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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O Quintino e o Wando

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Fevereiro, 2012


A morte do cantor Wando me trouxe lembrança de um estouvado companheiro de trabalho, no Rio de Janeiro, o também falecido jornalista Luiz Quintino. Esse foi um cara que se destacava. Chefe de redação da empresa em que trabalhávamos, gozava da justa fama de sério, competente e equilibrado. Era casado com Vanira, mulher adorável com quem tinha dois filhos já moços.

Residia num bom apartamento da Zona Sul do Rio, levava vida profissional e social dentro dos padrões e manifestava, sempre, grande carinho pela esposa e até pela sogra. Versado em elogios abundantes, tinha na sogra sua grande beneficiária.

Lembro-me da ocasião em que buscava trocar o apartamento da família. Dizia enfático:
– Só me serve imóvel com terceiro quarto que seja “muito bom”, para minha sogra. Não abro mão de tê-la morando comigo. Minha mulher é maravilhosa, mas quem “adivinha meus pratos preferidos” é minha sogra.

Pois foi este homem de vida conjugal nos eixos que, a partir de certo dia, passou a incluir a própria secretária, Olivinha, nos confetes coloridos de sua verve. Moça casada e bem mais jovem que o chefe, talvez enfrentasse problemas em casa. Percebíamos que Quintino tornara-se seu confidente e, aos poucos, sua companhia invariável nos almoços. Rapidinho o namoro ficou óbvio.

Da parte do Quintino, rarearam os louvores à esposa e à sogra. As qualidades de Olivinha ganharam preponderância em seu apostolado.

Pelo sim, pelo não, eu – o colega ao lado − decidi a tudo ver e ouvir em silêncio obsequioso. A situação era desconfortável para mim, na condição de também amigo da esposa, Vanira, pelos muitos anos de convivência com o casal. Uma distância prudente do imbróglio era-me recomendável.         

Deu-se, por aquela época, que o cantor Wando fazia grande sucesso na casa de espetáculos “Asa Branca”, nos Arcos da Lapa. A imprensa repercutia:
– Imaginem, ele arremessa calcinhas de lingerie para as fãs!
Wando emplacava seus grandes “hits” românticos. Quintino foi, com Olivinha, ao show.

Se faltava algum tênue empuxo a inundar de paixão o coração do ragazzo, o show do Wando seria a gota d’água. O homem já não conseguia trabalhar; grudou na Olivinha.
Claramente envolvido no lirismo da canção “Moça” (Só podia ser: assobiava aquilo o dia todo!), passou a desconsiderar os limites do recato.
– Era casado? Dane-se!
– A moça era casada? Dane-se, novamente!
– A moça era muito mais nova? O Wando resolve:

“Moça, dobre as mangas do tempo
jogue o teu sentimento, todo em minhas mãos...”

“Dobre as mangas do tempo” é garimpo poético de fina extração, não acham? Pois o bom Wando, mineiro de Cajuri – povoado que fica ali, pertinho de Viçosa – disse mais, naquele show:

Brega, minha gente, é não viver um grande amor.

Quintino tomou boa nota e, certamente, viveu. Deu um galho danado, mas viveu.

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