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(Artigo publicado pela Gazeta de Leopoldina, a 25 de novembro de 2001)
Encerra-se a dia 31 de dezembro próximo, o mandato de dois anos do atual Provedor da Casa de Caridade Leopoldinense. Novo administrador que vier a ser eleito receberá o Hospital em boas condições de funcionamento, razoavelmente organizado, com prioridades definidas mas, infelizmente, trabalhando ainda no vermelho.
Para equilíbrio das contas a CCL busca atingir 30% de atendimentos a particulares e de convênios (saiu de 8% para 15%) e necessita recontratar, com a Prefeitura, o "Convênio do Pronto Socorro", vencido deste janeiro/2001, principal ralo a drenar impiedosamente os parcos recursos do Hospital. Mas não é fácil.
Durante todo o ano 2000 e, depois, durante os dez primeiros meses de 2001, veio lutando a Provedoria para acertar com a municipalidade, e com sua área de saúde, os termos desse Convênio e o recebimento das dívidas da Prefeitura com Hospital, débitos que se elevam, hoje, a cerca de R$150.000,00!
Tempo rigorosamente perdido. As administrações municipais − tanto a anterior como a atual − não demonstraram qualquer interesse pela sorte do Hospital. Num caso e no outro, a política oficial do município resumiu-se a "ir empurrando com a barriga" para que o Hospital contabilizasse, sozinho, os prejuízos do Pronto Socorro, que é MUNICIPAL!
A Provedoria da CCL, que no episódio, sempre teve a exclusividade da boa-fé e da responsabilidade social (não fechou o PS), esperou longos meses por uma solução honesta: insistiu, redigiu projeto de lei, redigiu proposta de novo Convênio, submeteu a estudos, ouviu promessas enganosas ... para nada!
Farta de ser ludibriada e desrespeitada em sua inteligência, a Administração da Casa de Caridade fez aquilo que há dois anos vinha tentando evitar: DECIDIU PELA COBRANÇA JUDICIAL DE SEU CRÉDITO.
Nada pessoal. O Provedor do Hospital cumpre o seu dever diante dos doentes pobres de Leopoldina que, em derradeira instância, vêm sendo, e continuarão a ser, os verdadeiros prejudicados, os sempre enganados!
É, pois, a Instituição solicitando ao Judiciário prestação jurisdicional inevitável, diante do que considera uma injustiça contra os necessitados que do Hospital dependem e nele se socorrem.
No mais, superando percalços, a Provedoria, com apoio irrestrito do Corpo Clínico e da população, fez o possível para melhorar a CCL nestes dois anos de mandato.
Como uma prestação de contas aos LEOPOLDINENSES DE BEM, que contribuíram com ajudas diretas ou com simples apoio, segue abaixo uma relação dos principais trabalhos desenvolvidos no Hospital, de 1° de janeiro de 2000 até agora:
* Reforma de todos os 11 apartamentos do chamado POSTO-G, setor destinado a pacientes particulares e de Convênios, nos quais se refez a pintura, reviu-se instalações hidráulicas e elétricas, colocou-se armários e ventiladores de teto, para melhora do padrão de conforto e higiene;
* Reforma equivalente, com troca de piso, em mais cinco apartamentos, no POSTO-B.
* Reforma equivalente, em duas enfermarias de quatro leitos e de quatro quartos, no POSTO-C;
* Remoção e reconstrução do piso dos corredores (em “Granilite”, material recomendado pelas autoridades de saúde) de todas essas unidades;
* Idem, piso do novo Raio X, o qual foi reformulado e ganhou saída externa, independente;
* Idem, reconstrução do piso do Salão de Convenções e escadaria de acesso;
* Ampliação, reconstrução e pintura nova, com piso de granilite, em 300m2 na Hemodiálise, que dobrou de tamanho. Passando a ser, talvez, a maior e melhor da Zona da Mata;
* Abertura de novo espaço nobre para aumento da capacidade do CTI para até doze leitos;
* Por sua excelência, nosso CTI tornou-se o único da região, detentor da classificação Classe-O;
* Recuperação de cerca de 1/5 dos telhados afetados por chuvas diversas;
* Recuperação de parte da História do Hospital, com análise de documentos, e abertura de uma Home Page na Internet com informações urbi et orbe, sobre: Antiga Beneficência Português a; Galeria dos Fundadores; Serviços disponíveis; Convênios disponíveis; Quadro Clínico; Especialidades abrangidas; Exames diagnósticos disponíveis; Cursos programados; Composição da Diretoria; Quadros Administrativo e Técnico; etc. (Agradecemos a Paulo Roberto (Bebéu), do Provedor CEFETLEO - Net & Mail Marketin Ltda, que, gratuitamente, implantou e mantém a H. P do Hospital)
* Extinção do HOSPIMED, Plano de Saúde inteiramente irregular, oneroso para a CCL, e que a expunha a instituição a riscos efetivos de penalidades;
* Renegociação de dívidas com Banco e com fornecedores;
* Contratação de novo Médico Radiologista para o Raio-X, que deixou de funcionar apenas duas vezes por semana, passando a estar diariamente disponível;
* Rodísio médico no Pronto Socorro, para atendimento mais qualificado;
* Alteração e revigorização do quadro de Recepcionistas, inclusive com reciclagem do pessoal em curso pago pelo Hospital;
* Melhora no serviço de Copa e Cozinha;
* Criação de Chefia para o Centro Cirúrgico, onde descontrole sempre gera prejuízos;
* Pacto com a Associação Médica para reforma do Salão Nobre, com pintura e colocação de piso no salão e na escadaria;
* Realização da "I-Jornada de Terapia Intensiva", para reciclagem do corpo médico do C.T.I. e do Pronto Socorro, aulas proferidas por nove profissionais de ponta, dos Hospitais do Fundão, Barra D'Or e Hospital Espanhol, do Rio de Janeiro;
* Convênio com a Faculdade do Leste de Minas (Faculdade de Caratinga) para ministrar, em Leopoldina, um CURSO DE AUXILIAR DE ENFERMAGEM, pelo PROFAE. Este curso está em andamento, com aulas teóricas no espaço físico do Grupo Escolar
Botelho Reis, e aulas práticas nas dependências do Hospital. Beneficiam-se cerca de 80 alunos leopoldinenses, sendo 9, "Auxiliares de Enfermagem" da C.C.L. que não possuíam formação técnica;
* Diferenciação nos vencimentos do CTI e das Chefias do Hospital, com vistas à hierarquização motivadora em favor daqueles que, compondo com a Administração da Casa, detêm postos de comando e responsabilidades específicas;
* Informatização do Hospital sem uma única contratação de pessoal técnico; apenas capacitando nossos funcionários em cursos de especialização;
* Intervenção moralizadora no Raio-X;
* Corte de despesas telefônicas mediante controle rigoroso de chamadas através da mesa e da retirada de telefones ociosos em residência de servidores;
* Aprimoramento dos critérios de COMPRA;
* Padronização dos medicamentos de uso interno do Hospital;
* Informação permanente à população, via Rádio e Jornais da cidade, das necessidades e problemas do Hospital, às custas do Provedor, sempre sem qualquer ônus para a Instituição;
* Solicitação de colaboração a leopoldinenses ausentes, através de 2.000 cartas enviadas a ex-alunos do Colégio Leopoldinense;
* Patrocínio de BARRACA NA FEIRA DA PAZ, com o único intuito de "divulgar" o Hospital, chamando pessoas para a nossa causa, já que o trabalho na Feira é estafante e o resultado financeiro bastante modesto;
* Promoção de dois jantares no Rotary, em favor do Hospital;
* Promoção de duas grandes rifas em benefício da Casa de Caridade: de um CARRO, doado pela Associação Médica, no ano 2000 e de um LOTE DE TERRENO, doado pelos empresários, Everton e Eduardo Almeida da Silva, em 2001;
* Venda de Rifas, Camisas e Adesivos do Hospital, promovida pela grande colaboradora da CCL, Sra. Patrícia Carraro.
* Negociação com a Companhia Força e Luz Cataguases¬Leopoldina, da cobrança da contribuição mensal dos Sócios na Conta de Luz do usuário, a fim de facilitar sua associação, e a de seus familiares, ao Hospital;
* Pleitos, os mais variados, em favor do Hospital, junto a Prefeitos, Autoridades, Deputados, Gerência e Diretorias de Bancos, BNDEs, etc., em REUNIÕES a que o Provedor compareceu, pessoalmente, em Leopoldina, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, sempre às suas expensas, sem quaisquer despesas, de deslocamento ou hospedagem, para o Hospital;
* Viagens múltiplas do Provedor à Secretaria Estadual de Saúde, em Belo Horizonte, sempre por conta própria, para cobrar abonos de AIHs (Autorização para Internação Hospitalar) não pagas e verbas de reforço;
* Apoio a funcionários para reciclagem, em Belo Horizonte ¬ Curso de Reciclagem em Informática; em Juiz de Fora, reciclagem específica para C.T.I, na Faculdade de Enfermagem de Juiz de Fora;
* Humanização de apartamentos, enfermarias e quartos do Hospital com Crucifixos e Gravuras doadas por Leopoldinenses generosos, capitaneados pela Sra. Juracy Barbosa Furtado.
* Leilão de cerca de 70 Bezerros, doados por Pecuaristas da região, numa colaboração espontânea do Leiloeiro William Horta;
* Aquisição de uma Usina de Oxigênio, cuja entrada em funcionamento, nos próximos dias, trará ao Hospital economia mensal de cerca de R$14.000,OO, com gases medicinais;
* DENÚNCIA DO CONVÊNIO QUE REGE OPRONTO SOCORRO e cobrança de 8 meses de Convênio, Ano 1996, que a Prefeitura se recusa a pagar, em longa negociação com Prefeitos e Secretários de Saúde, tarefa desgastante e inglória que termina agora com o ajuizamento dos créditos do Hospital, no Foro de Leopoldina;
* Criação Estatutária e venda de títulos de SÓCIO CONTRIBUINTE DO HOSPITAL, facultando aos adquirentes um verdadeiro "Plano de Saúde" ao alcance da população leopoldinense de baixa renda, que passa a contar com atendimento mais digno e sem o transtorno de filas;
* Criação da "Associação dos Hospitais Filantrópicos da Zona da Mata", em novembro/2001, com vistas a fortalecer o poder de barganha dos Hospitais com fornecedores, congregando cerca de 15 Hospitais − de Além Paraíba, Manhumirim, Manhuaçu, Muriaé, Cataguases, Ubá, Barbacena. Viçosa etc. e cidades adjacentes − Associação esta cuja sede é em Leopoldina. MG;
* Obtenção do apoio da Classe Médica em todas as iniciativas da Provedoria, tais como, doação de AUTOMÓVEL para sorteio, contribuições da Associação Médica para obras do Hospital, adesão generosa dos senhores médicos ao Plano "Sócio Contribuinte" etc;
Nosso muito obrigado a todos.
José do Carmo Machado Rodrigues
(Provedor da Casa de Caridade Leopoldinense, mandato de 01/01/2000 a 31/12/2001)
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domingo, 27 de novembro de 2011
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Casa de Caridade Leopoldinense – História #
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Julho, 2002
C.C.L. – UMA INSTITUIÇÃO CENTENÁRIA
Estes 20 dias do mês de julho de 2002 marcam os 100 anos do lançamento da pedra fundamental do prédio em que hoje funciona a Casa de Caridade Leopoldinense, na Rua Padre Júlio, 138, Leopoldina, MG.
A aritmética do tempo não demonstra diferença importante entre 100 e 99 anos, ou entre 100 e 101 anos, mas o sistema decimal é pródigo nesses arredondamentos em zero que tão bem se prestam a marcos de conquistas e a festivas comemorações. Em todo caso, 100 é um número realmente charmoso e referindo-se a UM SÉCULO de existência de obra tão importante para uma comunidade, como é caso do nosso Hospital, convém mesmo comemorar. Ao articulista que a módica criatividade discursiva o amarra à concretude dos registros históricos, boa maneira de honrar a efeméride será oferecer aos leitores suas anotações sobre a centenária instituição. Vamos lá.
A idéia de construção da Casa de Caridade Leopoldinense parece ter surgido na cabeça do vitorioso e lúcido advogado Gabriel de Paula Almeida Magalhães. Se não teve ele a exclusividade da iniciativa, foi certamente quem lhe dispensou a decisiva acolhida.
A República ainda não havia completado cinco anos, em setembro de 1894, quando, integrando a Comissão de Saúde de nossa Câmara Municipal, os médicos Joaquim Custódio Guimarães Júnior e Joaquim Antonio Dutra, fizeram votar a Lei Municipal nº24/1894, que destinava fundos do orçamento daquele ano (20 contos de réis) e do ano seguinte, de 1895 (10 contos de réis), para auxílio na criação de um Hospital. Era presidente da Câmara, portanto Chefe do Executivo Municipal (equivalente, hoje, a Prefeito), o Sr. Lucas Augusto Monteiro de Castro. A cena nacional estava conturbada, com o Presidente da República, Floriano Peixoto, terminando aos trancos seu grave quatriênio, depois da invasão federalista no Rio Grande do Sul, revolta na Fortaleza de Sta. Cruz e a “Revolta da Esquadra”, comandada por Custódio de Melo e, depois, Saldanha da Gama.
Em Leopoldina, já com os recursos disponíveis, mas inúmeros desafios a enfrentar, sobretudo o de encontrar prédio adequado, somente a 03/08/1896, pelo esforço de Gabriel de Almeida Magalhães, Octávio Ottoni e Lucas Augusto, pôde ser inaugurada a Casa de Caridade Leopoldinense num imóvel residencial da (atual) Rua Manoel Lobato (*).
A Gazeta de Leopoldina, em seu nº10, de 09/08/1896, noticiou a cerimônia de inauguração com elogios às contribuições dos Drs. Gabriel Magalhães e Octávio Ottoni, tendo feito uso da palavra, tão logo o primeiro presidente da Instituição, Tenente-Coronel Manoel Lobato Monteiro Galvão de São Martinho (Vice-presidente da Câmara Municipal), declarou “instalada a Casa de Caridade”, os Srs., Augusto Teixeira, redator da Gazeta, Gama Fernandes, do Jornal O Mediador, e o reverendo Cônego Angelim, vigário desta Freguesia. Significativamente, o primeiro vice-presidente do Hospital foi o médico Joaquim Antonio Dutra que, naquele ano, desempenhava a Presidência da Câmara, chefe, portanto, do Executivo Municipal. Os primeiros Estatutos foram aprovados em assembléia de 07/03/1897.
Um jornalzinho denominado “O Leopoldinense”, de 13/01/1895, informava que o cólera estava desestimulando a vinda de imigrantes para a região. Tal fato pode explicar, pelo menos em parte, o interesse dos políticos pela instalação do Hospital, sabido que naquela década, posterior à Lei de 13 de maio de 1888, ocorreu certamente a maior crise econômica de todos os tempos, no país, por falta de mão de obra e de moeda circulante para pagamento da pouca que aparecesse. Os imigrantes eram fundamentais para a economia de qualquer região e do país.
UM VULTO QUE LEOPOLDINA NÃO CONHECE
Teve, portanto, o Hospital em sua primeira Diretoria, como vice-presidente, um dos homens mais ilustres da história de Leopoldina, o Dr. Joaquim Antonio Dutra, cuja biografia merecia ser melhor conhecida por aqui. Foi médico, vereador, presidente da Câmara Municipal (Chefe do Executivo), Senador Estadual (1895), o chefe político, enfim, que antecedeu o Dr. José Monteiro Ribeiro Junqueira na liderança do município.
Ainda o jornal “O Leopoldinense” de 01.12.1894 informa que o Dr. Dutra, preocupado com a propagação descontrolada do cólera na cidade, pediu ao Ministro da Viação que interrompesse o tráfego do Trem de Ferro para Leopoldina. Na época não eram conhecidas as formas de contaminação pelo cólera – problema de higiene local, como só depois se soube. Mas talvez por intuição médica não deixou, o Dr. Dutra, de acertar em outra medida, sem dúvida decisiva: contratou o engenheiro Lavaguino para colocar água encanada e esgoto na cidade. Um administrador, portanto, que marcou sua passagem.
Levou-o de Leopoldina a paixão profissional pela medicina psiquiátrica quando o Governo de Minas lhe dirigiu proposta irrecusável para fundar, em Barbacena, o nacionalmente conhecido “Hospital Colônia”. No jornal “Novo Movimento”, de 28.08.1910, lê-se registro de que o Dr. Dutra era, naquela data, o Diretor da Assistência aos Alienados de Barbacena.
Indícios históricos, ainda que não absolutamente claros, sugerem que o então Governador de Minas ao favorecer o Dr. Joaquim Antonio Dutra com recursos para soerguimento de um Hospital de Alienados, em Barbacena, teria buscado, na realidade, afastá-lo de Leopoldina em benefício de lideranças locais mais prestativas a ele, Governador. De uma forma ou de outra, o médico Joaquim Antonio Dutra fez história também em Barbacena e é, hoje, designativo de um dos logradouros centrais daquela cidade.
José Monteiro Ribeiro Junqueira, que sucedeu Joaquim Antonio à frente da política leopoldinense, para aqui veio em 09.09.1894, após concluir seu curso de advocacia em São Paulo, impondo, igualmente, liderança honrada e duradoura.
O SUPREMO PROTETOR
O advogado, Gabriel de Almeida Magalhães - com a esposa, Da. Maria do Carmo Monteiro de Almeida Magalhães, os SUPREMOS PROTETORES, ad aeternum, da Casa de Caridade Leopoldinense – foi outro astro de brilho intenso nos céus da história leopoldinense. Na aurora da república transferiu-se para o Rio de Janeiro onde a família se fixou definitivamente. Seu neto, Rafael de Almeida Magalhães foi Governador do extinto Estado da Guanabara e, mais recentemente, Ministro da Previdência Social.
Há uma passagem curiosa, com o Dr. Gabriel, narrada por ex-colega de faculdade que com ele se encontrou na praça principal de Leopoldina, no ano de 1861.
Está na página 20 do livro “Histórias de um Médico”, de Cassio de Rezende. Relata o Dr. Cássio que seu pai, Francisco de Paula Ferreira de Rezende, mineiro de Campanha, que morreu Ministro do Supremo Tribunal Federal, formado pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1855, deixando a magistratura (era Juiz) em 1861, na cidade de Queluz de Minas (hoje, Lafaiete), partiu a cavalo na direção de Leopoldina à cata de lugar promissor onde sentar banca de advogado. Pensava chegar a São Fidelis, no Estado do Rio. Cansado, porém, com os cavalos estropiados, um escravo como pajem e uma dívida de dois contos de réis, parou em frente ao único hotel de Leopoldina e, antes de apear, negociando com o hoteleiro a hospedagem, alguém lhe gritou do alto do sobrado ao lado:
-“Então, estais aqui?!... E conta Cássio Rezende: ... “volvendo a cabeça, quem meu pai havia de encontrar? Ninguém menos que seu colega Bié, um sujeito que tinha escapado de ser Visconde e que, já naquela época, era milionário. Gabriel de Almeida Magalhães que, no seio da família, tinha apelido de Bié, pelo qual era também conhecido entre os colegas... Em vez de apear no hotel, diz meu pai que deu uma rápida meia volta à esquerda, e foi cair nos braços do colega que ele não via desde a formatura. Tendo contado ao Dr.Gabriel que sua viagem não passava de procura de uma advocacia qualquer, disse-lhe o amigo que estava achado o que o ele queria, isto é, o que lhe convinha era a cidade de Leopoldina. E para convencer meu pai de que tinha razão, mostrou-lhe os seus assentamentos e, então, com um pouco de inveja, verificou meu pai que, enquanto ele partira para Queluz levando dois escravos e de lá saíra possuindo menos do que levara, o Dr. Gabriel, pelo contrário, tendo vindo para Leopoldina logo depois de formado, pouco mais trazendo de seu além do cavalo em que montava e, na garupa, a importância da própria formatura que ainda estava devendo, no fim de pouco mais de cinco anos, tinha pago todas as dívidas e já era tido até em conta de capitalista”.
