***
Setembro, 2005
Em setembro de 1999, logo após o sepultamento de Antonio Nilo de Almeida, na condição de colaborador eventual da Gazeta de Leopoldina, publicamos um desabafo de saudade, sob o impacto da emoção e do grande sentimento de perda que aquele momento nos trazia. Dissemos que a vida às vezes é injusta. Que acabávamos de levar à sepultura, em Tebas, na terça-feira, 14 de setembro, nosso dileto amigo, vereador Nilo Ramos, como era conhecido.
Nilo, ou o Nilão que venerávamos, era uma pessoa extraordinária que teria merecido viver muitos anos mais. Homem bom, solidário, esposo exemplar, pai amoroso, vocação pública retilínea e grande caráter. O câncer o surpreendeu na plenitude da capacidade intelectual e criadora.
Por familiares, soubemos que Nilo lutou muito contra a doença. Lutou com muita coragem e fé. Mas Deus tem critérios - para nós, insondáveis - e decidiu mesmo por chamá-lo aos 66 anos de idade. Leopoldina perdeu um valor insubstituível, uma autêntica reserva moral em sua Câmara de Vereadores. Foi enorme a dimensão do desfalque.
Como vereador, Nilo praticava a política pelo lado único da virtude, da exação atávica herdada do pai, o também ex-vereador e ex-vice prefeito Jacyr Ramos. Personificava a lucidez e o espírito conciliatório. Um virtuose do convencimento pela via do diálogo.
Conheci-o ainda criança, meado dos anos 50, fazendo política estudantil no Colégio Leopoldinense. Lembro-me de uma eleição para o Grêmio Estudantil de Colégio Leopoldinense e o jovem Nilo se desdobrando no esforço de levar o companheiro José Laênio Loche à presidência. Ele, um rapazinho loiro, alto, magro, voz inconfundível, meio anasalada, empolgando o microfone da ZYK-5, Rádio Sociedade Leopoldina (que na época funcionava no prédio do Clube Leopoldina) concitando as massas, da sacada do prédio: - "Colegas, votemos em José Laênio Loche !..."
Depois, em 1958, terminado o Ginásio, segui para o Rio de Janeiro já matriculado num cursinho pré-vestibular. Ao descer de um ônibus da velha TAVIL na rodoviária da Praça Mauá, quem estava lá para conduzir-me à primeira morada e introduzir-me na camaradagem da turma de estudantes leopoldinenses residentes no Rio? Ele, o amigo Nilo.
Pela lateral aberta do bonde - os bondes ainda circulavam por aqueles pedaços de história - Nilo apresentou-me a Av. Rio Branco, o Tabuleiro da Baiana, o Passeio Público, os Arcos da Lapa, a Praça Paris e o Restaurante Central dos Estudantes, na Ponta do Calabouço (mais ou menos em frente ao local onde, depois, construiriam o MAM), referencial de sobrevivência dos estudantes pobres chegados ao Rio de Janeiro.
Com ajuda do Nilo, tive meu primeiro passaporte pro Restaurante do Calabouço (Um cartãozinho da UME – União Metropolitana dos Estudantes, que dava direito a duas refeições por dia no Restaurante). Ele conhecia as pessoas certas.
Nossa residência era na Rua Cândido Mendes, 235, no Bairro da Glória. Integrávamos um grupo de jovens determinados que trabalhava, estudava e ainda atiçava a fogueira estudantil que se alastrava da UNE, na Praia do Flamengo, à Av. Beira Mar, endereço do Calabouço, antes e depois do Governo João Goulart. Anos arriscados, de passeatas, detenções, balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo, mas de intensa participação estudantil na vida pública nacional.
Certamente que a influência paterna e o caldo cultural daquele início de anos 60, nutriam o futuro homem público Nilo Ramos, sedimentando nele o democrata irredutível. No início, o udenismo o seduzia. A escarlatina comunista que nos avermelhava a todos - no ambiente estudantil da UNE - não contagiava o Nilo. Pontificavam lideranças de esquerda nos Diretórios Acadêmicos de todas as faculdades. Ele estudava direito no Catete e era lacerdista... (portanto anti-comunista)
O arguto jornalista, deputado e primeiro governador eleito do ex-Estado da Guanabara, Carlos Werneck de Lacerda, senhor de retórica prodigiosa, eloqüente e persuasiva, era quem realmente cativava o Nilo. Foi Lacerda, sem dúvida, a influência mais efetiva em sua formação política.
Como prevalecesse entre nós, outros, a natural simpatia juvenil pela esquerda, fazíamos desse desalinhamento do Nilo o mote para acaloradas polêmicas, em casa, nos espaços estudantis e nas ruas. Controvérsias de faz-de-conta que podiam terminar numa repetida calúnia dos comunistas ao Lacerda: "Teu líder deixou o "PCB" pra fugir com a mala do Comitê!" Vinha aquela gargalhada gostosa do Nilo pra gente também logo embarcar no riso e congelar as desavenças em alguns chopinhos inocentes num bar da Glória ou no Spaghettilândia da Rua Álvaro Alvim, na Cinelândia.
Era assim, o meu companheiro de bons tempos, Antonio Nilo de Almeida, o Nilão, de carinhosa memória. Tempos na verdade difíceis, da luta árdua por um lugar ao sol, da afirmação pessoal, dos vestibulares com questões descritivas, dos comícios no Automóvel Clube; das passeatas na Rio Branco e no Passeio Público; da revolução cubana de 59; da guerra fria.
Mas tempos também de participação e alegria, com os meninos que éramos correndo atrás do caminhão dos bombeiros que trazia, do Galeão, a Seleção de 58; do JK abraçando Garrincha, Didi & Cia. num palanque em frente ao Palácio do Catete; dos primeiros carros nacionais; dos vôos espaciais; do Yuri Gagarin acenando pra gente da sacada da UNE, na praia do Flamengo; da Bossa Nova nascendo em Copacabana, no Beco das Garrafas; do Cinema Novo; dos filmes da Atlândida; da Banda de Ipanema; da crise que foi dar no golpe militar de 64.
E bons tempos também dos bailes da vida; dos anos dourados; do rock 'n roll; dos festivais na TV; do footing na Cinelândia; dos leopoldinenses reunidos na praia, ao sol do Posto-2; das muitas festas de formatura nos salões do Hotel Glória.
O Nilo dessa época, porém, apaixonado por aquela que viria a ser a mãe de seus filhos, já andava disposto a trocar nossa festa carioca pelo amor de sua vida, uma moça linda e inteligente, nascida em Tebas, a Creusa Ávila.
