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segunda-feira, 21 de junho de 2010

Soluções de Serralheria

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Junho, 2010

Ando abismado com o que vem acontecendo com a juventude brasileira. Como sou dado a pequenas práticas solidárias, transformei-me num subidor de morros. Conheço por dentro as chamadas “comunidades menos assistidas”.

Trago notícias. Reformulei todos os meus antigos conceitos – ou preconceitos - sobre jovens que se drogam e sobre jovens que praticam o tráfico de drogas. Aprendi que são vítimas sociais, brasileirinhos bons e aproveitáveis. Um desperdício o país deixar que morram fumando crack. Claro, não estou falando de bandidos natos, que são raros. Estes, só os vejo pela imprensa.

Por favor, aceitem isto como um dogma: não existe só gente má usando e vendendo droga em nossas cidades. São pobres-diabos sem quaisquer perspectivas na vida. Uns atolados no vício, a caminho da morte, outros “se virando” para sobreviver. Jovens que “estão” marginais.

Repressão ao tráfico de drogas tem que ser feita nas fronteiras e nas estradas, buscando interceptar carregamentos no atacado. E, sempre que possível, com eliminação dos financiadores do tráfico. Colocar polícia atrás do varejo, nos morros, é ingenuidade igual a tentar acabar com formigueiro matando formiga com o chinelo.

O governo tem que agir com urgência para não permitir que um enorme contingente de nossa juventude, de todas as classes sociais, morra no uso do crack. É verdade que já virou epidemia. É verdade que mata. É verdade que a chance de recuperação do jovem pobre é mínima. A mãe desesperada que amarra o filho numa corrente – como a imprensa do país acaba de noticiar − está fazendo o que pode para salvá-lo. Meu antídoto seria:

1. Recrudescer a ação da Polícia Federal no combate à entrada e ao trânsito das drogas;

2. Investir todo o dinheiro possível (e também o impossível) nas Forças Armadas para que todo jovem brasileiro seja chamado ao serviço militar. Dali, além de soldado alfabetizado, que ele saia preparado para o exercício de uma profissão.

Esta é a medida emergencial efetiva para enfrentar o problema na proporção em que ele hoje se apresenta. Educação via escola virá depois. Por agora é preparar o terreno como na agricultura. Primeiro o peso e a potência do trator. Amainadas as charnecas, o maquinário e as ferramentas mais leves.

Tirar da cabeça que professoras primárias, em escolas públicas depredadas, vão desentortar esse pepino. Jamais! A solução está nos quartéis. É na sudorese, no enquadramento, na disciplina, na sola da botina, na porrada, que o jovem pimpão vai entrar na linha e “tomar tenência na vida”...

Porque, infelizmente, a sociedade moderna não ajuda na formação de homens de bem. Andei lendo Zbigniew Brzezinski, em entrevista dada a Nathan Gardels, editor da Revista NPQ, de Washington, sob o título "Fracos Baluartes do Ocidente Permissivo". Ele diz:

"...A televisão substituiu a família, a escola e a igreja − nessa ordem − como principais instrumentos de socialização e transmissão de valores. Ao substituir essas três instituições, anteriormente decisivas na transmissão e continuidade de valores, a televisão foi guiada por seu equivalente da lei de Gresham: má programação expulsa boa programação, já que o maior apelo comum não é ao que há de mais nobre no homem comum, mas aos seus mais baixos interesses lascivos, seus medos mórbidos e ansiedades. A televisão tornou-se, assim, um instrumento de disseminação de valores corruptores, desmoralizantes e destrutivos.

E conclui: “Precisamente os valores que foram considerados destrutivos e desintegradores por todas as sociedades e todas as religiões, através de toda a história civilizada – ganância, devassidão, violência, autogratificação ilimitada, ausência de freios morais – são a ração diária, bem produzida, servida a nossos filhos”.

Zbigniew falou da TV, mas nós podemos completar o pacote com revistas, jornais, cinema, internet e... a propaganda. Sem dúvida, a propaganda!

A juventude que aí está ficou sem limites. Pai e mãe não mandam nada e são tratados por “tu” ou por "você". Sexo é para ser praticado livremente (faz bem à saúde); depois “os coroas” criam os netos! Disciplina é coisa de milico e de velho careta. Vizinho deve denunciar pai que “agride” filho. O resultado? A rua, a turma, o ócio, a irresponsabilidade, o vício, o crime.

Olha, meus pais me deram muitos cascudos e chineladas. Ou seja, passaram a mim a educação (meio áspera, sim) que receberam. Mas me tornei – suponho, ninguém é bom juiz em causa própria − um indivíduo socialmente viável. Ensinaram-me até onde vão meus direitos e onde começam minhas obrigações. Passaram-me princípios.

Insisto na disciplina. O jovem tem que ser disciplinado. Obedecer a limites rígidos. Do contrário, é o que se vê por aí. Soluções de serralheria pra todo lado: juventude atrás das grades, superlotando prisões; famílias atrás das grades, confinadas em casa.
Haja serralheiro.
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(Publicada a 03.06.2010 em http://oglobo.globo.com/pais/noblat/mariahelena/)

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