Anote-se, portanto, que nosso benemérito de 1896, o Dr. Gabriel, já era homem de recursos, 35 anos antes, no ano de 1861.
NOSSO CRONISTA DO SÉCULO XIX
O advogado Francisco de Paula Rezende, pai do Dr. Cássio, é o autor da obra histórica “Minhas Recordações”, dentre outras publicações, verdadeiro repositório da vida leopoldinense nos anos aqui passados, de 1861 a 1892. Também ele fez fortuna em Leopoldina, mas aplicou-a em terras (Fazenda Filadélfia) e lavouras de café... Tendo a abolição, em 1888, acabado com as lavouras pela supressão da mão-de-obra, perdeu ele tudo o que tinha, mudando-se para o Rio de Janeiro, em 1892, em penosas condições, vindo a falecer um ano depois como Ministro do Supremo Tribunal Federal.
O PRÉDIO CENTENÁRIO
O Hospital inaugurado, como dito acima, aos 03/08/1896, numa casa da atual Rua Manoel Lobato (homenagem ao primeiro Provedor da CCL), não oferecia boas acomodações. Imóvel de destinação residencial, mobiliário modesto, embora dele se registrasse “servir para prestar bons serviços médico-cirúrgicos”. Nascia, entretanto, com o Hospital, a necessidade de um espaço mais adequado.
Com o passar do tempo, o crescimento da cidade passaria de fato a exigir maiores investimentos "em benefício dos doentes e em proveito da prática profissional dos médicos". Cogitou-se, pois, da construção de novo prédio, com mais espaço e funcionalidade, o que veio a ser feito no topo da colina central da zona urbana, vizinho à Matriz, em local arejado e descortino de ampla paisagem, tendo ao fundo a Serra dos Puris.
Foi assim que, aos 20 de julho de 1902, lançou-se a Pedra Fundamental do novo prédio, onde se acha ainda instalada a Casa de Caridade Leopoldinense, na Rua Padre Júlio, 138.
Consta que os recursos para a construção teriam sido oferecidos por pessoas da sociedade leopoldinense, além da ajuda votada pela Câmara Municipal, referida no primeiro parágrafo, acima. Existem, nos arquivos da C.C.L, escrituras antigas de doações de imóveis urbanos e legados valiosos, em favor do Hospital, prática que há muitos anos não se vê repetir.
Com muitas reformas, adaptações e acréscimos ao longo de um século é este o prédio que ainda hoje abriga o nosso Hospital.
BENEFICÊNCIA PORTUGUESA DE LEOPOLDINA
Que não se confunda a data de lançamento da Pedra Fundamental deste prédio, aos 20/07/1902, com a inscrição do marco granítico existente na porta principal da Casa de Caridade, onde se lê: "S.P.B. - PEDRA FUNDAMENTAL - LEOPOLDINA 1.12.1889".
Aquela pedra faz alusão à fundação da Sociedade Portuguesa de Beneficência, em Leopoldina, instituição da qual a Casa de Caridade Leopoldinense passou a ser sucessora, em meados de 1917.
Assembléia Geral da S.P.B., realizada em 25.03.1917 decidiu pela liquidação da Beneficência em Leopoldina. Nomearam, em ata, Comissão para indicar o estabelecimento pio que receberia o Fundo Social daquela instituição, mediante concessão de favores aos seus sócios. A escolhida foi a C.C.L.
No termo de absorção dos sócio da Beneficência Portuguesa, escreveu-se cláusula segundo a qual a C.C.L se obrigaria “a transportar do local em que está, para o seu prédio, a pedra fundamental da Sociedade Portuguesa de Beneficência, dando-lhe colocação condigna”.
Historicamente, seria o texto mais feliz se houvesse informado o endereço da Beneficência Portuguesa, em Leopoldina. Apenas quando manda “transportar do local em que está, para o seu prédio”, atesta, indiretamente, que não funcionava no local onde hoje está o Hospital.
O Hospital guarda, ainda hoje, esse documento, datado de 25 de maio de 1917, assinado pelo Provedor da C.C.L., Ignácio de Lacerda Werneck, e pelos membros da Comissão nomeada pela S.P.B, Raphael Domingues, Antonio Joaquim de Macedo Sá e João Xavier Lopes.
A Sociedade Portuguesa de Beneficência - SPB, com sua pedra fundamental lançada no dia 01/12/1889 – exatos 15 dias após a proclamação da República, antecedeu em 6 anos a fundação da C.C.L. Extinta em 1917, esteve entre nós por 28 anos.
PASSADO, PRESENTE E FUTURO
A primeira Mesa Administrativa da C.C.L., em 1896, ficou assim constituída:
PRESIDENTE: Tenente Coronel Manoel Lobato Galvão de São Martinho, vice-presidente da Câmara Municipal; VICE-PRESIDENTE: Dr. Joaquim Antonio Dutra, médio, e então presidente da Câmara Municipal; TESOUREIRO: João Luiz Guilherme Gaide; SECRETÁRIO: Dr. José Monteiro Ribeiro Junqueira.
Já no primeiro capítulo dos Estatutos originais da C.C.L. seus idealizadores inscreveram os grandes e perenes objetivos da entidade:
"a) Prestar socorro médico-cirúrgico, no respectivo Hospital, aos doentes pobres que os reclamarem, dando preferência aos do Município de Leopoldina; b) Tratar, mediante retribuição, enfermo não-indigente; c) Fornecer medicamentos e outros socorros aos indigentes".
Felizes, podemos avaliar que, apesar dos percalços, a Casa de Caridade Leopoldinense, ao longo de todos os anos, meses e dias dos dois séculos que se seguiram à sua criação, vem guardando absoluta fidelidade aos princípios e objetivo de seus bravos fundadores. Nosso Hospital dispensa dedicação quase que exclusiva à população menos favorecida da cidade e dos municípios vizinhos.
Cerca de 90% de nossos atendimentos são voltados, hoje, aos segurados do SUS. Atendimento às vezes deficiente, sim, porque é muito deficitário e nem sempre repõe sequer a cesta dos medicamentos consumidos. A chama, no entanto, permanece acesa, no coração de nossos médicos, no coração de nossas enfermeiras, porque a vida continua e Leopoldina precisa do seu Hospital muito amado.
Olhos postos na esperança de melhores dias, reconheçamos a necessidade cívica, a necessidade moral imperiosa, a necessidade cristã, de somarmos esforços de apoio ao Hospital. Que ninguém se exima alegando ser "obrigação do Governo", porque não é! A Lei ressalva que a obrigação de o Governo prover a saúde não exclui a obrigação dos cidadãos, das empresas e das instituições. A C.C.L. vem se ressentido dessa moderada sensibilidade das pessoas em tal sentido, além do proverbial desencontro Prefeitura/Hospital que, no fundo, ao contrário do que muitos pensam, nem sempre é fruto de desavenças meramente pessoais entre Provedores e médicos/prefeitos.
É que as “Santas Casas” padecem de uma realidade paradoxal: ostentam natureza jurídica de instituições privadas ao mesmo tempo em que são, de fato, “instituições públicas”, mercê de uma avassaladora submissão ao Convênio Oficial (SUS) e extrema dependência dele. Como resultado funesto dessa existência ambígua, condenam-se à obrigação civil, intransferível, de pagar sempre pelos insumos necessários a suprir o direito constitucional que os pacientes têm de não pagar pelo tratamento que recebem.
Além do que, a Saúde Pública, dita descentralizada no plano federal, em âmbito municipal resulta inteiramente centralizada na pessoa do Prefeito que detém, pelas mãos bonifrate do gestor que escolhe, o condão de discernir prioridades e imputar pagamentos, podendo assim, com a faca e o queijo, ir deixando que essas instituições híbridas se desidratem no purgatório astral de suas próprias contradições, advogando ao vento reposições de verbas sempre canalizadas para destinos eleitorais mais promissores...
Gestores e prefeitos estão em boa companhia. Na sentença de um dos “pais da Pátria Americana”, John Randolph, constituinte na Convenção de Filadélfia, citado por Roberto Campos e José Guilherme Merchior,“O mais delicioso dos privilégios é gastar dinheiro dos outros.”
É uma questão apaixonante e complexa. Sob outra perspectiva, alguém poderá sustentar que a crise dos Hospitais se resolveria simplesmente com a ampliação adequada dos atuais limites do SUS. Só que, a ser isto verdade, seria verdade inócua, destinada ao limbo, porque a sociedade brasileira não quer, ou ainda não tem como, bancar as benesses da Constituição de 88 com a criação de novos impostos.
Infelizmente, parece que o remédio será seguir buscando medidas heróicas e paliativas antes que alguém “descubra” que a solução seja municipalizar as Filantrópicas!
Como se vê, o Hospital enfrenta problemas, sim. Problemas, no entanto, que não nos impedem - a nós que amamos este legado de nossos antepassados ilustres - de comemorar estes 100 anos de muita luta e de muitas vitórias em favor dos irmãozinhos humildes que povoam nossos corredores e enfermarias, e que nem de longe admitem ver cerradas as portas de sua velha e gloriosa “Casa de Caridade”!
LIVRO DE VISITAS
A Casa de Caridade Leopoldinense possui uma verdadeira jóia histórica, que é o seu antigo Livro de Visitas.
Aberto em 20/01/1907 com uma bela manifestação do Major Alcebíades Cunha, o livro, já velhinho, maltratado pelo tempo e por certa falta de cuidado em sua conservação, foi encontrado e por nós recuperado. Dentre as dezenas de assinaturas importantes que abriga, anotamos os nomes das personagens mais importantes, algumas nacionalmente conhecidas, aduzindo pequenos comentários como contribuição à memória, sobretudo dos leitores mais novos:
- Em 03/06/1907, logo numa das primeiras páginas, lê-se a manifestação do Sr. Justiniano Matolla de Miranda, “... um tributo de minha saudade à memória de Gabriel de Almeida Magalhães...” atestando que, naquela data, o advogado e grande benemérito da Instituição já era falecido. Justiniano será, certamente, ancestral dos Matollas, família leopoldinense numerosa e muito querida entre nós;
- Aos 23/03/1908, comparece ao Livro, o Sr. Domingos Sabino, de tradicional família leopoldinense da qual o escritor Fernando Sabino é um dos descendentes;
- Em 29/12/1909, o Sr. Antenor Penido elogia o Hospital com créditos pessoais ao administrador, Francisco de Aguiar;
- Em 21/08/1910, temos as palavras e a assinatura de Olympio Machado de Almeida, importante pater familias do tronco dos Machados, de Leopoldina;
- Em 17/05/1912, palavras de estímulo e as assinaturas de Octacílio Fajardo de Paiva Campos e Famílio Fajardo de Mello Campos, dos tradicionais Fajardos, de Piacatuba;
- Os alunos do “Grupo Escolar” são levados para conhecer o Hospital no dia 21/04/1913, pela diretoria e corpo docente do estabelecimento, assinando o Livro a diretora-substituta, Maria Brígida de Medeiros Castanheira; Professoras, Maria Feliciana Torres; Antonieta Guariglia; Maria Pagano; Odette Tavares; Dulce Botelho Junqueira e o diretor, R. Mattola;
- A 18/11/1921, assina o visitante Jackson de Figueiredo (famoso escritor);
- Aos 03/08/1922, a letra e a assinatura inconfundível daquele nosso advogado que chegaria à Presidência da República, Dr.Carlos Coimbra da Luz, firmando ao lado do importante jornalista, José Dantas;
- A 13/01/1925, quem visita o Hospital e deixa no Livro sua impressão é Manoel Funchal Garcia;
- Em 07/01/1926, a assinatura gloriosa do Dr. Carlos Chagas que, discretamente, se identificou como “médico do Hospital Osvaldo Cruz”... Muito mais que isto! Ele era Diretor do Instituto Bacteriológico Osvaldo Cruz; já havia erradicado a malária na cidade de Santos (1905); já havia concluído as pesquisas para debelar a tripanossomíase do Brasil (1909), a cujo agente deu o nome de Tripanosoma Cruzi, em homenagem a Osvaldo Cruz; já havia ganho vários títulos internacionais e chefiado a campanha contra a “gripe espanhola” (1918); e, no ano anterior à sua estada em Leopoldina, a Universidade de Hamburgo, lhe havia concedido uma medalha de ouro, sendo ainda Magister Honoris Causa das Universidades de Paris e Haward;
- Em 18/06/1927, assina o filósofo e professor, Dr. Lydio Machado Bandeira de Mello como Promotor de Justiça;
- É de 24/12/1928 as assinaturas do Dr. Pompílio Guimarães; Jehú Farias, da Gazeta de Leopoldina; e de Carlos Simões, do Diário Carioca;
- A 01/05/1929, são os vereadores de nossa Câmara Municipal que assinalam no Livro sua visita ao Hospital, a convite do grande médico, Dr. Custódio Junqueira: Vereadores, Artur G. Leão; Justiniano Antonio da Fonseca; Olivier Fajardo de Paiva Campos; Joaquim Machado de Almeida (Quinca Machado); Francisco de Andrade Bastos (Chico Bastos); e Carlos Coimbra da Luz. De certo não imaginavam, esses edis de 1929, que um deles chegaria ao Catete, quinze anos depois...
- No dia 03/10/1929, assinava o Livro da Casa de Caridade Leopoldinense o visitante ilustre, Francisco Campos (o lendário “Chico Ciência”), professor, ministro da justiça no Estado Novo, cuja Constituição elaborou, jurista emérito, reformador do Código Penal, autor do Código de Processo Civil, de inúmeros decretos-leis do Estado Novo, do Ato Institucional nº1, do regime militar de 64. Por ocasião da visita a Leopoldina era Secretário do Interior, de Minas;
- A 09/12/1928, visitou-nos, deixando impressão positiva do Hospital, o Diretor de Saúde Pública, Dr. Raul de Almeida Magalhães;
- A 20/08/1934, a C.C.L. recebia a visita do Governador, Benedito Valadares;
- É de 11/06/1936 a assinatura do visitante, Dr. Antonio Neder, advogado, nascido em Caiapó, ex-aluno do Colégio Leopoldinense, futuro Juiz, Ministro e Presidente do Supremo Tribunal Federal;
- Por esse tempo também por aqui estiveram, assinando o Livro de Visitas, os jornalistas: Mario Martins, “O radical” - depois deputado, senador, escritor; Rubem Braga, “Folha de Minas” – depois, escritor; Chagas Freitas, “Correio da Noite”, Rio, depois, dono de jornais e Governador do Estado do Rio de Janeiro; e Matta Machado, “O Diário”- Belo Horizonte;
- Em 24/10/1929 duas assinaturas ilustríssimas são lançadas, juntas, no Livro: Getúlio Vargas e Benedito Valadares;
- A 18/06/1944, assina o nacionalmente conhecido cancerologista Dr. Mario Kroeff;
- Finalmente, em 13/08/1948, assina nosso Livro de Visitas o Sr. Milton Campos, na época o Governador de Minas, depois deputado, senador e ministro da justiça do governo Castelo Branco, em 1964. Deste ministério, demitiu-se em 1965 recusando-se a assinar o ato de cassação do deputado Tenório Cavalcanti, porque dele – dizia - aceitara apoio em eleição anterior... Castelo não sabia: Milton era “reserva moral” do país!
São muitas, pois, as assinaturas no Livro de Visitas do Hospital - sendo uma dádiva para o observador decifrar-lhe rubricas, nomes e sobrenomes - mas nenhuma outra encerraria com maior dignidade a presente relação.
Nota*: Estamos seguramente informados, dentre outras pessoas, por descendentes do Sr. José Wenceslau de Arantes Junqueira e da Senhora Maria Botelho Junqueira (sogra do segundo prefeito de Leopoldina, Sr. Chico Bastos, e avó do médico Dr. Rodolfo Arantes Junqueira), que foi, exatamente, no imóvel de número 47 (quarenta e sete) da Rua Manoel Lobato (geminado ao de número 57), que teria sido instalada, em 09/08/1896, a Casa de Caridade Leopoldinense. O prédio original foi demolido e, no terreno de ambos, construída uma única casa que leva o n°57 e pertence, hoje, a Francisco Junqueira Barbosa de Miranda e suas irmãs, Déa Junqueira Barbosa, Maria José Junqueira Barbosa e Leonor Junqueira Barbosa.
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(Publicado na Gazeta de Leopoldina de 31.07.2002)
Julho, 2002
C.C.L. – UMA INSTITUIÇÃO CENTENÁRIA
Estes 20 dias do mês de julho de 2002 marcam os 100 anos do lançamento da pedra fundamental do prédio em que hoje funciona a Casa de Caridade Leopoldinense, na Rua Padre Júlio, 138, Leopoldina, MG.
A aritmética do tempo não demonstra diferença importante entre 100 e 99 anos, ou entre 100 e 101 anos, mas o sistema decimal é pródigo nesses arredondamentos em zero que tão bem se prestam a marcos de conquistas e a festivas comemorações. Em todo caso, 100 é um número realmente charmoso e referindo-se a UM SÉCULO de existência de obra tão importante para uma comunidade, como é caso do nosso Hospital, convém mesmo comemorar. Ao articulista que a módica criatividade discursiva o amarra à concretude dos registros históricos, boa maneira de honrar a efeméride será oferecer aos leitores suas anotações sobre a centenária instituição. Vamos lá.
A idéia de construção da Casa de Caridade Leopoldinense parece ter surgido na cabeça do vitorioso e lúcido advogado Gabriel de Paula Almeida Magalhães. Se não teve ele a exclusividade da iniciativa, foi certamente quem lhe dispensou a decisiva acolhida.
A República ainda não havia completado cinco anos, em setembro de 1894, quando, integrando a Comissão de Saúde de nossa Câmara Municipal, os médicos Joaquim Custódio Guimarães Júnior e Joaquim Antonio Dutra, fizeram votar a Lei Municipal nº24/1894, que destinava fundos do orçamento daquele ano (20 contos de réis) e do ano seguinte, de 1895 (10 contos de réis), para auxílio na criação de um Hospital. Era presidente da Câmara, portanto Chefe do Executivo Municipal (equivalente, hoje, a Prefeito), o Sr. Lucas Augusto Monteiro de Castro. A cena nacional estava conturbada, com o Presidente da República, Floriano Peixoto, terminando aos trancos seu grave quatriênio, depois da invasão federalista no Rio Grande do Sul, revolta na Fortaleza de Sta. Cruz e a “Revolta da Esquadra”, comandada por Custódio de Melo e, depois, Saldanha da Gama.
Em Leopoldina, já com os recursos disponíveis, mas inúmeros desafios a enfrentar, sobretudo o de encontrar prédio adequado, somente a 03/08/1896, pelo esforço de Gabriel de Almeida Magalhães, Octávio Ottoni e Lucas Augusto, pôde ser inaugurada a Casa de Caridade Leopoldinense num imóvel residencial da (atual) Rua Manoel Lobato (*).
A Gazeta de Leopoldina, em seu nº10, de 09/08/1896, noticiou a cerimônia de inauguração com elogios às contribuições dos Drs. Gabriel Magalhães e Octávio Ottoni, tendo feito uso da palavra, tão logo o primeiro presidente da Instituição, Tenente-Coronel Manoel Lobato Monteiro Galvão de São Martinho (Vice-presidente da Câmara Municipal), declarou “instalada a Casa de Caridade”, os Srs., Augusto Teixeira, redator da Gazeta, Gama Fernandes, do Jornal O Mediador, e o reverendo Cônego Angelim, vigário desta Freguesia. Significativamente, o primeiro vice-presidente do Hospital foi o médico Joaquim Antonio Dutra que, naquele ano, desempenhava a Presidência da Câmara, chefe, portanto, do Executivo Municipal. Os primeiros Estatutos foram aprovados em assembléia de 07/03/1897.
