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domingo, 3 de fevereiro de 2013

Rigor em Santa Maria


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Não vejo como tripúdio ou falta de comiseração com as jovens vítimas e seus familiares, comentar a tragédia de Santa Maria numa crônica. Ressalvo isto porque já li, em mais de duas oportunidades, restrições de leitores à abordagem circunstancial do tema.

Bem ao contrário, entendo que o episódio deva ser exaustivamente debatido. Não há melhor forma de influir na prevenção de novos desastres. Não faz mal que mesmo opiniões equivocadas lambuzem papel de imprensa e desperdicem o tempo de quem lê. 

Para mim, ocorrências de tal gravidade dispensam até maiores zelos com reputações.
Aguardar que um “rigoroso inquérito” aponte os verdadeiros culpados é lenga-lenga! Quem não é cego ou simplório já viu e entendeu o acontecido. E anseia por justiça! Justiça que, na senda exemplarmente aberta pelo STF, com o processo nº470, siga revendo o afrouxamento de valores que sempre infelicitou este país.

O teto da boate foi recoberto com material inflamável? Sim. Logo, os irresponsáveis que construíram e os irresponsáveis que deveriam ter fiscalizado, e não fiscalizaram ao emitirem Alvarás, precisam ser condenados e presos. A porta de escape foi insuficiente para que centenas de jovens fugissem do fogo e da fumaça? Claro que foi. Logo, os irresponsáveis que construíram ou adaptaram o prédio para funcionar como uma casa de espetáculos devem ser responsabilizados e, com eles, as autoridade que se omitiram.

Extintores não funcionaram? Pessoas morreram nos banheiros por falta de luzes indicadoras visíveis sob fumaça? Funcionários imbecis barraram a saída de jovens em desespero supondo tentativa de “beiço” nas comandas? Efeitos especiais com fogos de artifício foram praticados em ambiente fechado? Processo, condenação e cadeia em quem assumiu o risco de matar gente.

Não vem ao caso se acidentes iguais já ocorreram pelo mundo. Não é prova de que não possam ser evitados. Responsabilidade é a palavra. E nada estimula mais a responsabilidade que o temor à lei. A certeza num judiciário que funcione. Todo cidadão precisa temer a Justiça, quando incapaz de cumprir a lei por hábito de cidadania. O Brasil precisa que seus operadores do Direito implantem neste país, de uma vez por todas, o império da legalidade.

Aqueles meninos universitários integravam a nata da juventude brasileira. Será muito injusto que tenham morrido em vão. Afaste-se de vez a ideia de que foram vítimas de uma fatalidade, de um caso fortuito. Não, não foram! Eles morreram por obra de irregularidades e ilegalidades cometidas  por quem estava ganhando dinheiro com a festa: teto inflamável, falta de portas de escape, falta de luzes indicativas de saída, falta de equipamento de segurança funcionando, estupidez humana e omissão de autoridades fiscalizadoras.

Portanto, Senhores Juízes, o Brasil espera de seus Tribunais uma decisão exemplar para este caso. Com serenidade, sim, mas com extremo rigor. Não se está clamando por recuo no estágio civilizatório a que chegamos, pelo primitivismo da reciprocidade taliônica... Nada disto. O clamor é por um endurecimento de vértebras num judiciário que aos olhos do público sempre se mostrou leniente.

Clamor por uma resposta aceitável às famílias enlutadas, antídoto certeiro a que outro drama como o de Santa Maria jamais voltará a acontecer.
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(Publicada no LEOPOLDINENSE e em http://www.bloghetto.com.br/ a 25.01.2013)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

No Hotel Fazenda


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Pirandello disse que as mulheres, assim como os sonhos, nunca são como a gente gostaria que fossem. Não sei, não. Politicamente mais correto é Pitigrilli que diz serem as mulheres o cristal colorido através do qual olhamos a vida. Uma boa verdade é que não se deve discutir com elas. Quando mulher diz uma coisa convém concordar. É que os fatos costumam conspirar a favor das previsões femininas, mesmo quando fundadas em raciocínio duvidoso. Vindo a acontecer o previsto por elas, o cara vai ouvir.

