho e gentileza no trato com as pessoas nos deixaram saudades.

No episódio da histórica vitória do Dr. Jairo Salgado Gama e das forças populares, Olyntho Gonçalves Netto estava lá, firme nas suas posições, intransigente na defesa de seus ideais, defensor da justiça para todos, prudente e ético, radical, tanto quanto o homem deve ser na defesa de seus princípios, sobretudo extremamente fiel ao Partido Republicano e ao seu grupo político, sempre dedicados, todos eles, ao bem comum e aos interesses maiores do município.

Que estas pinceladas da história política de uma fase áurea de Leopoldina, possam servir de resposta aos mais jovens que porventura queiram perguntar quem foi Olyntho Gonçalves Netto. Mas a minha resposta pessoal a tal pergunta é bem mais simples, curta e objetiva: Olyntho Gonçalves Netto foi simplesmente um homem!

Assim, sem brilho e sem poesia, termino a tarefa que me foi dada por meus irmãos, sabendo que não fui perfeito. Mas afirmo que usei a sinceridade, a lealdade, a firmeza e a radicalidade que herdei de meu pai.

Só para amenizar e dar um toque de leveza e reflexão neste simples trabalho, transcrevo de Jorge Roberto de Souza Barbosa, do seu ensaio O Anjo do Apocalipse, a página 19, com o título Um Canto de Amor à Liberdade, onde ele, entoando louvores a uma plêiade de homens que dedicaram as suas vidas em prol da LIBERDADE e do AMOR, tais como: MOISÉS, com sua FÉ e coragem inauditas; GHANDI, com a sua não-violência; SÓCRATES, com a sua idéia de união contra o paganismo; o Unigênito do Pai, JESUS, com seu ideal de verdade, justiça e perdão; LECK WALESSA, pela sua voz em favor dos oprimidos, e, ainda, outros, Aristóteles, Galileu Galilei, Luther King, Tereza de Calcutá, Joana D’Arc, filósofos, cientistas, gênios, santos e heróis, para, através deles, nos mostrar que a humanidade, hoje, está carente de dignidade, idealismo, solidariedade, de valores éticos e morais, não sendo por isso tão fácil, hoje, podermos dizer como cada um dos citados: EU SOU UM HOMEM!´

E acrescenta o autor: ‘... ser HOMEM,
é você gritar a verdade sem se importar com as conseqüências;
é você ser inimigo das injustiças;
é você pelo menos tentar construir um mundo onde reine fraternidade e amor;
é você questionar os ensinamentos recebidos;
é você se rebelar quando lhe ferem a dignidade;
é você não aceitar a tirania;
é não depender de uma posição para clamar por seus direitos...
Enfim, ser HOMEM é você ser infinito e viver continuamente cantando... UM CANTO DE AMOR À LIBERDADE!’
Conclui o autor a sua página e também eu a minha.

Por tudo e por todos, ‘Deus Seja Louvado’, como diria Olyntho Gonçalves Netto.”
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(Publicada no Jornal LEOPOLDINENSE)

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