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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Para mim, tudo certo

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Maio, 2007

E eis que pipoca na praça mais um escândalo de nacionais proporções no consectário da Operação Navalha, da Polícia Federal. O rebu gira em torno de propinas destinadas a uma grande Empreiteira, a “Gautama”, recebidas por políticos. Como envolvido mais notório aparece o Senador alagoano, Renan Calheiros, presidente do Senado.

Já existe lista de assinaturas para CPIs, na Câmara e no Senado, em cima dos agrados pré e pós eleitorais, oferecidos a políticos por empreiteiras. Esse tipo de CPI, no entanto, é difícil de sair: senadores e deputados não seriam ingênuos ao ponto de, coletivamente, praticarem harakiri político. Escaparia pouca gente.

Com, ou sem, CPI, é mais uma ação pirotécnica destinada a dar em nada. Aliás um dos meus sonhos de consumo é não morrer antes ver um escândalo político, no Brasil, dar em tudo.
Neste caso da Operação Navalha, por exemplo, dos cerca de quarenta presos pela PF, apenas oito continuavam detidos seis dias depois de presos. Não demora, estarão também logo soltos.

A indignação das ruas pergunta:
-Por que foram soltos? Ora, porque a lei manda soltar. A lei dá direito a eles de "responder" em liberdade. A lei diz que eles devem ser presos depois de processados e condenados.

-Quem fez a lei? Claro, o poder legislativo. Deputados e senadores.
-Quem poderia modificar esta lei? Apenas o legislativo pode criar e modificar leis.
-Os juízes não podem? Claro que não, a função dos Tribunais é APLICAR a lei.
-Mas em processo regular esse pessoal - muitos deles beneficiados por foro privilegiado - não deverá ser absolvido? Quase que certamente.
-Por que razão? Primeiro, porque nossa "cultura", social e jurídica, ainda não convive bem com o trancafiamento, numa cela, de pessoas da alta classe média, ou seja, pessoas como esses empresários e políticos que atuam no colarinho organizado. Segundo, porque, no caso do foro privilegiado, nossos Tribunais ainda não dispõem de meios adequados para apreciação de provas. Em nosso sistema jurídico esta atribuição é dos juízes singulares, nas Varas. Ou seja, ainda não temos um judiciário à altura do país civilizado com que sonhamos.

Isto, não exatamente por culpa do judiciário, como se vê, mas do momento histórico, do aperfeiçoamento que nos falta nas instituições e na própria lei. Mas podemos estar tranquilos. É questão de tempo. A seriedade está vindo aí. Teremos esse Judiciário muito em breve. O Ministério Público e a Polícia Federal aparelharam-se primeiro. Por isto incomodam o status quo vigente.

Aos poucos vamos superando a cultura de que só o ladrão de galinhas deva ser preso. Já estamos prendendo gente conhecida. A reação do colarinho organizado é natural e previsível. Já falam em processos sigilosos, querem mais silêncio (mordaça) na imprensa. Dois ministros do Supremo “discordaram dos métodos” da PF... Viram excessos. Criticaram o que chamaram de "mega-aparições”.

A maioria dos brasileiros, entretanto, não viu nada disto. Viu, e tem visto sempre, é excesso na roubalheira de dinheiro público por empresários mancomunados com políticos. São as "mega-aparições" que trazem o problema a público e à discussão. O sigilo sempre aproveitará aos bandidos.

Age corretamente a Polícia Federal ao prender e algemar. Está certa a imprensa ao noticiar. Os brasileiros honestos trabalham quatro meses por ano para pagar impostos ao governo. E esses quinze minutos de desgraça poderão ser, para esses celerados, o único custo pela subtração indébita de milhões à fazenda pública.

Não vejo nada de errado. Para mim, tá tudo certo.
₪₪₪₪₪₪₪₪₪₪₪
(Publicada no jornal LEOPOLDINENSE de 31.05.2007)

Boa sorte, Dilma. Boa sorte, Serra.

