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domingo, 10 de janeiro de 2010

Déa Lustosa Junqueira Xavier

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(Publicado no jornal LEOPOLDINENSE, de 16.01.2009)
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Em trágico acidente automobilístico, faleceu a 26 de dezembro último, a artista plástica leopoldinense, Déa Lustosa Junqueira Xavier. O desastre ocorreu por volta das 16:30h, daquela sexta feira, numa curva da BR-116, próxima à divisa de Leopoldina com Além Paraíba.

Dos quatro ocupantes da pick up Chevrolet Blazer, dirigida por seu filho Rogério, que se chocou contra os pneus traseiros de uma carreta Mercedes Benz, somente escapou com vida, mas com alguns ferimentos, a irmã de Déa, Lenita Maria Junqueira Shultz. Lenita está em casa e passa bem. Viajava ao lado de Déa, no banco traseiro, atrás do chamado banco do carona.

A família se dirigia de Leopoldina a Santo Antonio do Aventureiro, para missa comemorativa das bodas de ouro de um casal amigo. Fotografias dos veículos e do local apontam como razão provável da colisão uma derrapagem da carreta, com o que teria invadido a pista de direção contrária.

Déa Lustosa era a segunda dos cinco filhos do ilustre leopoldinense, Dr. Joaquim Custódio Ribeiro Junqueira e Da. Laura Lustosa Junqueira. Os outros foram, Roberto, Evandro, Lenita e José Joaquim. Nasceu a 9 de maio de 1929 e casou-se em 27 de janeiro de 1952 com o advogado e administrador de empresas, Ruy Ferreira Xavier, natural de Recife (PE) o qual, juntamente com o filho de ambos, Rogério Junqueira Xavier, também faleceu no terrível acidente.

O casal sempre residiu no Rio de Janeiro, cidade onde Déa cursou o primário e o secundário no Colégio Assunção, no bairro de Santa Tereza. Passou a residir em Leopoldina após a aposentadoria de Ruy, há pouco mais de dois anos.

Pronta a assumir a direção do Orfanato de nossa cidade, a consagrada pintora ocupava a cadeira número três da ALLA – Academia Leopoldinense de Letras e Artes, entidade de cuja fundação participou. Conduzia também em nossa cidade um projeto denominado “Florir Leopoldina”, de sua concepção juntamente com a médica, Dra. Isabela Machado Barbosa David (filha do nosso conceituado médico, Dr. Ronald Alvim Barbosa), que teve início pela recuperação dos canteiros da Praça Gal. Ozório.

Pintora consagrada, Déa Lustosa realizou exposições na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, no Museu de Arte Moderna - MAM, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, dentre outras. Estudou artes com os professores, Carvão e Astréa Al Jaick.
Seu filho, Dr. André, nos conta que foi procurando vencer a depressão que Déa, há alguns anos, descobriu a pintura soltando as amarras de um talento promissor, até então imanifesto.

Déa e Ruy tiveram três filhos: Guilherme Junqueira Xavier, empresário, falecido há 14anos; Rogério Junqueira Xavier, empresário, que agora com eles faleceu; e André Junqueira Xavier, médico, residente em Florianópolis. Filhos estes que lhes deram oito netos e um bisneto. São eles, os netos: João Paulo, Danilo, Felipe e Vitor – filhos de Guilherme; Raquel e Karina – filhos de Rogério; Olívia e Catarina – filhas de André. Danilo é pai da bisneta Maria Eduarda.

O inesperado desaparecimento de Déa produz uma grande lacuna na cultura leopoldinense. Alegre, sonhadora, altruísta, ela se entregava com paixão às boas causas. A todos motivava pelo entusiasmo com que abraçava desafios, como ocorreu na fundação da Academia Leopoldinense de Letras - ALLA e, ultimamente, com a perspectiva de serviços importantes ao Orfanato, legado maior do Padre Júlio Fiorentini a Leopoldina.

Entre os membros da ALLA, sensação é de choque. De Brasília, o Dr. Antonio Márcio J. Lisboa, empossado na Academia no dia 18 de dezembro último, assim se manifestou: “Não estamos acreditando. Há dez dias tão alegres, recebendo-nos no dia de minha posse... Ela, o Rogério, que cuidei desde que nasceu! Que tragédia! Estamos chocados”.

O presidente da Academia, Dr. Ronald Alvim Barbosa, dedicou ao casal, Déa e Ruy, estes versos acrósticos:

“Déa e Ruy

Depois de um curto tempo e uma curta convivência
É a lógica de Deus, que não é a nossa,
A nos revelar uma amizade sincera e infinita.

E aparece a saudade, que ficará conosco.

Recebendo cartões com votos de paz e alegria,
Uma notícia nos deixa petrificado
Y – ficamos como a letra, sem sentido e desolado.”

Na quinta-feira, 18 de dezembro, quando Léa e Ruy reuniram amigos em sua casa para uma íntima e descontraída recepção ao novo membro da Academia Leopoldinense de Letras, Dr. Antonio Márcio J. Lisboa, a morte daquele casal tão pleno de vida e alegria, juntamente com o filho Rogério, era algo absolutamente impensável. Hoje, a realidade aterradora se impõe e nos remete ao filósofo alemão, Goethe, que disse: “A morte é de certa maneira uma impossibilidade, que de repente se torna realidade”.

Estivemos com Déa e Ruy na quinta, 18, quando nos receberam. Transbordavam alegria. É assustador o desaparecimento repentino de pessoas tão felizes com a vida.

16.01.2009
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