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sábado, 3 de julho de 2010

GLN Dois Anos

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Agosto, 2005

Neste agosto de 2005 nosso Jornal completa dois anos de existência. Dois anos de bons serviços à comunidade, trazendo a notícia, promovendo o debate de assuntos do interesse geral, estendendo pontes, avivando a história, aproximando pessoas. Já se iam quase cinqüenta anos, Leopoldina não contava com um noticioso que mantivesse alguma regularidade, ainda que mensal.

Pois a folha do Grupo LEOPOLDINENSE de Notícias fixou-se, heroicamente, em regularidade quinzenal. Todo dia 15 e todo dia 30, vimos contando com a chegada certa, religiosa, deste periódico sob a porta. O mesmo que, nas bancas da cidade, também é o mais procurado.

Não pensem ser fácil chegar a isto. É dificílimo! Elaboração de matérias, diagramação, impressão, distribuição, tudo demanda mão de obra diferenciada, demanda tempo e dinheiro. Dinheiro duro de se mobilizar numa cidade como a nossa, praticamente sem indústrias e de comércio pouco exuberante.

Mas o Luiz Otávio faz das tripas coração e o LEOPOLDINENSE, com o apoio de amigos, vai se equilibrando. Sem falar daqueles, pelo qual o zelo é especial: suas excelências, os assinantes. São centenas, dentro e fora de Leopoldina.

Jornal se mede pela qualidade e pela quantidade dos leitores, por isto - informa o Luiz Otávio - no LEOPOLDINENSE, o valor da assinatura anual visa praticamente repor custos, ou seja, R$30,00 para Leopoldina e R$40,00 para fora do município. Como brinde, cada assinatura ou renovação, dá direito a um anúncio em edição posterior.

Mas problemas existem. Contra este jornal tem feito diferença o fato de seu proprietário não ser um “Coronel” do lugar. É que neste Brasil de interiores profundos, independente da distância aérea para o litoral, só os ditos “Coronéis” controlam pacificamente meios de comunicação como rádios, TVs e jornais. Ai da pessoa pobre, como o Luiz Otávio, que se meta a lidar com notícia! Notícia forma opinião, e isto põe em risco o establishment, gerando reações desastradas.

Imaginem vocês que Leopoldina possui uma emissora de Rádio há quase 100 anos; a circulação de pequenos jornais pela cidade, excede a um século; e tivemos, por algum tempo, uma repetidora de TV. Coincidentemente, todos esses órgãos são (ou foram) mantidos por pessoas ditas abastadas, detentoras de poder político.

Agora pasmem: ninguém por aqui, nesse “um século”, jamais ouviu falar de qualquer Processo Judicial contra donos desses veículos de comunicação. E olha que radialistas não perdoam: como em qualquer lugar do Brasil, programa popular em rádio é do tipo “macaco em vidraçaria”. Bota pra quebrar! Mas se a rádio é de um “poderoso”, cadê coragem no “ofendido” para processar o dono? Diante do “Coronel” as pessoas se encolhem, ficam inseguras ou, como se dizia antigamente, “reconhecem o seu lugar”.

Já com este jornal foi diferente. O primeiro número, em agosto de 2003, rendeu logo uns quatro processos judiciais contra o Luiz Otávio. Nas semanas que se seguiram, mais processos, e mais processos e, hoje, não são menos de dez as ações distribuídas contra o Jornal e seu titular. E se ficou apenas em dez ações – diz o Luiz – foi porque a justiça, em primeira instância, começou a dar ganho de causa ao Jornal.

Tudo porque Luiz Otávio é um lutador, um humilde profissional de jornal do interior. Ninguém tem medo dele, entende! Diante dos pequenos o bastão dos vilões ficam arrogantes. Fazer o quê? São resquícios coloniais, felizmente em extinção.

Felizmente para nós, nem tanto para a literatura. Nossos Jorge Amados e Dias Gomes do futuro não terão “Coronéis Ramiros” e “Odoricos Paraguassus” para delícia de suas novelas.

Mas o meu escasso entusiasmo pelo teclado, ultimamente, não me trouxe aqui para aborrecer ou ficar aborrecido. Vim só dar parabéns ao Luiz Otávio por esses dois anos de vida do Jornal, pelos dois anos de serviços relevantes a Leopoldina.

O grande Mahatma falava de luzes de purificação no fogo do sofrimento. Jornal tem a vantagem de não sofrer calado. Pode-se acender um toquinho de esperança e comemorar: “Parabéns pra você, nesta data sofrida”...
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(Publicada no primeiro número do LEOPOLDINENSE, em 15 de agosto de 2005)

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