A paixão chegou a fazer dele o nosso seresteiro. Boleros e samba-canções intermináveis, em português e espanhol, cantados pelo Nilo dominavam um pequeno quarto, repleto de estudantes sonhadores, numa ladeira de Santa Tereza, mas a destinatária das canções, a gente sabia que morava em Tebas.
Num outro canto do quarto, equilibrando conceitos apostilados de biologia e química orgânica numa mesinha estreita, o futuro médico Celso Pereira Ávila, o constrangido irmão da moça, compenetrava-se no estudo e devia matutar em silêncio: "Isto é com a minha irmã!"...
Antonio Nilo formou-se em direito pela Faculdade do Catete, casou-se, foi gerente de Banco e ao voltar às origens, aposentado, imaginou que vocação política e amor a Tebas dariam um apostolado. E deu. É dele a assertiva: "Ninguém ama sua terra pelo que ela é, mas sim porque ela é sua".
Duas vezes vereador, tornava-se emblemático mercê de sua dimensão pessoal excedente ao cargo. Sobrando em valores morais e estatura, alcançava aqueles que tanto dignificaram nossa Câmara, inscrevendo seus nomes ilustres na história do legislativo municipal leopoldinense: Carlos Luz, Chico Bastos, Olivier Fajardo, Lolô Vieira, Durval Bastos, Ely Rodrigues Neto, Justiniano Fonseca, Jacyr Ramos, Eloy Rodrigues Neto e tantos outros... Agora também, com toda justiça, seu próprio filho, Ricardo Ávila.
- Companheiro Nilo, você foi um irmão. Obrigado por sua amizade. Obrigado pelo privilégio das experiências e do aprendizado recíproco no pedaço mais bonito de nossas vidas. Como disse, você mereceria ter continuado a viver. Mas se é desígnio do alto, você mereceu também conhecer a Deus. Sempre sentiremos sua falta. Tebas inteira sentirá. Leopoldina sentirá. Sua esposa, seus filhos, os amigos...
Guarde para sempre o meu abraço comovido. Alguém disse, Nilo, que o casulo que serve de túmulo à lagarta é também o berço de uma linda borboleta transformada. Você partiu, interrompendo uma carreira promissora, frustrando sonhos, ideais acalentados, produzindo saudade. Mas quem garante, amigo, que tudo isto não passe de simples renascimento para vôos ainda mais altos? Você passou a trilhar, desde o dia de sua partida, o caminho da resposta.
₪₪₪₪₪₪₪₪₪₪₪
(Publicada jornal LEOPOLDINENSE de 15.09.2005)
sábado, 18 de setembro de 2010
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Um Fastio
***
Dezembro, 2006
₪₪₪₪₪₪₪₪₪₪₪
(Publicada no jornal LEOPOLDINENSE de 15 dezembro de 2006)
Dezembro, 2006
Preocupa o quadro mórbido-depressivo do cidadão J. Fastídio. Justo
ele que jamais havia denotado nó psicopático hereditário a demandar
alienísticos, contenção ou eletrochoque!
De verdade, os incômodos que lhe mortificam o espírito seriam
entulhos do quotidiano de quem simplesmente está vivo quando, com toda razão,
preferiria estar morto. Viver no mundo de hoje parece ser o grande problema do potencial
suicida.
É certo que o vereador/médico que o assiste em consultas pelo
SUS, ou seja, sem colocar o ouvido nas costas dele e mandar dizer "trinta
e três", não cansa de diagnosticar-lhe piti. O “dado concreto”, porém, para usar
expressão erudita de conhecido filósofo do ABC paulista, é que J. Fastídio anda
de saco cheio com a própria existência e deseja passar para o lado de lá.
Morrer. Regressar ao éter da vastidão sideral, num salto espetacular pelas
laterais do planeta.
No toalete de rodoviária onde talvez rabisque seu derradeiro
bilhete, haverá de declarar-se rompido com os estorvos da vida civilizada que
tanto lhe molestam a existência:
Fundo musical de vídeo game; música baiana; ligações de telemarketing; novela das sete, com atores sem
camisa; cocô de cachorro na praia e na rua; favor concedido a quem não larga
mais do seu pé; check in feito uma hora antes do atraso de quatro horas nos aeroportos;
empurrômetro de Seguro na gerência dos Bancos; processo judicial pra receber
sinistro das Seguradoras; controle de araque, da Anatel, sobre as empresas de
telefonia; saber que todas essas Agências Controladoras não passam de
autarquias de caracacá mantidas pelas próprias empresas controladas;
reportagens fotográficas da Revista Caras; anuidades de Conselhos Regionais
disto e daquilo, na verdade sinecuras malandras sem nenhuma atuação prática em
favor das pessoas e das empresas das quais vivem a extorquir anuidades; voto vendido
por eleitor semi-analfa; ética de empreiteiras; DNA de 80% dos brasileiros,
portadores da sina atávica da corrupção e do furto (quem achar alto o
percentual, esqueça por cinco minutos qualquer objeto na soleira de uma janela
baixa); falta de profissionalismo e de respeito no atendimento ao contribuinte
em balcões de órgãos públicos; morosidade da justiça; arrogância de quem se
supõe superior; moscas ou cheiro de barata no restaurante eleito para o almoço
do domingo; gente que não consegue ficar calada, vertendo perdigotos sobre a
comida no self service; horário político na TV; habeas corpus para bandido de colarinho branco;
pilantra mau-pagador requerendo danos morais em juizado especial contra quem
simplesmente lhe cobrou uma dívida; povão andando acintosamente na frente dos
carros no intento de descolar uma invalidez permanente; correntes, enviadas por
carta ou por e-mail com ameaça de castigo divino; pedidos de colaboração para obra
caritativa lá no raio-que-os-parta; notícia de recrudescimento do conflito no
Oriente Médio; notícia de novo escândalo político e nome da correspondente
operação da Polícia Federal; promessa de rigoroso inquérito; vinhetas do
próximo Big Brother; locutor de microfone à mão, com voz pastosa, anunciando produtos
na porta de loja comercial; ouvir comerciante dizer que “vai ficar te devendo”
o que você foi comprar e ele não tem...
Não sei se suicídio resolve. A informação que tenho é que J.
Fastídio está decidido a morrer por todos nós.
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(Publicada no jornal LEOPOLDINENSE de 15 dezembro de 2006)
sábado, 11 de setembro de 2010
Frei Beto – Deus é Amor
(Foto: Internet)
Março, 2006
Com o falecimento do Papa João Paulo II, o Colégio Cardinalício, composto por dezenas de religiosos que dedicaram suas vidas ao estudo das questões da fé – alguns, verdadeiros gênios; outros, quase santos – escolheu, com folgada maioria, o Cardeal Joseph Ratzinger para ser o novo Papa. Reações pouco simpáticas pipocaram pelo mundo.