Um jornalzinho denominado “O Leopoldinense”, de 13/01/1895, informava que o cólera estava desestimulando a vinda de imigrantes para a região. Tal fato pode explicar, pelo menos em parte, o interesse dos políticos pela instalação do Hospital, sabido que naquela década, posterior à Lei de 13 de maio de 1888, ocorreu certamente a maior crise econômica de todos os tempos, no país, por falta de mão de obra e de moeda circulante para pagamento da pouca que aparecesse. Os imigrantes eram fundamentais para a economia de qualquer região e do país.
UM VULTO QUE LEOPOLDINA NÃO CONHECE
Teve, portanto, o Hospital em sua primeira Diretoria, como vice-presidente, um dos homens mais ilustres da história de Leopoldina, o Dr. Joaquim Antonio Dutra, cuja biografia merecia ser melhor conhecida por aqui. Foi médico, vereador, presidente da Câmara Municipal (Chefe do Executivo), Senador Estadual (1895), o chefe político, enfim, que antecedeu o Dr. José Monteiro Ribeiro Junqueira na liderança do município.
Ainda o jornal “O Leopoldinense” de 01.12.1894 informa que o Dr. Dutra, preocupado com a propagação descontrolada do cólera na cidade, pediu ao Ministro da Viação que interrompesse o tráfego do Trem de Ferro para Leopoldina. Na época não eram conhecidas as formas de contaminação pelo cólera – problema de higiene local, como só depois se soube. Mas talvez por intuição médica não deixou, o Dr. Dutra, de acertar em outra medida, sem dúvida decisiva: contratou o engenheiro Lavaguino para colocar água encanada e esgoto na cidade. Um administrador, portanto, que marcou sua passagem.
Levou-o de Leopoldina a paixão profissional pela medicina psiquiátrica quando o Governo de Minas lhe dirigiu proposta irrecusável para fundar, em Barbacena, o nacionalmente conhecido “Hospital Colônia”. No jornal “Novo Movimento”, de 28.08.1910, lê-se registro de que o Dr. Dutra era, naquela data, o Diretor da Assistência aos Alienados de Barbacena.
Indícios históricos, ainda que não absolutamente claros, sugerem que o então Governador de Minas ao favorecer o Dr. Joaquim Antonio Dutra com recursos para soerguimento de um Hospital de Alienados, em Barbacena, teria buscado, na realidade, afastá-lo de Leopoldina em benefício de lideranças locais mais prestativas a ele, Governador. De uma forma ou de outra, o médico Joaquim Antonio Dutra fez história também em Barbacena e é, hoje, designativo de um dos logradouros centrais daquela cidade.
José Monteiro Ribeiro Junqueira, que sucedeu Joaquim Antonio à frente da política leopoldinense, para aqui veio em 09.09.1894, após concluir seu curso de advocacia em São Paulo, impondo, igualmente, liderança honrada e duradoura.
O SUPREMO PROTETOR
O advogado, Gabriel de Almeida Magalhães - com a esposa, Da. Maria do Carmo Monteiro de Almeida Magalhães, os SUPREMOS PROTETORES, ad aeternum, da Casa de Caridade Leopoldinense – foi outro astro de brilho intenso nos céus da história leopoldinense. Na aurora da república transferiu-se para o Rio de Janeiro onde a família se fixou definitivamente. Seu neto, Rafael de Almeida Magalhães foi Governador do extinto Estado da Guanabara e, mais recentemente, Ministro da Previdência Social.
Há uma passagem curiosa, com o Dr. Gabriel, narrada por ex-colega de faculdade que com ele se encontrou na praça principal de Leopoldina, no ano de 1861.
Está na página 20 do livro “Histórias de um Médico”, de Cassio de Rezende. Relata o Dr. Cássio que seu pai, Francisco de Paula Ferreira de Rezende, mineiro de Campanha, que morreu Ministro do Supremo Tribunal Federal, formado pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1855, deixando a magistratura (era Juiz) em 1861, na cidade de Queluz de Minas (hoje, Lafaiete), partiu a cavalo na direção de Leopoldina à cata de lugar promissor onde sentar banca de advogado. Pensava chegar a São Fidelis, no Estado do Rio. Cansado, porém, com os cavalos estropiados, um escravo como pajem e uma dívida de dois contos de réis, parou em frente ao único hotel de Leopoldina e, antes de apear, negociando com o hoteleiro a hospedagem, alguém lhe gritou do alto do sobrado ao lado:
-“Então, estais aqui?!... E conta Cássio Rezende: ... “volvendo a cabeça, quem meu pai havia de encontrar? Ninguém menos que seu colega Bié, um sujeito que tinha escapado de ser Visconde e que, já naquela época, era milionário. Gabriel de Almeida Magalhães que, no seio da família, tinha apelido de Bié, pelo qual era também conhecido entre os colegas... Em vez de apear no hotel, diz meu pai que deu uma rápida meia volta à esquerda, e foi cair nos braços do colega que ele não via desde a formatura. Tendo contado ao Dr.Gabriel que sua viagem não passava de procura de uma advocacia qualquer, disse-lhe o amigo que estava achado o que o ele queria, isto é, o que lhe convinha era a cidade de Leopoldina. E para convencer meu pai de que tinha razão, mostrou-lhe os seus assentamentos e, então, com um pouco de inveja, verificou meu pai que, enquanto ele partira para Queluz levando dois escravos e de lá saíra possuindo menos do que levara, o Dr. Gabriel, pelo contrário, tendo vindo para Leopoldina logo depois de formado, pouco mais trazendo de seu além do cavalo em que montava e, na garupa, a importância da própria formatura que ainda estava devendo, no fim de pouco mais de cinco anos, tinha pago todas as dívidas e já era tido até em conta de capitalista”.
Anote-se, portanto, que nosso benemérito de 1896, o Dr. Gabriel, já era homem de recursos, 35 anos antes, no ano de 1861.
NOSSO CRONISTA DO SÉCULO XIX
O advogado Francisco de Paula Rezende, pai do Dr. Cássio, é o autor da obra histórica “Minhas Recordações”, dentre outras publicações, verdadeiro repositório da vida leopoldinense nos anos aqui passados, de 1861 a 1892. Também ele fez fortuna em Leopoldina, mas aplicou-a em terras (Fazenda Filadélfia) e lavouras de café... Tendo a abolição, em 1888, acabado com as lavouras pela supressão da mão-de-obra, perdeu ele tudo o que tinha, mudando-se para o Rio de Janeiro, em 1892, em penosas condições, vindo a falecer um ano depois como Ministro do Supremo Tribunal Federal.
O PRÉDIO CENTENÁRIO
O Hospital inaugurado, como dito acima, aos 03/08/1896, numa casa da atual Rua Manoel Lobato (homenagem ao primeiro Provedor da CCL), não oferecia boas acomodações. Imóvel de destinação residencial, mobiliário modesto, embora dele se registrasse “servir para prestar bons serviços médico-cirúrgicos”. Nascia, entretanto, com o Hospital, a necessidade de um espaço mais adequado.
Com o passar do tempo, o crescimento da cidade passaria de fato a exigir maiores investimentos "em benefício dos doentes e em proveito da prática profissional dos médicos". Cogitou-se, pois, da construção de novo prédio, com mais espaço e funcionalidade, o que veio a ser feito no topo da colina central da zona urbana, vizinho à Matriz, em local arejado e descortino de ampla paisagem, tendo ao fundo a Serra dos Puris.
Foi assim que, aos 20 de julho de 1902, lançou-se a Pedra Fundamental do novo prédio, onde se acha ainda instalada a Casa de Caridade Leopoldinense, na Rua Padre Júlio, 138.
Consta que os recursos para a construção teriam sido oferecidos por pessoas da sociedade leopoldinense, além da ajuda votada pela Câmara Municipal, referida no primeiro parágrafo, acima. Existem, nos arquivos da C.C.L, escrituras antigas de doações de imóveis urbanos e legados valiosos, em favor do Hospital, prática que há muitos anos não se vê repetir.
Com muitas reformas, adaptações e acréscimos ao longo de um século é este o prédio que ainda hoje abriga o nosso Hospital.
BENEFICÊNCIA PORTUGUESA DE LEOPOLDINA
Que não se confunda a data de lançamento da Pedra Fundamental deste prédio, aos 20/07/1902, com a inscrição do marco granítico existente na porta principal da Casa de Caridade, onde se lê: "S.P.B. - PEDRA FUNDAMENTAL - LEOPOLDINA 1.12.1889".
Aquela pedra faz alusão à fundação da Sociedade Portuguesa de Beneficência, em Leopoldina, instituição da qual a Casa de Caridade Leopoldinense passou a ser sucessora, em meados de 1917.
Assembléia Geral da S.P.B., realizada em 25.03.1917 decidiu pela liquidação da Beneficência em Leopoldina. Nomearam, em ata, Comissão para indicar o estabelecimento pio que receberia o Fundo Social daquela instituição, mediante concessão de favores aos seus sócios. A escolhida foi a C.C.L.
No termo de absorção dos sócio da Beneficência Portuguesa, escreveu-se cláusula segundo a qual a C.C.L se obrigaria “a transportar do local em que está, para o seu prédio, a pedra fundamental da Sociedade Portuguesa de Beneficência, dando-lhe colocação condigna”.
Historicamente, seria o texto mais feliz se houvesse informado o endereço da Beneficência Portuguesa, em Leopoldina. Apenas quando manda “transportar do local em que está, para o seu prédio”, atesta, indiretamente, que não funcionava no local onde hoje está o Hospital.
O Hospital guarda, ainda hoje, esse documento, datado de 25 de maio de 1917, assinado pelo Provedor da C.C.L., Ignácio de Lacerda Werneck, e pelos membros da Comissão nomeada pela S.P.B, Raphael Domingues, Antonio Joaquim de Macedo Sá e João Xavier Lopes.
A Sociedade Portuguesa de Beneficência - SPB, com sua pedra fundamental lançada no dia 01/12/1889 – exatos 15 dias após a proclamação da República, antecedeu em 6 anos a fundação da C.C.L. Extinta em 1917, esteve entre nós por 28 anos.
PASSADO, PRESENTE E FUTURO
A primeira Mesa Administrativa da C.C.L., em 1896, ficou assim constituída:
PRESIDENTE: Tenente Coronel Manoel Lobato Galvão de São Martinho, vice-presidente da Câmara Municipal; VICE-PRESIDENTE: Dr. Joaquim Antonio Dutra, médio, e então presidente da Câmara Municipal; TESOUREIRO: João Luiz Guilherme Gaide; SECRETÁRIO: Dr. José Monteiro Ribeiro Junqueira.
Já no primeiro capítulo dos Estatutos originais da C.C.L. seus idealizadores inscreveram os grandes e perenes objetivos da entidade:
"a) Prestar socorro médico-cirúrgico, no respectivo Hospital, aos doentes pobres que os reclamarem, dando preferência aos do Município de Leopoldina; b) Tratar, mediante retribuição, enfermo não-indigente; c) Fornecer medicamentos e outros socorros aos indigentes".
Felizes, podemos avaliar que, apesar dos percalços, a Casa de Caridade Leopoldinense, ao longo de todos os anos, meses e dias dos dois séculos que se seguiram à sua criação, vem guardando absoluta fidelidade aos princípios e objetivo de seus bravos fundadores. Nosso Hospital dispensa dedicação quase que exclusiva à população menos favorecida da cidade e dos municípios vizinhos.
Cerca de 90% de nossos atendimentos são voltados, hoje, aos segurados do SUS. Atendimento às vezes deficiente, sim, porque é muito deficitário e nem sempre repõe sequer a cesta dos medicamentos consumidos. A chama, no entanto, permanece acesa, no coração de nossos médicos, no coração de nossas enfermeiras, porque a vida continua e Leopoldina precisa do seu Hospital muito amado.
Olhos postos na esperança de melhores dias, reconheçamos a necessidade cívica, a necessidade moral imperiosa, a necessidade cristã, de somarmos esforços de apoio ao Hospital. Que ninguém se exima alegando ser "obrigação do Governo", porque não é! A Lei ressalva que a obrigação de o Governo prover a saúde não exclui a obrigação dos cidadãos, das empresas e das instituições. A C.C.L. vem se ressentido dessa moderada sensibilidade das pessoas em tal sentido, além do proverbial desencontro Prefeitura/Hospital que, no fundo, ao contrário do que muitos pensam, nem sempre é fruto de desavenças meramente pessoais entre Provedores e médicos/prefeitos.
É que as “Santas Casas” padecem de uma realidade paradoxal: ostentam natureza jurídica de instituições privadas ao mesmo tempo em que são, de fato, “instituições públicas”, mercê de uma avassaladora submissão ao Convênio Oficial (SUS) e extrema dependência dele. Como resultado funesto dessa existência ambígua, condenam-se à obrigação civil, intransferível, de pagar sempre pelos insumos necessários a suprir o direito constitucional que os pacientes têm de não pagar pelo tratamento que recebem.
Além do que, a Saúde Pública, dita descentralizada no plano federal, em âmbito municipal resulta inteiramente centralizada na pessoa do Prefeito que detém, pelas mãos bonifrate do gestor que escolhe, o condão de discernir prioridades e imputar pagamentos, podendo assim, com a faca e o queijo, ir deixando que essas instituições híbridas se desidratem no purgatório astral de suas próprias contradições, advogando ao vento reposições de verbas sempre canalizadas para destinos eleitorais mais promissores...
Gestores e prefeitos estão em boa companhia. Na sentença de um dos “pais da Pátria Americana”, John Randolph, constituinte na Convenção de Filadélfia, citado por Roberto Campos e José Guilherme Merchior,“O mais delicioso dos privilégios é gastar dinheiro dos outros.”
É uma questão apaixonante e complexa. Sob outra perspectiva, alguém poderá sustentar que a crise dos Hospitais se resolveria simplesmente com a ampliação adequada dos atuais limites do SUS. Só que, a ser isto verdade, seria verdade inócua, destinada ao limbo, porque a sociedade brasileira não quer, ou ainda não tem como, bancar as benesses da Constituição de 88 com a criação de novos impostos.
Infelizmente, parece que o remédio será seguir buscando medidas heróicas e paliativas antes que alguém “descubra” que a solução seja municipalizar as Filantrópicas!
Como se vê, o Hospital enfrenta problemas, sim. Problemas, no entanto, que não nos impedem - a nós que amamos este legado de nossos antepassados ilustres - de comemorar estes 100 anos de muita luta e de muitas vitórias em favor dos irmãozinhos humildes que povoam nossos corredores e enfermarias, e que nem de longe admitem ver cerradas as portas de sua velha e gloriosa “Casa de Caridade”!
LIVRO DE VISITAS
A Casa de Caridade Leopoldinense possui uma verdadeira jóia histórica, que é o seu antigo Livro de Visitas.
Aberto em 20/01/1907 com uma bela manifestação do Major Alcebíades Cunha, o livro, já velhinho, maltratado pelo tempo e por certa falta de cuidado em sua conservação, foi encontrado e por nós recuperado. Dentre as dezenas de assinaturas importantes que abriga, anotamos os nomes das personagens mais importantes, algumas nacionalmente conhecidas, aduzindo pequenos comentários como contribuição à memória, sobretudo dos leitores mais novos:
- Em 03/06/1907, logo numa das primeiras páginas, lê-se a manifestação do Sr. Justiniano Matolla de Miranda, “... um tributo de minha saudade à memória de Gabriel de Almeida Magalhães...” atestando que, naquela data, o advogado e grande benemérito da Instituição já era falecido. Justiniano será, certamente, ancestral dos Matollas, família leopoldinense numerosa e muito querida entre nós;
- Aos 23/03/1908, comparece ao Livro, o Sr. Domingos Sabino, de tradicional família leopoldinense da qual o escritor Fernando Sabino é um dos descendentes;
- Em 29/12/1909, o Sr. Antenor Penido elogia o Hospital com créditos pessoais ao administrador, Francisco de Aguiar;
- Em 21/08/1910, temos as palavras e a assinatura de Olympio Machado de Almeida, importante pater familias do tronco dos Machados, de Leopoldina;
- Em 17/05/1912, palavras de estímulo e as assinaturas de Octacílio Fajardo de Paiva Campos e Famílio Fajardo de Mello Campos, dos tradicionais Fajardos, de Piacatuba;
- Os alunos do “Grupo Escolar” são levados para conhecer o Hospital no dia 21/04/1913, pela diretoria e corpo docente do estabelecimento, assinando o Livro a diretora-substituta, Maria Brígida de Medeiros Castanheira; Professoras, Maria Feliciana Torres; Antonieta Guariglia; Maria Pagano; Odette Tavares; Dulce Botelho Junqueira e o diretor, R. Mattola;
- A 18/11/1921, assina o visitante Jackson de Figueiredo (famoso escritor);
- Aos 03/08/1922, a letra e a assinatura inconfundível daquele nosso advogado que chegaria à Presidência da República, Dr.Carlos Coimbra da Luz, firmando ao lado do importante jornalista, José Dantas;
- A 13/01/1925, quem visita o Hospital e deixa no Livro sua impressão é Manoel Funchal Garcia;
- Em 07/01/1926, a assinatura gloriosa do Dr. Carlos Chagas que, discretamente, se identificou como “médico do Hospital Osvaldo Cruz”... Muito mais que isto! Ele era Diretor do Instituto Bacteriológico Osvaldo Cruz; já havia erradicado a malária na cidade de Santos (1905); já havia concluído as pesquisas para debelar a tripanossomíase do Brasil (1909), a cujo agente deu o nome de Tripanosoma Cruzi, em homenagem a Osvaldo Cruz; já havia ganho vários títulos internacionais e chefiado a campanha contra a “gripe espanhola” (1918); e, no ano anterior à sua estada em Leopoldina, a Universidade de Hamburgo, lhe havia concedido uma medalha de ouro, sendo ainda Magister Honoris Causa das Universidades de Paris e Haward;
- Em 18/06/1927, assina o filósofo e professor, Dr. Lydio Machado Bandeira de Mello como Promotor de Justiça;
- É de 24/12/1928 as assinaturas do Dr. Pompílio Guimarães; Jehú Farias, da Gazeta de Leopoldina; e de Carlos Simões, do Diário Carioca;
- A 01/05/1929, são os vereadores de nossa Câmara Municipal que assinalam no Livro sua visita ao Hospital, a convite do grande médico, Dr. Custódio Junqueira: Vereadores, Artur G. Leão; Justiniano Antonio da Fonseca; Olivier Fajardo de Paiva Campos; Joaquim Machado de Almeida (Quinca Machado); Francisco de Andrade Bastos (Chico Bastos); e Carlos Coimbra da Luz. De certo não imaginavam, esses edis de 1929, que um deles chegaria ao Catete, quinze anos depois...
- No dia 03/10/1929, assinava o Livro da Casa de Caridade Leopoldinense o visitante ilustre, Francisco Campos (o lendário “Chico Ciência”), professor, ministro da justiça no Estado Novo, cuja Constituição elaborou, jurista emérito, reformador do Código Penal, autor do Código de Processo Civil, de inúmeros decretos-leis do Estado Novo, do Ato Institucional nº1, do regime militar de 64. Por ocasião da visita a Leopoldina era Secretário do Interior, de Minas;
- A 09/12/1928, visitou-nos, deixando impressão positiva do Hospital, o Diretor de Saúde Pública, Dr. Raul de Almeida Magalhães;
- A 20/08/1934, a C.C.L. recebia a visita do Governador, Benedito Valadares;
- É de 11/06/1936 a assinatura do visitante, Dr. Antonio Neder, advogado, nascido em Caiapó, ex-aluno do Colégio Leopoldinense, futuro Juiz, Ministro e Presidente do Supremo Tribunal Federal;
- Por esse tempo também por aqui estiveram, assinando o Livro de Visitas, os jornalistas: Mario Martins, “O radical” - depois deputado, senador, escritor; Rubem Braga, “Folha de Minas” – depois, escritor; Chagas Freitas, “Correio da Noite”, Rio, depois, dono de jornais e Governador do Estado do Rio de Janeiro; e Matta Machado, “O Diário”- Belo Horizonte;
- Em 24/10/1929 duas assinaturas ilustríssimas são lançadas, juntas, no Livro: Getúlio Vargas e Benedito Valadares;
- A 18/06/1944, assina o nacionalmente conhecido cancerologista Dr. Mario Kroeff;
- Finalmente, em 13/08/1948, assina nosso Livro de Visitas o Sr. Milton Campos, na época o Governador de Minas, depois deputado, senador e ministro da justiça do governo Castelo Branco, em 1964. Deste ministério, demitiu-se em 1965 recusando-se a assinar o ato de cassação do deputado Tenório Cavalcanti, porque dele – dizia - aceitara apoio em eleição anterior... Castelo não sabia: Milton era “reserva moral” do país!