Foi mais ou menos o que se deu. Ela avisou pra ele que aquele Hotel Fazenda não estava com nada. Mas é pão-duro, insistiu... Deu no que deu. Ele sabia que uma diferencinha boba em diária de hotel pode ser decisiva entre salvar ou estragar um passeio. Não quis ouvir a mulher...

O certo é que a bronca comia solta dentro do carro, assim que deixavam o Hotel, no final precipitado das férias.
– Deus me perdoe – recriminava ela − fazer malas às pressas e ainda sair do hotel vomitando! Do “hotel”, não, dessa espelunca que você escolheu!

– Minha querida, nós já estivemos aqui outras vezes e deu tudo certo. O feijão tropeiro deles é de primeiríssima, a galinha com quiabo parece santificada... E o tutu à mineira? E a vaca atolada? E o arroz com pequi?... Infelizmente, tivemos problema desta vez, mas a culpa pode não ter sido deles. Corre um riacho bem sob a janela do quarto que ocupamos. Natural que em qualquer córrego apareça um rato morto, um gambá, uma ave. Acontece.

– Você fala de bicho pequeno. Aquela fedentina poderosa é de boi ou elefante podre. Meu estômago continua revirado. Melhor nem continuarmos o papo... É como se aquele odor repulsivo ainda estivesse impregnando meu nariz. Não vai embora! Cruzes! Nem com janela fechada e condicionador de ar ligado a coisa parava de feder. Um horror! Eles tiveram três dias para resolver! Foi inútil reclamar. Nunca pensei terminar um passeio com tanto mal-estar, tanta náusea. E olha que sou acostumada com seu cachimbo fétido, responsável, aliás, por você mal ter atinado com a atmosfera conspurcada daquele quarto.

– Veja, amor, reconheço que estes últimos dias foram péssimos, com o surgimento do problema. Você há de convir, entretanto, que os muitos dias anteriores foram reconfortantes, saudáveis, de boas caminhadas a cavalo. Sem falar nas compras de artesanato que você adorou fazer. Tudo bem que o nível baixo do reservatório da hidrelétrica melou minha pescaria. Fazer o quê? Fica para a próxima vez. Aliás, perdi meus dois quilos de iscas de camarão, mas isto não vem ao caso.

– Perdeu o quê?                                   

– Querida, você não me viu comprar as iscas no entreposto, no dia em que saímos de férias!

– E onde estão elas?

– No isopor com gelo, claro.

– E cadê o isopor?

– Óbvio que minha adorável esposa deve tê-lo colocado ali atrás, na mala do carro, ao deixarmos o Hotel há pouco.

– Vou tentar compreender: Há vinte dias você comprou iscas e supõe que o gelo continua sólido, durinho, pedrinhas vitrificadas, conservando crustáceos refugados na peixaria. Eu, sua “retardada esposa”, obrigada a estar atenta a lugares onde você maloca troços assim, os teria colocado de volta na mala do carro, minutos atrás, quando nos batíamos em precipitada fuga do hotel...

–Onde foi que você colocou suas iscas podres, seu doido?

– Perdão, amor: atrás do frigobar.

– Não acredito! Só um desmiolado guardaria camarão gelado no lugar onde todo mundo seca sapatos! Temos que ligar para o hotel e alertá-los.

– É, foi mal... Mas talvez não precisemos ligar. Os urubus já devem estar forçando a janela.

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(Publicada em http://www.bloghetto.com.br/ a 25.01.2013)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

A Crônica do Nelson Motta


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Não adianta a gente querer começar diferente o Ano Novo. Prometi à amiga Selminha que voltaria às minhas intromissões impostoras no gênero Crônica, agora em janeiro. Pois não foi que a indulgente “Tia Selma” aceitou baixar o nível do seu alinhado Bloghetto e publicar minhas bobices todas as sextas-feiras! É uma maneira dela caçoar de mim, eu sei. Não faz mal. Guardo saltimbancos da Idade Média impressos no DNA.

Um probleminha é que, já para redigir a primeira página, dois constrangimentos quase me dissuadem: o centenário de Rubem Braga, com todas essas homenagens ao maior de todos os cronistas brasileiros mostrando, de dedo em riste, o meu lugar na cozinha, e o mesmismo do noticiário deste janeiro, parco de assuntos inspiradores.