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Outubro, 2010

Ando com muita pena dos dois candidatos à presidência da república. Dia 31 de outubro está chegando e eles cada vez mais inseguros em suas falas. Parecem “pisar em ovos”. A orientação que recebem dos assessores deve ser no sentido de que todo cuidado é pouco, nesta reta final. Se escorregar, pode cair e não levantar mais. Há perigo nas curvas, nas retas, nos gestos, na fotografia, nos temas. Há, sobretudo, muito perigo nas palavras.

Crateras abissais, devoradoras de reputações e projetos, se ocultam sob o terreno inconfiável do dito e do não dito. Câmeras e microfones implacáveis perscrutam semblantes e vocábulos. Há risco nas metáforas, nas elipses, nas silepses, nos eufemismos, nas hipérboles, na prosopopéia, nas metáforas, nas ambigüidades, nos neologismos, nos pleonasmos... É tudo areia movediça sob os sapatos presidenciáveis.

Há que pensar bem antes de abrir a boca, antes de calar, antes de sorrir, antes de ficar sério. “Tudo o que disseres será usado contra ti” neste processo, ó herético! E não contem mais com tempo para recolher sementes aladas dispersas ao vento. Ninguém traz de volta a palavra proferida. Falou, já era! Produzirá desdobramentos caóticos, desgarrados e agudos, pelos mais profundos rincões destes brasis sem porteiras.

Ontem, em Minas, conversando com dois trabalhadores rurais (suados ao sol, eles erguiam uma cerca com mourões e arame farpado), um deles me perguntou sobre a tal “bolinha de papel” dirigida à brunida calva do candidato José Serra. Queria saber se, de fato, outro “artefato” lhe fora endereçado à cachola, já que TV não mostrou com clareza.

Hoje, quarta-feira, 27, dia exato em que rabisco estas mal dispostas linhas, um taxista da zona sul do Rio de Janeiro também deu tratos à “bolinha de papel”. Foi o assunto preferido dele, comigo, entre o Leblon e o Flamengo. Só que, neste caso, com opinião formada sobre a muvuca, o homem estilava ódio por todos os poros.

Observei nestas duas manifestações, distantes na geografia, como um episódio de tão módica relevância tem hoje o condão de alastrar-se pelo país. Com informação não se brinca.

Vem aí, na próxima sexta, o derradeiro debate pela TV. É certo que os candidatos a ele deverão comparecer com ânimos opostos. Serra talvez venha a revelar-se mais incisivo. Enfrenta, como vem acontecendo, um sério complicador: não pode falar mal do Lula, com altíssimo índice de aprovação popular, circunstância que faz de Serra um quase “prisioneiro cultural”.

Como é sua última aparição, certamente será menos ambíguo. Deve considerar que vento forte em alto mar pode produzir ondas mortíferas, mas sem ele o náufrago jamais chegará à praia.

Dilma, com vantagem confortável nas pesquisas, torce contra o relógio. Tende a ficar “na sua”. O Brasil, do lado de cá do monitor, estará considerando cada monossílabo da dupla.

Gosto popular é algo sem muito padrão ou medida. Mas, nem pensar em factoides. Até hoje não houve um que desse certo. A falta de controle sobre a imprensa vem dando ensejo a que ela dissemine raciocínio lógico entre as pessoas e aí tudo fica imprevisível.

A melhor saída para os candidatos talvez seja um esforço para dizer a verdade. Até nisto, entretanto, toda moderação é recomendável. Verdade não rende votos. Ela é chocha e troncha como uma bucha vegetal. Não reverbera nem repercute. Não ajuda ninguém a ser melhor ou mais honesto que o outro. Principalmente porque verdade em boca de político é conceito tortuoso no lugar errado. Não cola.