São muitas, pois, as assinaturas no Livro de Visitas do Hospital - sendo uma dádiva para o observador decifrar-lhe rubricas, nomes e sobrenomes - mas nenhuma outra encerraria com maior dignidade a presente relação.
Nota*: Estamos seguramente informados, dentre outras pessoas, por descendentes do Sr. José Wenceslau de Arantes Junqueira e da Senhora Maria Botelho Junqueira (sogra do segundo prefeito de Leopoldina, Sr. Chico Bastos, e avó do médico Dr. Rodolfo Arantes Junqueira), que foi, exatamente, no imóvel de número 47 (quarenta e sete) da Rua Manoel Lobato (geminado ao de número 57), que teria sido instalada, em 09/08/1896, a Casa de Caridade Leopoldinense. O prédio original foi demolido e, no terreno de ambos, construída uma única casa que leva o n°57 e pertence, hoje, a Francisco Junqueira Barbosa de Miranda e suas irmãs, Déa Junqueira Barbosa, Maria José Junqueira Barbosa e Leonor Junqueira Barbosa.
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(Publicado na Gazeta de Leopoldina de 31.07.2002)
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Eloy é a melhor opção
***
Setembro, 1982
Conterrâneos,
Certamente Eloy Rodrigues Neto já é seu conhecido. Aqui educou-se e sempre viveu. Trabalhador incansável, chefe de família, esse autodidata talentoso é, hoje, bem mais que um simples nome na extensa lista de candidatos a Prefeito.
Ele é nossa única opção de dar à cidade uma administração nova, moderna, planejada, sem repetir experiências que já não deram certo.
Escolhendo Eloy você oferece a Leopoldina rigoroso controle do dinheiro público; fim dos favorecimentos pessoais; inteligência na defesa dos interesses municipais; um homem de espírito público com disposição para o trabalho.
Eloy é contador e funcionário municipal; vereador em diferentes legislaturas; ex-secretário da Câmara Municipal; fundador da A.P.P.L.; um dos diretores do Leopoldina Malha Clube.
Homem bom, acostumado a conquistar seus espaços à custa de muito suor e sacrifício. Eloy pede nosso apoio sem o constrangimento daqueles que são os tradicionais “amigos da época de eleição”.
A crônica econômica e a história da Zona da Mata, situa Leopoldina entre aquelas áreas ainda ressentidas do declínio do ciclo cafeeiro ocorrido no início do século. É urgente rompermos esse marasmo! Mas só o faremos com gente disposta a trabalhar. Jamais com homens acomodados nos louros de suas conquistas pessoais, inteiramente desinteressados do mínimo que falta a outros conquistar.
Na pouca substância e baixa qualidade de certos políticos, perdemos a hegemonia da região. Perdemos uma fábrica de tecidos que empregava mil operários, com cerca de cinco mil dependentes; perdemos empregos indiretos que a indústria gerava; tivemos o comércio esvaziado. Deixamos de sediar indústrias; ficamos todos, enfim, a pagar pela falta de competência e imaginação de nossos dirigentes.
Eloy, com uma equipe de colaboradores competentes, devolverá a Leopoldina seus ideais de grande cidade. Assume o COMPROMISSO DE HONRA de perseguir, em todos os minutos de sua administração, os seguintes objetivos:
1- Criar maiores oportunidades de trabalho para o povo, mobilizando estímulos à instalação de pequenas e médias empresas que transfiram às famílias leopoldinenses, pela via do emprego, benefícios fiscais e das linhas crédito bancários específicos;
2- Tratar, em regime de prioridade absoluta, os problemas ligados a ESTRADAS e às ESCOLAS MUNICIPAIS;
3- Obter do governo estadual solução junto ao B.D.M.G. para o vergonhoso problema da ex-Fábrica de Tecidos, hoje INTERTEX, ainda que essa solução reclame providências judiciais drásticas;
4- Instalar rede de esgotos e água nos bairros carentes como Quinta Residência, Bela Vista, Bandeirantes, Três Cruzes, Pinguda e outros, onde a falta de esgotos expõe a população ao risco do Tifo e da Xistossomose.
Este é o desafio que ELOY RODRIGUES NETO assume com firmeza inabalável de quem jamais fracassou. Metas para o trabalho de quem não quer a Prefeitura como prêmio, mas como contrato de prestação de serviços ao eleitor.
Um contrato que se pretende honrar sem o favor da segunda chance e sem a humilhação da “repetência”. Conterrâneo, fique com o mais capaz.
ELOY PARA PREFEITO!
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Publicada na FOLHA DE LEOPOLDINA, 1ª quinzena, setembro, 1982.
Setembro, 1982
Conterrâneos,
Certamente Eloy Rodrigues Neto já é seu conhecido. Aqui educou-se e sempre viveu. Trabalhador incansável, chefe de família, esse autodidata talentoso é, hoje, bem mais que um simples nome na extensa lista de candidatos a Prefeito.
Ele é nossa única opção de dar à cidade uma administração nova, moderna, planejada, sem repetir experiências que já não deram certo.
Escolhendo Eloy você oferece a Leopoldina rigoroso controle do dinheiro público; fim dos favorecimentos pessoais; inteligência na defesa dos interesses municipais; um homem de espírito público com disposição para o trabalho.
Eloy é contador e funcionário municipal; vereador em diferentes legislaturas; ex-secretário da Câmara Municipal; fundador da A.P.P.L.; um dos diretores do Leopoldina Malha Clube.
Homem bom, acostumado a conquistar seus espaços à custa de muito suor e sacrifício. Eloy pede nosso apoio sem o constrangimento daqueles que são os tradicionais “amigos da época de eleição”.
A crônica econômica e a história da Zona da Mata, situa Leopoldina entre aquelas áreas ainda ressentidas do declínio do ciclo cafeeiro ocorrido no início do século. É urgente rompermos esse marasmo! Mas só o faremos com gente disposta a trabalhar. Jamais com homens acomodados nos louros de suas conquistas pessoais, inteiramente desinteressados do mínimo que falta a outros conquistar.
Na pouca substância e baixa qualidade de certos políticos, perdemos a hegemonia da região. Perdemos uma fábrica de tecidos que empregava mil operários, com cerca de cinco mil dependentes; perdemos empregos indiretos que a indústria gerava; tivemos o comércio esvaziado. Deixamos de sediar indústrias; ficamos todos, enfim, a pagar pela falta de competência e imaginação de nossos dirigentes.
Eloy, com uma equipe de colaboradores competentes, devolverá a Leopoldina seus ideais de grande cidade. Assume o COMPROMISSO DE HONRA de perseguir, em todos os minutos de sua administração, os seguintes objetivos:
1- Criar maiores oportunidades de trabalho para o povo, mobilizando estímulos à instalação de pequenas e médias empresas que transfiram às famílias leopoldinenses, pela via do emprego, benefícios fiscais e das linhas crédito bancários específicos;
2- Tratar, em regime de prioridade absoluta, os problemas ligados a ESTRADAS e às ESCOLAS MUNICIPAIS;
3- Obter do governo estadual solução junto ao B.D.M.G. para o vergonhoso problema da ex-Fábrica de Tecidos, hoje INTERTEX, ainda que essa solução reclame providências judiciais drásticas;
4- Instalar rede de esgotos e água nos bairros carentes como Quinta Residência, Bela Vista, Bandeirantes, Três Cruzes, Pinguda e outros, onde a falta de esgotos expõe a população ao risco do Tifo e da Xistossomose.
Este é o desafio que ELOY RODRIGUES NETO assume com firmeza inabalável de quem jamais fracassou. Metas para o trabalho de quem não quer a Prefeitura como prêmio, mas como contrato de prestação de serviços ao eleitor.
Um contrato que se pretende honrar sem o favor da segunda chance e sem a humilhação da “repetência”. Conterrâneo, fique com o mais capaz.
ELOY PARA PREFEITO!
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Publicada na FOLHA DE LEOPOLDINA, 1ª quinzena, setembro, 1982.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Quando nasceu Leopoldina #
***
Em abril de 2002, ano do 148º natalício da emancipação da cidade, fizemos para a Gazeta de Leopoldina uma síntese do que anotaram os principais historiadores desta mui altiva Leopoldina, nascida São Sebastião do Feijão Cru, arraial brotado à beira de um caminho nos magros tempos em que a Minas liberaram o mar.
Nossa gênese municipal tem início duas décadas antes da chegada da Corte Portuguesa ao Brasil (1808), na saga heróica dos primeiros desbravadores destes “Sertões do Leste”, nas trilhas pingentes que o dianteiro abriu nas serras, nos rastros que imprimiu nos charcos, na esperança com que subjugou as charnecas.
São elos que se vão encontrando em trabalhos importantes de pesquisa e coleta de historiadores como Oíliam José (Marlière, o Civilizador; Historiografia Mineira, O Negro na Economia Mineira, etc); Nilza Cantoni (Documentos e arquivos virtuais); Mauro de Almeida Pereira (Os Almeidas, os Britos e os Netos de Leopoldina); Francisco de Paula Ferreira de Rezende (Minhas Recordações); Paulo Mercadante (Os Sertões do Leste – Áreas Proibidas); José Luiz M. Rodrigues (Machado Rodrigues - Fazenda Puris, Leopoldina e Maripá de Minas e Região); Celso Fallabela (Os Sertões do Leste – Achegas paa a história da Zona da Mata); Barroso Júnior (História de Leopoldina); Frederico de Barros Brotero (Família Monteiro de Barros) e tantos outros.
A presença de homens livres nos sertões da Zona Proibida (Zona da Mata Mineira), tem início oficial em 14.01.1784, quando o Comandante do 1º Regimento do Rio das Mortes, Cel. Manoel Rodrigues da Costa, escreve ao Governador da Província, Cunha Meneses, sugerindo diligências para explorar os “Sertões do Leste”. Na sugestão de diligências o pressuposto de que a área já seria objeto de apossamento ilegal por aventureiros. A vedação ao povoamento das Áreas Proibidas, com o que a Administração buscava resguardar a Coroa de prejuízos ao erário no contrabando de ouro por rotas alternativas à capitania do Rio de Janeiro, saíra de controle.
Autorização dada, Manoel Rodrigues da Costa volta a escrever a Cunha Meneses comunicando ter incorporado à tropa o Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o “Tiradentes”, no dia 21 de abril (!) daquele ano (Neste dia e mês, oito anos depois, Tiradentes seria enforcado, no Rio).
Sob comando do Sargento Mor, Pedro Afonso Galvão de São Martinho, partindo da Borda do Campo, que a partir de 14.08.1791 passaria a denominar-se Vila de Barbacena, embrenharam-se na mata e, em quatro semanas, Galvão, anota ter alcançado o Pomba. A 05.06.1784, chega ao Porto do Cunha, confluência do Riacho Aventureiro com o Rio Paraíba.
Eis a partir de quando, sobre a “Mata” oficialmente desvirginada, avançariam posseiros e sesmeiros (ganhadores de Sesmarias), obrigando nossos “primeiros habitantes”, os índios Coroados, Coropós e Puris, a ceder-lhes espaço. Vieram eles somar-se aos ilegítimos que por aqui já se encontravam, fosse pelas trilhas e picadas do tráfico de ouro em direção ao mar, fosse pela exploração ilegal das terras.
Em 1791, quando a Freguesia de N. Srª. da Borda do Campo é guindada a Vila, com denominação de Barbacena, a região selvática do atual município de Leopoldina estava incluída naquele Termo.
Depois, em data não confirmada, o povoado do Feijão Cru, passou à circunscrição da Vila de São Manoel do Pomba, hoje Rio Pomba (Seguramente, após 13/10/1831 data do Decreto Regencial que elevou o Pomba à categoria de Vila).
No dia 10/9/1851, quando a Lei Provincial nº514 promoveu o Arraial do Cágado a Vila de Mar de Espanha, incluiu nela o nosso Distrito. Circunscritos a Mar de Espanha ficaríamos menos de três anos. Logo, a 27 de abril de 1854, pela Lei Provincial nº666, fomos nós, São Sebastião do Feijão Cru, que nos tornamos Vila, com denominação de Leopoldina. A Vila foi elevada a Cidade, sete anos depois (16/10/1861), na Lei Provincial nº1116.
O povoamento do espaço onde se desenvolveu a urbe leopoldinense manifesta-se, por volta de 1828, quando já estariam estabelecidos na região do Feijão Cru, da Serra dos Puris ou dos Monos, os irmãos, posseiros ou sesmeiros, Manoel José da Fonseca e Bernardo José da Fonseca. No local hoje conhecido como São Lourenço (Arraial), Manoel teria fundado sua Fazenda das Moças. Bernardo José fixou seus domínios em sede – no dizer de Barroso Júnior, “aos pés da majestosa muralha granítica, contraforte ciclópico da Serra dos Puris”, i.é., sob a Pedra do Cruzeiro, dando-lhe o nome de Fazenda da Grama, porque a várzea fronteiriça, cortada pelo riacho Feijão Cru, era gramada.
Mas outros pioneiros se moviam a caminho. Francisco de Paula Ferreira Resende, registra que as primeiras famílias de Leopoldina, os Almeidas, os Britos e os Netos, aqui chegaram no dia 30.09.1829, vindos de Sta. Rita do Ibitipoca, Conceição e Bom Jardim, numa viagem que durou 30 dias. O chefe da comitiva foi o Comendador Manoel Antonio de Almeida.
Ao chegar, Manoel Antonio adquiriu de um posseiro chamado Felipe, 848 alqueires de terra no “Feijão Cru Pequeno”, riacho que vai do atual distrito de Tebas à confluência do Feijão Cru com o Rio Pomba, nas proximidades de Cataguases. Trouxe consigo, o Comendador, muitos amigos, serviçais e alguns parentes, dentre os quais o Tenente Joaquim Ferreira Brito.
Nilza Cantoni anota indícios da extrema dificuldade em que viviam as famílias mineiras naquela quadra da história, para compreender-lhes “a decisão de enfrentar a mata com todos os seus perigos”. Diz Nilza: Aparentemente, qualquer coisa seria melhor do que deixar-se levar pela degeneração que atingia fazendas e fazendeiros, faiscadores ou comerciantes. Jovens solteiros empregavam-se, com alguma freqüência, em tropas que demandavam o interior das Gerais, no comércio de gêneros de subsistência. Chefes de família também o faziam, muitas vezes, por verem, na tropa, o único trabalho que garantiria o sustento de sua prole miúda. E quando um parente distante os vinha visitar, propagando maravilhas das terras que estavam à venda, nas “áreas proibidas”, muitos fazendeiros incorporavam-se em alguma tropa que fosse trilhar aquelas paragens.
E prossegue: Parece-nos que foi essa a trajetória de um dos povoadores de Leopoldina. Até onde nos foi possível apurar, em 1826 ou 27, o “Comendador” Manoel Antônio de Almeida acompanhou uma tropa, que pode ter sido de seu sobrinho Manoel Thomaz Pereira de Almeida, através da hoje conhecida Zona da Mata Mineira. E, nas margens do Feijão Cru, adquiriu as terras onde formou a “Fazenda do Feijão Cru Pequeno”.
Em setembro de 1828, Manoel Antônio de Almeida levou a família para a nova morada. Parece-nos que, em viagem, teria passado pelo atual município de Astolfo Dutra, onde ficou um de seus filhos.
Manoel Antonio de Almeida não era um desbravador insensível. Consta que aos escravos deu alforria plena, 17 anos antes da “abolição”, doando a onze deles 25 alqueires das terras que possuía.
É, ainda, a genealogista e historiadora, Nilza Cantoni, a ressalvar que as datas de chegada desses fundadores nem sempre são exatas, pela precariedade dos registros. No caso acima, por exemplo, Nilza tem evidências de que Manoel Antonio de Almeida, nascido aos 19.08.1782, em Sta. Rita do Ibitipoca, patriarca dos Almeidas de Leopoldina, por aqui já estivera de passagem no ano de 1825.
Em 1831, a construção de uma Capela dá ares citadinos ao povoado que se insinuava às margens do Riacho Feijão Cru, onde hoje está o Largo do Rosário. Joaquim Ferreira Brito, senhor da Fazenda Cachoeira, localizada “na saída para a Meia Pataca” (agora Cataguases), vindo de Sta. Rita do Ibitipoca na comitiva do Comendador Almeida, como dito acima, decidiu erguer, naquele ano, uma igrejinha sobre o morro, depois chamado “Morro da Matriz”.
O terreno, pertencente à Fazenda Desengano, foi doado, em 30.01.1831, pelo proprietário, genro de Joaquim, Francisco Pinheiro Corrêa de Lacerda. Construção extremamente simples, paredes de pau-a-pique e cobertura com bicas de palmito, foi edificada pelo carapina Benedito, historicamente referido como um “crioulo do Turvo” (possivelmente de um lugarejo com este nome, nas proximidades de Bom Jardim), profissional habilidoso, que já havia construído para Bernardo, na Fazenda da Grama, um moinho movido a água represada do Feijão Cru.
É injusto que a história não tenha anotado mais dados sobre o carpinteiro Benedito do Turvo, a cujas mãos hábeis uma cidade ficaria devendo sua edificação pública seminal.
No que informa Barroso Júnior, Francisco pensou consagrar a Capela ao culto de Santa Rita, padroeira de Ibitipoca, mas prevaleceu sugestão de Bernardo José da Fonseca em favor de São Sebastião, protetor contra a peste, porque o cólera já havia matado um escravo de Antonio Gomes Rodrigues, na Fazenda Córrego do Bagre, e uns índios Puris, para o lado da Meia Pataca.
Igreja demanda sacerdote e, curiosamente, o primeiro a chegar por aqui, Padre Manoel Antonio Brandão, também influiu na implantação do vilarejo. Natural do Sumidouro de Mariana, Padre Manoel, para cá se transferiu por empenho do Dr. Antonio José Monteiro de Barros, dono da Fazenda Paraíso, cujo tio, Dr. Marcos, era padre e Senador do Império.
Em visita à Fazenda Cachoeira, Pe. Manoel convenceu o abastado sesmeiro, Joaquim Ferreira Brito, a doar ao Padroeiro, para as primeiras casas do lugarejo, “todo o vale ao pé da Capela de São Sebastião”. Joaquim, que já fizera uma primeira doação em 01.06.1831, atendeu ao pedido do persuasivo religioso com nova doação aos 30.11.1831, cedendo ainda um “trato de terra” para o cura edificar sua casa. Está-se falando, possivelmente, de toda a baixada que vai das imediações da sede da Prefeitura até a região do Largo do Rosário.
Ao construir a “Matriz” de São Sebastião, pode-se dizer que Joaquim Ferreira Brito tornou-se o fundador de Leopoldina. É certo também que, a partir das doações de terras por ele feitas, no plano do Rosário, pôde a Vila florescer num “aglomerado irregular de edificações rústicas, quando a Província de Minas Gerais era presidida por Manoel Inácio de Melo Souza, o Barão do Pontal” – como também atesta Barroso Júnior.
Naturalmente, depois dos pioneiros eminentes, entrariam em cenas homens ilustres de nossa história municipal. Antonio José Monteiro de Barros, proprietário da Fazenda Paraíso, oriundo de Congonhas do Campo, descendente do Barão de Paraopeba, aristocrata de colenda estirpe, sobrinho de Senador do Império, advogado que em 1832 já fora Ouvidor Geral de Ouro Preto, trabalhou de forma decisiva pela edição da Lei Provincial nº666, de 27 de abril de 1854, que elevou-nos a Freguesia e, ao mesmo tempo, a Vila.