Tudo porque o ex-cardeal Ratzinger, à frente da Congregação para a Doutrina da Fé, função em que esteve por 24 anos, revelou-se muito leal à teologia da Igreja Católica. Consideravam-no “demasiado ortodoxo”, não alcançando as razões do Arcebispo de Munique, ali onde ele dissera que, às vezes, “a bondade implica também na capacidade de dizer não”.
Esqueciam-se que Ratzinger fora o grande teólogo liberal do Concílio Vaticano II e que o religioso culto e superior que, aos 78 anos, aceitava o desafio transcendente daquela escolha certamente nos reservava um pontificado de paz muito atenta à compreensão e à aproximação entre os povos.
Com efeito, sai agora a Primeira Encíclica de Bento XVI, Deus é Amor. Por respeito aos nossos poucos leitores não ousaremos comentá-la. Quando a seriedade de um assunto esbarra em nossas limitações, a transcrição é mais prudente. Vejam o que sobre a Encíclica escreveu Frei Betto:
“A Encíclica Deus é Amor, a primeira do novo Papa, surpreende positivamente em muitos aspectos, malgrado a linguagem requintada, de difícil comunicação com o público jovem. Bento XVI rompe a retórica majestática, tão ao gosto de papas e cardeais, para falar na primeira pessoa: “Na minha primeira encíclica desejo falar do amor”. E o faz recorrendo não só a autores cristãos, mas também a clássicos pagãos e outros que tiveram suas obras proibidas pela Igreja: Platão, Aristóteles, Virgílio, Gassendi, Descartes e Nietzsche.
O Papado pronuncia-se com novo sotaque. Nada de condenações, escrúpulos, moralismos. O amor é encarado em sua dimensão totalizante, de inter-relação com Deus, o próximo, a coletividade. Não se retrai o autor frente a arroubos poéticos, superando dualismos entranhados na tradição eclesiástica: “O amor entre o homem e a mulher, no qual concorrem indivisivelmente corpo e alma, e se abre ao ser humano uma promessa de felicidade que parece irresistível, sobressai como arquétipo de amor por excelência, de tal modo que, comparados com ele, à primeira vista, todos os demais tipos de amor se ofuscam”. E exalta as “arrojadas imagens eróticas” dos profetas Oséias e Ezequiel e do Cântico dos Cânticos.
Ao criticar a visão platônica, tão freqüente na tradição da Igreja, o Papa faz mea-culpa: “Hoje não é raro ouvir censurar o cristianismo do passado por ter sido adversário da corporeidade; a realidade é que sempre houve tendências neste sentido”. E sublinha: “Nem o espírito ama sozinho, nem o corpo: é o homem, a pessoa, que ama como criatura unitária, de que fazem parte o corpo e a alma. Somente quando ambos se fundem verdadeiramente numa unidade é que o homem se torna plenamente ele próprio. Só deste modo é que o amor - o eros -pode amadurecer até à sua verdadeira grandeza”.
Bento XVI evoca a didática grega para traduzir as dimensões do amor: o eros, a atração arrebatadora que subjuga a razão; a philia, o amor entre amigos; e o ágape, o cuidado do outro, o sacrifício de si, a abertura ao transcendente. Este último plenifica o amor e instaura, não “a imersão no inebriamento da felicidade”, mas o bem do amado. “Sim, o amor é êxtase; êxtase, não no sentido de um instante de inebriamento, mas como caminho, como êxodo permanente do eu fechado em si mesmo para a sua libertação no dom de si e, precisamente dessa forma, para o reencontro de si mesmo, mais ainda para a descoberta de Deus”. Bento XVI poderia incluir uma quarta dimensão, a mais aviltante: porno, o prazer de um resultando na degradação do outro.
O pontífice recusa a antinomia entre eros e ágape: “Se se quisesse levar ao extremo esta antítese, a essência do cristianismo terminaria desarticulada das relações básicas e vitais da existência humana e constituiria um mundo independente, considerado talvez admirável, mas decididamente separado do conjunto da existência humana”. E enfatiza: “No fundo, o amor é uma única realidade, embora com distintas dimensões; caso a caso, pode uma ou outra dimensão sobressair mais. Mas, quando as duas dimensões se separam completamente uma da outra, surge uma caricatura ou, de qualquer modo, uma forma redutiva do amor”.
A encíclica sublinha a dimensão acentuada pela teologia da libertação: “Jesus identifica-Se com os necessitados: famintos, sedentos, forasteiros, nus, enfermos, encarcerados. Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes (Mt 25, 40). Amor a Deus e amor ao próximo fundem-se num todo: no mais pequenino, encontramos o próprio Jesus e, em Jesus, encontramos Deus”.
Numa definição primorosa, o papa afirma que “a natureza íntima da Igreja exprime-se num tríplice dever: anúncio da Palavra de Deus (kerygma-martyria), celebração dos Sacramentos (liturgia), serviço da caridade (diakonia)”. Pois “a Igreja é a família de Deus no mundo. Nesta família, não deve haver ninguém que sofra por falta do necessário”.
Nessa linha, o documento papal reconhece a pertinência da crítica marxista, que contém “algo de verdade”: “Forçoso é admitir que os representantes da Igreja só lentamente se foram dando conta de que se colocava em moldes novos o problema da justa estrutura da sociedade”. Assim, numa defesa intransigente da autonomia da política e da laicidade do Estado, Bento XVI sinaliza que, na busca da Justiça, “política e fé tocam-se” e deixa claro que “não pretende conferir à Igreja poder sobre o Estado; nem quer impor àqueles que não compartilham a fé, perspectivas e formas de comportamento que pertencem a esta”.
A Igreja não pode pretender confessionalizar o mundo da política, nem este querer reduzir a religião ao âmbito da sacristia: “A Igreja não pode nem deve tomar nas suas próprias mãos a batalha política para realizar a sociedade mais justa possível. Não pode nem deve colocar-se no lugar do Estado. Mas também não pode nem deve ficar à margem da luta pela justiça”. Não se faça do exercício da caridade uma tática de proselitismo: “Quem realiza a caridade em nome da Igreja nunca procurará impor aos outros a fé da Igreja. Sabe que o amor, na sua pureza e gratuidade, é o melhor testemunho do Deus em quem acreditamos e pelo qual somos impelidos a amar”.
A encíclica do amor estaria mais completa se contextualizada na atual conjuntura mundial, retomando a crítica contundente que João Paulo II fez do neoliberalismo, da invasão do Iraque, do neocolonialismo consubstanciado no escorchante endividamento dos países pobres, empecilhos à “civilização do amor” sonhada por Paulo VI.”
