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terça-feira, 5 de julho de 2011

Luiz Otávio Meneghite, 60 anos



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Janeiro, 2011


Meu amigo Luiz Otávio Meneghite torna-se um sexagenário neste cinco de janeiro de 2011. Sou versado no assunto, pois já alcancei esse marco há algum tempo. Não digo que seja uma má idade. São consideráveis as conquistas a tal altura da vida, principalmente no campo das experiências, se não somos sistematicamente desatentos ao mundo que nos rodeia.

Um pouco contraditório, no caso, é esse prefixo sex, que em sexagenário significa apenas o número seis, mas nunca escapa de lembrar sexo, em português, ou sex em inglês, noção quase irônica a partir dos sessenta, em qualquer idioma...
Mas eu não desperdiço a honra do convite da família Meneghite, para comparecer a este caderno especial do jornal LEOPOLDINENSE, apenas para brincar com meu amigo aniversariante. Quero, também, falar muito sério de nossa amizade.

Quando cheguei de volta a Leopoldina, na segunda metade dos anos 90 - fissurado em jornalismo com sempre fui - minha primeira atenção foi para a “Gazeta de Leopoldina”.

Por aqueles tempos nossa “tradicional folha informativa” passava por uma excelente fase, sob condução do Luiz Otávio. Falo da qualidade dos conteúdos do jornal, da regularidade, do grande número de assinantes e leitores avulsos. Ou seja, o Luiz Otávio produzia um jornal à altura das tradições de Leopoldina. Mais importante ainda, um jornal que a cidade estava lendo.

Ora, nada melhor para a classe política interiorana que um jornal muito lido. Os caras nunca fizeram outra coisa que não fosse panfleto bissexto de vésperas de eleição, para espalhar nas ruas com a ajuda do vento! Não deu outra: tiraram a Gazeta das mãos do Luiz Otávio.

Na ocasião, delicadamente, tentei fazer ver às pessoas que aquilo era um erro. Eles iriam perder um trabalho árduo de recuperação da Gazeta, já que não existia, em Leopoldina, alguém com o tutano do Luiz Otávio para manter a qualidade alcançada pelo jornal. Fiz, até, uma crônica intitulada “A Gazeta é uma Flauta”, invocando a lenda da flautinha do Altamiro Carrilho que certo fazendeiro simplório, hipnotizado com a música do mestre, teria comprado a peso de ouro na ilusão de poder extrair dela as mesmas melodias que o encantavam, no sopro do Altamiro.

Inútil! Como quem degola uma galinha de ovos de ouro, subtraíram a Gazeta ao Luiz Otávio e – tal como previsto – por incompetência e desamor, acabaram com ela. Leopoldina perdia o mais antigo jornal do interior brasileiro, ainda em circulação. Um prejuízo histórico!

Felizmente, um mal que veio para bem. Foi quando me foi ocasionada a honra de ser útil à minha cidade, criando com o Luiz Otávio, em meu escritório da Rua Barão de Cotegipe, 52, o jornal LEOPOLDINENSE.
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(Publicada no jornal LEOPOLDINENSE de 01 de janeiro de 2011)

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