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sábado, 3 de julho de 2010

Editorial nº1

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Leopoldina vê nascer hoje um novo jornal a integrar-lhe o patrimônio cultural.
Surge a “Gazeta Leopoldinense de Notícias” (*) como fruto promissor e instrumento de uma nova postura editorial responsável, de uma tomada de posição por pessoas que se pretendem capazes, construtivas, solidárias, livres e afinadas num mesmo ideal fraterno de serviço à nossa comunidade. Um jornal voltado para o bem de Leopoldina e para o lado melhor dos sonhos de cada leopoldinense.

A sociedade ocidental posterior ao Século XIII tornou-se beneficiária um pouco acomodada do triunfo dos três ideais iluministas sobre a bastilha, mas é inegável que uma certa ênfase liberal dada pela burguesia vencedora aos princípios da liberdade e da igualdade, acabou por vir negligenciando a fraternidade devida a nossos semelhantes. Essa constatação nos leva às raízes da imensa dívida social que vemos acumulada à nossa volta, nos bolsões nacionais de miséria, nas favelas e nos campos.

Tanto porque, sempre conveio aos poderosos privilegiar a própria liberdade (de contratar, de possuir, de governar) em nome do livre jogo de suas ações individuais - o qual, em tese, conduziria ao interesse geral – muito embora seja no desfrute da pretensa “igualdade” entre diferentes que a liberdade do mais forte se abastece de condições para oprimir o mais fraco. Isto, em todas as frentes: política, econômica, jurídico-contratual.

Felizmente, neste Brasil da Constituição de 1988, a exemplo de países como Alemanha, estamos dando um salto à frente ao positivar na lei maior a defesa da dignidade humana como um dos princípios norteadores da própria nacionalidade, com o que ingressamos num tempo de resgate ao ideal da fraternidade.

É nesta seara humanística que a GLN buscará sua inspiração. Não alardearemos o privilégio da verdade absoluta. Nossa proposta é pensar com nossos leitores para com eles chegarmos à verdade compartilhada.

Invocaremos o primado de uma razão liberta de preconceitos que afirme a crença no progresso dos múltiplos setores da atividade humana, sobretudo no que toca à liberdade de pensar, e queremos o debate aberto de que nos fala Umberto Eco, aquele que seja “uma possibilidade de discursos diversos e, para cada um, uma contínua descoberta do mundo”. Um discurso que “não queira agradar nem consolar”, mas, quando preciso, se proponha a “transformar o modo de compreensão das coisas”.

Seremos, sim, um jornal do interior e não aspiramos a muito mais que isto. A enorme evolução das comunicações empresta hoje, também ao jornal da província, janelas amplas para o mundo.

A realidade que a todos nos circunda e agrega passou a ser, em muitos casos, a realidade planetária. Não raro problemas elementares que nos afligem, até em âmbito doméstico - sobretudo se de ordem econômica - explicam-se por sua origem transnacional.

O mundo se associa em blocos, buscando ampliação de mercados, arrefecendo nacionalismos e fronteiras, confirmando o paradoxo do sociólogo americano Daniel Bell: “O estado-nação é hoje grande demais para os pequenos problemas e pequeno demais para os grandes problemas”.

Um nova ordem político-econômica subiu ao proscênio a partir de 1989, com a queda do muro de Berlim. Atenuam-se as disparidades, integram-se povos. A informação eletrônica, globalmente compartilhada, aproxima remotos rincões aos centros mais civilizados do planeta.

Malgrado diagnóstico feito por Bill Gates, há alguns anos, de que no ano 2000 não haveria mais jornais impressos, a realidade tem demonstrado que ainda sobra espaço para a imprensa escrita, desde que afeiçoada aos novos tempos, a novas técnicas. Mesmo para um simples jornal do interior haverá viabilidade quando capaz de incorporar qualidade que eqüivalha a uma quase reinvenção. É na edificação deste ideal que aqui estaremos.

Ao mesmo tempo em que houvermos de buscar algo menos convencional, alcançaremos a confiança de nossos leitores pela intransigência de ser-lhes sempre úteis e íntegros na veiculação da notícia, produzindo conteúdos de qualidade como a melhor maneira de dignificá-los e respeitá-los.

