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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Bons Alunos nos 90 Anos de Da. Belinha #

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Foto: Jornal LEOPOLDINENSE

Agosto, 2007


No sábado, 28 de julho último, tivemos a grande alegria de comemorar com a família Soares Maranha os 90 anos de Dona Belinha (Maria Belarmina Soares Maranha), nossa estimada, culta e dedicada professora no Colégio Leopoldinense, dos anos 50. Foi maravilhoso poder abraçar mais uma vez a encantadora mestra, absolutamente saudável, ativa, alegre, disposta e feliz, como sempre entre os filhos Sérgio e Flávio, noras, netos, sobrinhos e ex-alunos do velho ginásio dos bons tempos. Momentos felizes como há muito não vivíamos.

Estudante apenas esforçado em matemática e física, fui aluno razoável nas matérias de Da. Belinha: Geografia e Desenho. Tirava notas boas com ela, ela gostava de mim, me estimulava, enchia minha bola. Vem daqueles tempos meninos, portanto, meu enorme carinho por Da. Belinha.

Parabéns, mestra muito querida, pelos seus 90 anos, pelos seus ensinamentos, pelo seu desvelo com as crianças que éramos, pelo exemplo edificante de vida que continua passando para todos nós.

O encontro no restaurante Fogão de Lenha, lá para as bandas da antiga Fazenda Fortaleza, foi oportunidade de rever velhos companheiros e companheiras, voltando o filme com meninos e meninas já nem tanto... Matamos saudades, passamos a limpo tipos inesquecíveis entre mestres e alunos e corremos aquela flanelinha básica nas piadas de sempre.

Falamos também de coisas sérias, como as mudanças que ocorreram na educação. Hoje nossos filhos às vezes não guardam sequer os nomes dos professores, raramente sabem os sobrenomes dos colegas, parecendo cultivar menos a camaradagem. Mudou bastante. Obra, talvez, da massificação generalizada.

Impossível não lembrar, dentre outras particularidades, que antigamente valorizava-se muito a inteligência lógica. Aquela medida pelo QI. Era comum supervalorizar o chamado primeiro aluno. Como no exército. Quase sempre aquele com bom desempenho nas ciências exatas.

Hoje se sabe que as pessoas possuem, na verdade, tipos variados de inteligência. A mais conhecida sempre foi, de fato, a inteligência lógica, com a qual Einstein e César Lates foram beneficiados. Mas há a inteligência lingüística, de Machado de Assis a Luis Fernando Veríssimo. A inteligência espacial, de Portinari e Oscar Niemeyer. A inteligência musical, de Baden Powel, Tom Jobim e Villa-Lobos. A inteligência do corpo, de Pelé, Thiago Pereira e Daiane dos Santos. A inteligência introspectiva, que permite à pessoa compreender-se a si mesma, como Fernando Pessoa e Joyce. E, também, a inteligência que facilita ao indivíduo entender seus semelhantes, como em Jung e Sigmund Freud, o pai da psicanálise.

Curioso notar que inteligência nada tem a ver com senso moral. Goethe e Goebbels dominavam com brilhantismo o idioma alemão. Mas enquanto o primeiro escreveu poemas maravilhosos, o segundo, como ministro da propaganda de Hitler e um dos primeiros políticos a compreender e a dominar cientificamente a comunicação de massa, dedicou-se apenas a cultivar o ódio entre seres humanos. A colaborar com a morte.

Howard Gardner, psicólogo americano autor da teoria das inteligências múltiplas, diz que existem inteligências inatas, geneticamente adquiridas, mas que elas dependem da experiência de vida para se desenvolver. Por exemplo, Mozart tinha aptidão inata para a música, mas o fato de que ele também tinha pai músico e mãe música foi importantíssimo.

Diz Gardner que se a pessoa nasce com uma forma muito promissora de inteligência, basta um empurrãozinho. Mas nem sempre é assim: aptidões existem a exigir um pouco mais de trabalho em seu aperfeiçoamento. O que se consegue, sempre, com mais facilidade na juventude. É certo, no entanto, que a inteligência relativa à percepção de si, e dos outros, se enriquece ao longo de toda a vida.

Para o psicólogo americano a medida do QI está inteiramente ultrapassada porque as inteligências “não estão fixadas numa pedra”, podendo, cada um, melhorar sua inteligência, com trabalho constante. O que não é muita novidade, não é mesmo? A propósito, Einstein não aceitava ser gênio. Dizia que era apenas um homem normal, trabalhando a vida toda num mesmo projeto... Bota modéstia nisto!
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(Publicada no jornal LEOPOLDINENSE de 15.08.2007)

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