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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Monsenhor Guilherme de Oliveira


Todo ex-aluno que fez o secundário no velho Colégio Leopoldinense e no atual Colégio Estadual Professor Botelho Reis, entre 31/01/49 e 09/11/79, terá registrada indelevelmente na memória a imagem muito querida do Diretor, Monsenhor Guilherme de Oliveira.

Diretor do “Ginásio” por trinta anos, Monsenhor foi aquela presença suave e constante lendo seu breviário em vagarosa caminhada pelos corredores externos do Colégio desde as primeiras horas da manhã. Talvez fosse aquele um artifício seu de estar presente em todos os espaços do enorme educandário que administrava, evoluindo a passos imperceptíveis pelo lado externo das salas de aula, pelas proximidades dos dormitórios dos alunos internos, secretaria, recepção, cozinha e pátios.

Para os problemas a ele submetidos, sempre uma solução de equilíbrio e conciliação. Monsenhor a todos convencia pela candura. Jamais alguém o viu, ou o ouviu, erguendo a voz. Sem dúvida, aí o segredo de ter sido tão naturalmente respeitado por mestres e alunos.

Monsenhor Guilherme nasceu em Cachoeiro Alegre, município de Palma, aos 3 de novembro de 1916. Era filho de Ezequiel de Oliveira e Flora de Oliveira. Seminário Menor e Seminário Maior ele os cursou em Mariana. Ordenou-se Padre no dia 21 de novembro de 1947, na Catedral de São Sebastião, de Leopoldina, em celebração de Sua Excelência Reverendíssima, Dom Helvécio F. de Oliveira, Arcebispo Metropolitano de Mariana.

Dentre os muitos cargos exercidos ao longo de sua trajetória sacerdotal, Monsenhor foi, além de Diretor do Colégio Leopoldinense, de 31/01/49 a 09/11/79; Reitor do Seminário de Leopoldina; Chanceler do Bispado; Cônego efetivo do Cabido Diocesano aos 24/09/47; Vigário Geral do Bispado de 02/01/49 a 1960; Preposto do Cabido em 15/11/49; Camareiro Secreto do Papa Pio XII, em 18/10/51; novamente Vigário Geral da Diocese, de janeiro de 1964 a 1985; Capelão do Colégio Imaculada Conceição, de 31/07/59 a 31/01/94; Prelado Doméstico do Papa em 03/01/58; Capelão do Asilo Santo Antonio, de Leopoldina, de janeiro de 1955 a julho de 1959; Administrador Diocesano eleito após a saída de Dom Gerardo F. Reis, entre 26/08/85 a 15/12/86; Vigário Geral de Dom Sebastião Roque, entre 15/12/86 e 06/06/89; Vigário Geral de Dom Ricardo, entre 21/05/90 e 12/03/92; Capelão da Casa de Caridade Leopoldinense entre 1985 e 1994.

Meus sete irmãos e eu, ex-alunos do Colégio Leopoldinense, sempre tivemos por Monsenhor Guilherme um carinho muito especial e nos orgulhamos de que esse sentimento fosse recíproco. Rapaziada pobre que precisou ir deixando Leopoldina pelo Rio de Janeiro à medida que terminava o curso ginasial, ao longo dos anos 50 e 60, nem por isso nossa amizade pelo Monsenhor Guilherme deixou de prosperar à distância.

A partir de 1981 – remediando a dispersão geográfica – nossa família passou a reunir-se em Leopoldina de três em três anos. Os encontros sempre começaram por uma santa missa em nossa modesta casa da roça. Como celebrante, enquanto viveu, invariavelmente, tivemos o Monsenhor Guilherme. Suas homilias sempre muito adequadas ao momento e ao lugar não dispensavam o coloquial – brincadeiras com seus ex-alunos, alusões espirituosas às melhoras que iam aparecendo na casa, aos novos casamentos, às crianças nascidas no período e por ele batizadas...

Leopoldina lamentou sua falta no dia 01/04/95. Foi sepultado no túmulo da Diocese, no Cemitério N. S. do Carmo, desta cidade.

Pela Lei Municipal nº2848, de 20 de junho de 1996, “Monsenhor Guilherme de Oliveira” passou a ser denominação de uma rua no Bairro Pedro Brito. Leopoldina perdeu seu grande educador, um homem que manejava com sabedoria o silêncio e as palavras. Magrinho, simples, perspicaz e cordial, alegria meio contida, jamais aparentou envelhecer. Aos 79 anos ainda se manifestava nele a mesma aparência jovial dos primeiros tempos, a dificultar-nos ainda mais imaginá-lo ausente. Como ausente na memória de seus alunos ele jamais estará.
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