Enquanto veículo de idéias, jamais buscaremos impor a verdade, mas chegar a ela junto com o leitor. Não cultivaremos inimizades nem posicionamentos herméticos. Desconheceremos a vindita e o rancor. Repugnaremos a calúnia e a difamação. Estaremos abertos a todos os pensamentos e a todas as correntes. Sobretudo à fé e à esperança.
Trataremos a informação correta como instrumento decisivo e direito indisponível de uma sociedade civilizada. Mas sem esquecer que um jornal é também responsabilidade e coragem.

O renomado professor de ética jornalística, Carlos Alberto Di Franco nos ensina que:

“A exposição da chaga, embora desagradável, é sempre um dever ético. Não se constrói um país num pântano. Impõe-se o empenho de drenagem moral. E só um jornalismo de denúncia, comprometido com a verdade, evitará que tudo acabe num jogo de faz-de-conta. Os meios de comunicação existem para incomodar. Um jornalismo cor-de-rosa é socialmente irrelevante. A imprensa, sem precipitação e injustos prejulgamentos, está desempenhando importante papel na recuperação da ética na vida pública. Não se trata de transformar jornais numa espécie de contrapoder, mas numa instância de uma sociedade freqüentemente abandonada por muitas de suas autoridades...Os políticos, pródigos em soluções de palanque, não costumam perder o sono com o rotineiro descumprimento da palavra empenhada.Afinal, para muitos deles, infelizmente, a política é a arte do engodo. Além disso,contam com a amnésia coletiva.Ao jornalismo cabe assumir o papel de memória da cidadania... O jornalismo público não pode ser pautado pelas assessorias dos governantes ou candidatos, mas pelo interesse do cidadão. Precisamos falar do futuro, dos projetos e dos planos de governo. Mas devemos também falar do passado, das coerências e das ambigüidades. E, sobretudo, não podemos sucumbir às estratégias do marketing político que ameaçam transformar coberturas jornalísticas num show de chavões demagógicos e num triste espetáculo de inconsistência”.

A GLN se apresenta hoje, aqui, para ser o jornal das pessoas boas de Leopoldina, em busca do bem de nossa terra. A você, leopoldinense, que vinha nos prestigiando nas páginas da velha “Gazeta de Leopoldina”, queremos dizer que foi honroso para nós estarmos juntos nestes últimos anos.

Procuramos sempre respeitar o nível e a inteligência dos nossos leitores, bem como respeitar a tradição de nossa querida “Gazeta de Leopoldina” um jornal de 108 anos, que é, e certamente continuará, sendo um patrimônio desta cidade, agora sob nova condução.

Foi para nós, e para toda a equipe que hoje realiza esta GLN, uma grande honra ter servido à “Gazeta de Leopoldina”. A ela e a seus novos responsáveis, desejamos, todos, sob inspiração de Deus, vida longa e trabalho proficiente.

A você leitor, que sempre confiou em nós, pessoalmente, queremos dizer que partimos para algo bem maior. Pela primeira vez Leopoldina contará com um jornal, esta “GAZETA LEOPOLDINENSE DE NOTÍCIAS”, no qual todas as pessoas se identifiquem.

Inspirados em sua receptividade ao jornal que fazíamos, seguiremos levando até você, todos os meses futuros, o jornal que agora passamos a fazer. Este, que pretendemos venha constituir-se no melhor jornal de Leopoldina, a “GAZETA LEOPOLDINENSE DE NOTÍCIAS”, simplificada e, carinhosamente, também referida como GLN.

Um brinde à nossa amizade! Um brinde à GLN! Ou, no verso poderoso do nosso poeta, psiquiatra, vereador e grande amigo, Dr. Iano S. Campos: “Um brinde à vida e à emoção!”
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(Publicada no primeiro número do LEOPOLDINENSE, em agosto de 2003)

* Nota: Poucos meses após o lançamento o jornal alterou sua razão social para “Grupo LEOPOLDINENSE de Notícias” (LEOPOLDINENSE), em acordo com os então detentores da “Gazeta de Leopoldina”.

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