Teria sido ele nosso primeiríssimo Vereador, como representante do então Distrito na Câmara da Vila de São Manoel do Pomba - muito embora a historiadora Nilza Cantoni não tenha encontrado prova documental de sua atuação na Câmara do Pomba. Elegeu-se, depois, por várias legislaturas, deputado à Assembléia de Minas.
Aliás, quando pela primeira vez Antonio José se elegeu Deputado, seu Suplente de Vereador quase leva o Arraial do Feijão Cru a participar de uma guerra civil. Conta-nos Barroso Júnior que, em 1842, o capitão João Gualberto Ferreira Brito (o Suplente), filho destemido do fundador Joaquim, liderava os Conservadores locais. Eclodida a Revolução Liberal ocupou-se ele de aliciar voluntários para combater os Liberais, acantonados em São João del Rei.
Fardou filhos, genros e, “à frente de 600 homens concentrados e instruídos na sua Fazenda Fortaleza”, marchou para o combate ao encalço dos insurretos do Barão de Cocais, entrincheirados em Sta. Luzia. Por sorte, não houve luta. Ainda em trânsito sobre a ponte do Rio Paraibuna a tropa recebeu notícia da rendição do inimigo ao Barão de Caxias.
Este episódio singular da história leopoldinense, talvez contenha uma imprecisão. Nilza Cantoni, com um incontrovesso “Mapa de Habitantes” à mão, demonstra que seria aritmeticamente impossível recrutar 600 homens, em idade de combate, naquele São Sebastião do Feijão Cru do ano de 1842.
Talvez fossem 60.
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(Publicado na Gazeta de Leopoldina de abril de 2002)
Em abril de 2002, ano do 148º natalício da emancipação da cidade, fizemos para a Gazeta de Leopoldina uma síntese do que anotaram os principais historiadores desta mui altiva Leopoldina, nascida São Sebastião do Feijão Cru, arraial brotado à beira de um caminho nos magros tempos em que a Minas liberaram o mar.
Nossa gênese municipal tem início duas décadas antes da chegada da Corte Portuguesa ao Brasil (1808), na saga heróica dos primeiros desbravadores destes “Sertões do Leste”, nas trilhas pingentes que o dianteiro abriu nas serras, nos rastros que imprimiu nos charcos, na esperança com que subjugou as charnecas.
São elos que se vão encontrando em trabalhos importantes de pesquisa e coleta de historiadores como Oíliam José (Marlière, o Civilizador; Historiografia Mineira, O Negro na Economia Mineira, etc); Nilza Cantoni (Documentos e arquivos virtuais); Mauro de Almeida Pereira (Os Almeidas, os Britos e os Netos de Leopoldina); Francisco de Paula Ferreira de Rezende (Minhas Recordações); Paulo Mercadante (Os Sertões do Leste – Áreas Proibidas); José Luiz M. Rodrigues (Machado Rodrigues - Fazenda Puris, Leopoldina e Maripá de Minas e Região); Celso Fallabela (Os Sertões do Leste – Achegas paa a história da Zona da Mata); Barroso Júnior (História de Leopoldina); Frederico de Barros Brotero (Família Monteiro de Barros) e tantos outros.
A presença de homens livres nos sertões da Zona Proibida (Zona da Mata Mineira), tem início oficial em 14.01.1784, quando o Comandante do 1º Regimento do Rio das Mortes, Cel. Manoel Rodrigues da Costa, escreve ao Governador da Província, Cunha Meneses, sugerindo diligências para explorar os “Sertões do Leste”. Na sugestão de diligências o pressuposto de que a área já seria objeto de apossamento ilegal por aventureiros. A vedação ao povoamento das Áreas Proibidas, com o que a Administração buscava resguardar a Coroa de prejuízos ao erário no contrabando de ouro por rotas alternativas à capitania do Rio de Janeiro, saíra de controle.
Autorização dada, Manoel Rodrigues da Costa volta a escrever a Cunha Meneses comunicando ter incorporado à tropa o Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o “Tiradentes”, no dia 21 de abril (!) daquele ano (Neste dia e mês, oito anos depois, Tiradentes seria enforcado, no Rio).
Sob comando do Sargento Mor, Pedro Afonso Galvão de São Martinho, partindo da Borda do Campo, que a partir de 14.08.1791 passaria a denominar-se Vila de Barbacena, embrenharam-se na mata e, em quatro semanas, Galvão, anota ter alcançado o Pomba. A 05.06.1784, chega ao Porto do Cunha, confluência do Riacho Aventureiro com o Rio Paraíba.
Eis a partir de quando, sobre a “Mata” oficialmente desvirginada, avançariam posseiros e sesmeiros (ganhadores de Sesmarias), obrigando nossos “primeiros habitantes”, os índios Coroados, Coropós e Puris, a ceder-lhes espaço. Vieram eles somar-se aos ilegítimos que por aqui já se encontravam, fosse pelas trilhas e picadas do tráfico de ouro em direção ao mar, fosse pela exploração ilegal das terras.
Em 1791, quando a Freguesia de N. Srª. da Borda do Campo é guindada a Vila, com denominação de Barbacena, a região selvática do atual município de Leopoldina estava incluída naquele Termo.
Depois, em data não confirmada, o povoado do Feijão Cru, passou à circunscrição da Vila de São Manoel do Pomba, hoje Rio Pomba (Seguramente, após 13/10/1831 data do Decreto Regencial que elevou o Pomba à categoria de Vila).
No dia 10/9/1851, quando a Lei Provincial nº514 promoveu o Arraial do Cágado a Vila de Mar de Espanha, incluiu nela o nosso Distrito. Circunscritos a Mar de Espanha ficaríamos menos de três anos. Logo, a 27 de abril de 1854, pela Lei Provincial nº666, fomos nós, São Sebastião do Feijão Cru, que nos tornamos Vila, com denominação de Leopoldina. A Vila foi elevada a Cidade, sete anos depois (16/10/1861), na Lei Provincial nº1116.
O povoamento do espaço onde se desenvolveu a urbe leopoldinense manifesta-se, por volta de 1828, quando já estariam estabelecidos na região do Feijão Cru, da Serra dos Puris ou dos Monos, os irmãos, posseiros ou sesmeiros, Manoel José da Fonseca e Bernardo José da Fonseca. No local hoje conhecido como São Lourenço (Arraial), Manoel teria fundado sua Fazenda das Moças. Bernardo José fixou seus domínios em sede – no dizer de Barroso Júnior, “aos pés da majestosa muralha granítica, contraforte ciclópico da Serra dos Puris”, i.é., sob a Pedra do Cruzeiro, dando-lhe o nome de Fazenda da Grama, porque a várzea fronteiriça, cortada pelo riacho Feijão Cru, era gramada.
Mas outros pioneiros se moviam a caminho. Francisco de Paula Ferreira Resende, registra que as primeiras famílias de Leopoldina, os Almeidas, os Britos e os Netos, aqui chegaram no dia 30.09.1829, vindos de Sta. Rita do Ibitipoca, Conceição e Bom Jardim, numa viagem que durou 30 dias. O chefe da comitiva foi o Comendador Manoel Antonio de Almeida.
Ao chegar, Manoel Antonio adquiriu de um posseiro chamado Felipe, 848 alqueires de terra no “Feijão Cru Pequeno”, riacho que vai do atual distrito de Tebas à confluência do Feijão Cru com o Rio Pomba, nas proximidades de Cataguases. Trouxe consigo, o Comendador, muitos amigos, serviçais e alguns parentes, dentre os quais o Tenente Joaquim Ferreira Brito.
Nilza Cantoni anota indícios da extrema dificuldade em que viviam as famílias mineiras naquela quadra da história, para compreender-lhes “a decisão de enfrentar a mata com todos os seus perigos”. Diz Nilza: Aparentemente, qualquer coisa seria melhor do que deixar-se levar pela degeneração que atingia fazendas e fazendeiros, faiscadores ou comerciantes. Jovens solteiros empregavam-se, com alguma freqüência, em tropas que demandavam o interior das Gerais, no comércio de gêneros de subsistência. Chefes de família também o faziam, muitas vezes, por verem, na tropa, o único trabalho que garantiria o sustento de sua prole miúda. E quando um parente distante os vinha visitar, propagando maravilhas das terras que estavam à venda, nas “áreas proibidas”, muitos fazendeiros incorporavam-se em alguma tropa que fosse trilhar aquelas paragens.
E prossegue: Parece-nos que foi essa a trajetória de um dos povoadores de Leopoldina. Até onde nos foi possível apurar, em 1826 ou 27, o “Comendador” Manoel Antônio de Almeida acompanhou uma tropa, que pode ter sido de seu sobrinho Manoel Thomaz Pereira de Almeida, através da hoje conhecida Zona da Mata Mineira. E, nas margens do Feijão Cru, adquiriu as terras onde formou a “Fazenda do Feijão Cru Pequeno”.
Em setembro de 1828, Manoel Antônio de Almeida levou a família para a nova morada. Parece-nos que, em viagem, teria passado pelo atual município de Astolfo Dutra, onde ficou um de seus filhos.
Manoel Antonio de Almeida não era um desbravador insensível. Consta que aos escravos deu alforria plena, 17 anos antes da “abolição”, doando a onze deles 25 alqueires das terras que possuía.
É, ainda, a genealogista e historiadora, Nilza Cantoni, a ressalvar que as datas de chegada desses fundadores nem sempre são exatas, pela precariedade dos registros. No caso acima, por exemplo, Nilza tem evidências de que Manoel Antonio de Almeida, nascido aos 19.08.1782, em Sta. Rita do Ibitipoca, patriarca dos Almeidas de Leopoldina, por aqui já estivera de passagem no ano de 1825.
Em 1831, a construção de uma Capela dá ares citadinos ao povoado que se insinuava às margens do Riacho Feijão Cru, onde hoje está o Largo do Rosário. Joaquim Ferreira Brito, senhor da Fazenda Cachoeira, localizada “na saída para a Meia Pataca” (agora Cataguases), vindo de Sta. Rita do Ibitipoca na comitiva do Comendador Almeida, como dito acima, decidiu erguer, naquele ano, uma igrejinha sobre o morro, depois chamado “Morro da Matriz”.
O terreno, pertencente à Fazenda Desengano, foi doado, em 30.01.1831, pelo proprietário, genro de Joaquim, Francisco Pinheiro Corrêa de Lacerda. Construção extremamente simples, paredes de pau-a-pique e cobertura com bicas de palmito, foi edificada pelo carapina Benedito, historicamente referido como um “crioulo do Turvo” (possivelmente de um lugarejo com este nome, nas proximidades de Bom Jardim), profissional habilidoso, que já havia construído para Bernardo, na Fazenda da Grama, um moinho movido a água represada do Feijão Cru.
É injusto que a história não tenha anotado mais dados sobre o carpinteiro Benedito do Turvo, a cujas mãos hábeis uma cidade ficaria devendo sua edificação pública seminal.
No que informa Barroso Júnior, Francisco pensou consagrar a Capela ao culto de Santa Rita, padroeira de Ibitipoca, mas prevaleceu sugestão de Bernardo José da Fonseca em favor de São Sebastião, protetor contra a peste, porque o cólera já havia matado um escravo de Antonio Gomes Rodrigues, na Fazenda Córrego do Bagre, e uns índios Puris, para o lado da Meia Pataca.
Igreja demanda sacerdote e, curiosamente, o primeiro a chegar por aqui, Padre Manoel Antonio Brandão, também influiu na implantação do vilarejo. Natural do Sumidouro de Mariana, Padre Manoel, para cá se transferiu por empenho do Dr. Antonio José Monteiro de Barros, dono da Fazenda Paraíso, cujo tio, Dr. Marcos, era padre e Senador do Império.
Em visita à Fazenda Cachoeira, Pe. Manoel convenceu o abastado sesmeiro, Joaquim Ferreira Brito, a doar ao Padroeiro, para as primeiras casas do lugarejo, “todo o vale ao pé da Capela de São Sebastião”. Joaquim, que já fizera uma primeira doação em 01.06.1831, atendeu ao pedido do persuasivo religioso com nova doação aos 30.11.1831, cedendo ainda um “trato de terra” para o cura edificar sua casa. Está-se falando, possivelmente, de toda a baixada que vai das imediações da sede da Prefeitura até a região do Largo do Rosário.
Ao construir a “Matriz” de São Sebastião, pode-se dizer que Joaquim Ferreira Brito tornou-se o fundador de Leopoldina. É certo também que, a partir das doações de terras por ele feitas, no plano do Rosário, pôde a Vila florescer num “aglomerado irregular de edificações rústicas, quando a Província de Minas Gerais era presidida por Manoel Inácio de Melo Souza, o Barão do Pontal” – como também atesta Barroso Júnior.
Naturalmente, depois dos pioneiros eminentes, entrariam em cenas homens ilustres de nossa história municipal. Antonio José Monteiro de Barros, proprietário da Fazenda Paraíso, oriundo de Congonhas do Campo, descendente do Barão de Paraopeba, aristocrata de colenda estirpe, sobrinho de Senador do Império, advogado que em 1832 já fora Ouvidor Geral de Ouro Preto, trabalhou de forma decisiva pela edição da Lei Provincial nº666, de 27 de abril de 1854, que elevou-nos a Freguesia e, ao mesmo tempo, a Vila.
Teria sido ele nosso primeiríssimo Vereador, como representante do então Distrito na Câmara da Vila de São Manoel do Pomba - muito embora a historiadora Nilza Cantoni não tenha encontrado prova documental de sua atuação na Câmara do Pomba. Elegeu-se, depois, por várias legislaturas, deputado à Assembléia de Minas.
Aliás, quando pela primeira vez Antonio José se elegeu Deputado, seu Suplente de Vereador quase leva o Arraial do Feijão Cru a participar de uma guerra civil. Conta-nos Barroso Júnior que, em 1842, o capitão João Gualberto Ferreira Brito (o Suplente), filho destemido do fundador Joaquim, liderava os Conservadores locais. Eclodida a Revolução Liberal ocupou-se ele de aliciar voluntários para combater os Liberais, acantonados em São João del Rei.
Fardou filhos, genros e, “à frente de 600 homens concentrados e instruídos na sua Fazenda Fortaleza”, marchou para o combate ao encalço dos insurretos do Barão de Cocais, entrincheirados em Sta. Luzia. Por sorte, não houve luta. Ainda em trânsito sobre a ponte do Rio Paraibuna a tropa recebeu notícia da rendição do inimigo ao Barão de Caxias.
Este episódio singular da história leopoldinense, talvez contenha uma imprecisão. Nilza Cantoni, com um incontrovesso “Mapa de Habitantes” à mão, demonstra que seria aritmeticamente impossível recrutar 600 homens, em idade de combate, naquele São Sebastião do Feijão Cru do ano de 1842.
Talvez fossem 60.
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(Publicado na Gazeta de Leopoldina de abril de 2002)
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Notas para a Gazeta de Leopoldina

Foto: Rua Ribeiro Junqueira, vendo-se o Hospital ao fundo, no alto.
(Publicado na Gazeta de Leopoldina de 31.08.2002)
HOSPITAL – As últimas semanas foram quentes, com celeumas envolvendo a Casa de Caridade Leopoldinense. Para causar um certo impacto na sociedade, que levasse as pessoas a ajudar o Hospital em sua crônica carência de recursos, o Provedor José Valverde Alves, há 8 meses no cargo, chamou Clubes de Serviços e pessoas para socorrerem o Hospital e levou as contas do PS ao Ministério Público, ameaçando fechá-lo se a municipalidade continuar omissa, segundo entende o Provedor, em suas obrigação de arcar com as despesas de manutenção do Pronto Socorro, que é municipal.
PROBLEMA É ANTIGO E GERAL- Em todo o país os Hospitais Filantrópicos trabalham no vermelho porque desaba em cima deles a conta da Saúde Pública nacional. A constituição de 1988, ao estabelecer que todo brasileiro tem direito à saúde, omitiu-se simplesmente quanto à indizível massa de recursos que a proposta demandava. Como não somos a Suécia, o SUS foi concebido com tabelas e limites que não indenizam os custos da maioria dos tratamentos. E é aí que os Hospitais conveniados se arrebentam.
PREFEITURA TEM QUE LEVAR EMBORA SEU PRONTO SOCORRO – O início de qualquer medida saneadora do Hospital há de começar por livrá-lo imediatamente do Pronto Socorro Municipal. Havia um Convênio através do qual o Hospital mantinha o PS para a Prefeitura. Acabou, estávencido, está denunciado. Mas a Prefeitura insiste em não tomar o PS de volta e em não firmar novo Convênio que a obrigue a arcar com os prejuízos do Pronto Socorro. É mais cômodo deixar que o Hospital se arrebente. Só o Ministério Público, só a Justiça poderá, agora, salvar o interesse público dos leopoldinenses humildes, mantendo vivo o Hospital e OBRIGANDO A PREFEITURA A ASSUMIR SEU PRONTO SOCORRO. A Casa de Caridade tem como adaptar seus procedimentos internos aos limites orçamentários do SUS, e sobreviver, mas não tem como fazer isto com relação ao Pronto Socorro, cuja demanda por socorro gratuito é ilimitada, sendo por isso mesmo obrigação legal da Municipalidade e não de uma Instituição Privada.
É PRECISO BOA-FÉ – Leopoldina precisa que todos entendam a necessidade de preservar este Hospital, que é o único que temos. De preferência com o apoio e o envolvimento das autoridades locais que são, pela lei, os gestores da saúde no município. Jamais se repetindo o triste espetáculo de vermos autoridade política assumir os microfones das duas emissoras locais para fazer discurso de palanque, politizando o que não é para politizar, iludindo a boa-fé da população ao procurar demonstrar, insistentemente, que “todos os problemas do Hospital” se resumiriam à conta de um telefone celular usado pelo Administrador Hospitalar, Sr. Antonio Carlos.
O TAL CELULAR – Por tratar-se de assunto sensível a canalhices, a conta do tal celular sempre foi objeto de consenso nas reuniões do Conselheiros do Hospital. Mas saiba, você leitor, porque é necessário que o Administrador do Hospital tenha um celular. Vejam: Como qualquer trabalhador, o Administrador é um celetista (CLT) obrigado, pela lei, a TRABALHAR APENAS 8 horas... Só que o Hospital fica aberto durante as 24 horas, jamais fecha. Como resolver? -Contratando três Administradores? Claro que não, ficaria muito caro e, o comando, inteiramente disperso. Mais econômico e mais coerente é assinar a carteira de APENAS UM ADMINISTRADOR, entregando-lhe um celular que o mantenha todo o tempo disponível para as urgências eventuais no socorro aos doentes.
QUAIS URGÊNCIAS? – Dezenas delas. Esta coluna anotou as principais para os leitores deduzirem outras. A qualquer hora, do dia ou da noite, o atendimento hospitalar é feito por médicos e enfermeiras, DE PLANTÃO. Só os plantões médicos são 42 plantões, portanto 42 plantonistas, semanais, no CTI, no PRONTO SOCORRO e na MATERNIDADE. Também enfermeiras e auxiliares de enfermagem, trabalham sob regime de plantões. Imagine você: somando médicos e enfermeiras são mais de 100 profissionais... É natural que essas pessoas muitas vezes FALTEM AO SERVIÇO, se atrasem, não se sintam bem e tenham que ir embora, etc.
-Qual Chefe tem que sair em campo, imediatamente, para encontrar substituto para um desses plantonistas ausentes, seja a que hora do dia, da noite ou da madrugada for? Resposta: O Administrador. Mas, das 24 horas do dia, apenas durante 8 horas ele está no Hospital.
- Qual a maneira mais segura de encontrá-lo nas outras 16 horas? Não seria através de um celular, o qual ele tenha compromisso de MANTER LIGADO?