Eu disse mesmismo? Sim, mas garimpei uma exceção. Estava no Nelsinho bom de ler, também conhecido como Nelson Motta, no jornal O Globo, de sexta, 11.

Nelson mandou lá sobre o paradoxo de ações políticas, progressistas, que acabam gerando milhões de reacionários. Lembrou o exemplo da Reforma Agrária de Abraham Lincoln, nos Estados Unidos, em 1862, que, ao distribuir terras governamentais aos pobres, transformou-os na “maioria conservadora” que passou a não querer mudar mais nada naquele país.

Fato análogo estaria acontecendo agora, um século depois, no Brasil: nossa nova classe média, que passou a ter casa, carro, crédito, viagem de avião, e é eleitoralmente decisiva, “parece ser ainda mais conservadora do que a velha”. Ninguém quer perder o que conquistou! Os pobres de ontem viraram os conservadores de hoje.

A análise é sem dúvida instigante, mas pede cuidado. De fato, a discussão entre voto de direita e voto de esquerda perdeu sentido há muito tempo no Brasil. Os últimos esquerdistas brasileiros estão passando dos setenta anos, são contemporâneos da invasão à Baia dos Porcos, em Cuba. Já os últimos direitistas são velhos leitores do Gustavo Corção, que operaram catarata para continuar lendo Olavo de Carvalho. Uns e outros, se ainda não penduraram, estão pendurando as chuteiras ideológicas.

Tem razão o Nelson quando verifica que a ascensão social pode levar ao desejo de instituições sólidas, à disposição de manter (conservar) conquistas, como casa, carro, celular, crédito, viagem de avião, roupinha “de marca”… Podendo, sim, levar ao voto conservador.

Quando falo em “cuidado” no exame da situação é por supor que nem sempre é apenas isto que tem levado ao “voto de direita” no Brasil. Concorrem outras realidades menos edificantes. Vejam, por exemplo, como votam os miseráveis maranhenses e os miseráveis alagoanos… Aquela gente não está “conservando” coisíssima alguma além da própria indigência e interesses de seus respectivos Coronéis da área.

Quando Tim Maia – citado por Nelsinho – diz que “no Brasil, as putas gozam, os cafetões são ciumentos, os traficantes são viciados e os pobres são de direita”, a charada proposta é tão verdadeira quanto complexa.

A ascendência de nossos derradeiros coronéis interioranos sobre a massa miserável a eles jurisdicionada, e a capacidade que ainda possuem de afrontar as próprias instituições, tem peso importante em qualquer análise política ou sociológica que se faça no Brasil.

Na frase lapidar do criador de Sossego ainda caberia, por exemplo, uma sacada a mais de reproche a CPI encerrada às pressas quando deu de desenterrar bandidos intocáveis.

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(Publicada em http://www.bloghetto.com.br/ a 18.01.2013)

domingo, 21 de outubro de 2012

Ao Prefeito, com Carinho


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Quem se dispõe a ser Prefeito de uma cidade já deve ter feito, pelo menos em tese, uma avaliação das principais necessidades da população, podendo (também em tese) dispensar opiniões de terceiros. 

Sendo, porém, a Cidade, um bem que a todos pertence inegável se torna o direito, que também a todos assiste, de manifestar opinião segundo o ponto do pescoço onde a corda mais aperta.

Em primeiro lugar, penso que um bom Prefeito será o que vier a aplicar corretamente o dinheiro destinado à saúde. É na área da saúde que mais se tem errado em Leopoldina. Precisamos acabar, de uma vez por todas, com a falsa convicção de que o povo terá assistência médica condigna se o Prefeito investir na construção de prédios; aquelas obras inauguráveis com Banda de Música, foguetório em causa própria e fitinha pra cortar com tesoura. E tome discurso em “rosca sem fim” pra manifestar gratidão a “a”, a “b”, a “c”... a “y”.  Sempre aquele rosário de agradecimentos...

