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sábado, 25 de setembro de 2010

Tomógrafo

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Maio, 2006

Nada mais desejável do que residir numa cidade onde se disponha de todos os recursos tecnológicos na área de saúde. Nessa ordem de idéias, tudo o que puder ser adquirido para equipar nosso Hospital, Clínicas, Consultórios Médicos, etc., é mais do que bem-vindo.

Esta é uma realidade que prevaleceria absoluta se, paralelamente, não se impusesse uma outra que se revela avassaladora: A VIABILIDADE. Ou seja, não adianta gastar-se dinheiro com o que é desejável quando o desejável não é viável. Qualquer administrador com alguma experiência sabe disto, até por intuição. Dito isto, gostaríamos de falar diretamente do Tomógrafo da Casa de Caridade Leopoldinense.

É claro que Leopoldina, por onde passa a BR-116, uma Rodovia Federal de alto tráfego e muitos acidentes precisaria dispor de um Hospital modernamente equipado para atender a acidentados em todos os graus, principalmente vítimas de traumatismo craniano, cuja urgência cirúrgica quase sempre equivale à própria chance de salvamento de vidas. E a excelência na área neurológica começa pela existência de um Tomógrafo. Nada há de errado, portanto, em desejarmos possuir um Tomógrafo na CCL.

Naturalmente, todavia, a propriedade e operacionalização deste sofisticado e caríssimo aparelho implica em despesas que precisam estar equacionadas. Há que contratar médico radiologista, especializado na emissão dos Laudos Tomográficos e há que contratar técnico radiologista especializado em operar Tomógrafo.

Mas isto ainda não é tudo. Pouco adiantam os laudos tomográficos se não houver neurologista que os possa avaliar e neurocirurgião, combinado com a existência de um Centro Cirúrgico devidamente equipado para cirurgia de maior complexidade, nos casos em que houver indicação de cirurgia neurológica.

Juntando-se a tudo isto os recursos financeiros que tal aparato demanda - disponibilidade de verbas consideráveis para a manutenção do sofisticado aparelho - a conclusão a que se chega é que a CCL simplesmente não tem como manter um Tomógrafo. Ele poderá levar o Hospital à ruína.

Um Hospital que nem sempre tem “caixa” para antibióticos e ataduras não tem condições mínimas de bancar a operação de um Tomógrafo, numa cidade onde não há “escala” de utilização compatível com o custo operacional do aparelho. Sem o credenciamento do SUS que, seguramente, não será solução, pior ainda.

Bem exemplificando, é como se, de uma hora para outra, alguém resolvesse adquirir um Boeing 747 (Jumbo), seus 580 lugares, para fazer vôos diários Leopoldina/Rio/Leopoldina. Seria uma maravilha! Faríamos a viagem em 16 minutos. Exatamente a soma dos 8 minutos da decolagem com os 8 minutos da aterrissagem.

– Quem não deseja que isto um dia ocorra? Todos desejamos. Só que ainda não há viabilidade. Infelizmente não temos demanda de passageiros que financie os custos operacionais daquela gigantesca aeronave. O Tomógrafo não chega a ser um Jumbo. Mas para que ele funcione alguém terá que dar a mão ao Hospital. Caso contrário o aparelho chegará à obsolescência PARADO por falta de reposição de peças e – o que é pior – levará nosso Hospital à total inadimplência.
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(Publicado no jornal LEOPOLDINENSE de maio de 2006)

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