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quinta-feira, 18 de março de 2010

Maria Machado Rodrigues (Da. Pequetita)

Diplomandas de 1930 - Escola Normal de Leopoldina
Ao centro, Dom Helvécio Gomes de Oliveira - Arcebispo de Mariana
(Pequetita é a última, à esquerda de Dom Helvécio)

Maria Machado Rodrigues, a professora Da. Pequetita, nasceu no dia 17 de maio de 1911, na fazenda “Santa Maria”, de seus avós maternos, Manoel Pereira Valverde e Anastácia de Oliveira Pereira, na localidade denominada Vargem Linda, município de Leopoldina. Era filha de Theóphilo José Machado e Maria Pereira Machado (Da. Lira). Estudou no Colégio Imaculada Conceição, em Leopoldina, como aluna interna, diplomando-se normalista no ano de 1930.

Sua primeira experiência no magistério foi entre os anos 1936 e 1937, em escola rural então existente na propriedade do Sr. Lourival de Castro, na rodovia BR-116, divisa de Leopoldina com Além Paraíba.

Em 1937 casou-se com João Rodrigues, seu primo de segundo grau, passando a lecionar na Vargem Linda, distrito de Piacatuba, onde o casal residiu de 1937 a 1945. Ali nasceram os quatro primeiros filhos dos onze que viria ter.

Em 1945 transferiu residência e magistério para a escola municipal do Bairro da Onça, que durante muitos anos funcionou ao lado da Capelinha de Santo Antonio, da localidade.

A partir de 1946 Da. Pequetita deixou o magistério público e, em 1955, a família fixou residência na cidade de Leopoldina. Em 1974, após o falecimento do marido, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde já residiam seus quatro filhos mais velhos.

O casal João e Pequetita teve onze filhos, com netos e bisnetos apurados em 15 de março de 2010:
José do Carmo Rodrigues, casado com Leila Lara Rodrigues, que lhes deram o neto Luiz Gustavo, casado com Ana Paula Mendonça Luquini e, estes, os bisnetos: Luiz Paulo e Pedro Henrique;
José Antonio M. Rodrigues, que, com sua primeira esposa, Zilda, falecida em 1976, teve as filhas Kátia Cristina e Lírian Cristina Machado Rodrigues Tkaczenko. Esta, casada com Eduardo Tkaczenko, pais da bisneta Fernanda. Em segundas núpcias José Antonio casou-se com Eliana Vasconcellos, com quem teve os filhos, Leonardo; Liriane e Cássia;
José Geraldo M. Rodrigues, falecido em 1987. Era casado com Maria de Lourdes Souza Rodrigues, com quem teve as filhas, Raquel, casada com Fábio Barbieri, pais dos bisnetos, Catarina e Antonio; Reila, casada com Rogério Carvalho do Vale, pais dos bisnetos, Pedro e Sofia; Rosana, casada com Fernando Bozza, pais das bisnetas, Beatriz e Helena; Rejane, casada com João Santos, pais dos bisnetos, Mariana e José Eduardo;
José Sebastião Rodrigues, divorciado;
José Luiz M. Rodrigues, casado com Lêda Maria Ferreira, que deram a João e Pequetita os netos Rafael, casado com Carolina C.M.C. Rodrigues, pais dos bisnetos, Maria Luíza e João; Fernando; e Laísa;
José Wenceslau M. Rodrigues, e
Maria Aparecida M. Rodrigues, ambos falecidos ainda crianças, entre quatro e cinco anos, no ano de 1952;
Maria da Conceição M. Rodrigues, solteira;
Maria da Consolação Rodrigues de Paula, casada com Evaldo Sampaio de Paula, pais do neto Guilherme;
Teófilo José M. Rodrigues, casado com Eleonora Dumas Queiroz Codeço Rodrigues, pais dos netos Theófilo e Laura;
Maria Antonia M. Rodrigues, também falecida aos 5 anos, em 1961.

Da. Pequetita, que faria 94 anos em 17 maio de 2005, faleceu aos 93 anos, às 5 horas do dia 17 de janeiro 2005, em seu apartamento da Rua Almirante Tamandaré, Flamengo, Rio de Janeiro, e foi sepultada às 18 horas do mesmo dia, no cemitério de Leopoldina. Convalescia ela de uma cirurgia de tumor abdominal, realizada 4 meses antes.

Como foi dito acima, Maria Machado Rodrigues (nome de solteira: Maria Pereira Machado) diplomou-se Normalista na turma de 1930, da “Escola Normal de Leopoldina” (Colégio Imaculada Conceição). Por considerarmos uma efeméride histórica digna de nota, a diplomação desta turma de professoras, extraímos, do Programma Convite para a Distribuição Solemne de Diplomas de Professora, os dados que se seguem.

