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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Relendo Três Notícias

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Fevereiro, 2009


Se vivo, Dom Hélder completaria 100 anos

Da biografia de Dom Hélder Camara, consta que ele foi o antepenúltimo filho do guarda-livros e maçom convicto, João Eduardo Torres Câmara Filho, e da professora Adelaide Rodrigues Pessoa Câmara. Nasceu no dia 7 de fevereiro de 1909, um domingo de carnaval, em Fortaleza, Ceará. Dos 13 filhos do casal, cinco morreram em 29 dias, em consequência de uma epidemia de crupe, hoje conhecida como difteria. O menino Hélder recebeu a primeira comunhão aos 8 anos de idade e, aos 14, entrou no Seminário da Prainha de São José, Fortaleza, onde fez os cursos preparatórios, depois filosofia e teologia.

Em 15 de agosto de 1931, aos 22 anos, ordenou-se sacerdote e, em seguida, foi nomeado diretor do Departamento de Educação do Estado do Ceará. Cinco anos depois, transferiu-se para o Rio de Janeiro. Durante 28 anos, colaborou com revistas católicas, organizou o 36º Congresso Eucarístico Internacional, fundou a Cruzada São Sebastião para atender moradores das favelas cariocas e o Banco da Providência, destinado a ajudar famílias na faixa da miséria.

Exerceu funções na Secretaria de Educação, Ministério da Educação e Conselho Nacional de Educação, organizou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Conselho Episcopal Latino Americano (CELAM). De 1952 a 64 ocupou o posto de primeiro secretário-geral da CNBB e de 58 a 66 foi delegado do Brasil no CELAM e seu vice-presidente. As duas entidades foram os instrumentos de apoio para a implantação de um modelo de Igreja progressista, que tinha como base a opção preferencial pelos pobres.

A promoção a arcebispo auxiliar do Rio de Janeiro chegou em 1955, quando estava com 46 anos. No dia 14 de março de 1964, foi indicado pelo papa Paulo VI a ocupar a Arquidiocese de Olinda e Recife.
No dia 11 de abril de 1964, um sábado chuvoso, dom Hélder desembarcou, às 15h30, no Aeroporto dos Guararapes, que se encontrava lotado. Dali, em carro aberto, seguiu para a Matriz de Santo Antonio, onde falou para milhares de pessoas, debaixo de chuva, antes de seguir para o Palácio dos Manguinhos, residência oficial do arcebispo.

Em sua mensagem, publicada na íntegra pelos jornais, dom Helder disse que era "um nordestino falando a nordestinos com os olhos postos no Brasil, na América Latina e no mundo. Um cristão dirigindo-se a cristãos, mas de coração aberto, ecumenicamente, para os homens de todos os credos e de todas as ideologias. Um bispo da Igreja Católica que, à imitação de Cristo, não vem ser servido, mas servir".

Assim foi Dom Hélder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife por 21 anos, e que completaria cem anos no último 7 de fevereiro de 2009. Um pastor adorado por seu povo, que empolgava multidões.

Uma juíza na berlinda

Parece absurdo, mas não é. Notícia veiculada no jornal O Globo, do último dia 10 de fevereiro, informa que uma juíza investigada por corrupção deverá ser promovida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Trata-se da magistrada, Dra. Ângela Catão, da 11ª Vara Federal de Belo Horizonte, que deverá ser promovida esta semana a desembargadora. Relatório da Operação Pasárgada, que a polícia federal enviará ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) também esta semana, acusa a juíza de corrupção e formação de quadrilha, entre outros crimes.

Ela é investigada pelo suposto favorecimento a prefeitos acusados de desviar verbas do Fundo de Participação dos Municípios. A juíza deverá ser promovida a desembargadora para ocupar a vaga aberta com a aposentadoria do vice-presidente do TRF, Antônio Ezequiel da Silva, no fim do mês passado. Sendo a magistrada com maior tempo de serviço, é a primeira na ordem das promoções.

Ela só não será elevada de posto se declarar que não quer trocar a Justiça Federal em Minas pelo TRF em Brasília. A questão assim colocada no jornal poderá dar às pessoas menos avisadas a impressão de que a promoção é absurda. Não existe, contudo, qualquer condenação à juíza até o momento. O Tribunal não tem, assim, como negar-lhe um direito que não perdeu.

Morre Eluana Englaro

Na segunda feira, 9 de fevereiro de 2009 morreu, na Itália, Eluana Englaro, de 38 anos, que há 17 estava em estado de coma. A alimentação dela foi suspensa na última sexta-feira, dando início a um procedimento de eutanásia, autorizada pela justiça.

Eluana sofreu um acidente de trânsito em 1992. Em novembro do ano passado, seus pais obtiveram na Justiça, em última instância, autorização para deixar a filha morrer. A questão reergueu, na Itália e no mundo, a polêmica sobre a eutanásia. Numa clínica particular da província de Udine, que aceitou responsabilizar-se pelo procedimento, a interrupção da alimentação e da hidratação de Eluana, teve início na sexta-feira. O porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, disse esperar que o caso sirva como exemplo para reflexão.

Agora que Eluana está em paz, desejamos que seu caso, "seja motivo de reflexão serena e de pesquisa responsável dos melhores caminhos que devemos seguir no necessário respeito do direito à vida, no amor e no tratamento atento das pessoas mais necessitadas.” Para quem fala em nome do Vaticano, disse bem menos, o jesuíta Lombardi, do que gostariam de ouvir os que condenam com veemência a eutanásia. É a própria Igreja reconhecendo que, às vezes, é difícil definir o que, de fato, representa um ato de amor.

Pela lei brasileira eutanásia é homicídio. Em desfavor dela pesa, além das disposições penais, o óbice constitucional, que inclui o direito à vida entre os direitos fundamentais da pessoa humana. Também o Código de Ética Médica repudia enfaticamente eutanásia. Legislações de alguns países prescrevem, a seu turno, que a eutanásia passiva, aquela solicitada pelo próprio doente terminal, não é apenada. O tema, como se vê, é polêmico.
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(Publicado em fevereiro de 2009, no jornal LEOPOLDINENSE)

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