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domingo, 21 de outubro de 2012

Ao Prefeito, com Carinho


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Quem se dispõe a ser Prefeito de uma cidade já deve ter feito, pelo menos em tese, uma avaliação das principais necessidades da população, podendo (também em tese) dispensar opiniões de terceiros. 

Sendo, porém, a Cidade, um bem que a todos pertence inegável se torna o direito, que também a todos assiste, de manifestar opinião segundo o ponto do pescoço onde a corda mais aperta.

Em primeiro lugar, penso que um bom Prefeito será o que vier a aplicar corretamente o dinheiro destinado à saúde. É na área da saúde que mais se tem errado em Leopoldina. Precisamos acabar, de uma vez por todas, com a falsa convicção de que o povo terá assistência médica condigna se o Prefeito investir na construção de prédios; aquelas obras inauguráveis com Banda de Música, foguetório em causa própria e fitinha pra cortar com tesoura. E tome discurso em “rosca sem fim” pra manifestar gratidão a “a”, a “b”, a “c”... a “y”.  Sempre aquele rosário de agradecimentos...

Quando o Prefeito sai por aí defendendo a “construção” disto e daquilo para “levar saúde à população”, começa a piscar um led em minha cinzenta a denunciar que ele está enganado ou está tentando enganar. Não faltam prédios à cidade e o mais econômico é alugá-los. Perguntem aos Bancos, perguntem às lojas de franchising, se eles preferem construir ou alugar.

Investir corretamente na saúde de Leopoldina significa, hoje (e ontem já significava), equipar o Hospital e dar condições dignas de trabalho aos médicos e aos demais profissionais. Inclusive remunerando-os de maneira adequada, quando menos para que  tenham condições de oferecer respaldo técnico-especializado ao Pronto Atendimento. Coisa que nunca tivemos!

Passa, a meu ver, pela saúde a grande e  a maior deficiência administrativa de Leopoldina.

Secundariamente, o transtorno mais notável está no trânsito. Problema, aliás, que nem é exclusivo de nossa cidade. O país, talvez todo o mundo civilizado, vem colocando nas ruas mais carros do que nelas cabem. O governo baixa e até suprime impostos para “segurar as vendas” do automóvel, garantindo empregos na indústria e paz social. Mas é claro que estamos caminhamos para o impasse: muito brevemente os carros não mais conseguirão sair das garagens. Nas grandes cidades eles ainda saem, mas quase já não conseguem trafegar. É o entupimento geral, o infarto das vias públicas.

A solução, ainda que provisória, só pode estar no transporte público. Leopoldina é cidade de muitas ruas estreitas a reclamar ordenação melhor para o trânsito, proibição dele em certas ruas e restrição a veículos grandes (ônibus e caminhões) em pontos críticos. Não entra na cabeça de ninguém que um baú Mercedão possa fazer entrega na Rua Tiradentes às duas da tarde... Já viram o tamanho do caminhão que entrega colchões?

Não custa rever, também, a sinalização urbana e ir corrigindo, aos pouco, as mil e uma irregularidades do calçamento. É urgente ensinar à área técnica da COPASA, ou de suas terceirizadas, como recompor com responsabilidade e inteligência o calçamento após a ligação de uma pena d’água: repor a terra na valeta, sem socar, sem comprimi-la, resultará sempre em novos “baixos relevos” a infernizar o tráfego.

Mas, por favor, trocar paralelepípedo por asfalto, nem pensar. Asfalto polui a cidade de poeira preta – um tormento – e aumenta muito a velocidade dos carros, com mais perigo para pedestres, ciclistas e motoqueiros. Por enquanto, e até que nos transformemos numa grande metrópole, com Segundo Turno e tudo, deixemos os paralelepípedos onde estão.

No mais – como escrevo antes da abertura das urnas −  desejo um bom mandato ao nosso próximo Prefeito, seja ele quem for. Que não lhe falte humildade para ouvir mais do que falar e, se não for pedir muito, para aceitar a independência da Câmara e dos Conselhos Municipais. 