Quando o Prefeito sai por aí defendendo a “construção” disto e daquilo para “levar saúde à população”, começa a piscar um led em minha cinzenta a denunciar que ele está enganado ou está tentando enganar. Não faltam prédios à cidade e o mais econômico é alugá-los. Perguntem aos Bancos, perguntem às lojas de franchising, se eles preferem construir ou alugar.

Investir corretamente na saúde de Leopoldina significa, hoje (e ontem já significava), equipar o Hospital e dar condições dignas de trabalho aos médicos e aos demais profissionais. Inclusive remunerando-os de maneira adequada, quando menos para que  tenham condições de oferecer respaldo técnico-especializado ao Pronto Atendimento. Coisa que nunca tivemos!

Passa, a meu ver, pela saúde a grande e  a maior deficiência administrativa de Leopoldina.

Secundariamente, o transtorno mais notável está no trânsito. Problema, aliás, que nem é exclusivo de nossa cidade. O país, talvez todo o mundo civilizado, vem colocando nas ruas mais carros do que nelas cabem. O governo baixa e até suprime impostos para “segurar as vendas” do automóvel, garantindo empregos na indústria e paz social. Mas é claro que estamos caminhamos para o impasse: muito brevemente os carros não mais conseguirão sair das garagens. Nas grandes cidades eles ainda saem, mas quase já não conseguem trafegar. É o entupimento geral, o infarto das vias públicas.

A solução, ainda que provisória, só pode estar no transporte público. Leopoldina é cidade de muitas ruas estreitas a reclamar ordenação melhor para o trânsito, proibição dele em certas ruas e restrição a veículos grandes (ônibus e caminhões) em pontos críticos. Não entra na cabeça de ninguém que um baú Mercedão possa fazer entrega na Rua Tiradentes às duas da tarde... Já viram o tamanho do caminhão que entrega colchões?

Não custa rever, também, a sinalização urbana e ir corrigindo, aos pouco, as mil e uma irregularidades do calçamento. É urgente ensinar à área técnica da COPASA, ou de suas terceirizadas, como recompor com responsabilidade e inteligência o calçamento após a ligação de uma pena d’água: repor a terra na valeta, sem socar, sem comprimi-la, resultará sempre em novos “baixos relevos” a infernizar o tráfego.

Mas, por favor, trocar paralelepípedo por asfalto, nem pensar. Asfalto polui a cidade de poeira preta – um tormento – e aumenta muito a velocidade dos carros, com mais perigo para pedestres, ciclistas e motoqueiros. Por enquanto, e até que nos transformemos numa grande metrópole, com Segundo Turno e tudo, deixemos os paralelepípedos onde estão.

No mais – como escrevo antes da abertura das urnas −  desejo um bom mandato ao nosso próximo Prefeito, seja ele quem for. Que não lhe falte humildade para ouvir mais do que falar e, se não for pedir muito, para aceitar a independência da Câmara e dos Conselhos Municipais. 

Que ele tenha, ainda, o bom gosto de deixar de lado o “esporte preferido” dos prefeitinhos do interior, que é perseguir professoras e, no caso de Leopoldina, perseguir o Provedor do Hospital.
Se a idade já não lhe permite bater uma bolinha no Brasília ou no Moínho, tente o Pilates ou a Hidroginástica. Faz um bem!
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(Publicada em15.10.2012 no jornal LEOPOLDINENSE)

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Conversa Mineira – Livro de Crônicas

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Lançado com grande sucesso em maio último, na Casa de Leitura Lya Maria Müller Botelho, o livro de crônicas, “Conversa Mineira e outras histórias”, só alegrias vem dando ao autor.



Disponível a R$19,90 na Livraria Central e na Banca de Jornais do calçadão da Rua José Silva, 145, Leopoldina, MG, e, no Rio de Janeiro, no Largo do Machado, 29/701, telefones (21) 2285.8081 e (21) 2557.4064, mais de duzentos exemplares foram vendidos nas duas primeiras semanas.

A edição reúne crônicas variadas, quase todas num estilo de bem humorado gosto interiorano, publicadas em blogs e jornais. Inclui, ao final, anotações históricas interessantes sobre Leopoldina, a cidade mineira do autor.