TEM MAIS – Chega ao Hospital doente gravíssimo ou acidentado necessitando transporte urgente para Juiz de Fora. Traumatismo craniano (Não atendido em 4 horas, morre).
O transporte de doentes é obrigação da Prefeitura. Mas, na prática cotidiana, quem é chamado às pressas para “inventar” uma ambulância que não esteja quebrada (as da Prefeitura sempre estiveram, só agora melhorou), localizar um motorista e viabilizar imediata remoção, a qualquer hora do dia, da noite ou da madrugada? De novo, só existirá uma pessoa: o Administrador, com seu celular salvador de vidas.
MAS CONTINUE PENSANDO - Deu pane no oxigênio às três da manhã; o respirador de um leito do CTI enguiçou e os outros estão ocupados; ventou forte e destelhou a enfermaria da parte antiga; no PS um “abdome agudo” ou um esfaqueado precisa cirurgião urgente, que a telefonista não localiza... – Quem interrompe o sono e parte para procurar médico operador nas cidades vizinhas? Ele, o Administrador!
Gente, o prefeito-médico que conhece o problema como a palma de sua mão, e vai para uma emissora de rádio fingir que desconhece, está descompromissado com a verdade.
UMA OPINIÃO BEM FUNDAMENTADA – Em alguns artigos publicados nesta Gazeta o Provedor anterior, José do Carmo Rodrigues, que redige estas notas, sempre deixou claro que o Hospital é deficitário. Acumula todos os meses um saldo negativo de cerca de R$22.000,00. Logo, é nesta proporção que a dívida da CCL aumenta inapelavelmente. Por isto o Hospital não consegue sobreviver sem ajuda da sociedade, através de leilões, doações, rifas, etc.
Do contrário vem a pressão irresistível de fornecedores, corte nos fornecimentos, falta de remédio, filmes, soro, oxigênio... Sobretudo, entende o ex-Provedor, que é preciso dinamizar o Plano Sócio Contribuinte, pois foi esse Plano que permitiu ao Hospital chegar, em dezembro de 2001, ao limite de 34% de internações particulares e de convênios, conforme balancete nesta Gazeta em número de Janeiro/2002.
OS RODRIGUES – A coluna registra o encontro da família Rodrigues, a 27 de julho último, no Sítio Puris. Foi a 8ª Reunião tri-anual dos descendentes de Antonio Augusto Rodrigues (Totônio Rodrigues), falecido em 1941, e sua esposa, Maria Antônia de Oliveira Rodrigues, a que compareceram mais de 200 pessoas, procedentes de diversos Estados da Federação. Uma bela festa de congraçamento familiar que teve início às 8 horas do Sábado, 27, com Missa celebrada na Capelinha de Santo Antonio da Onça pelo padre Pedro, do Rosário, prolongando-se até a manhã do domingo, com atrações as mais diversas para adultos e crianças. Aos sete ramos da família, os “Machado Rodrigues”, os “Godinho Rodrigues”, os “Rodrigues Netto”, os “Rodrigues Monteiro”, os “Rodrigues Machado”, os “Oliveira Rodrigues” e os “Rodrigues Lima”, voltem sempre.
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sábado, 24 de outubro de 2009
Colégio Leopoldinense #

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Maio, 2006
A mais famosa instituição de ensino de Leopoldina e, por muitos anos, das mais importantes do Estado de Minas Gerais, o Gymnasio Leopoldinense foi fundada em 3 de junho de 1906 pelos irmãos, José Monteiro Ribeiro Junqueira, advogado e político, e Custódio Ribeiro Junqueira, médico.
Como consta do livro Lições e Recordações, do Professor Oíliam José, pág. 42, Ed. do Autor, 2002, Belo Horizonte, MG, o Colégio Leopoldinense “não se tornou conhecido e procurado sem motivos dignos de louvor, ministrava aplaudido ensino e mantinha louvado internato. (...) Preparou os melhores alunos para o exercício das mais variadas funções e profissões, como continua fazendo. Basta salientar que teve em Milton Soares Campos e Antonio Pedro Braga alguns de seus alunos. Todos esses fecundos resultados decorreram e decorrem dos dedicados Diretores que teve e do Corpo Docente, que sabia cuidadosamente formar”.
Realmente, ao longo dos muitos anos de sua existência - como Colégio de vocação regional até o fim dos anos 50, mercê do grande internato que possuía, recebendo alunos de toda a Zona da Mata Mineira, do Vale do Rio Doce, Campo das Vertentes, Vale do Jequitinhonha, municípios do norte do Estado do Rio e de recantos os mais distantes - passaram pelo Colégio Leopoldinense alunos que se tornaram figuras importantes da vida pública nacional, tais como Ministros de Estado, Ministros de Tribunais Superiores, Desembargadores, Juízes, Escritores, Artistas Plásticos, Profissionais Liberais os mais diversos, Empresários, Comerciantes, Políticos, etc. Em razão disto, uma divisa bastante imodesta, mas não de todo exagerada, dizia: “Em qualquer parte do Brasil existe alguém que se formou no Colégio Leopoldinense”.
Mário de Freitas, em seu livro Leopoldina do Meu Tempo, pag. 47, ao mesmo tempo em que fala da comoção, na cidade, pelo falecimento, a 7 de fevereiro de 1926, do ilustre Diretor do Ginásio, José Ribeiro dos Reis, relaciona os professores que aqui encontrou naquele ano de sua chegada a Leopoldina. Mestres que marcaram época, cujos nomes a história registrou: Carlindo de Alvarenga Mayrinck, Henrique Barbosa da Cruz, Jesus Ferreira Varella, Oswaldo Christróvam Vieira, Militino Rosa, José do Patrocínio Pontes, Desembargador Custódio Lustosa, Gustavo Monteiro de Castro, Joaquim de Souza Guedes Machado, Felix Malburg, Antonio de Oliveira Guimarães, Antenor Machado (o Machadinho), Júlio Ferreira Caboclo, Antonia Monteiro Junqueira.
Aliás, sobre o Machadinho, Mario de Freitas o descreve como “cientista de renome internacional”, figura simpática, risonha, extremamente singelo no trajar-se, “humilde e modesto de causar pasmo”. Certa vez - revela Mário - um amigo perguntou a Antenor Machado a razão de ele vestir-se de forma tão despojada, quase incompatível com o nome que desfrutava nos meios culturais e sociais da cidade. A resposta foi:
- Aqui, todos me conhecem, a roupa pouco significa.
Tempos depois, convocado pelo Governo Federal - segundo o radialista e grande conhecedor da história de Leopoldina, José Américo Barcelos, Machadinho foi designado a assumir a direção de um grande Laboratório Farmacêutico, alemão, por ocasião da Segunda Guerra Mundial - transferiu-se para o Rio de Janeiro e, lá, não alterando hábitos pessoais, o amigo voltou a cobrar-lhe elegância compatível, ao que Machadinho respondeu:
- Aqui no Rio ninguém me conhece, a roupa pouco significa...
(Foto: Gymnasio Leopoldinense antes da reforma.)
No Gymnásio funcionou a Escola de Farmácia e Odontologia do Gymnásio Leopoldinense, fundada em 17.01.912 e extinta em 1930; A Escola de Odontologia que foi fechada em 1921 e, a de Farmácia, em 1930;
Instalou-se a Escola Normal, cujas matrículas para o Curso Normal foram abertas em 01.12.1906;
Os cursos de Obstetrícia, Agrimensura e Belas Artes, cujas matrículas foram abertas em 14.02.1909, mesma data das matrículas para os Cursos de Farmácia e Odontologia;
Um Jardim de Infância, anexo à Escola Normal, inaugurado em 27.07.1909;
A Escola de Aprendizado Agrícola, instalada em 03.06.1914;
A Escola de Comércio Professor Botelho Reis, filiada à Escola Livre de Comércio de Minas Gerais, em 19.01.1930.
Do arquivo do jornal Reencontro, sob os cuidados de seu editor e redator José Antonio Almeida, obtivemos a seguinte cronologia de datas marcantes do Gymnásio Leopoldinense: - 01.12.1906, abertura das matrículas para o Curso Normal; - 15.01.1907, abertura das matrículas para o Curso Ginasial; - 14.02.1909, abertura das matrículas para os Cursos de Farmácia, Odontologia, Obstetrícia, Agrimensura e Belas Artes; - 27.07.1909, inauguração do Jardim de Infância; - 17.03.1910, primeira diplomação de bacharelandos e normalistas; - 17.01.1912, fundação das Escolas de Farmácia e Odontologia; - 03.06.1914, instalação do Aprendizado Agrícola; - 21.03.1918, equiparação da Escola de Farmácia à Escola Oficial; - 13.05.1918, Construção do primeiro bloco do atual prédio (o lado esquerdo do prédio), projetado pelo Dr. Ormeo Junqueira Botelho; - 1926, construção do segundo bloco, dotando o prédio de seu formato definitivo; - 19.01.1930, a Escola de Comércio Professor Botelho Reis é filiada à Escola Livre de Comércio de Minas Gerais; - 1932, equiparação do Gymnásio aos Colégios Oficiais; - 18.12.1932, início das inscrições para o Curso Comercial; - 1934, criação da Liga Esportiva do Colégio Leopoldinense, o depois cognominado Esquadrão Fantasma; - 25.04.1941, instalação da Sirene; - 25.03.1942, instalação do Curso de Contador; - 15.03.1943, início dos Cursos Clássico e Científico; - 1946, transferência ao Bispado; - 14.02.1955, assunção do Colégio pelo Estado de Minas.
Na Escola de Farmácia lecionavam, como informa Mário de Freitas, os professores Militino Rosa, Antenor Machado, Oswaldo Christóvam Vieira e Antonio de Oliveira Guimarães.
O Gymnásio passou de seus fundadores ao Bispado de Leopoldina no início do ano de 1946, quando era Diretor o Prof. Alziro Azevedo de Carvalho.
Sob a Diocese, vieram a ser seus Diretores, entre 1946 e 1948, o Pe. José Domingues e, por trinta anos, de 31.01.49 a 09.11.79, o Mons. Guilherme de Oliveira o qual, como se vê, continuou na diretoria após a estadualização.
Em 1955 foi o Colégio Leopoldinense transferido do Bispado de Leopoldina ao governo do Estado de Minas Gerais.
O Prof. Oíliam José, à página 44 do livro Lições e Recordações, acima citado, tece importantíssimas considerações sobre os “heróicos esforços” do Bispo Diocesano de então, Dom Delfim Ribeiro Guedes, secundado por Mons. Guilherme de Oliveira, junto aos governadores de Minas, Juscelino Kubitscheck e Clóvis Salgado, e junto a deputados estaduais, para obter a estadualização do Colégio e, com isto, garantir ensino ginasial e colegial gratuitos a toda juventude leopoldinense.
Inúmeros obstáculos tiveram que superar – diz o Prof. Oíliam – para que as autoridades aprovassem a compra do Colégio. A maior delas foi a falta de recursos financeiros por parte do governo de Minas.
Com efeito, aos 14.02.1955 o Colégio foi assumido pelo Estado de Minas, mas a escritura de Compra e Venda só veio a ser assinada em 7.12.1955. O preço recebido pela Diocese foi, quase que inteiramente, consumido nas indenizações trabalhistas ao professorado e ao pessoal administrativo – informa o Prof. Oíliam.
Transferido ao Estado, o Colégio passou a denominar-se Colégio Professor Botelho Reis, depois Colégio Estadual Professor Botelho Reis, com a Lei 1.388, de 23.12.1955, assinada pelo saudoso filho de Leopoldina, então Governador do Estado, Clóvis Salgado da Gama que, na qualidade de Vice-Governador, assumira a chefia do Executivo Mineiro em 1955, ocasião em que Juscelino Kubitschek precisou desincompatibilizar-se para candidatar-se à Presidência da República.
(Foto: Prédio onde foi fundado, em 1906, e passou a funcionar o Gymnasio Leopoldinense. No prédio novo, corresponde à ala esquerda, reformada.)
Tem-se, portanto, que graças à visão sociológica e humana desses homens ilustres, Dom Delfim, Mons. Guilherme, Juscelino Kubitscheck e Clóvis Salgado, um colégio que antes, por ser particular, só tinha condição de oferecer instrução a alunos cujos pais tivessem recursos para pagar seus estudos, a partir da estadualização passou a receber em seus bancos escolares toda a juventude leopoldinense, independente da condição econômica.
Nós, ex-alunos da fase anterior à estadualização do Colégio, fomos testemunhas de uma realidade social lamentável, constrangedora. Não havia em Leopoldina, como certamente ocorria em outras cidades de igual porte do país, educação secundária gratuita. Sendo assim, só os que podiam pagar gozavam desse privilégio. Como resultado, até os derradeiros anos da década de 50, à exceção das escolas primárias, todos os colégios de Leopoldina resultavam ser colégios para brancos, ou seja, para os que podiam pagar! Isto equivalia à absoluta negação, entre nós, por cerca de 60 anos após a Lei Áurea, do direito de instrução secundária à juventude pobre (condição em que, principalmente, a juventude negra se incluía em sua quase totalidade). A monstruosidade ganha maior vulto se lembrarmos que Leopoldina, do início do Século XX, detinha o segundo maior contingente negro do Estado de Minas - inferior, apenas, a Juiz de Fora.
Isto deixa muito clara a grandeza humana, o elevado espírito do nosso primeiro Bispo, Dom Delfim Ribeiro Guedes, um homem de aguda visão social que soube enxergar muito além dos interesses materiais que administrava. Preferiu transferir o enorme patrimônio imobiliário do Bispado - o intangível histórico de valor incalculável de um dos mais conceituados estabelecimentos de educação do país - ao Estado de Minas, em troca de nada, porque tinha olhos voltados para o bem da juventude injustiçada de nossa terra.
E pensar que, ainda hoje, pessoas existem incapazes de alcançar o sentido de certas medidas de inclusão social e ações afirmativas em andamento no país. Cegos para a não-inexistência de uma única sociedade brasileira, existindo, sim, várias sociedades brasileiras - como tão bem observa o teatrólogo Augusto Boal. São mentalidades tacanhas, insensíveis às distorções do establishement colonizador europeu, felizmente vencida e ultrapassada no tempo e no espaço.
Pelo Colégio passaram, pela ordem, os seguintes Diretores, desde a sua fundação, em 1906: Henrique Barbosa da Cruz, Dr. Jacques Dias Maciel, Prof. José Botelho Reis, Dr. José Monrteiro Ribeiro Junqueira, Dr. Carlindo Alvarenga Mayrinck, Antonio Carlos de Azeredo Coutinho, Prof. Alziro de Azevedo Carvalho, Mons. José Domingues Gomes, Dr. Lydio Machado Bandeira de Mello, Mons. Guilherme de Oliveira, Prof. Geraldo Bertochi, Prof. Marcelo Barroso Domingues, Rodrigo Arantes Queiroz, Iran Fajardo, Fernando Miranda Vargas.
Com auxílio da obra, já referida, do Professor Oíliam José, mencionaremos a seguir, alguns professores da fase em que o Colégio pertenceu à Diocese, quase todos colegas de magistério do autor e por ele nomeados na página 43 e 44: Sargento Adélio Silveira de Souza, Prof. Antonio Moura de Oliveira Guimarães, Profª. Belarmina Soares Maranha, Profª Carmen C. Spínola, Profª. Conceição S. dos Santos, Dr. Ennio Fadda, Tte. Enock de Araújo Barbosa, Dr. Francisco Reif de Paula, Dr. Francisco Ribeiro Junqueira, Dr. Geraldo de Vasconcelos Barcelos, Dr. Geraldo Bertocchi, Dr. Hamil J. A. Adum, Prof. João Batista Alvim, Dr. Joaquim Barroso Guedes Machado, Profª Maria Aparecida Monteiro Ferreira, Profª Maria Guilhermina Vilela Fajardo, Profª Maria Regina Monteiro de Castro, Profª Nely Soares dos Santos, Profª Olímpia Antunes Duarte, Sub-Tenente Otávio L. Pereira, Prof. Rodophe Gibrat, Profª Silvia Souza
Werneck, Prof. José de Andrade e José Ribeiro Leitão.
A maioria destes, como o próprio Professor Oíliam - que, da Academia Mineira de Letras continua a nos brindar com aulas preciosas através de seus livros - os preceptores muito queridos da nossa própria passagem pelo Colégio Leopoldinense, na década de 1950.
Infelizmente, muitos deles já não vivem, elevados que foram aos serviços da Divina Reitoria. Permanecem, todavia, presentes em nossos corações porque os mestres não passam. Eles sobrevivem nos mais luminosos desvãos de nossas almas, com suas palavras, com suas idéias, seus gestos, suas imagens, e isto não é mais que um pouco da imortalidade de cada um deles se insinuando, repercutindo luminosamente dentro de cada um de nós.
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(Publicada no jornal LEOPOLDINENSE de maio de 2006)
Maio, 2006
A mais famosa instituição de ensino de Leopoldina e, por muitos anos, das mais importantes do Estado de Minas Gerais, o Gymnasio Leopoldinense foi fundada em 3 de junho de 1906 pelos irmãos, José Monteiro Ribeiro Junqueira, advogado e político, e Custódio Ribeiro Junqueira, médico.
Como consta do livro Lições e Recordações, do Professor Oíliam José, pág. 42, Ed. do Autor, 2002, Belo Horizonte, MG, o Colégio Leopoldinense “não se tornou conhecido e procurado sem motivos dignos de louvor, ministrava aplaudido ensino e mantinha louvado internato. (...) Preparou os melhores alunos para o exercício das mais variadas funções e profissões, como continua fazendo. Basta salientar que teve em Milton Soares Campos e Antonio Pedro Braga alguns de seus alunos. Todos esses fecundos resultados decorreram e decorrem dos dedicados Diretores que teve e do Corpo Docente, que sabia cuidadosamente formar”.
Realmente, ao longo dos muitos anos de sua existência - como Colégio de vocação regional até o fim dos anos 50, mercê do grande internato que possuía, recebendo alunos de toda a Zona da Mata Mineira, do Vale do Rio Doce, Campo das Vertentes, Vale do Jequitinhonha, municípios do norte do Estado do Rio e de recantos os mais distantes - passaram pelo Colégio Leopoldinense alunos que se tornaram figuras importantes da vida pública nacional, tais como Ministros de Estado, Ministros de Tribunais Superiores, Desembargadores, Juízes, Escritores, Artistas Plásticos, Profissionais Liberais os mais diversos, Empresários, Comerciantes, Políticos, etc. Em razão disto, uma divisa bastante imodesta, mas não de todo exagerada, dizia: “Em qualquer parte do Brasil existe alguém que se formou no Colégio Leopoldinense”.
Mário de Freitas, em seu livro Leopoldina do Meu Tempo, pag. 47, ao mesmo tempo em que fala da comoção, na cidade, pelo falecimento, a 7 de fevereiro de 1926, do ilustre Diretor do Ginásio, José Ribeiro dos Reis, relaciona os professores que aqui encontrou naquele ano de sua chegada a Leopoldina. Mestres que marcaram época, cujos nomes a história registrou: Carlindo de Alvarenga Mayrinck, Henrique Barbosa da Cruz, Jesus Ferreira Varella, Oswaldo Christróvam Vieira, Militino Rosa, José do Patrocínio Pontes, Desembargador Custódio Lustosa, Gustavo Monteiro de Castro, Joaquim de Souza Guedes Machado, Felix Malburg, Antonio de Oliveira Guimarães, Antenor Machado (o Machadinho), Júlio Ferreira Caboclo, Antonia Monteiro Junqueira.
Aliás, sobre o Machadinho, Mario de Freitas o descreve como “cientista de renome internacional”, figura simpática, risonha, extremamente singelo no trajar-se, “humilde e modesto de causar pasmo”. Certa vez - revela Mário - um amigo perguntou a Antenor Machado a razão de ele vestir-se de forma tão despojada, quase incompatível com o nome que desfrutava nos meios culturais e sociais da cidade. A resposta foi:
- Aqui, todos me conhecem, a roupa pouco significa.