₪₪₪₪₪₪₪₪₪₪₪
(Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, é religioso, escritor e assessor de movimentos sociais. Autor de “Típicos Tipos” (A Girafa), prêmio Jabuti 2005, entre outros livros, foi assessor especial da Presidência da República (2003-2004))
Com o falecimento do Papa João Paulo II, o Colégio Cardinalício, composto por dezenas de religiosos que dedicaram suas vidas ao estudo das questões da fé – alguns, verdadeiros gênios; outros, quase santos – escolheu, com folgada maioria, o Cardeal Joseph Ratzinger para ser o novo Papa. Reações pouco simpáticas pipocaram pelo mundo.
Tudo porque o ex-cardeal Ratzinger, à frente da Congregação para a Doutrina da Fé, função em que esteve por 24 anos, revelou-se muito leal à teologia da Igreja Católica. Consideravam-no “demasiado ortodoxo”, não alcançando as razões do Arcebispo de Munique, ali onde ele dissera que, às vezes, “a bondade implica também na capacidade de dizer não”.
Esqueciam-se que Ratzinger fora o grande teólogo liberal do Concílio Vaticano II e que o religioso culto e superior que, aos 78 anos, aceitava o desafio transcendente daquela escolha certamente nos reservava um pontificado de paz muito atenta à compreensão e à aproximação entre os povos.
Com efeito, sai agora a Primeira Encíclica de Bento XVI, Deus é Amor. Por respeito aos nossos poucos leitores não ousaremos comentá-la. Quando a seriedade de um assunto esbarra em nossas limitações, a transcrição é mais prudente. Vejam o que sobre a Encíclica escreveu Frei Betto:
“A Encíclica Deus é Amor, a primeira do novo Papa, surpreende positivamente em muitos aspectos, malgrado a linguagem requintada, de difícil comunicação com o público jovem. Bento XVI rompe a retórica majestática, tão ao gosto de papas e cardeais, para falar na primeira pessoa: “Na minha primeira encíclica desejo falar do amor”. E o faz recorrendo não só a autores cristãos, mas também a clássicos pagãos e outros que tiveram suas obras proibidas pela Igreja: Platão, Aristóteles, Virgílio, Gassendi, Descartes e Nietzsche.
O Papado pronuncia-se com novo sotaque. Nada de condenações, escrúpulos, moralismos. O amor é encarado em sua dimensão totalizante, de inter-relação com Deus, o próximo, a coletividade. Não se retrai o autor frente a arroubos poéticos, superando dualismos entranhados na tradição eclesiástica: “O amor entre o homem e a mulher, no qual concorrem indivisivelmente corpo e alma, e se abre ao ser humano uma promessa de felicidade que parece irresistível, sobressai como arquétipo de amor por excelência, de tal modo que, comparados com ele, à primeira vista, todos os demais tipos de amor se ofuscam”. E exalta as “arrojadas imagens eróticas” dos profetas Oséias e Ezequiel e do Cântico dos Cânticos.
Ao criticar a visão platônica, tão freqüente na tradição da Igreja, o Papa faz mea-culpa: “Hoje não é raro ouvir censurar o cristianismo do passado por ter sido adversário da corporeidade; a realidade é que sempre houve tendências neste sentido”. E sublinha: “Nem o espírito ama sozinho, nem o corpo: é o homem, a pessoa, que ama como criatura unitária, de que fazem parte o corpo e a alma. Somente quando ambos se fundem verdadeiramente numa unidade é que o homem se torna plenamente ele próprio. Só deste modo é que o amor - o eros -pode amadurecer até à sua verdadeira grandeza”.
Bento XVI evoca a didática grega para traduzir as dimensões do amor: o eros, a atração arrebatadora que subjuga a razão; a philia, o amor entre amigos; e o ágape, o cuidado do outro, o sacrifício de si, a abertura ao transcendente. Este último plenifica o amor e instaura, não “a imersão no inebriamento da felicidade”, mas o bem do amado. “Sim, o amor é êxtase; êxtase, não no sentido de um instante de inebriamento, mas como caminho, como êxodo permanente do eu fechado em si mesmo para a sua libertação no dom de si e, precisamente dessa forma, para o reencontro de si mesmo, mais ainda para a descoberta de Deus”. Bento XVI poderia incluir uma quarta dimensão, a mais aviltante: porno, o prazer de um resultando na degradação do outro.
O pontífice recusa a antinomia entre eros e ágape: “Se se quisesse levar ao extremo esta antítese, a essência do cristianismo terminaria desarticulada das relações básicas e vitais da existência humana e constituiria um mundo independente, considerado talvez admirável, mas decididamente separado do conjunto da existência humana”. E enfatiza: “No fundo, o amor é uma única realidade, embora com distintas dimensões; caso a caso, pode uma ou outra dimensão sobressair mais. Mas, quando as duas dimensões se separam completamente uma da outra, surge uma caricatura ou, de qualquer modo, uma forma redutiva do amor”.
A encíclica sublinha a dimensão acentuada pela teologia da libertação: “Jesus identifica-Se com os necessitados: famintos, sedentos, forasteiros, nus, enfermos, encarcerados. Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes (Mt 25, 40). Amor a Deus e amor ao próximo fundem-se num todo: no mais pequenino, encontramos o próprio Jesus e, em Jesus, encontramos Deus”.
Numa definição primorosa, o papa afirma que “a natureza íntima da Igreja exprime-se num tríplice dever: anúncio da Palavra de Deus (kerygma-martyria), celebração dos Sacramentos (liturgia), serviço da caridade (diakonia)”. Pois “a Igreja é a família de Deus no mundo. Nesta família, não deve haver ninguém que sofra por falta do necessário”.
Nessa linha, o documento papal reconhece a pertinência da crítica marxista, que contém “algo de verdade”: “Forçoso é admitir que os representantes da Igreja só lentamente se foram dando conta de que se colocava em moldes novos o problema da justa estrutura da sociedade”. Assim, numa defesa intransigente da autonomia da política e da laicidade do Estado, Bento XVI sinaliza que, na busca da Justiça, “política e fé tocam-se” e deixa claro que “não pretende conferir à Igreja poder sobre o Estado; nem quer impor àqueles que não compartilham a fé, perspectivas e formas de comportamento que pertencem a esta”.
A Igreja não pode pretender confessionalizar o mundo da política, nem este querer reduzir a religião ao âmbito da sacristia: “A Igreja não pode nem deve tomar nas suas próprias mãos a batalha política para realizar a sociedade mais justa possível. Não pode nem deve colocar-se no lugar do Estado. Mas também não pode nem deve ficar à margem da luta pela justiça”. Não se faça do exercício da caridade uma tática de proselitismo: “Quem realiza a caridade em nome da Igreja nunca procurará impor aos outros a fé da Igreja. Sabe que o amor, na sua pureza e gratuidade, é o melhor testemunho do Deus em quem acreditamos e pelo qual somos impelidos a amar”.