Que ele tenha, ainda, o bom gosto de deixar de lado o “esporte preferido” dos prefeitinhos do interior, que é perseguir professoras e, no caso de Leopoldina, perseguir o Provedor do Hospital.
Se a idade já não lhe permite bater uma bolinha no Brasília ou no Moínho, tente o Pilates ou a Hidroginástica. Faz um bem!
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(Publicada em15.10.2012 no jornal LEOPOLDINENSE)

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Conversa Mineira – Livro de Crônicas

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Lançado com grande sucesso em maio último, na Casa de Leitura Lya Maria Müller Botelho, o livro de crônicas, “Conversa Mineira e outras histórias”, só alegrias vem dando ao autor.



Disponível a R$19,90 na Livraria Central e na Banca de Jornais do calçadão da Rua José Silva, 145, Leopoldina, MG, e, no Rio de Janeiro, no Largo do Machado, 29/701, telefones (21) 2285.8081 e (21) 2557.4064, mais de duzentos exemplares foram vendidos nas duas primeiras semanas.

A edição reúne crônicas variadas, quase todas num estilo de bem humorado gosto interiorano, publicadas em blogs e jornais. Inclui, ao final, anotações históricas interessantes sobre Leopoldina, a cidade mineira do autor.

Pedidos podem, ainda, ser feitos pelo endereço eletrônico: jmacrod@hotmail.com

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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Leopoldina Merece

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Maio, 2012

É bom a gente dar ênfase às coisas boas da nossa cidade. Nós, os fiscais do cotidiano, os cronistas, jamais contamos até dois ao nos agarrarmos a episódios negativos para tema de nossos escritos. É que a má notícia causa impacto, atrai leitura. Mas não custa, vez ou outra, esquecer o pirotécnico e falar de coisas boas. Então vai aí uma agradável constatação:

-Existe um público leitor em Leopoldina.

Já se disse que o baixo número de jornais vendidos na cidade não apontaria para uma sociedade informada e que o moderado comparecimento de pessoas a eventos culturais seriam indicativos de um público refratário a investimentos in abstracto.

Não foi o que presenciamos na sexta-feira, dia 4 de maio, quando do lançamento, na Casa de Leitura Lya Maria Müller Botelho, do livro de crônicas “Conversa Mineira e outras histórias. Um grande número de pessoas lá esteve, prestigiando o evento, o que muito nos lisonjeou. Não houvéssemos providenciado uma tiragem maior, teria faltado livro.

“Conversa Mineira” é uma apanhado de crônicas bem humoradas, incluindo, em seu final, quatro artigos com anotações históricas sobre Leopoldina e região.

Desejo abraçar, ainda uma vez, a cada amigo(a) que lá esteve – Muitíssimo agradecido! – e dizer que deixei os livros que sobraram à disposição do público, na Livraria e na Banca de Jornais do calçadão da Rua José Silva, em Leopoldina. No Rio de Janeiro, no Largo do Machado, 29 sala 701.

Sai pelo preço de custo, apenas arredondado para facilitar o troco. Não se cogita de ganhar dinheiro com livro: a ideia sempre foi de um presente a Leopoldina.
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(Publicada no LEOPOLDINENSE OLINE, maio de 2012)

terça-feira, 1 de maio de 2012

A Propósito da CCL

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Janeiro, 2012

O jornal LEOPOLDINENSE vem de fazer uma enquete entre seus leitores com a seguinte pergunta:

- Qual seria o administrador ideal para o hospital de Leopoldina?

As respostas obtidas dão bem a medida do quanto a população leopoldinense anda atenta às dificuldades que afligem nossa Casa de Caridade. Luiz Otávio nos pede uma análise dos números e nós, pelo muito que amamos nosso Hospital e as pessoas que ali trabalham, entendemos útil toda troca de ideias sobre a saúde da população. É algo que fala de muito perto às pessoas de bem desta cidade. Eis o resultado da pesquisa:

Uma Empresa Especializada 85 votos
41,87%
O Supremo Conselho(Provedor) 35 votos
17,24%
O Município 32 votos
15,76%
A Associação Médica 28 votos
13,79%
O Estado 18 votos
8,87%
Tanto faz 5 votos
2,46% (Total de votantes: 203)

Os quase 42% dos votantes que optaram por “Uma Empresa” na administração do Hospital fazem uma boa escolha, no meu modo de ver. Não que isto vá resolver todas as dificuldades existentes; não vai. Mas seria a melhor forma de administrar a instituição. Diríamos, até, que a história demonstra que foi.