Seja lá como for a decisão estará nas mãos do povo e será conhecida na próxima segunda-feira. Esse nosso povão criança que a tudo assiste e a tudo assimila pela metade. Vamos a ver. Pela ordem alfabética, boa sorte, Dilma, boa sorte, Serra!
E cuidado com o que vocês vão dizer na frente das crianças.
₪₪₪₪₪₪₪₪₪₪₪
(Publicado em 28.10.2009 em http://oglobo.globo.com/pais/noblat/mariahelena/ e no jornal LEOPOLDINENSE)

Aviso

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Quem por aqui me dá nova
Dum amor que já foi meu,
O dono andava sumido
Agora já apareceu.
Cabra que ´tiver com ela
Se for nego de opinião
Sabendo que eu tô de roda
Não largue mais o facão.
E se for um poeta
Que não tenha medo da morte
Nem de morrer faça conta,
Sabendo a graça do dono
Não larga as facas de ponta.
********

(Letra recuperada de calango ouvido em 19 60 numa festa de fazenda, no interior de Minas)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Genéricos do Serra

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Outubro, 2010

Completamos hoje setenta Conversas Mineiras neste nobre espaço do Blog da amiga Maria Helena Rubinato. Se querem saber, é prestigio além da conta para as ambições singelas deste escriba genérico. Genérico, sim, e nisto vai a razão de meus reconhecimentos não se limitarem à pessoa de Da. Lenita, amiga dileta que me concede prateleira aos fármacos de precária concepção neste espaço nobre do Globo Online.

Criatura educada que sou, devo louvação também a meu criador, o candidato tucano José Serra, que vive nos lembrando que foi ele, quando Ministro da Saúde de Fernando Henrique, que criou os “Genéricos”, através da Lei 9.787/99. Ouço todos os dias, na TV, ter sido ele o genial inventor dos produtos sem marca. Ou seja, dos remédios “joão ninguém”, dos desprovidos de nome, dos sem eira nem beira, dos “iguali a nóis mermo”...

Sendo assim, “enquanto cronista” reconhecidamente genérico, sou também cria da barriga do Serra. Sei que, portador de afabilidade meio áspera, Serra sempre me negará paternidade dizendo-se não responsável por genérico de fundo de quintal. Caso em que sopitarei minha mágoa no peito sem rancor. Fui criado em fazenda e me lembro que por mais confiável que seja o cavalo ele pode te dar um coice se você tentar montar nele pelo lado errado.

E para que o Genérico que vos fala não seja acusado de parcialidade política, não custa dar merecidos créditos ao ex-deputado Eduardo Jorge, autor do primeiro projeto de lei que “nos” inventou, e ao ex-Ministro da Saúde do Governo Itamar Franco, Jamil Haddad, todos reivindicantes da paternidade dessa linda criança que tão solicitamente atende pelo nome do “princípio ativo”.

Nós, os genéricos da vida, somos na verdade a versão atualizada do velho “brasileiro vira-latas” dos registros sociológicos debochados. Mas temos alguma dignidade. Nossa substância ativa é a mesma dos originais “dazelites” e somos intercambiáveis, ou seja, quando um “faz merda” pode entrar outro igualzinho no lugar.

Não precisamos é perder a pose. Tirando o Pelé, o Guga e a Gisele Bündchen, aquela que quase perdeu o trema antes de casar - todos os três autênticos produtos “de marca” - o que mais tem neste país é genérico dando certo. Até astronauta genérico o Brasil já inventou. Figuraça! E nem falem do escritor Paulo Coelho! Algum dia, no mundo, alguma cultura terá produzido um autor genérico com o sucesso do Paulo Coelho?

Não que a fama dele seja imerecida. Ele merece, amplamente, o renome conquistado, por uma razão óbvia: se fosse fácil escrever como ele escreve dezenas de outros escritores já teriam feito a mesma coisa, não acham? Quem não gosta de dinheiro? Só o Paulo, entretanto, parceiro de Dom Raulzito, tem o mapa e a bossa da mina. Mas que é genérico, é.