A encíclica do amor estaria mais completa se contextualizada na atual conjuntura mundial, retomando a crítica contundente que João Paulo II fez do neoliberalismo, da invasão do Iraque, do neocolonialismo consubstanciado no escorchante endividamento dos países pobres, empecilhos à “civilização do amor” sonhada por Paulo VI.”
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(Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, é religioso, escritor e assessor de movimentos sociais. Autor de “Típicos Tipos” (A Girafa), prêmio Jabuti 2005, entre outros livros, foi assessor especial da Presidência da República (2003-2004))
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
E agora, José?
***
A oposição precisava, com urgência, de um fato com que tentar mudar o jogo diante do surpreendente avanço da candidata Dilma nas pesquisas. Por um momento pareceu que o oportuno escândalo da quebra de sigilos na Receita Federal renderia dividendos. Evidências de ação criminosa de petistas “aloprados” no imbróglio eram reais e o filão prometia.
Infelizmente, parece que a agulha se revelará fina demais para romper o duro casco da tartaruga lulista. O povo não dá sinais de reagir ao que vê. Na verdade o povo não está entendendo lhufas, não está nem aí pra essa história enrolada de sigilo quebrado.
Neste país – ó meu fortuito e heróico leitor – pouca gente além de nós dois tem noção do que representem valores como privacidade e sigilo fiscal. São abstrações que escapam ao imaginário popular.
Não é pro bico de qualquer um avaliar a natureza e a extensão do dano causado por uma quebra de sigilo fiscal. Mais complicado ainda seria esse mesmo indivíduo colocar em prática valores éticos – hauridos lá longe, na escola ou no berço - para, uma vez entendida a transgressão, vir a posicionar-se contra ela.
Falta ao nosso Brasil brasileiro lucidez para julgar situações minimamente complexas. Estamos ainda a uma boa distância daquele eleitor sujeito da história, com visão do entorno social em que vive, com noção da amplitude e da repercussão dos fatos.
Nossa realidade é de uma cidadania manipulável pelo estômago e pelos sonhos de consumo, na qual os apelos classistas mais primitivos, como oposição dos interesses dos pobres aos interesses dos ricos, ainda repercutem positivamente com retorno eleitoral bobalhão.
Que ninguém se assuste ao ouvir manifestações positivas à violação sistemática do sigilo bancário e fiscal dos ricos, como justo antídoto a que “os bacanos não tenham como esconder dinheiro roubado”... Garantia ao sigilo bancário e fiscal, para significativo contingente da população brasileira, não passa de mero expediente de acobertar falcatruas.
Por essas e por outras, quando o PSDB põe a boca no mundo para verberar a quebra de sigilo fiscal de seus caciques, realizada por aloprado (autorizados ou desautorizados), pode estar apenas atirando para o alto. Não vai acertar ninguém e o barulho faz vibrar tão somente suas próprias janelas. O Lula investiu pesado no social e manobra, hoje, com a quase unanimidade do eleitorado brasileiro.
É uma situação delicada esta a que chegou a oposição brasileira, com o Serra. Precisa convencer o povo de que está tudo errado, mas com o cuidado de não desagradar este mesmo povo dizendo que está tudo errado...
Cabe a perplexidade do poeta itabirano:
- E agora, José?
₪₪₪₪₪₪₪₪₪₪₪
(Publicada aos 09.09.2010 em http://oglobo.globo.com/pais/noblat/mariahelena/)
A oposição precisava, com urgência, de um fato com que tentar mudar o jogo diante do surpreendente avanço da candidata Dilma nas pesquisas. Por um momento pareceu que o oportuno escândalo da quebra de sigilos na Receita Federal renderia dividendos. Evidências de ação criminosa de petistas “aloprados” no imbróglio eram reais e o filão prometia.
Infelizmente, parece que a agulha se revelará fina demais para romper o duro casco da tartaruga lulista. O povo não dá sinais de reagir ao que vê. Na verdade o povo não está entendendo lhufas, não está nem aí pra essa história enrolada de sigilo quebrado.
Neste país – ó meu fortuito e heróico leitor – pouca gente além de nós dois tem noção do que representem valores como privacidade e sigilo fiscal. São abstrações que escapam ao imaginário popular.
Não é pro bico de qualquer um avaliar a natureza e a extensão do dano causado por uma quebra de sigilo fiscal. Mais complicado ainda seria esse mesmo indivíduo colocar em prática valores éticos – hauridos lá longe, na escola ou no berço - para, uma vez entendida a transgressão, vir a posicionar-se contra ela.
Falta ao nosso Brasil brasileiro lucidez para julgar situações minimamente complexas. Estamos ainda a uma boa distância daquele eleitor sujeito da história, com visão do entorno social em que vive, com noção da amplitude e da repercussão dos fatos.
Nossa realidade é de uma cidadania manipulável pelo estômago e pelos sonhos de consumo, na qual os apelos classistas mais primitivos, como oposição dos interesses dos pobres aos interesses dos ricos, ainda repercutem positivamente com retorno eleitoral bobalhão.
Que ninguém se assuste ao ouvir manifestações positivas à violação sistemática do sigilo bancário e fiscal dos ricos, como justo antídoto a que “os bacanos não tenham como esconder dinheiro roubado”... Garantia ao sigilo bancário e fiscal, para significativo contingente da população brasileira, não passa de mero expediente de acobertar falcatruas.
Por essas e por outras, quando o PSDB põe a boca no mundo para verberar a quebra de sigilo fiscal de seus caciques, realizada por aloprado (autorizados ou desautorizados), pode estar apenas atirando para o alto. Não vai acertar ninguém e o barulho faz vibrar tão somente suas próprias janelas. O Lula investiu pesado no social e manobra, hoje, com a quase unanimidade do eleitorado brasileiro.
É uma situação delicada esta a que chegou a oposição brasileira, com o Serra. Precisa convencer o povo de que está tudo errado, mas com o cuidado de não desagradar este mesmo povo dizendo que está tudo errado...
Cabe a perplexidade do poeta itabirano:
- E agora, José?
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(Publicada aos 09.09.2010 em http://oglobo.globo.com/pais/noblat/mariahelena/)
sábado, 4 de setembro de 2010
Empresários, Homens Fundamentais - II
***
Em crônica anterior relacionamos nomes de empreendedores leopoldinenses, homens que com seu trabalho, inteligência e sacrifício, fazem a diferença entre desenvolver e estagnar, gerando empregos, impostos, recursos e melhoria de vida em nossa terra.