-Por que não resolve? Porque qualquer Empresa especializada em Administração Hospitalar nomeará, necessariamente, um “Administrador” que continuará sendo o ALVO da má-fé política, interna e externa, que sempre infelicitou o Hospital .

Politica interna, porque nem todos, dentro da CCL, desejam que ela seja tecnicamente bem administrada – tê-la mais complacente com o erro interessa a alguns; politica externa, porque os Prefeitos, na condição legal de “Gestores da Saúde no Município”, sempre lutaram (e lutarão) para ter à frente do Hospital um “homem deles”... E a arma nessa guerra é, e será sempre, o corte nas verbas: principalmente (mas não apenas) calote no pagamento das mensalidades do Pronto Socorro, sabidamente uma responsabilidade legal da Prefeitura, da qual o Hospital jamais conseguiu se livrar.

Todos se lembram das diversas ocasiões em que a Prefeitura suspendeu o pagamento das mensalidades do PS, até durante vários meses, na tentativa de defenestrar o Provedor. Por várias vezes o Hospital se viu à míngua dos mais elementares recursos para o pronto atendimento (ataduras, esparadrapos, antibióticos, desinfetantes etc.) por falta desses créditos.

Aliás, no dia em que o Ministério Público debruçar-se com especial carinho sobre o que os prefeitos de Leopoldina e seus Secretários de Saúde fazem com o Hospital, e aplicarem o “remédio” adequado, um coral de anjos entoará aleluias nos celestiais recessos.

Bom, mas quanto à enquete, devemos concordar com os 41,87% dos leitores votantes. É bem provável que se algum dia o Hospital vier a funcionar dentro de padrões mínimos de eficiência e confiabilidade, será sob égide de uma administração profissional.

Os 17,24% de leitores que optam pela continuidade do atual sistema, com um Provedor eleito pelo Supremo Conselho, certamente se louvam no aspecto HONESTIDADE, dos escolhidos. De fato, não consta ter passado pelo Hospital um Provedor sobre o qual haja recaído qualquer acusação de improbidade. Invariavelmente, os Provedores do Hospital são criticados apenas por aqueles que desejam seus lugares!

Os 15,76% que acreditam na administração “Municipal”, dão um voto que, em tese, tem sentido. Ou seja, sendo o Prefeito o gestor da Saúde, colocaria lá um “homem dele”, pondo fim à eterna celeuma. Qualquer Prefeito adoraria isto.
O problema é a irresponsabilidade do empreguismo político.

Todos ainda se lembram da fatídica Medida Liminar que colocou o Hospital, por alguns meses, nas mãos do Prefeito. Ao ser reinstalado na Provedoria, por decisão do TJMG, José Valverde Alves revelou-me ter encontrado o quatro funcional que deixara inflado em cerca de 45%, com a admissão de 82 (oitenta e dois) novos funcionários, apaniguados... Pode, uma coisa desta?
Infelizmente o político honesto existe, mas esta não é a regra; é a exceção.

Em verdade, falta aos votantes o dado fundamental: a honestidade dos Provedores eleitos pelo Conselho, paradoxalmente, alimenta a crise com a Administração Municipal porque impede o uso da Instituição como cabide de emprego. É que são mais de 200 (duzentos) postos de trabalho, dentro de uma cidade pequena como a nossa, a não render dividendos políticos para o Alcaide de plantão! Isto incomoda que só vendo!

Os 13,79% que optariam por um Administrador indicado pela Associação Médica, também votaram com inteligência e boa-fé. Sem dúvida, a Associação Médica é uma grande e leal colaboradora do Hospital. Até automóvel para o Hospital fazer rifa ela já doou, reformou segmentos do Hospital etc.

A parte tecnicamente afeta à medicina, no Hospital, entretanto, já é de responsabilidade do Diretor Clínico – sempre um médico. E não consta que a CCL tenha problemas imputáveis à administração dessa área técnica. O problema existente sempre foi administrativo-financeiro. Qualquer mudança a fazer, só terá sentido se for para agregar proficiência técnica à parte de gestão. O que não é, exatamente, tarefa para um médico, como não o seria para um físico nuclear, para um comandante de Boeing, para um sociólogo ou para um poeta. Administrar hospital é tarefa para um bom Administrador Hospitalar. A Fundação Getúlio Vargas – para só citar um exemplo – ministra cursos na área; quem quiser especializar-se, está lá.