Relação das formandas na ordem em que o convite as relaciona, ipsis litteris, obedecidas grafia e acentuação originais:

Delza Mageste Pimentel, Zuleika Esteves Furtado de Souza, Maria Apparecida Fajardo, Dagmar Ferreira Netto, Dinorah Lima de Almeida, Maria José Duarte Ramos, Yvonne Werneck, Orlinda Lacerda França, Hebe de Figueiredo Antunes, Maria Helena de Almeida, Amelia Pires Franco, Abigail Rezende Barbosa, Dinorah Guariglia Bravo, Maria Valente Péres, Thereza Barbosa, Ondina Monteiro Gomes, Mercedes Ramos Cerqueira, Honorina de Medeiros Guimarães, Carmen Gama Lacerda, Alice Loures Calhau, Nelly Nunes Leal, Maria da Glória Vargas Netto, Maria de Lourdes Fonseca, Alzira Calhau, Jucila Vieira de Rezende, Consuelo Pinto de Almeida, Anna Alves de Almeida, Alvayr Maria Barreto, Maria Pereira Machado, Abigail da Gama Lima, Ernestina da Silva Lima, Celina Maciello, Guanahyra Guimarães de Paula, Dalila Barbosa Ladeira, Oldemarina Fajardo Barbosa, Yolanda Lima, Ítala Campos Bricio, Thereza Zambrano, Margarida Furtado Leão, Iracema Procopia de Freitas.

Esta turma, de 1930, do CIC, teve como paraninfo Dom Helvécio Gomes de Oliveira, SDB, então arcebispo da Arquidiocese de Mariana, à qual Leopoldina estava circunscrita na época. A cerimônia se deu no dia 11 de dezembro, às 13 horas.

A “Abertura da Sessão” foi promovida pelo “Capellão do Collegio, Pe. João B. Harriague”; discursou o “Paranympho, Exmo. E Rvmo. Sr. D. Helvécio Gomes de Oliveira, D.D. Arcebispo de Marianna”; “Discurso da oradora da turma ao Paranynpho, pela diplomanda Honorina de Medeiros Guimarães”; entrega dos Diplomas ao som da música La Harpe Ecolienne, pela Srta. Delza Mageste Pimentel; Discurso de Despedida pela diplomanda Nelly Nunes Leal; Encerramento da Sessão, pelo Professor Dr. Lydio Machado Bandeira de Mello; e, Côro Final – Cantiga da Sertaneja (Música de João Gomes).

A professora, Da. Pequetita, é minha mãe. Fui seu aluno na escola primária da Vargem Linda e nas duas localidades em que esteve instalada a escola primária do Bairro da Onça (na Capelinha de Santo Antonio e no Sítio Puris).

Orgulho-me do conceito que se tornou público, de ter sido ela uma professora de excepcionais virtudes pessoais e pedagógicas – sempre proclamadas por seus inúmeros ex-alunos e por todos os que a conheceram - mercê de seu preparo e dedicação ao magistério.

Sobretudo na heróica superação das dificuldades que se opunham ao ensino rural em seu tempo: instalações precárias, carência de transporte para mestres e alunos, inexistência de meios de comunicação, ausência de iluminação elétrica nas salas de aula e nas residências, falta de material didático, falta de uniformes, pobreza extrema dos alunos, imperativo de infundir hábitos de higiene inclusive nos pais das crianças, ignorância gerando resistência dos rurícolas quanto à necessidade de alfabetizar os filhos, apoio oficial praticamente nulo.

Às vezes era preciso “procurar em casa” os pais para convencê-los a matricular as crianças na escola. Não raro, a ajuda no sustento da família, o trabalho árduo dos menores na enxada ou no trato dos animais, revelava-se mais importante para o casal paterno.

Para muito além da grade curricular, Da. Pequetita ensinava seus alunos a “escovar” os dentes, mesmo sem possuírem escovas ou dentifrício; a higienizar o corpo naquela época em que ninguém no meio rural possuía água encanada em casa; a cortar as unhas; a fazer curativos; a cuidar dos cabelos; a “fabricar” seus cadernos com papel de embrulho, usando tesoura e grude feito com farinha de trigo.