Claro que a relação não caberia no espaço de uma página. Nem de duas. Sem pretender portanto exaurir a lista, mas tentando ser o menos omisso possível, vão aqui mais alguns nomes desses homens e mulheres fundamentais, heróis da realização nesta Leopoldina carente de esforço empreendedor:
Adauto Resende Lima e seu filho Carlos Henrique Gonçalves Lima (STº. ANTONIO PARQUE HOTEL); Afonso Rodrigues (HOTEL ALVORADA); Anderson Ramalho (TYRESOLES); Antonio Santos e esposa Fátima (CASA DA COSTUREIRA); Aylton Galito (Coleguinha) – Indústria de Jeans CICATRIZ; Bonifácio de Andrada (Faculdades UNIPAC); Carlos Henrique Barbosa Pacheco – Cacá (DECORART); Cláudio Leitão (Faculdade de Direito DOCTUM); Ecyr de Angelis e Eliane (TEBAS Armarinho); Edulce Maria do Vale e filhos (Casa NADINHO de tecidos, Casa NADINHO Boutique e MUNDIAL TOUR); Fábia Provensi (SETA); Flora Bousada de Mello (O BOTICÁRIO e FLORITA PRESENTES); Eugênio Siqueira Costa Reis (CASA NADINHO Armarinho); Fernando Martins Brandão e filhos (Indústria de Sorvetes SOL & NEVE); João Batista Tassari e Carmem Santos Tassari (BOM GOSTO PRESENTES); Francisco José Barbosa (ABC – Atacado Brasileiro da Construção); Giovani de Angelis (Lanchonete CALÇADÃO); Heloisa Junqueira (Auto Escola TOP CAR); Irmãos Fajardo (Churrascaria da SERRA); João Anzolin (Postos: NOVO MILÊNIO e PURIS); Joãozinho de Castro Barbosa (Leoplastic); Joe Lopes Reis (SOTEL); José Antonio Almeida, Mª Cândida e filhos (Confecção e Lojas IÊMAN e TOK & RETOK); José Carlos e Ronaldo (VIEIRA & RAPOSO); José Eduardo Resende e esposa (MERCEARIA e AÇOUGUE SEMINÁRIO); Hely e filhos (BAR TIRISQUEI); José Onofre de Almeida (CALCEBEM); José Ricardo Vasconcelos Marques (KTÁ TECIDOS); José Roberto Almeida Salles e irmãos Jair, Arlinho e Marcelo (SALLES & FILHOS); Ana Paula Luquini (Confecção e Boutique APUS); Mauro Tavares Ladeira, Mozart e Geraldo (GRÁFICA LEOPOLDINA); Márcio Antonio Alves Lacerda e Sebastião Águido Lacerda (SUPER NUTRI); Luzia Sleiman (LOJA DO BRAHIM); Marcinho, Cássio e Roberto (Bambu) (SHOP CAR Automóveis); Marcelus de Souza (QUERO MAIS - Materiais de Construção); Maria de Lourdes Brandão Silveira (CASA DULAR); Mariano e Danilo (Centro de Formação de Condutores PIT STOP); Mário Costa (Marinho), esposa Maria Dalva e filho Emerson (MERCADO SÃO JOSÉ); Ocione Tavares (Restaurante CHEIRO VERDE); Oswaldo Vieira “Beira Rio”, esposa Nelma e filho Ângelo (NETO & VIEIRA); Paulo Afonso, Fernando Henrique P. Fernandes e Pedro (LEVEL); Paulinho Monteiro, Leda e Pedro Paulo Zaquini Monteiro (ELÉTRICA LEOPOLDINENSE); Renata Neto Cezar e Flávio Neder (CENATE Eletrônica); Roberta Fajardo Neto (SALÃO VISION); Rogério Zambrano (POSTO SOLAR); Rodolfo Tomé (RODOLFO TOMÉ SEGUROS); Rosana Machado Schetino (BELA VISTA Materiais de Construção); Rubens Costa Maia (FERRAGENS MAIA); Sebastião Eduardo Alves Lacerda (FISIOLABOR E CORPO & FORMA); Sebastião Heitor L. Valverde (Revista HORA H); Sebastião Heleno Moreira - Leninho (LM FERRAGENS); Toninho Zaquini e seu filho Alex Zangali Zaquini (AUTO PEÇAS ZZ); Vanilde do Bem (TERPLANOS); e muitos outros que, embora não lembrados aqui, merecem igualmente nossa homenagem e nossa gratidão.
Leopoldina será sempre reconhecida a estes homens e mulheres fundamentais, a estes cidadãos socialmente indispensáveis e insubstituíveis, com mãos ocupadas no presente e olhos voltados para o futuro.
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(Publicada no jornal LEOPOLDINENSE em janeiro de 2004)
Em crônica anterior relacionamos nomes de empreendedores leopoldinenses, homens que com seu trabalho, inteligência e sacrifício, fazem a diferença entre desenvolver e estagnar, gerando empregos, impostos, recursos e melhoria de vida em nossa terra.