O grande campeão dos genéricos brasileiros é, disparado e sem a menor dúvida, o Lula. Longe de crítica ou preconceito, temos que admitir que por mais inteligente e diferenciado que um torneiro mecânico se revele no exercício da política e da presidência de um país como o Brasil, ele será sempre um presidente genérico.

Pode-se até admitir que a história venha fazer ao Lula, no futuro, a justiça que nós, sem a perspectiva do tempo, hoje lhe negamos. Nem assim ele deixará de ser (ou de ter sido) um presidente genérico. Até porque sua carência pessoal de “marca” sempre foi a “pièce de résistance” do marketing que ele mesmo escolheu e usa muito bem.

Outro produto genérico perfeito é Da. Dilma, livre criação laboratorial do chefe. Não ostenta patente registrada e nem ao menos tem fama de ser “boa para” isto ou “boa para” aquilo, como os remédios das comadres. Apenas “anvisam” seus distribuidores que apresenta reação “brônquica” mais severa que os originais do mercado. Sua realidade genérica é atestada por uma tarja vermelha.

Pensando bem, na política brasileira não são poucos os tipos que se enquadram na melhor noção de genérico. Dêem nomes aos burros, à vontade: senador com cabelos pintados; deputado com bigode pintado; ministro com cabelo e bigode pintado. Bota genérico nisto!

Meus nove leitores de um único dígito certamente estão com o nome do Tiririca “debaixo”, ou melhor, na ponta da língua. Pois saibam que eu não classificaria o Tiririca como genérico. Nem mesmo como genérico fabricado no mais profundo quintal de nossa “hermana” república do Paraguai. O Tiririca é outra coisa.

Ele é uma “garrafada” nordestina contra dor de barriga, vendida na feira de Caruaru em embalagem usada de agrotóxico. Como cronista genérico sinto-me desconfortável em compartilhar adjetivo com ele e acho também que, classificado como político genérico, Tiririca resultaria numa afronta à memória do “similar” Clodovil.
₪₪₪₪₪₪₪₪₪₪₪
Publ. em 21.10.2010, em
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/mariahelena/

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Estamos com Deus #

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Outubro, 2010

Sinto-me um extraterrestre, às vésperas de uma eleição presidencial, falando de outra coisa que não seja política. Dane-se quem gosta de política. Não me excita nem um pouquinho a “sexualidade” ficar por aí avaliando publicamente se devemos votar pela presença de ladrões de galinha irresponsáveis na Casa Civil ou por ladrões de Banco, no limite da responsabilidade, em gabinetes da Av. Chile, no Rio. Nego-lhes, a ambos, palavras de afeição ou repulsa.

Minha pirraça atual é com o Professor Stephen Hawking – percebem o nível? – que em seu novo livro “The Grand Design”, contraria Sir Isaac Newton e a ele mesmo, Hawking, em obra de 1988, “Uma Breve História do Tempo”, afirmando que Deus não criou o mundo. Entende ele agora que um criador simplesmente “não foi necessário” ao surgimento da criação. A lei da gravidade sozinha terá dado conta do recado.

Obediente à gravitacional de Newton, matéria se encarregou de atrair matéria na razão direta de suas massas, deu-se a baita colisão inaugural e os mundos saíram-se expandindo pelos quadrantes espaciais. Quanto a Deus ter criado a matéria, isto é, tê-la tirado do nada, Einstein, que, aliás, acreditava num Deus que “não joga dados”, já dera equação ao problema: matéria é energia concentrada, portanto algo palpável que ao quadrado da velocidade da luz volta a ser apenas energia, uma realidade impalpável... Energia que pode, perfeitamente, ter sido criada por Deus e até com Ele confundida.