Permito-me transcrever nesta biografia palavras da neta da biografada, a jornalista da CBN, Liriane Vasconcelos Rodrigues, por ocasião de seu falecimento:

Minha avó nasceu num lugar conhecido como Vargem Linda. Destacou-se como aluna interna do Colégio Imaculada Conceição, de Leopoldina, mas, como era próprio das mocinhas da época, aprendeu também bordado e teve aulas de bandolim.
Tornou-se professora rural. Algumas vezes andou a cavalo pelas estradas de terra para matricular alunos e, não raro, convencer os pais a colocarem seus filhos na escola.
Paralelamente, a vida testava cruelmente o casal, Vovô João e Vovó Pequetita, tirando-lhes três filhos entre os 4 e 5 anos de idade, sendo que dois falecidos numa mesma semana... Obra de uma simples infecção intestinal que a medicina leopoldinense dos anos 50 não teve condição de debelar.
Enviuvando-se em 1974, transferiu residência para o Rio de Janeiro.
Teve a felicidade de ver consumados todos os seus ideais. Aos noventa e três anos podia contemplar ao redor de si, em seu apartamento do Flamengo, os frutos de sua luta: filhos, noras, genros, netos e bisnetos compondo uma família maravilhosa sob sua aura de amor que a todos envolvia.
Obrigada por tudo, Vó. Obrigada a você e a Vô João por nos proporcionar a vida e, com ela, momentos tão especiais e inesquecíveis ao seu lado. Para nós a senhora estará sempre presente.


Realmente foi uma pessoa muito feliz, rodeada por filhos e netos que faziam de sua casa uma festa constante. Até bem pouco antes de falecer comparecia a todo aniversário de netos e não deixava de viajar a Leopoldina, onde adorava passar fins-de-semana no mesmo sítio onde criou os filhos. O Sítio Puris. Mas sua preocupação básica, em toda vida, foi a instrução. Queria sempre saber como iam os netos nos estudos e o que pretendiam cursar.

A professora, Maria Machado Rodrigues (Da. Pequetita) nunca perdeu a energia, a lucidez e a excelente memória de que desfrutava. Já contava quase noventa anos quando nos indicou, na foto de sua formatura, acima, cada uma de suas colegas – pelo nome e pelo sobrenome.

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Na foto:
Delza Mageste Pimentel (Manhuaçu)
Zuleika Esteves Furtado de Souza
Maria Apparecida Fajardo (Piacatuba)
Dagmar Ferreira Netto
Dinorah Lima de Almeida
Maria José Duarte Ramos
Yvonne Werneck (à esqueda do Arcebispo)
Orlinda Lacerda França
Hebe de Figueiredo Antunes
Maria Helena de Almeida
Amélia Pires Franco
Abigail Rezende Barbosa
Dinorah Guaríglia Bravo (Carangola)
Maria Valente Péres
Thereza Barbosa
Ondina Monteiro Gomes
Mercedes Ramos Cerqueira
Honorina de Medeiros Guimarães
Carmen Gama Lacerda
Alice Loures Calhau (Manhuaçu)
Nelly Nunes Leal (Carangola)
Maria da Glória Vargas Netto
Maria de Lourdes Fonseca (Tebas)
Alzira Calhau (Manhuaçu)
Jucila Vieira de Rezende (Piacatuba)
Consuelo Pinto de Almeida
Anna Alves de Almeida (Carangola)
Alvayr Maria Barreto
Maria Pereira Machado *
Abigail da Gama Lima
Ernestima da Silva Lima
Celina Maciello
Guanahyra Guimarães de Paula (Carangola)
Dalila Barbosa Ladeira (Piacatuba)
Oldemarina Fajardo Barbosa (Piacatuba)
Yolanda Lima (Tebas)
Itala Campos Brício
Thereza Zambrano
Margarida Furtado Leão
Iracema Procópio de Freitas (Piacatuba)
(Foram 40 formandas; na foto, 38)
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3 comentários:

  1. Lirian Cristina M. Rodrigues Tkaczenko29 de abril de 2010 23:20

    Tio Ká, Estou com a vó Custódia aqui , fazendo imposto de renda , e mostrando como tudo acontece na internet, colocamos o nome dela e o meu para um ex.
    Abri o seu blog, e adoramos tudo, você como sempre e´DEMMMMMAIS.......
    TE AMO MUITO......
    meu novo imail : lirianarquitetura@hotmail.com
    Fernandinha manda milhões de beijos......

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  2. Obrigado Lirinha,
    um beijo, sobrinha querida, um abraço para Vó Custódia - esse monumento de bondade.

    Tio K

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  3. Olá Boa Noite
    Venho aqui para dizer que adorei seu blog e já estou te seguindo. Sempre que der vou estar aqui!
    Visite o meu tb, será um prazer
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    Bjokas da Pequetita

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