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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Antonio José Monteiro de Barros

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É comum quando se fala dos fundadores de Leopoldina vir à mente a justa lembrança daquelas figuras lendárias com as quais nos afeiçoamos desde curso primário. O aprofundamento na história de Leopoldina vai demonstrar, entretanto, que outras pessoas deram sua contribuição importante para que o Feijão Cru se transformasse na Leopoldina dos nossos dias.

Um destes certamente será o Dr. Antonio José Monteiro de Barros, pessoa pouco lembrada, raramente incluída entre as celebridades do amanhecer leopoldinense, mas que foi presença decisiva na transformação da vila em cidade.

Registro induvidoso disto nossos historiadores foram encontrar no memorialista Francisco Rezende, em seu livro Minhas Recordações. Disse Rezende: “Por simples amor ao lugar ou talvez antes para com ele formar para si um verdadeiro feudo, Antonio José promoveu e conseguiu a elevação de Leopoldina a FREGUESIA e, ao mesmo tempo, a VILA, pela Lei Provincial nº 666, de 1854 e, sete anos depois, elevou a Vila a CIDADE, pela Lei nº 1116, de 18.10.1861”.
E “não havia uma só eleição de qualquer natureza em que se apresentasse como candidato, que ele perdesse qualquer outro voto que não fosse unicamente o seu”!

Segundo Barroso Júnior, em artigo para a Revista Acaiaca de março de 1954, Antonio José Monteiro de Barros era proprietário fundador da Fazenda Paraíso e sobrinho do senador do Império, Padre Dr. Marcos. Ostentava, ainda, o título de advogado formado pela faculdade de Pernambuco, não se tendo notícia, todavia, de que haja exercido a profissão em Leopoldina.

Consta ter sido ele o PRIMEIRO VEREADOR do distrito de Leopoldina, na Câmara Municipal da Vila de São Manuel do Pomba. Mandato, aliás, que passou a ser exercido por seu Suplente, o Capitão João Gualberto Ferreira Brito, quando o Dr. Antonio José, em 1840, elegeu-se deputado, à terceira legislatura provincial.

Há registro de que ele se elegeu mais tarde deputado à Assembléia Geral, por Minas Gerais, sendo reconduzido ao cargo por três legislaturas.

Era casado com Helena, sobrinha do Senador do Império, Padre Dr. Marcos Antonio Monteiro de Barros, que foi cônego da Sé de Mariana e costumava veranear na Fazenda do Paraíso.

Em 21.08.1817 Dr. Marcos foi nomeado Vigário Capitular de Mariana e, segundo consta, teria ocorrido por sua indicação a nomeação do primeiro Cura de Leopoldina, o Padre Manuel Antonio Brandão, que era natural de Sumidouro de Mariana e se houvera ordenado aos 03.06.1811.

Antonio José, ainda segundo Francisco Rezende, na Corte e em todos os lugares por onde andou, foi sempre muito estimado e respeitado. E tão estimado foi que, ao perder sua condição financeira, o que o levou a endividar-se com muita gente, jamais se encontrou na cidade alguém que o recriminasse. Pelo contrário, seus credores foram unânimes em apregoar que - tratando-se de pessoa tão boa e prestativa - o prejuízo que a eles causara era de ser “considerado como um dinheiro muito bem empregado”.
Como dito acima, foi ele o construtor e primeiro proprietário da Fazenda Paraíso, histórica e portentosa propriedade rural situada às margens do Rio Pirapetinga, com acesso pela esquerda da BR-116, sentido Leopoldina/Rio, no alto da Serra da Vileta.

Consta que o “Paraíso”, posteriormente, teria sido adquirido pelo Barão de Mesquita, o mesmo que dá nome à conhecida rua da Tijuca, no Rio de Janeiro. Em passado recente foi adquirida por Ari Vasconcelos Cunha, pertencendo, ainda hoje, a sede e algumas terras no seu entorno, a um dos filhos de Ari.

No início do século a Fazenda do Paraíso estaria entre as maiores, mais luxuosas e bem equipadas fazendas do Estado, talvez do País. Tinha uma sede que, além de muito grande e bem decorada, fora guarnecida por clássico mobiliário e grande número de objetos e preciosidades bem ao estilo da esposa do proprietário, Sra. Helena, filha de um Visconde, sobrinha de um Senador, senhora acostumada ao luxo aristocrático e dotada de muito bom gosto.

Relata Francisco Rezende que a casa era tão bem decorada que depois que o Dr. Antonio José teve que dela desfazer-se, “bem poucos foram os habitantes de Leopoldina, de uma certa ordem, que não tivessem nas suas casas algum ou alguns daqueles mesmos objetos, comprados por trinta ou por quarenta o que valia duzentos ou trezentos”.
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NOTA: Agradecemos aos estudiosos da história leopoldinense, Nilza Cantoni e a José Luiz M. Rodrigues os conteúdos informativos desta biografia. Nilza, aliás, reluta em incluir o Antonio José como um dos fundadores de Leopoldina porque ele só aparece na região a partir de 1838. Informa ela também não estar documentalmente comprovada sua atuação como nosso vereador no Pomba.

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