Cabe objeção a um outro pressuposto, também impalpável, mas “concretamente” presente no instante da criação: o ESPAÇO. Parece que para Hawking o espaço sideral por onde o universo “não criado por Deus” pôde expandir-se, nos instantes seguintes ao “Big Bang”, apareceu ali “de favor” (ou por milagre?), paralelamente ao surgimento espontâneo dos mundos. - Quem teria criado o espaço?

Hawking ainda vive na Inglaterra e bem que poderia nos explicar se o “Baita Estrondo” que resultou no mundo sem a necessária participação de um Deus, produziu também o espaço por onde as galáxias se expandiram. - Como terá surgido do nada o espaço infinito? Newton não o ajuda aí.

Por sua infinitude, o universo encerra mais dúvidas que certezas e não se nega que a ciência sempre agregue boas certezas. Só acho que nós temos certa pressa de tirar Deus da jogada. Isto vem de longe, desde que Copérnico desconfiou que a terra não fosse o centro do universo. E, ainda hoje, a existência de Deus entra em cheque a cada novo mergulho nas partículas elementares, como se a ciência precisasse empurrar Deus sempre para mais longe…

No entanto a melhor metáfora de Deus talvez esteja no oposto spinozo-panteista do macrocosmo, no incomensurável espaço sideral com seus atributos (divinos?) de “maior que tudo”, onipotência, eternidade, onipresença, existência incorpórea e necessária. O espaço cuja largueza infinda o estupendo parto universal simplesmente não teria leito onde deitar sua cria.

Tão insondável é a extensão celestial que escapa ao cérebro humano sua compreensão – do que não tem começo nem fim, independente da direção que se o perscrute.
-Que outro conceito senão o espaço cósmico estaria tão próximo da realidade divina como a podemos conceber?

Fiquemos então combinados: até prova em contrário, Deus é imagem e semelhança do espaço infinito, condição primeira da criação e causa em si. Não importa a latitude que nossos sapatos toquem a esfera terrestre. Quando olhamos para o alto Ele está sempre lá. E nós estamos com Deus.
₪₪₪₪₪₪₪₪₪₪₪
(Publicada aos 14.10.2010 em http://oglobo.globo.com/pais/noblat/mariahelena/)

sábado, 9 de outubro de 2010

Sereno e Neon

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(Canção com letra de José do Carmo e Roberto e música de Roberto J. de Souza)
Performance: Roberto Souza

Quantas vezes vi você saindo
Alta madrugada
Com destino ignorado.
Quantas vezes me virei na geladeira,
Sentimentos na lixeira,
Desvelei nossos cuidados.


*******
No sereno da incerteza eu descobri
Que a esperança era em vão,
Decididamente,
O neon é uma ilusão.

*******
E agora,
Conformado é o meu adeus,
Passe bem, boa viagem,
Recomende-me aos seus.
₪₪₪₪₪₪₪₪₪₪₪
JC Jan.2000

Ouvir Aqui

Gigolô Ressentido

***
Meu grande amor por onde andas eu não sei
O mais provável é que você esteja bem,
Saia curtinha, botas negras, cano longo
Mãos delicadas na algibeira de alguém.

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Sinceramente, afoguei-me em lembranças
Naquele dia em que você rompeu meu dique
Tiro certeiro abaixo da linha d'água
E meu naufrágio bem ao estilo Titanic.

*******
Minhas canções são dolentes partituras
Do quanto eu sofro elas dão bem a medida
Versões de tangos e antiquíssimos boleros
Yo tengo ganas de llorar tua partida.

*******
Todos se lembram, la distancia és sin olvido
Você nos braços de um qualquer, é coisa horrível
Infelizmente, deu-se o que mamãe dizia:
- Olha meu filho, ela não tem o seu nível!
₪₪₪₪₪₪₪₪₪₪₪
JC, 07/05/01.
(Canção com letra de José do Carmo e música de Roberto J. de Souza)
Performance: Roberto Souza