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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Carta do Ely

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Novembro, 2003
Arte: Luciano Meneghite

É sempre uma dádiva para quem escreve em jornal a chegada de manifestações positivas da parte dos que lêem. No caso de crônicas sobre temas cotidianos, como é o nosso caso, em regra os assuntos mais leves impressionam a um número maior de leitores, claro. A medida se tem pelo retorno – telefonemas, abordagens pessoais, cartas, e-mails – recebidos pessoalmente ou pelo jornal.

Algumas vezes, entretanto, a gente se surpreende. Foi o que aconteceu com a crônica, “Falar de Coisas”, do número anterior desta GLN. Tomei uma erudita confidência de João Cabral de Melo Neto, sobre o que haveria de essência do autor nos elementos de que trata, e dei de falar de umas tantas... coisas. Não imaginava que tema tão abstrato fosse suscitar reações simpáticas. Muitas!
Uma delas veio em carta de um velho amigo e primo, Ely Rodrigues Neto, aliás, o autor do texto de onde extraí os nomes de quem chamei, na crônica, “gloriosa oposição” leopoldinense, em 1958.

Pródigo em elogios que não mereço, o Ely amplifica exageradamente os méritos do trabalho. É, pois, constrangido pela modéstia que abro aspas para a opinião dele.

“Prezado e perspicaz amigo Zé do Carmo.
Lendo sua coluna “Falar de Coisas” (GLN nº3) verifiquei que João Cabral de Melo Neto foi perfeito quando disse, perguntando sutilmente, se ao falar das coisas que nos envolvem já não estamos falando de nós... E observei que você falou com propriedade na frase inicial do seu valioso e correto trabalho: Ainda não disponho da sabedoria dos velhos, mas já não me constrange a perplexidade dos jovens.
Também são reveladoras do seu conhecimento da história de Leopoldina, da sua rica personalidade e qualidades de arguto observador, até as ilustrações da coluna: colcha de retalhos e instrumentos musicais... Sinto-me como envolto na primeira, e, dos instrumentos musicais, imagino estar ouvindo os sons dissonantes da política partidária local... “ouvido absoluto”?
Parabéns pela interpretação correta, amena, elegante, e construtiva dos fatos, que formam tão bem o quadro perfeito da situação hoje, do cenário político leopoldinense, retratado com humor pela sua coluna, com sua conhecida e admirada sutileza, que vem enriquecendo o conteúdo do periódico.
Ainda bem que, muito antes do Vice José Alencar aplainar os montes e pavimentar a avenida para o Presidente Lula, mesmo sem ter lido Guimarães Rosa, eu demonstrei com palavras e atos, que não sou vocacionado para Vice... Ou “não tenho o perfil de Vice”, como já afirmou um ilustre conterrâneo...
Se minha idade já me credencia a dar conselhos, envio-lhe este: se a vereda que leva à Câmara Municipal lhe parece atraente, siga por ela. Leopoldina está necessitada de tal presente. (...)
Para que esta mensagem não fique tão vazia, como algumas cabeças da política nacional, encerro com uma das muitas recomendações puras do amado titular do Vaticano: Avance para águas mais profundas...
Com amizade e gratidão, Ely.”

Obrigado, Ely, pelas palavras generosas. Tê-lo como leitor é um privilégio. Concordo em que o barco do PMDB deva avançar para águas mais profundas. Mas sou apenas um dos remadores.

A ilustração é obra genial do nosso cartunista, Luciano Meneghite, garoto de talento com tudo para ainda vir a acontecer na grande imprensa deste país. Quanto à “vereda” suspeitada por você, certamente haverá por ali também outra questão pessoal de “perfil’, bastante séria, a considerar. Mas encaro com naturalidade que uma pessoa que haja adquirido algumas experiências na vida possa vir a colocar essas mesmas experiências à disposição da sociedade em que vive.

Agora, aqui entre nós, Ely: minha bola de cristal quando girada para o futuro vem transparecendo a reserva moral que é Ely Rodrigues Neto, eleito Vice-Prefeito em 2004. Você não imagina a nitidez da imagem!...
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(Publicado no jornal LEOPOLDINENSE de 29.11.2003)

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