Pedidos podem, ainda, ser feitos pelo endereço eletrônico: jmacrod@hotmail.com

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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Leopoldina Merece

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Maio, 2012

É bom a gente dar ênfase às coisas boas da nossa cidade. Nós, os fiscais do cotidiano, os cronistas, jamais contamos até dois ao nos agarrarmos a episódios negativos para tema de nossos escritos. É que a má notícia causa impacto, atrai leitura. Mas não custa, vez ou outra, esquecer o pirotécnico e falar de coisas boas. Então vai aí uma agradável constatação:

-Existe um público leitor em Leopoldina.

Já se disse que o baixo número de jornais vendidos na cidade não apontaria para uma sociedade informada e que o moderado comparecimento de pessoas a eventos culturais seriam indicativos de um público refratário a investimentos in abstracto.

Não foi o que presenciamos na sexta-feira, dia 4 de maio, quando do lançamento, na Casa de Leitura Lya Maria Müller Botelho, do livro de crônicas “Conversa Mineira e outras histórias. Um grande número de pessoas lá esteve, prestigiando o evento, o que muito nos lisonjeou. Não houvéssemos providenciado uma tiragem maior, teria faltado livro.

“Conversa Mineira” é uma apanhado de crônicas bem humoradas, incluindo, em seu final, quatro artigos com anotações históricas sobre Leopoldina e região.

Desejo abraçar, ainda uma vez, a cada amigo(a) que lá esteve – Muitíssimo agradecido! – e dizer que deixei os livros que sobraram à disposição do público, na Livraria e na Banca de Jornais do calçadão da Rua José Silva, em Leopoldina. No Rio de Janeiro, no Largo do Machado, 29 sala 701.

Sai pelo preço de custo, apenas arredondado para facilitar o troco. Não se cogita de ganhar dinheiro com livro: a ideia sempre foi de um presente a Leopoldina.
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(Publicada no LEOPOLDINENSE OLINE, maio de 2012)

terça-feira, 1 de maio de 2012

A Propósito da CCL

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Janeiro, 2012

O jornal LEOPOLDINENSE vem de fazer uma enquete entre seus leitores com a seguinte pergunta:

- Qual seria o administrador ideal para o hospital de Leopoldina?

As respostas obtidas dão bem a medida do quanto a população leopoldinense anda atenta às dificuldades que afligem nossa Casa de Caridade. Luiz Otávio nos pede uma análise dos números e nós, pelo muito que amamos nosso Hospital e as pessoas que ali trabalham, entendemos útil toda troca de ideias sobre a saúde da população. É algo que fala de muito perto às pessoas de bem desta cidade. Eis o resultado da pesquisa:

Uma Empresa Especializada 85 votos
41,87%
O Supremo Conselho(Provedor) 35 votos
17,24%
O Município 32 votos
15,76%
A Associação Médica 28 votos
13,79%
O Estado 18 votos
8,87%
Tanto faz 5 votos
2,46% (Total de votantes: 203)

Os quase 42% dos votantes que optaram por “Uma Empresa” na administração do Hospital fazem uma boa escolha, no meu modo de ver. Não que isto vá resolver todas as dificuldades existentes; não vai. Mas seria a melhor forma de administrar a instituição. Diríamos, até, que a história demonstra que foi.

-Por que não resolve? Porque qualquer Empresa especializada em Administração Hospitalar nomeará, necessariamente, um “Administrador” que continuará sendo o ALVO da má-fé política, interna e externa, que sempre infelicitou o Hospital .

Politica interna, porque nem todos, dentro da CCL, desejam que ela seja tecnicamente bem administrada – tê-la mais complacente com o erro interessa a alguns; politica externa, porque os Prefeitos, na condição legal de “Gestores da Saúde no Município”, sempre lutaram (e lutarão) para ter à frente do Hospital um “homem deles”... E a arma nessa guerra é, e será sempre, o corte nas verbas: principalmente (mas não apenas) calote no pagamento das mensalidades do Pronto Socorro, sabidamente uma responsabilidade legal da Prefeitura, da qual o Hospital jamais conseguiu se livrar.

