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terça-feira, 13 de julho de 2010

Entendendo o Governo

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Mês passado comentavam na imprensa a grande maldade do PT botando pra fora do partido os tais radicais livres. Por muito que o assunto diga respeito à grande imprensa nacional, e não a jornal municipal como o que esta crônica se destina, tão insistentemente ele domina conversas e paixões - e com isto mantendo atualidade - que vale a pena abordá-lo de maneira acessível ao normal das pessoas. Principalmente agora, com o tema explorado no horário nobre da TV.

Vamos firmar, de saída, que o entrevero da intelligentzsia petista com seus dissidentes não envolve pessoas ingênuas. Ali, ninguém nasceu ontem e, no meio político quando prevalece o arrivismo, tanto divergem como se unem os puros geniais ou os porcos do lixão. Mas é possível entender a trama lendo o não escrito, ouvindo o que não foi dito.

É claro que Lula não tem que mudar o rumo da economia apenas para ser coerente com a filosofia primordial do PT e trocar de bem com companheiros intransigentes. Vem de Norberto Bobbio, ex-professor das universidades de Siena e Pádua, catedrático da Universidade de Turim, um dos maiores pensadores da atualidade (falecido, infelizmente, há poucos dias), o ensinamento de que o universo moral e o universo político pertencem a sistemas éticos distintos e, até, em alguns casos, contrapostos.

Assevera Bobbio que o critério clássico de ética se ajusta ao respeito cego a uma norma categórica, determinante daquilo que equivale a uma boa ou a má ação moral. Donde o critério puramente ético não implicar em compromisso com resultados.

Muito ao contrário, a boa ou má ação político-administrativa, tem seu compromisso com o resultado. O administrador não pode ser um místico, um asceta, um devoto cenobita, um platônico. Como administrador, o político há de ser prático em busca de efeitos, de resultados concretos.

Não vale para um governante dizer, “arrasei as contas e a credibilidade do país, mas não faltei aos ideais do partido”. Ou, “afugentamos investimentos, mas mantivemos coerência de princípios”. Só um doido iria por aí. Ou seja, na ética política é a concretude do produto final que realmente importa. O resultado da ação.

Bem a propósito, FHC – que para a própria cúpula do PT não é alguém que se deva citar - em pronunciamento do inicio de seu segundo mandato, apontava a distinção clássica, do sociólogo e economista alemão Max Weber, entre ética de convicção e ética de responsabilidade. Ou seja, a distinção entre o agir do justo, que entrega as conseqüências de sua ação nas mãos de Deus; e o agir do responsável, que vai e responde pessoalmente pelas conseqüências previsíveis dos atos que pratica.

Uma coisa é lecionar, abraçar teorias, defender teses, agir como um pedagogo, um utopista, um poeta a entreter estrelas. Outra, bem diferente, é estar na pele do homem prático que decide e conduz pessoas: o estadista, o político que governa e busca soluções.

Certa ocasião Ulisses Guimarães descobriu que no Congresso havia de tudo, menos burros. Logo, os banidos do PT não são cretinos. Apenas escolheram ir plantar batatas, quando acreditaram que o cultivo do apreciado tubérculo, na mídia, lhes poderia resultar em algo eleitoralmente mais proveitoso. É a aposta deles...
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(Publicado no LEOPOLDINENSE de 30.01.2004)

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