Claro que a relação não caberia no espaço de uma página. Nem de duas. Sem pretender portanto exaurir a lista, mas tentando ser o menos omisso possível, vão aqui mais alguns nomes desses homens e mulheres fundamentais, heróis da realização nesta Leopoldina carente de esforço empreendedor:
Adauto Resende Lima e seu filho Carlos Henrique Gonçalves Lima (STº. ANTONIO PARQUE HOTEL); Afonso Rodrigues (HOTEL ALVORADA); Anderson Ramalho (TYRESOLES); Antonio Santos e esposa Fátima (CASA DA COSTUREIRA); Aylton Galito (Coleguinha) – Indústria de Jeans CICATRIZ; Bonifácio de Andrada (Faculdades UNIPAC); Carlos Henrique Barbosa Pacheco – Cacá (DECORART); Cláudio Leitão (Faculdade de Direito DOCTUM); Ecyr de Angelis e Eliane (TEBAS Armarinho); Edulce Maria do Vale e filhos (Casa NADINHO de tecidos, Casa NADINHO Boutique e MUNDIAL TOUR); Fábia Provensi (SETA); Flora Bousada de Mello (O BOTICÁRIO e FLORITA PRESENTES); Eugênio Siqueira Costa Reis (CASA NADINHO Armarinho); Fernando Martins Brandão e filhos (Indústria de Sorvetes SOL & NEVE); João Batista Tassari e Carmem Santos Tassari (BOM GOSTO PRESENTES); Francisco José Barbosa (ABC – Atacado Brasileiro da Construção); Giovani de Angelis (Lanchonete CALÇADÃO); Heloisa Junqueira (Auto Escola TOP CAR); Irmãos Fajardo (Churrascaria da SERRA); João Anzolin (Postos: NOVO MILÊNIO e PURIS); Joãozinho de Castro Barbosa (Leoplastic); Joe Lopes Reis (SOTEL); José Antonio Almeida, Mª Cândida e filhos (Confecção e Lojas IÊMAN e TOK & RETOK); José Carlos e Ronaldo (VIEIRA & RAPOSO); José Eduardo Resende e esposa (MERCEARIA e AÇOUGUE SEMINÁRIO); Hely e filhos (BAR TIRISQUEI); José Onofre de Almeida (CALCEBEM); José Ricardo Vasconcelos Marques (KTÁ TECIDOS); José Roberto Almeida Salles e irmãos Jair, Arlinho e Marcelo (SALLES & FILHOS); Ana Paula Luquini (Confecção e Boutique APUS); Mauro Tavares Ladeira, Mozart e Geraldo (GRÁFICA LEOPOLDINA); Márcio Antonio Alves Lacerda e Sebastião Águido Lacerda (SUPER NUTRI); Luzia Sleiman (LOJA DO BRAHIM); Marcinho, Cássio e Roberto (Bambu) (SHOP CAR Automóveis); Marcelus de Souza (QUERO MAIS - Materiais de Construção); Maria de Lourdes Brandão Silveira (CASA DULAR); Mariano e Danilo (Centro de Formação de Condutores PIT STOP); Mário Costa (Marinho), esposa Maria Dalva e filho Emerson (MERCADO SÃO JOSÉ); Ocione Tavares (Restaurante CHEIRO VERDE); Oswaldo Vieira “Beira Rio”, esposa Nelma e filho Ângelo (NETO & VIEIRA); Paulo Afonso, Fernando Henrique P. Fernandes e Pedro (LEVEL); Paulinho Monteiro, Leda e Pedro Paulo Zaquini Monteiro (ELÉTRICA LEOPOLDINENSE); Renata Neto Cezar e Flávio Neder (CENATE Eletrônica); Roberta Fajardo Neto (SALÃO VISION); Rogério Zambrano (POSTO SOLAR); Rodolfo Tomé (RODOLFO TOMÉ SEGUROS); Rosana Machado Schetino (BELA VISTA Materiais de Construção); Rubens Costa Maia (FERRAGENS MAIA); Sebastião Eduardo Alves Lacerda (FISIOLABOR E CORPO & FORMA); Sebastião Heitor L. Valverde (Revista HORA H); Sebastião Heleno Moreira - Leninho (LM FERRAGENS); Toninho Zaquini e seu filho Alex Zangali Zaquini (AUTO PEÇAS ZZ); Vanilde do Bem (TERPLANOS); e muitos outros que, embora não lembrados aqui, merecem igualmente nossa homenagem e nossa gratidão.
Leopoldina será sempre reconhecida a estes homens e mulheres fundamentais, a estes cidadãos socialmente indispensáveis e insubstituíveis, com mãos ocupadas no presente e olhos voltados para o futuro.
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(Publicada no jornal LEOPOLDINENSE em janeiro de 2004)
Empresários, Homens Fundamentais - I
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Às vezes a gente bronqueia com as coisas que vê acontecer na Cidade, fica inconformado com o andar da carruagem e até atribui culpa a certos (maus) hábitos nossos. É a vontade desesperada de encontrarmos um caminho de desenvolvimento e da tranqüilidade que Leopoldina merece.
Mas uma ressalva precisa ser feita. Podem faltar muitas coisas a Leopoldina - mercado, emprego, lazer, talvez uma vocação econômica melhor explorada - mas não faltam excelentes empreendedores, homens de visão, empresários competentes e trabalhadores.
Quando observamos a saga de homens como um André Fernandes, erguendo aquele maravilhoso hotel que tanto conteúdo agregará à nossa imagem, logo nos vem à mente outros nomes do empreendimento nesta terra, heróis de uma época francamente adversa.
Contra tudo e contra todos, contra uma carga tributária recordista no mundo, contra uma legislação trabalhista impiedosa com o patronato, contra a burocracia e a corrupção, a sociedade deve muito à luta desses bravos: Dr. Antonio José Medina (CLÍNICA SÃO JOSÉ); Arlen e Helmar Fontes Freire (SECOL); Casé Fajardo (LAFA e LOKAL ); Casé Schettino (CRE Engenharia); Chiquinho Rezende, e sua sobrinha Ana Paula (GRUPO IMPERIAL); Cláudio Cuco (CLAUDCAR); Cláudio Moura (MOURAGRO); Darcy Resende e o José Creso (RITSON HOTEL); Euds Furtado, Sebastião Valentim, Ségio Costa Reis e Odilon P. Júnior (ATHENAS/RÓTULA); José Braz Ferreira e seus filhos (LEOPOLDINA TURISMO); José Carlos Calil e Ney Ribeiro (BRAHMA); José Henrique Abreu (LAR MÓVEIS); José Maria Dutra (OFICINA DUTRA); José Nilton G. Barbosa (LAC); José Ramalho e Anderson Ramalho (TYRESOLES e ARAMIL); Júlio Carraro e José Rocha (SUPERMAIS); Lalado Coutinho (MERCADO CANADÁ); Luciano Andries (LEOPODINA-NET); Luiz Otávio Meneghite (Grupo LEOPOLDINENSE de Notícias); Dr. Mário Jorge (MEDCLIN); Odilon Machado (PREARCON); Ricardo Salgado (BAZAR RENÉ); Roberto e Pedrinho (ELETRO-HIDRO); Rodolfo Carvalho (ANTARTICA); Rafael Alves Ladeira (ESTÚDIO VIRTUAL); Vitor P. Andrade (V.P.A. Construções).
A relação continua no próximo número deste jornal. Não é pequena a fina estirpe do esforço empreendedor leopoldinense, lutadores incansáveis, sempre disponíveis a perder o sono e até a saúde pela sobrevivência de suas empresas, pela vocação de vencer, pelo ganha-pão dos seus empregados, pela paz e pelo bem-estar de toda a comunidade.
Como escreveu Elbert Hubbard em sua clássica “Mensagem a Garcia”, ao mesmo tempo em que louvamos os trabalhadores que se dizem oprimidos, os mais pobres e os desempregados, “vamos derramar também uma lágrima pelos homens que estão empenhados em promover um empreendimento, cujas horas de trabalho não são limitadas pelo apito da fábrica e cujos cabelos embranquecem rapidamente em decorrência da luta para manter na linha a indiferença desleixada, a imbecilidade total e a ingratidão insensível de todos os que estariam passando fome e desabrigados, não fosse a iniciativa deles.”