Por último, 8,87% votaram pela Estadualização. O número baixo de votantes por certo se explica na inviabilidade da fórmula e por tudo que se sabe de hospitais públicos, de uma maneira geral. No caso da nossa Casa de Caridade, algo inteiramente fora de cogitação.

Interpreto, pois, a pesquisa do LEOPOLDINENSE como muito positiva ao indicar a melhor fórmula de dar boa gestão ao nosso Hospital: entregá-lo a uma empresa especializada. É fazer isto e procurar apaziguar os corações exaltados por interesses contrariados.

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(Publicado em janeiro de 2012 no jornal LEOPOLDINENSE Online)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Foi Assim #

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Dezembro, 1965

Nasci à beira de um rio de águas vagarosas, ao qual chamavam Rio Pardo. No pequeno vale contíguo à planície denominada Vargem Linda, no sopé da encosta, meu pai construiu, com suas próprias mãos, sobre esteios de braúnas centenárias, nossa casa, simples, mas tão extraordinariamente bela e agradável que os anos ali vividos nós os guardaríamos na memória como um tempo submerso no azul de um céu muito limpo e pródigo nas mais preciosas dádivas da natureza.

Vargem Linda não chegava a ser grande. Uma pequena chácara de alqueire e meio, como sempre ouvi dizer. Dela, meu pai extraia o sustento da família com pequenas culturas de arroz, feijão e milho.

Tínhamos também uma vaca muito bonita e grande, chamada Princesa, de pelo queimado, brilhante, chifres altos cor de grafite, que nos brindava todas as manhãs, a meus três irmãos e a mim, com o leite forte de suas virtudes zebuínas. Meu pai possuía um cavalinho castanho, o Guarany, que o levava a trote por toda a parte.

Professora rural do lugar, minha mãe, Da. Pequetita, ensinava às crianças pobres a ler e a escrever. No início da década de 1940 a região da Vargem Linda era muito pobre de recursos e as pessoas muito simples. Todos trabalhavam na lavoura e eram poucos os que sabiam assinar o nome. Nem mesmo os proprietários das terras, em sua maioria, puderam frequentar escolas primárias. O mundo civilizado devia parecer distante, quase inalcançável para eles.

Minha mãe tornou-se particularmente estimada de toda a população por ser mestra dedicada, exigente e muito cuidadosa do aprendizado e da saúde de seus pequeninos alunos. Era um tempo em que a simples e elementar ideia de alfabetizar as crianças contava com poucos adeptos. Os menores eram úteis na ajuda aos pais na lavoura, atividade compreensivelmente prioritária, pois representava em muitos casos a própria sobrevivência.

Importantíssimo, portanto, que as professoras se dirigissem às residências e, lá, convencessem os adultos da relevância do aprendizado, da necessidade de equacionar o problema e alfabetizar os filhos. Para os meninos e meninas que não podiam comprar cadernos, minha mãe costumava fazer, com linha de costurar e papel de embrulhar pão, os cadernos com que pudessem anotar as aulas.

Tal como se descreve no início da criação, Deus há de ter visto que tudo aquilo era muito bom, pois parece ter inundado de bênçãos nossas vidas e determinado que, ao final, tudo viesse ter à trégua e à paz.
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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Maria Sumiu

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Faz tempo, passou Maria
Em frente à minha janela,
Eu que sempre falo em versos
Em versos não falo nela.

Meu fraco é falar de mar,
Falar de espera e de mágoa,
De lágrimas de se afogar
Como a lua dentro d’água.

Maria foi uma vaga
Em noite sem lua cheia,
Tudo indica que no escuro
Maria virou sereia.

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Na Dívida Ativa

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Quero, neste Carnaval,
Reprimir minha alegria
Vou botar terno e gravata
E arquivar a fantasia.

Não quero o calor do samba,
Melhor uma ducha fria
Atiçar os meus problemas
Dando papo à minha tia.

E, à noite, quando eu voltar
Nem passo pelo chuveiro,
Enfio uma roupa suja,
Vou dormir no galinheiro.

Se espirrar não é Saúde
Por favor, digam: -Enfermo!
E debitem o mau humor
À ganância do governo


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