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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Intervenção no Hospital - Entrevista

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Outubro, 2003

GAZETA DE LEOPOLDINA - ENTREVISTA COM CONSELHEIRO DA C.C.L. JOSÉ DO CARMO SOBRE O DESATE DA PENDÊNCIA JUDICIAL, HOSPITAL / PREFEITURA, QUE TERMINOU COM A DESTITUIÇÃO DO PROVEDOR.

Gazeta - José do Carmo, o Prefeito de Leopoldina requereu ao Judiciário a destituição do Provedor da CCL. Sabemos que você, logo em seguida, se demitiu do Supremo Conselho do Hospital. Sua atitude decorre de discordância com a administração que entra.

JCR - Jamais. Minha atitude foi apenas de coerência e manutenção de um ponto de vista do que considero ser o melhor para a CCL: a Prefeitura na condução da CCL. Desde a gestão anterior, da qual tive a honra de estar à frente, o Hospital vem tentando, administrativamente e via judicial, devolver o Pronto Socorro à Prefeitura, para que ela assuma sua responsabilidade legal de dar atendimento condigno à população. Há quase três anos vimos buscando isto, sem sucesso. De repente é a Prefeitura que vai ao Judiciário e solicita tutela jurisdicional no sentido de destituir o Provedor e obter a indicação de outro, da confiança do Prefeito. O judiciário defere o pedido! A partir de então, já não é apenas o Pronto Socorro que passa à responsabilidade do Sr. Prefeito; é todo o Hospital! Acho bom. Nós vínhamos pedindo isto. Falta apenas consumar a pacífica transição administrativa à Prefeitura, mediante afastamento do Conselho. Fiz minha parte.
- O episódio só me entristece sob o ponto de vista do José Valverde, um homem honestíssimo, dedicadíssimo ao Hospital, que há ano e meio vinha dando, inteiramente de graça e por puro diletantismo, sua alma, sua paz, sua vida e até sua saúde que não é boa, em prol de uma causa justa, e se vê, de uma hora para outra, deixando o posto em circunstâncias tão imerecidas.
Gazeta - Você vê, então, a Administração Pública Municipal como boa gestora do Hospital?

JCR - Nem tanto. Sempre há o critério populista, nunca meritocrático inclusive porque o político sempre teme ser tachado de elitista. Privilegia o IBOPE escalando segundo time. Mas a verdade é que o atual modelo administrativo do Hospital tem 109 anos e ficou inteiramente anacrônico. Abandoná-lo agora, no meu modo de ver, pode ser o mal menor.

Gazeta - Como assim?

JCR - Os Conselheiros, que vinham escolhendo o Provedor, equivalem a “substitutos” dos fundadores do Hospital, ou seja, daqueles senhores que, um dia, puderam construir e manter a Casa de Caridade. A diferença é que esses substitutos, de hoje, não dispõem de meios para atender à enorme demanda de recursos que o funcionamento de um Hospital como o nosso exige. - Quem dispõe desses recursos? A Prefeitura, que é a quem a lei atribui função de gestora dos recursos públicos destinados à Saúde. Portanto, mudaram-se as circunstâncias, mudou a realidade. Um Hospital, como este de Leopoldina, que atende a mais de 90% de Segurados do SUS, tornou-se, diante dos fatos e do direito, uma “Instituição de Interesse Público”, sob fiscalização do Ministério Público e sob provimento da Municipalidade.
Deixou de ser particular. Saiu da esfera do Direito Privado. Tentar negar essa realidade é perpetuar o clima de animosidade – do qual a população não agüenta mais nem ouvir falar – entre Prefeitos e Provedores, ou seja, entre o Responsável que deve pagar a conta e quem está administrador por equívoco.

Gazeta - Mas você que deu tanto ao Hospital e foi tão entusiasmado por ele, agora fica fora?

JCR - Nunca. Como Leopoldinense, como ex-Provedor e como quem aprendeu a amar nossa centenária Instituição de Caridade, estarei sempre disponível para as pessoas honestas que realmente fazem a diferença ali dentro do Hospital, fazendo tudo que estiver ao meu alcance para que ele melhore cada dia mais. No que, aliás, não sou diferente de ninguém. A CCL é a menina dos olhos de todos os leopoldinenses.
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(Entrevista publicada na Gazeta de Leopoldina de outubro de 2003)

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