Tempos depois, convocado pelo Governo Federal - segundo o radialista e grande conhecedor da história de Leopoldina, José Américo Barcelos, Machadinho foi designado a assumir a direção de um grande Laboratório Farmacêutico, alemão, por ocasião da Segunda Guerra Mundial - transferiu-se para o Rio de Janeiro e, lá, não alterando hábitos pessoais, o amigo voltou a cobrar-lhe elegância compatível, ao que Machadinho respondeu:
- Aqui no Rio ninguém me conhece, a roupa pouco significa...
(Foto: Gymnasio Leopoldinense antes da reforma.)
No Gymnásio funcionou a Escola de Farmácia e Odontologia do Gymnásio Leopoldinense, fundada em 17.01.912 e extinta em 1930; A Escola de Odontologia que foi fechada em 1921 e, a de Farmácia, em 1930;
Instalou-se a Escola Normal, cujas matrículas para o Curso Normal foram abertas em 01.12.1906;
Os cursos de Obstetrícia, Agrimensura e Belas Artes, cujas matrículas foram abertas em 14.02.1909, mesma data das matrículas para os Cursos de Farmácia e Odontologia;
Um Jardim de Infância, anexo à Escola Normal, inaugurado em 27.07.1909;
A Escola de Aprendizado Agrícola, instalada em 03.06.1914;
A Escola de Comércio Professor Botelho Reis, filiada à Escola Livre de Comércio de Minas Gerais, em 19.01.1930.
Do arquivo do jornal Reencontro, sob os cuidados de seu editor e redator José Antonio Almeida, obtivemos a seguinte cronologia de datas marcantes do Gymnásio Leopoldinense: - 01.12.1906, abertura das matrículas para o Curso Normal; - 15.01.1907, abertura das matrículas para o Curso Ginasial; - 14.02.1909, abertura das matrículas para os Cursos de Farmácia, Odontologia, Obstetrícia, Agrimensura e Belas Artes; - 27.07.1909, inauguração do Jardim de Infância; - 17.03.1910, primeira diplomação de bacharelandos e normalistas; - 17.01.1912, fundação das Escolas de Farmácia e Odontologia; - 03.06.1914, instalação do Aprendizado Agrícola; - 21.03.1918, equiparação da Escola de Farmácia à Escola Oficial; - 13.05.1918, Construção do primeiro bloco do atual prédio (o lado esquerdo do prédio), projetado pelo Dr. Ormeo Junqueira Botelho; - 1926, construção do segundo bloco, dotando o prédio de seu formato definitivo; - 19.01.1930, a Escola de Comércio Professor Botelho Reis é filiada à Escola Livre de Comércio de Minas Gerais; - 1932, equiparação do Gymnásio aos Colégios Oficiais; - 18.12.1932, início das inscrições para o Curso Comercial; - 1934, criação da Liga Esportiva do Colégio Leopoldinense, o depois cognominado Esquadrão Fantasma; - 25.04.1941, instalação da Sirene; - 25.03.1942, instalação do Curso de Contador; - 15.03.1943, início dos Cursos Clássico e Científico; - 1946, transferência ao Bispado; - 14.02.1955, assunção do Colégio pelo Estado de Minas.
Na Escola de Farmácia lecionavam, como informa Mário de Freitas, os professores Militino Rosa, Antenor Machado, Oswaldo Christóvam Vieira e Antonio de Oliveira Guimarães.
O Gymnásio passou de seus fundadores ao Bispado de Leopoldina no início do ano de 1946, quando era Diretor o Prof. Alziro Azevedo de Carvalho.
Sob a Diocese, vieram a ser seus Diretores, entre 1946 e 1948, o Pe. José Domingues e, por trinta anos, de 31.01.49 a 09.11.79, o Mons. Guilherme de Oliveira o qual, como se vê, continuou na diretoria após a estadualização.
Em 1955 foi o Colégio Leopoldinense transferido do Bispado de Leopoldina ao governo do Estado de Minas Gerais.
O Prof. Oíliam José, à página 44 do livro Lições e Recordações, acima citado, tece importantíssimas considerações sobre os “heróicos esforços” do Bispo Diocesano de então, Dom Delfim Ribeiro Guedes, secundado por Mons. Guilherme de Oliveira, junto aos governadores de Minas, Juscelino Kubitscheck e Clóvis Salgado, e junto a deputados estaduais, para obter a estadualização do Colégio e, com isto, garantir ensino ginasial e colegial gratuitos a toda juventude leopoldinense.
Inúmeros obstáculos tiveram que superar – diz o Prof. Oíliam – para que as autoridades aprovassem a compra do Colégio. A maior delas foi a falta de recursos financeiros por parte do governo de Minas.
Com efeito, aos 14.02.1955 o Colégio foi assumido pelo Estado de Minas, mas a escritura de Compra e Venda só veio a ser assinada em 7.12.1955. O preço recebido pela Diocese foi, quase que inteiramente, consumido nas indenizações trabalhistas ao professorado e ao pessoal administrativo – informa o Prof. Oíliam.
Transferido ao Estado, o Colégio passou a denominar-se Colégio Professor Botelho Reis, depois Colégio Estadual Professor Botelho Reis, com a Lei 1.388, de 23.12.1955, assinada pelo saudoso filho de Leopoldina, então Governador do Estado, Clóvis Salgado da Gama que, na qualidade de Vice-Governador, assumira a chefia do Executivo Mineiro em 1955, ocasião em que Juscelino Kubitschek precisou desincompatibilizar-se para candidatar-se à Presidência da República.
(Foto: Prédio onde foi fundado, em 1906, e passou a funcionar o Gymnasio Leopoldinense. No prédio novo, corresponde à ala esquerda, reformada.)
Tem-se, portanto, que graças à visão sociológica e humana desses homens ilustres, Dom Delfim, Mons. Guilherme, Juscelino Kubitscheck e Clóvis Salgado, um colégio que antes, por ser particular, só tinha condição de oferecer instrução a alunos cujos pais tivessem recursos para pagar seus estudos, a partir da estadualização passou a receber em seus bancos escolares toda a juventude leopoldinense, independente da condição econômica.
Nós, ex-alunos da fase anterior à estadualização do Colégio, fomos testemunhas de uma realidade social lamentável, constrangedora. Não havia em Leopoldina, como certamente ocorria em outras cidades de igual porte do país, educação secundária gratuita. Sendo assim, só os que podiam pagar gozavam desse privilégio. Como resultado, até os derradeiros anos da década de 50, à exceção das escolas primárias, todos os colégios de Leopoldina resultavam ser colégios para brancos, ou seja, para os que podiam pagar! Isto equivalia à absoluta negação, entre nós, por cerca de 60 anos após a Lei Áurea, do direito de instrução secundária à juventude pobre (condição em que, principalmente, a juventude negra se incluía em sua quase totalidade). A monstruosidade ganha maior vulto se lembrarmos que Leopoldina, do início do Século XX, detinha o segundo maior contingente negro do Estado de Minas - inferior, apenas, a Juiz de Fora.
Isto deixa muito clara a grandeza humana, o elevado espírito do nosso primeiro Bispo, Dom Delfim Ribeiro Guedes, um homem de aguda visão social que soube enxergar muito além dos interesses materiais que administrava. Preferiu transferir o enorme patrimônio imobiliário do Bispado - o intangível histórico de valor incalculável de um dos mais conceituados estabelecimentos de educação do país - ao Estado de Minas, em troca de nada, porque tinha olhos voltados para o bem da juventude injustiçada de nossa terra.
E pensar que, ainda hoje, pessoas existem incapazes de alcançar o sentido de certas medidas de inclusão social e ações afirmativas em andamento no país. Cegos para a não-inexistência de uma única sociedade brasileira, existindo, sim, várias sociedades brasileiras - como tão bem observa o teatrólogo Augusto Boal. São mentalidades tacanhas, insensíveis às distorções do establishement colonizador europeu, felizmente vencida e ultrapassada no tempo e no espaço.
Pelo Colégio passaram, pela ordem, os seguintes Diretores, desde a sua fundação, em 1906: Henrique Barbosa da Cruz, Dr. Jacques Dias Maciel, Prof. José Botelho Reis, Dr. José Monrteiro Ribeiro Junqueira, Dr. Carlindo Alvarenga Mayrinck, Antonio Carlos de Azeredo Coutinho, Prof. Alziro de Azevedo Carvalho, Mons. José Domingues Gomes, Dr. Lydio Machado Bandeira de Mello, Mons. Guilherme de Oliveira, Prof. Geraldo Bertochi, Prof. Marcelo Barroso Domingues, Rodrigo Arantes Queiroz, Iran Fajardo, Fernando Miranda Vargas.
Com auxílio da obra, já referida, do Professor Oíliam José, mencionaremos a seguir, alguns professores da fase em que o Colégio pertenceu à Diocese, quase todos colegas de magistério do autor e por ele nomeados na página 43 e 44: Sargento Adélio Silveira de Souza, Prof. Antonio Moura de Oliveira Guimarães, Profª. Belarmina Soares Maranha, Profª Carmen C. Spínola, Profª. Conceição S. dos Santos, Dr. Ennio Fadda, Tte. Enock de Araújo Barbosa, Dr. Francisco Reif de Paula, Dr. Francisco Ribeiro Junqueira, Dr. Geraldo de Vasconcelos Barcelos, Dr. Geraldo Bertocchi, Dr. Hamil J. A. Adum, Prof. João Batista Alvim, Dr. Joaquim Barroso Guedes Machado, Profª Maria Aparecida Monteiro Ferreira, Profª Maria Guilhermina Vilela Fajardo, Profª Maria Regina Monteiro de Castro, Profª Nely Soares dos Santos, Profª Olímpia Antunes Duarte, Sub-Tenente Otávio L. Pereira, Prof. Rodophe Gibrat, Profª Silvia Souza
Werneck, Prof. José de Andrade e José Ribeiro Leitão.
A maioria destes, como o próprio Professor Oíliam - que, da Academia Mineira de Letras continua a nos brindar com aulas preciosas através de seus livros - os preceptores muito queridos da nossa própria passagem pelo Colégio Leopoldinense, na década de 1950.
Infelizmente, muitos deles já não vivem, elevados que foram aos serviços da Divina Reitoria. Permanecem, todavia, presentes em nossos corações porque os mestres não passam. Eles sobrevivem nos mais luminosos desvãos de nossas almas, com suas palavras, com suas idéias, seus gestos, suas imagens, e isto não é mais que um pouco da imortalidade de cada um deles se insinuando, repercutindo luminosamente dentro de cada um de nós.
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(Publicada no jornal LEOPOLDINENSE de maio de 2006)
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Manoel Lobato
***
(Publicada no jornal LEOPOLDINENSE de outubro de 2009)
O jornalista leopoldinense, Kalon Moraes, tem faro para notícias e documentos importantes. Imaginem vocês que desde o ano 2000, quando passamos pela provedoria da Casa de Caridade Leopoldinense e procuramos, dentre outras coisas, reunir e preservar antigos papéis encontrados nos armários da Casa, estamos à procura de duas fotografias antigas: uma que nos comprove em qual casa da (atual) Rua Manoel Lobato funcionou o Hospital, quando inaugurado, em 09.08.1896; a outra, uma foto do próprio Sr. Manoel Lobato, primeiro provedor do Hospital.
Pois esta segunda foto o Kalon acaba de "desenterrar" dos arquivos amontoados da Prefeitura e vai aqui, hoje, publicada. A primeira continuará "a prêmio". Quem encontrar nos papéis antigos da vovó ou do vovô alguma foto daquela rua (Rua Manoel Lobato, vulgo Rua da Grama), na qual apareça casa com indícios de Hospital, por favor, mostre pra gente. Mas a metade da escuridão acabou. Nesta fotografia a posteridade desfrutará do direito de conhecer esse personagem histórico de Leopoldina, o Tenente Coronel Manoel Lobato Monteiro Galvão de São Martinho, falecido em 1901.
Ele foi fazendeiro, vereador, presidente da Câmara Municipal no final do Império, vice-presidente da Câmara Municipal e primeiro presidente da Mesa Administrativa da Casa de Caridade Leopoldinense, assim composta em 1896: PRESIDENTE: Tenente Coronel Manoel Lobato Monteiro Galvão de São Martinho, vice-presidente da Câmara Municipal; VICE-PRESIDENTE: Dr. Joaquim Antonio Dutra, médico, e então presidente da Câmara Municipal; TESOUREIRO: João Luiz Guilherme Gaíde; SECRETÁRIO: Dr. José Monteiro Ribeiro Junqueira.
Em agosto próximo, deste ano de 2009, o Hospital completará, pois, 113 anos. No prédio atual está há, exatos, 107 anos. A Gazeta de Leopoldina, no nº 10, de 09/08/1896, noticiou a cerimônia de inauguração do Hospital com elogios às contribuições dos Drs. Gabriel Magalhães e Octávio Ottoni. Fizeram uso da palavra - tão logo o primeiro presidente da Instituição, Tenente-Coronel Manoel Lobato Monteiro Galvão de São Martinho (Vice-presidente da Câmara Municipal), declarou "instalada a Casa de Caridade" - os Srs., Augusto Teixeira, redator da Gazeta de Leopoldina, Gama Fernandes, do Jornal O Mediador, e o reverendo Cônego Angelim, vigário da Freguesia.
Observem: o Presidente do Executivo Municipal (Prefeito), médico Joaquim Antonio Dutra, era vice no Hospital; o vice na Câmara (Vice-prefeito), Manoel Lobato, era presidente no Hospital. Dois políticos e uma grande causa. Não consta que tenham transformado o Hospital num cabide de empregos, empurrando portas a dentro da instituição dezenas de apaniguados de uma só enfiada...
Hoje, entretanto, o que mais interessa é que, mercê da vigilância atenta do Kalon Moraes, podemos apresentar a vocês o primeiro provedor da Casa de Caridade, aquele que também dá nome a uma das ruas mais nobres e belas da cidade. Leopoldina é uma cidade de ruas (e outras coisas também) muito estreitas, mas tem na Rua da Grama uma via tão comprida e tão larga como o nome daquele que lhe empresta o designativo oficial: Rua Manoel Lobato, no seu tempo conhecido como Tenente Coronel Manoel Lobato Monteiro Galvão de São Martinho.
₪₪₪₪₪₪₪₪₪₪₪Pois esta segunda foto o Kalon acaba de "desenterrar" dos arquivos amontoados da Prefeitura e vai aqui, hoje, publicada. A primeira continuará "a prêmio". Quem encontrar nos papéis antigos da vovó ou do vovô alguma foto daquela rua (Rua Manoel Lobato, vulgo Rua da Grama), na qual apareça casa com indícios de Hospital, por favor, mostre pra gente. Mas a metade da escuridão acabou. Nesta fotografia a posteridade desfrutará do direito de conhecer esse personagem histórico de Leopoldina, o Tenente Coronel Manoel Lobato Monteiro Galvão de São Martinho, falecido em 1901.
Ele foi fazendeiro, vereador, presidente da Câmara Municipal no final do Império, vice-presidente da Câmara Municipal e primeiro presidente da Mesa Administrativa da Casa de Caridade Leopoldinense, assim composta em 1896: PRESIDENTE: Tenente Coronel Manoel Lobato Monteiro Galvão de São Martinho, vice-presidente da Câmara Municipal; VICE-PRESIDENTE: Dr. Joaquim Antonio Dutra, médico, e então presidente da Câmara Municipal; TESOUREIRO: João Luiz Guilherme Gaíde; SECRETÁRIO: Dr. José Monteiro Ribeiro Junqueira.
Em agosto próximo, deste ano de 2009, o Hospital completará, pois, 113 anos. No prédio atual está há, exatos, 107 anos. A Gazeta de Leopoldina, no nº 10, de 09/08/1896, noticiou a cerimônia de inauguração do Hospital com elogios às contribuições dos Drs. Gabriel Magalhães e Octávio Ottoni. Fizeram uso da palavra - tão logo o primeiro presidente da Instituição, Tenente-Coronel Manoel Lobato Monteiro Galvão de São Martinho (Vice-presidente da Câmara Municipal), declarou "instalada a Casa de Caridade" - os Srs., Augusto Teixeira, redator da Gazeta de Leopoldina, Gama Fernandes, do Jornal O Mediador, e o reverendo Cônego Angelim, vigário da Freguesia.
Observem: o Presidente do Executivo Municipal (Prefeito), médico Joaquim Antonio Dutra, era vice no Hospital; o vice na Câmara (Vice-prefeito), Manoel Lobato, era presidente no Hospital. Dois políticos e uma grande causa. Não consta que tenham transformado o Hospital num cabide de empregos, empurrando portas a dentro da instituição dezenas de apaniguados de uma só enfiada...
Hoje, entretanto, o que mais interessa é que, mercê da vigilância atenta do Kalon Moraes, podemos apresentar a vocês o primeiro provedor da Casa de Caridade, aquele que também dá nome a uma das ruas mais nobres e belas da cidade. Leopoldina é uma cidade de ruas (e outras coisas também) muito estreitas, mas tem na Rua da Grama uma via tão comprida e tão larga como o nome daquele que lhe empresta o designativo oficial: Rua Manoel Lobato, no seu tempo conhecido como Tenente Coronel Manoel Lobato Monteiro Galvão de São Martinho.
(Publicada no jornal LEOPOLDINENSE de outubro de 2009)
sábado, 19 de setembro de 2009
Promessa do Secretário de Saúde de Minas
Foto: Em primeiro plano, Dep. Bené Guedes e o Secretário de Saúde do governo estadual de Itamar Franco, Gal Carlos Patrício - Ano 2000
(Crônica publicada na Gazeta de Leopoldina)
Convidados a falar, numa emissora local de rádio, sobre a perspectiva aberta pelo Secretário de Saúde do Estado de Minas Gerais, de reconsideração dos limites nas internações abonáveis pelo SUS à CCL - Casa de Caridade Leopoldinense, na condição de Provedor do Hospital procuramos esclarecer a questão que naquele momento se punha.
Apontamos o estreitíssimo gargalo da cota mensal de AIHs (Autorização de Internações Hospitalares) como o principal ponto de estrangulamento das finanças do Hospital, a par de atuar, nesse estrangulamento, um aspecto de cruel insensibilidade: O SUS não toma conhecimento daquilo que a Casa de Caridade gasta a mais, no atendimento à população.
É que o sistema informático das DRS (Delegacias Regionais de Saúde) é programado para aceitar implantação, apenas, de despesas até o limite regulamentar estabelecido! Vale dizer, o prejuízo que os Hospitais conveniados tomam deve permanecer IGNORADO. Não adianta digitar porque o sistema não registra.
Daí a necessidade que a Provedoria tem de procurar, pessoalmente, as autoridades estaduais de saúde para conversar, para fazê-las cientes do que ocorre. Foi o que fizemos, mais uma vez, na semana passada, graças à intervenção decisiva do Deputado Bené Guedes, que obteve do Secretário de Saúde, em Belo Horizonte, uma oportuníssima entrevista na qual expusemos as dificuldades da CCL, a importância dela para a população de Leopoldina e cidades adjacentes a nós referenciadas, dando ênfase aos parcos limites orçamentários a que ficamos jungidos após algumas administrações "não-leopoldinenses" na DRS local.
Nessa reunião obtivemos o compromisso do Sr. Secretário de elevação de nosso teto de AIHs para R$25.000,00/mês e, ainda, um acordo de reembolso de 300 contas de internações extra-limite não abonadas pelo SUS no ano 2000, o que acrescentará, quando efetivado, um aporte da ordem de R$150.000,00 a favor do Hospital. Se honrados esses dois compromissos pelo Sr. Secretário, Gal. Carlos Patrício de Freitas – que esperamos que ocorra - nosso Hospital experimentará um efetivo desafogo em suas contas.
Cabe, então, deixar consignado o agradecimento da administração e de toda a equipe de servidores da Casa de Caridade ao Deputado Bené Guedes por mais este gesto de amizade e apoio.
