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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

No Metrô

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Janeiro, 2010


O que dois rapazes conversavam no banco à frente do meu, no metrô do Rio de Janeiro, estava interessante. Dobrei o jornal para ouvir. Sem dúvida voltavam de alguma prova do exame vestibular. 

– O professor do cursinho deu uma dentro quando mandou a gente se ligar nos babados das questões climáticas, hem! Tava na cara que ia cair. Ecologia continua o barato do momento. 

– Pois é, cara, durante todo o mês de dezembro os jornais deram na primeira página notícias sobre essa tal Conferência da ONU pra mudar o clima de Copenhague e dar uma abaixada geral no nível do mar. Fui vacilão não dando uma cubada no assunto. 

– Esse troço do gelo no mar, pra ser sincero, eu também não saquei legal. Num foi exatamente uma baita pedra de gelo no canal de Nuremberg que afundou o Titanic, provocando aquele tremendo sufoco, inclusive com o Leonardo DiCaprio e a Kate Winslet? Tudo a comprovar que o problema é antigo. Não é de agora. 

– Sei não, cara. Pode ser coisa da mídia. O filme foi chocante pra caraca. 

– A TV continua filmando queda de geleiras pra mostrar que o mar vai subir. Problema do caranguejo que vai ter que fuçar a lama mais pra cima. 

– Li que a conferência de Copenhague deu em nada, tá sabendo? 

– Algum dia você já viu alguma iniciativa política dar em tudo? O problema lá era enfiar a mão no bolso, meu caro. Ecologia mexe com grana: a que o país gasta ou a que deixa de ganhar. Em pleno Reino da Dinamarca nenhum país rico aceitou quebrar os ovos para fazer “hamlet”. Esta foi a questão. 

– Eu desconfio é que ninguém acredita em efeito estufa. Eu mesmo tenho um pé meio recuado com isto. O mundo acaba de ver neve e gelo tomarem conta da América do Norte e da Europa. Cadê o efeito estufa que derrete gelo? Até agora não apareceu. 

– Tá na cara que o mundo desenvolvido manobra essas ONGs marotas, de “bonecas” engajadas, para travar industrialização nos países que começaram a sair do sufoco. Não é a toa que o Lula disse que vai tirar neguinho da merda. Dizendo isto ele não prova que tira, mas prova saber onde o eleitor dele mora. 

– Vai ver os computadores de última geração dos americanos já estão fornecendo dia e hora em que eles não serão mais a primeira economia do mundo. 

– É ruim deles fecharem fábricas ou reduzirem produção por recomendação ecológica. Vão empurrar isto com a barriga. Parece que a próxima conferência “de Copenhague” será no México, né. 

– Vamos esperar que até que os jornais larguem de mão dessa mania de projetar tempo ruim no sudeste. Para mim, o noticiário têm uma grande parcela de responsabilidade pelo mau tempo e pelas catástrofes em nossa região. Eles falam de véspera o que vai ocorrer... Minha avó sempre disse da força das palavras. Se no instante em que alguma bobagem sai de nossa boca, lá em cima, os anjos estiverem dizendo “amém”... a desgraça acaba acontecendo. 

– Ah, ia me esquecendo de perguntar. Caiu na tua prova aquele lance da Águia de Haia? Eu cravei “ave mamífera em extinção”, e tu? 

– Ih, cara, acho que dançaste nesta. Lembro vagamente que Águia de Haia tem a ver com um baiano fodão, de cuca super cacetada. Só que nas cinco opções de escolha não aparecia o nome do João Ubaldo Ribeiro. Pode ter sido lápis deles – pensei comigo. Deixei em branco porque é o tipo da questã que eles devem anular.

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(Publicada em 14.01.2010 em http://oglobo.globo.com/pais/noblat/mariahelena/)

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