Todos se lembram das diversas ocasiões em que a Prefeitura suspendeu o pagamento das mensalidades do PS, até durante vários meses, na tentativa de defenestrar o Provedor. Por várias vezes o Hospital se viu à míngua dos mais elementares recursos para o pronto atendimento (ataduras, esparadrapos, antibióticos, desinfetantes etc.) por falta desses créditos.

Aliás, no dia em que o Ministério Público debruçar-se com especial carinho sobre o que os prefeitos de Leopoldina e seus Secretários de Saúde fazem com o Hospital, e aplicarem o “remédio” adequado, um coral de anjos entoará aleluias nos celestiais recessos.

Bom, mas quanto à enquete, devemos concordar com os 41,87% dos leitores votantes. É bem provável que se algum dia o Hospital vier a funcionar dentro de padrões mínimos de eficiência e confiabilidade, será sob égide de uma administração profissional.

Os 17,24% de leitores que optam pela continuidade do atual sistema, com um Provedor eleito pelo Supremo Conselho, certamente se louvam no aspecto HONESTIDADE, dos escolhidos. De fato, não consta ter passado pelo Hospital um Provedor sobre o qual haja recaído qualquer acusação de improbidade. Invariavelmente, os Provedores do Hospital são criticados apenas por aqueles que desejam seus lugares!

Os 15,76% que acreditam na administração “Municipal”, dão um voto que, em tese, tem sentido. Ou seja, sendo o Prefeito o gestor da Saúde, colocaria lá um “homem dele”, pondo fim à eterna celeuma. Qualquer Prefeito adoraria isto.
O problema é a irresponsabilidade do empreguismo político.

Todos ainda se lembram da fatídica Medida Liminar que colocou o Hospital, por alguns meses, nas mãos do Prefeito. Ao ser reinstalado na Provedoria, por decisão do TJMG, José Valverde Alves revelou-me ter encontrado o quatro funcional que deixara inflado em cerca de 45%, com a admissão de 82 (oitenta e dois) novos funcionários, apaniguados... Pode, uma coisa desta?
Infelizmente o político honesto existe, mas esta não é a regra; é a exceção.

Em verdade, falta aos votantes o dado fundamental: a honestidade dos Provedores eleitos pelo Conselho, paradoxalmente, alimenta a crise com a Administração Municipal porque impede o uso da Instituição como cabide de emprego. É que são mais de 200 (duzentos) postos de trabalho, dentro de uma cidade pequena como a nossa, a não render dividendos políticos para o Alcaide de plantão! Isto incomoda que só vendo!

Os 13,79% que optariam por um Administrador indicado pela Associação Médica, também votaram com inteligência e boa-fé. Sem dúvida, a Associação Médica é uma grande e leal colaboradora do Hospital. Até automóvel para o Hospital fazer rifa ela já doou, reformou segmentos do Hospital etc.

A parte tecnicamente afeta à medicina, no Hospital, entretanto, já é de responsabilidade do Diretor Clínico – sempre um médico. E não consta que a CCL tenha problemas imputáveis à administração dessa área técnica. O problema existente sempre foi administrativo-financeiro. Qualquer mudança a fazer, só terá sentido se for para agregar proficiência técnica à parte de gestão. O que não é, exatamente, tarefa para um médico, como não o seria para um físico nuclear, para um comandante de Boeing, para um sociólogo ou para um poeta. Administrar hospital é tarefa para um bom Administrador Hospitalar. A Fundação Getúlio Vargas – para só citar um exemplo – ministra cursos na área; quem quiser especializar-se, está lá.

Por último, 8,87% votaram pela Estadualização. O número baixo de votantes por certo se explica na inviabilidade da fórmula e por tudo que se sabe de hospitais públicos, de uma maneira geral. No caso da nossa Casa de Caridade, algo inteiramente fora de cogitação.

Interpreto, pois, a pesquisa do LEOPOLDINENSE como muito positiva ao indicar a melhor fórmula de dar boa gestão ao nosso Hospital: entregá-lo a uma empresa especializada. É fazer isto e procurar apaziguar os corações exaltados por interesses contrariados.

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(Publicado em janeiro de 2012 no jornal LEOPOLDINENSE Online)