Empresários geram empregos, impostos, desenvolvimento, saúde, alimento, conforto, equilíbrio social. São homens fundamentais, indispensáveis em cada metro quadrado do planeta terra.
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(Publicada no jornal LEOPOLDINENSE em dezembro de 2003)
Às vezes a gente bronqueia com as coisas que vê acontecer na Cidade, fica inconformado com o andar da carruagem e até atribui culpa a certos (maus) hábitos nossos. É a vontade desesperada de encontrarmos um caminho de desenvolvimento e da tranqüilidade que Leopoldina merece.
Mas uma ressalva precisa ser feita. Podem faltar muitas coisas a Leopoldina - mercado, emprego, lazer, talvez uma vocação econômica melhor explorada - mas não faltam excelentes empreendedores, homens de visão, empresários competentes e trabalhadores.
Quando observamos a saga de homens como um André Fernandes, erguendo aquele maravilhoso hotel que tanto conteúdo agregará à nossa imagem, logo nos vem à mente outros nomes do empreendimento nesta terra, heróis de uma época francamente adversa.
Contra tudo e contra todos, contra uma carga tributária recordista no mundo, contra uma legislação trabalhista impiedosa com o patronato, contra a burocracia e a corrupção, a sociedade deve muito à luta desses bravos: Dr. Antonio José Medina (CLÍNICA SÃO JOSÉ); Arlen e Helmar Fontes Freire (SECOL); Casé Fajardo (LAFA e LOKAL ); Casé Schettino (CRE Engenharia); Chiquinho Rezende, e sua sobrinha Ana Paula (GRUPO IMPERIAL); Cláudio Cuco (CLAUDCAR); Cláudio Moura (MOURAGRO); Darcy Resende e o José Creso (RITSON HOTEL); Euds Furtado, Sebastião Valentim, Ségio Costa Reis e Odilon P. Júnior (ATHENAS/RÓTULA); José Braz Ferreira e seus filhos (LEOPOLDINA TURISMO); José Carlos Calil e Ney Ribeiro (BRAHMA); José Henrique Abreu (LAR MÓVEIS); José Maria Dutra (OFICINA DUTRA); José Nilton G. Barbosa (LAC); José Ramalho e Anderson Ramalho (TYRESOLES e ARAMIL); Júlio Carraro e José Rocha (SUPERMAIS); Lalado Coutinho (MERCADO CANADÁ); Luciano Andries (LEOPODINA-NET); Luiz Otávio Meneghite (Grupo LEOPOLDINENSE de Notícias); Dr. Mário Jorge (MEDCLIN); Odilon Machado (PREARCON); Ricardo Salgado (BAZAR RENÉ); Roberto e Pedrinho (ELETRO-HIDRO); Rodolfo Carvalho (ANTARTICA); Rafael Alves Ladeira (ESTÚDIO VIRTUAL); Vitor P. Andrade (V.P.A. Construções).
A relação continua no próximo número deste jornal. Não é pequena a fina estirpe do esforço empreendedor leopoldinense, lutadores incansáveis, sempre disponíveis a perder o sono e até a saúde pela sobrevivência de suas empresas, pela vocação de vencer, pelo ganha-pão dos seus empregados, pela paz e pelo bem-estar de toda a comunidade.
Como escreveu Elbert Hubbard em sua clássica “Mensagem a Garcia”, ao mesmo tempo em que louvamos os trabalhadores que se dizem oprimidos, os mais pobres e os desempregados, “vamos derramar também uma lágrima pelos homens que estão empenhados em promover um empreendimento, cujas horas de trabalho não são limitadas pelo apito da fábrica e cujos cabelos embranquecem rapidamente em decorrência da luta para manter na linha a indiferença desleixada, a imbecilidade total e a ingratidão insensível de todos os que estariam passando fome e desabrigados, não fosse a iniciativa deles.”
Empresários geram empregos, impostos, desenvolvimento, saúde, alimento, conforto, equilíbrio social. São homens fundamentais, indispensáveis em cada metro quadrado do planeta terra.
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(Publicada no jornal LEOPOLDINENSE em dezembro de 2003)
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
O Silêncio
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O
mundo moderno perdeu o privilégio do silêncio. Desde que a sociedade industrial
implantou a barafunda das máquinas com suas engrenagens e descargas, o
pandemônio urbano só vem crescendo.
Não faz muito, porém, os jornais da TV nos deram conta de que há novidade na Ásia. No avançadíssimo Japão o silêncio urbano começou a causar problemas!
Vejam só, carros movidos a eletricidade, em progressiva substituição aos movidos por ruidosos motores a explosão, começam a ser vistos como ameaça de atropelamento para pessoas distraídas, deficientes auditivas ou visuais, com dificuldade para perceber sua aproximação.
O paradoxal é que a solução cogitada estaria num equipamento eletrônico, “inteligente”, destinado a produzir barulho quando percebe que há ser humano por perto... Ou seja, um ruído artificial é instado a substituir o ruído natural que o progresso buscou afastar.
No Japão, os motoristas quase não buzinam. Não se ouvindo também sirenes, já que os policiais se deslocam de bicicleta. “O único barulho insuportável por lá, vem da natureza: o canto das cigarras que infestam as árvores no verão”– explica o repórter da TV.
Na verdade, por aqui também se buzina cada vez menos e as cigarras, seresteiras de fim de ano, cantam até rachar aquele canto ambíguo das cigarras – melancólico, para quem está triste; festivo, para quem está feliz.
Já as sirenes da polícia e das ambulâncias, continuam chatinhas ao pedir caminho. Não tanto, claro, para quem pediu socorro às primeiras ou está enfartado dentro das segundas.
A impressão é que não se vive muito diferente aqui e no outro lado do mundo. E isto é bom. Mesmo que assim não entendam os fundamentalistas retrógrados, que veem na comunicabilidade dos costumes uma razão para ódio e terror.
Claro que ainda podemos progredir, abolindo hábitos indesejáveis como dar aquela buzinadinha, ou acelerar fundo, para avisar que o sinal abriu. E, se não for pedir muito, quem sabe alguma colaboração dos frequentadores de botecos, situados em área residencial, diminuindo a zoada com bateção de caixa, à noite?
A bronca é livre. Mas quem diz que não vai dar saudade quando acabar? Ou, até, trazer problemas, como no Japão? Não deixa de ser contraditório admitir que o pandemônio das cidades possa, em certos casos, exigir moderação em seu corte.
A
gente mal percebe o quanto já se acostumou a tudo isto.
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(Publicada a 02.09.2010 em http://oglobo.globo.com/pais/noblat/mariahelena/)
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