Felizmente temos conseguindo unir conterrâneos ilustres no esforço de salvar a CCL. Nosso fraternal amigo, Deputado Bené, que já obtivera uma doação de 80 cobertores à Casa de Caridade no ano passado, vem de patrocinar agora esta reunião decisiva com o Secretário de Saúde. A ele nossos agradecimentos.
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sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Casa de Caridade Leopoldinense - 105 Anos

***
Agosto 2001
A Casa de Caridade Leopoldinense, de Leopoldina, MG, completa 105 anos neste agosto de 2001.
Em setembro de 1894 os médicos Joaquim Custódio Guimarães Júnior e Joaquim Antonio Dutra faziam parte da Comissão de Saúde da Câmara Municipal e votaram a Lei nº24/1894, que iria destinar fundos para a construção daquela que viria a ser a Casa de Caridade Leopoldinense. É o que consta do relatório assinado pelo então Presidente da Câmara, Lucas Augusto Monteiro de Castro: (Literis)
"Na ausência do Dr. Gabriel de Almeida Magalhães, benemérito presidente da Casa de Caridade Leopoldinense, por cuja inexcedível dedicação o nosso município brevemente terá a fortuna de ver instalar-se e possuir uma Casa de Caridade, eu (Lucas Augusto) e o Dr. Octávio Ottoni temos procurado obter um prédio para servir provisoriamente, mas até agora os nossos esforços têm sido baldados.
Para acelerar a instalação da Pia Instituição, a Câmara, na sessão de setembro findo, votou a Lei nº24 (de Setembro de 1894), que consigna 20:000$000 (Vinte contos de réis), e no orçamento de 1895 a verba de 10:000$000 (Dez contos de réis), como auxílio".
Temos aí, nas próprias palavras do então Presidente da Câmara Municipal (que na época era o Chefe do Executivo Municipal - Prefeito), Sr. Lucas Augusto Monteiro de Castro, a notícia de que a Casa de Caridade Leopoldinense já estava começando a nascer em setembro de 1894, com a Lei Municipal nº24/1894, que destinava fundos do orçamento do ano de 1894 e de 1895 para auxílio na sua construção.
Observe-se que a Prefeitura apenas auxiliou na construção da Casa de Caridade, porque o grande mérito da obra coube à Sociedade Leopoldinense de então que, comprovadamente, acorreu com generosas doações, dentre todos destacando-se aqueles que até hoje estão inscritos no artigo 46 dos Estatutos da Casa de Caridade como seus maiores beneméritos, detentores perpétuos do título de Supremos Protetores: o Dr. Gabriel de Paula Almeida Magalhães e sua esposa, Da. Maria do Carmo Monteiro de Almeida Magalhães.
Foi, assim, a Casa de Caridade Leopoldinense fundada aos 03 de agosto de 1896, num prédio adquirido na da Rua Manoel Lobato, como noticiou a "Gazeta de Leopoldina" em seu nº10, que circulou no dia 09 de agosto de 1896 (não identificamos ainda qual teria sido o prédio da Rua Manoel Lobato).
A ata da instalação foi lavrada pelo Sr. Augusto Lobo, e a reunião presidida pelo Tenente Coronel Manoel Lobato Galvão de São Martinho (então o Vice-Presidente da Câmara Municipal) que ao final do texto declarou achar-se formalmente instalada, a partir daquele momento, a Casa de Caridade Leopoldinense. Consignavam seus Estatutos que seria seu objetivo primordial o atendimento aos pobres sem recursos.
Na Rua Manoel Lobato as primeiras instalações, de 1896, são referidas como não propriamente adequadas à atividade hospitalar, carentes da comodidade que o bom atendimento à população já demandava, de mobiliário modesto, mas que mesmo assim "servia a prestar bons serviços médicos e cirúrgicos".
No dia 20 de julho de 1902 foi iniciada a construção do prédio atual da Casa de Caridade Leopoldinense, no alto da colina central da cidade.
Compulsando velhos documentos, chegamos ao texto do convite para o lançamento da Pedra Fundamental desse novo prédio do Hospital: (cópia literal, sem revisão gráfica)
"Leopoldina, 8 de julho de 1902. Cidadão - Estando marcado para o dia 20 do corrente o assentamento da pedra fundamental do novo edifício da Casa de Caridade Leopoldinense, conforme se vê do programa junto, a Directoria da pia associação e a comissão auxiliadora da construção do edifício, teem a honra de vos convidar para assistirdes a esta solemnidade. Contando com o vosso comparecimento, de antemão agradecem.
A Diretoria - Galdino de Freitas, Presidente; Ribeiro Junqueira, Thesoureiro; Domingos Ribeiro, Secretário; Theophilo Rocha, Procurador.
A Comissão Auxiliadora da Construção do Edifício - Vigário, Pe. Júlio Fiorentini; Dr.Custódio Junqueira; Ignácio Werneck; e José Augusto de Albuquerque".
Induvidosamente, portanto, ocorreu a 20 de julho de 1902, o lançamento da Pedra Fundamental do prédio da Rua Padre Júlio, 138.
É importante não confundir esta data de fundação com aquela outra que se lê num marco de granito exposto na entrada principal da Casa de Caridade, contendo a inscrição "SPB - 01.l2.1889". O marco de granito assinala a data da fundação da Sociedade Portuguesa de Beneficência, em Leopoldina, instituição da qual a Casa de Caridade Leopoldinense passou a ser sucessora, a partir de 25.03.1917, quando a S. P. B. foi liquidada.
Há documentação idônea, no arquivo do Hospital, das negociações para a absorção da Beneficência Portuguesa pela Casa de Caridade Leopoldinense. (São documentos que se acham guardados no Hospital e que foram compulsados pelo autor destas linhas, quando no exercício da provedoria da CCL). O contrato com a SPB previu atendimento e amparo aos sócios daquela instituição, responsabilização nas despesas de funerais a que tinham direito os sócios portugueses e, curiosamente, o compromisso expresso de que viesse a ser preservado, "em local de destaque na C.C.L.", o marco fundamental da S.P.B. (Durante alguns anos esteve soterrado num alicerce interno do Hospital. A provedoria de que participamos o colocou, em destaque, na porta principal da CCL, onde hoje se encontra)
Tinha-se, portanto, que desde a inauguração (em 1896) na Rua Manoel Lobato, o crescimento da cidade passara a exigir maiores investimentos "em benefício dos doentes e em proveito da prática profissional dos médicos". Impunha-se a construção de novo prédio, com mais espaço e funcionalidade. Por isto, como foi dito acima, a partir de 20 de julho de 1902, seis anos após a inauguração na Rua Manoel Lobato, a população de Leopoldina pôs mãos à obra do soerguimento de seu novo Hospital, no proeminente e central quarteirão do morro da Matriz, local de facílimo acesso, tranqüilo e com descortino de ampla paisagem.
Os recursos para a construção foram obtidos, como foi dito, em sua maior parte, junto a pessoas gradas da sociedade leopoldinense. Atas de assembléias antigas e algumas certidões de escrituras registram inúmeras doações de imóveis feitas, na época, em benefício do Hospital. Tanto doações em vida, como doações consignadas em testamento para transmissão pos mortem.
Ignácio de Lacerda Werneck, por exemplo, que foi Provedor da C.C.L. durante 28 anos, de 25/04/1908 até 08/06/1936, data do seu falecimento, fez doação ao Hospital de dois prédios residenciais seus: um na Rua Cotegipe, outro na antiga Rua do Rosário (hoje, Rua Tiradentes). Muitas foram, também, as doações em bens móveis, como apólices, ações de empresas, mobiliário, roupas, etc.
A história da nossa centenária Instituição de Caridade nos lembra (ou nos ensina!) que ela nasceu e tem buscado sobreviver, sempre, sob a égide exclusiva do sentimento de solidariedade do povo bom e culto desta amada Leopoldina.
Impávido, como a reverenciar seus antigos benfeitores, segue o prédio de 1902, após um século de reformas, adaptações e acréscimos, abrigando - com relativo conforto e já agora com boa tecnologia - a Casa de Caridade Leopoldinense.
Corpo Clínico com cerca de 60 médicos, cobrindo as principais especialidades; 168 leitos em utilização; 6 leitos de C.T.I. (com possibilidade de expansão para 12),detendo, na Região, a melhor classificação técnica da Secretaria de Saúde; 6 profissionais de enfermagem de nível superior; 66 auxiliares de enfermagem; 2 técnicos; 8 atendentes de enfermagem; e 180 funcionários.
É certo que a Instituição ainda enfrenta problemas, comuns aos Hospitais que "foram crescendo com o tempo". Problemas como os múltiplos portões de acesso existentes (duas grandes portas simetricamente opostas num enorme quarteirão, entradas adicionais através do Pronto Socorro, etc.) fatores que dificultam o controle de pessoas, a vigilância sobre objetos, o registro regular para cobrança de certos exames e até de procedimentos cirúrgicos. Há, também, seções administrativas em espaços demasiado internos. Pouca funcionalidade em setores como o Raio-X, locado no interior do nosocômio, impondo trânsito de "não doentes" pelos setores reservados do Hospital, tumultuando o controle de visitas nas enfermarias, etc.
Aliás, o Raio-X está em obras para ter um acesso externo, pretendendo-se unificar todo o Setor de Imagens.
Com recursos limitados, nosso Hospital vai melhorando aos poucos. Vez por outra a população de Leopoldina é convidada a mais um gesto de amor à sua centenária aliada das horas difíceis - a Casa de Caridade.
Assim é que no último dia 3 de agosto de 2001 o Hospital comemorou seus 105 anos. Um século de serviços à população carente de Leopoldina. Parabéns à CCL, parabéns aos funcionários, aos médicos, ao corpo de enfermagem e aos auxiliares. Parabéns à primeira Diretoria, bravos fundadores, cento e cinco anos depois vivos em nossa memória reconhecida! (Primeira Diretoria, empossada em 1897)
PRESIDENTE: Tenente Coronel Manoel Lobato Galvão de São Martinho
VICE-PRESIDENTE: Dr. Joaquim Antonio Dutra (Médico, Presidente da Câmara Municipal)
TESOUREIRO: João Luiz Guilherme Gaide
SECRETARIO: Dr. José Monteiro Ribeiro Junqueira
₪₪₪₪₪₪₪₪₪₪₪
(Publicada na Gazeta de Leopoldina de agosto de 2001)
Agosto 2001
A Casa de Caridade Leopoldinense, de Leopoldina, MG, completa 105 anos neste agosto de 2001.
Em setembro de 1894 os médicos Joaquim Custódio Guimarães Júnior e Joaquim Antonio Dutra faziam parte da Comissão de Saúde da Câmara Municipal e votaram a Lei nº24/1894, que iria destinar fundos para a construção daquela que viria a ser a Casa de Caridade Leopoldinense. É o que consta do relatório assinado pelo então Presidente da Câmara, Lucas Augusto Monteiro de Castro: (Literis)
"Na ausência do Dr. Gabriel de Almeida Magalhães, benemérito presidente da Casa de Caridade Leopoldinense, por cuja inexcedível dedicação o nosso município brevemente terá a fortuna de ver instalar-se e possuir uma Casa de Caridade, eu (Lucas Augusto) e o Dr. Octávio Ottoni temos procurado obter um prédio para servir provisoriamente, mas até agora os nossos esforços têm sido baldados.
Para acelerar a instalação da Pia Instituição, a Câmara, na sessão de setembro findo, votou a Lei nº24 (de Setembro de 1894), que consigna 20:000$000 (Vinte contos de réis), e no orçamento de 1895 a verba de 10:000$000 (Dez contos de réis), como auxílio".
Temos aí, nas próprias palavras do então Presidente da Câmara Municipal (que na época era o Chefe do Executivo Municipal - Prefeito), Sr. Lucas Augusto Monteiro de Castro, a notícia de que a Casa de Caridade Leopoldinense já estava começando a nascer em setembro de 1894, com a Lei Municipal nº24/1894, que destinava fundos do orçamento do ano de 1894 e de 1895 para auxílio na sua construção.
Observe-se que a Prefeitura apenas auxiliou na construção da Casa de Caridade, porque o grande mérito da obra coube à Sociedade Leopoldinense de então que, comprovadamente, acorreu com generosas doações, dentre todos destacando-se aqueles que até hoje estão inscritos no artigo 46 dos Estatutos da Casa de Caridade como seus maiores beneméritos, detentores perpétuos do título de Supremos Protetores: o Dr. Gabriel de Paula Almeida Magalhães e sua esposa, Da. Maria do Carmo Monteiro de Almeida Magalhães.
Foi, assim, a Casa de Caridade Leopoldinense fundada aos 03 de agosto de 1896, num prédio adquirido na da Rua Manoel Lobato, como noticiou a "Gazeta de Leopoldina" em seu nº10, que circulou no dia 09 de agosto de 1896 (não identificamos ainda qual teria sido o prédio da Rua Manoel Lobato).
A ata da instalação foi lavrada pelo Sr. Augusto Lobo, e a reunião presidida pelo Tenente Coronel Manoel Lobato Galvão de São Martinho (então o Vice-Presidente da Câmara Municipal) que ao final do texto declarou achar-se formalmente instalada, a partir daquele momento, a Casa de Caridade Leopoldinense. Consignavam seus Estatutos que seria seu objetivo primordial o atendimento aos pobres sem recursos.
Na Rua Manoel Lobato as primeiras instalações, de 1896, são referidas como não propriamente adequadas à atividade hospitalar, carentes da comodidade que o bom atendimento à população já demandava, de mobiliário modesto, mas que mesmo assim "servia a prestar bons serviços médicos e cirúrgicos".
No dia 20 de julho de 1902 foi iniciada a construção do prédio atual da Casa de Caridade Leopoldinense, no alto da colina central da cidade.
Compulsando velhos documentos, chegamos ao texto do convite para o lançamento da Pedra Fundamental desse novo prédio do Hospital: (cópia literal, sem revisão gráfica)
"Leopoldina, 8 de julho de 1902. Cidadão - Estando marcado para o dia 20 do corrente o assentamento da pedra fundamental do novo edifício da Casa de Caridade Leopoldinense, conforme se vê do programa junto, a Directoria da pia associação e a comissão auxiliadora da construção do edifício, teem a honra de vos convidar para assistirdes a esta solemnidade. Contando com o vosso comparecimento, de antemão agradecem.
A Diretoria - Galdino de Freitas, Presidente; Ribeiro Junqueira, Thesoureiro; Domingos Ribeiro, Secretário; Theophilo Rocha, Procurador.
A Comissão Auxiliadora da Construção do Edifício - Vigário, Pe. Júlio Fiorentini; Dr.Custódio Junqueira; Ignácio Werneck; e José Augusto de Albuquerque".
Induvidosamente, portanto, ocorreu a 20 de julho de 1902, o lançamento da Pedra Fundamental do prédio da Rua Padre Júlio, 138.
É importante não confundir esta data de fundação com aquela outra que se lê num marco de granito exposto na entrada principal da Casa de Caridade, contendo a inscrição "SPB - 01.l2.1889". O marco de granito assinala a data da fundação da Sociedade Portuguesa de Beneficência, em Leopoldina, instituição da qual a Casa de Caridade Leopoldinense passou a ser sucessora, a partir de 25.03.1917, quando a S. P. B. foi liquidada.
Há documentação idônea, no arquivo do Hospital, das negociações para a absorção da Beneficência Portuguesa pela Casa de Caridade Leopoldinense. (São documentos que se acham guardados no Hospital e que foram compulsados pelo autor destas linhas, quando no exercício da provedoria da CCL). O contrato com a SPB previu atendimento e amparo aos sócios daquela instituição, responsabilização nas despesas de funerais a que tinham direito os sócios portugueses e, curiosamente, o compromisso expresso de que viesse a ser preservado, "em local de destaque na C.C.L.", o marco fundamental da S.P.B. (Durante alguns anos esteve soterrado num alicerce interno do Hospital. A provedoria de que participamos o colocou, em destaque, na porta principal da CCL, onde hoje se encontra)
Tinha-se, portanto, que desde a inauguração (em 1896) na Rua Manoel Lobato, o crescimento da cidade passara a exigir maiores investimentos "em benefício dos doentes e em proveito da prática profissional dos médicos". Impunha-se a construção de novo prédio, com mais espaço e funcionalidade. Por isto, como foi dito acima, a partir de 20 de julho de 1902, seis anos após a inauguração na Rua Manoel Lobato, a população de Leopoldina pôs mãos à obra do soerguimento de seu novo Hospital, no proeminente e central quarteirão do morro da Matriz, local de facílimo acesso, tranqüilo e com descortino de ampla paisagem.
Os recursos para a construção foram obtidos, como foi dito, em sua maior parte, junto a pessoas gradas da sociedade leopoldinense. Atas de assembléias antigas e algumas certidões de escrituras registram inúmeras doações de imóveis feitas, na época, em benefício do Hospital. Tanto doações em vida, como doações consignadas em testamento para transmissão pos mortem.
Ignácio de Lacerda Werneck, por exemplo, que foi Provedor da C.C.L. durante 28 anos, de 25/04/1908 até 08/06/1936, data do seu falecimento, fez doação ao Hospital de dois prédios residenciais seus: um na Rua Cotegipe, outro na antiga Rua do Rosário (hoje, Rua Tiradentes). Muitas foram, também, as doações em bens móveis, como apólices, ações de empresas, mobiliário, roupas, etc.
A história da nossa centenária Instituição de Caridade nos lembra (ou nos ensina!) que ela nasceu e tem buscado sobreviver, sempre, sob a égide exclusiva do sentimento de solidariedade do povo bom e culto desta amada Leopoldina.
Impávido, como a reverenciar seus antigos benfeitores, segue o prédio de 1902, após um século de reformas, adaptações e acréscimos, abrigando - com relativo conforto e já agora com boa tecnologia - a Casa de Caridade Leopoldinense.
Corpo Clínico com cerca de 60 médicos, cobrindo as principais especialidades; 168 leitos em utilização; 6 leitos de C.T.I. (com possibilidade de expansão para 12),detendo, na Região, a melhor classificação técnica da Secretaria de Saúde; 6 profissionais de enfermagem de nível superior; 66 auxiliares de enfermagem; 2 técnicos; 8 atendentes de enfermagem; e 180 funcionários.
É certo que a Instituição ainda enfrenta problemas, comuns aos Hospitais que "foram crescendo com o tempo". Problemas como os múltiplos portões de acesso existentes (duas grandes portas simetricamente opostas num enorme quarteirão, entradas adicionais através do Pronto Socorro, etc.) fatores que dificultam o controle de pessoas, a vigilância sobre objetos, o registro regular para cobrança de certos exames e até de procedimentos cirúrgicos. Há, também, seções administrativas em espaços demasiado internos. Pouca funcionalidade em setores como o Raio-X, locado no interior do nosocômio, impondo trânsito de "não doentes" pelos setores reservados do Hospital, tumultuando o controle de visitas nas enfermarias, etc.
Aliás, o Raio-X está em obras para ter um acesso externo, pretendendo-se unificar todo o Setor de Imagens.
Com recursos limitados, nosso Hospital vai melhorando aos poucos. Vez por outra a população de Leopoldina é convidada a mais um gesto de amor à sua centenária aliada das horas difíceis - a Casa de Caridade.
Assim é que no último dia 3 de agosto de 2001 o Hospital comemorou seus 105 anos. Um século de serviços à população carente de Leopoldina. Parabéns à CCL, parabéns aos funcionários, aos médicos, ao corpo de enfermagem e aos auxiliares. Parabéns à primeira Diretoria, bravos fundadores, cento e cinco anos depois vivos em nossa memória reconhecida! (Primeira Diretoria, empossada em 1897)
PRESIDENTE: Tenente Coronel Manoel Lobato Galvão de São Martinho
VICE-PRESIDENTE: Dr. Joaquim Antonio Dutra (Médico, Presidente da Câmara Municipal)
TESOUREIRO: João Luiz Guilherme Gaide
SECRETARIO: Dr. José Monteiro Ribeiro Junqueira
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(Publicada na Gazeta de Leopoldina de agosto de 2001)
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