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Joaquim Custódio Guimarães, farmacêutico, nascido em Leopoldina no dia 21 de dezembro de 1912, era o filho mais novo dentre os onze filhos do também farmacêutico Martinho de Campos Guimarães e de sua mulher, Da. Hercília Furtado Guimarães. Cursou o primário no Grupo Escolar Ribeiro Junqueira, o secundário no Ginásio Leopoldinense, diplomando-se em farmácia, no ano de 1932, pela Faculdade de Farmácia da Universidade do Rio de Janeiro.
Formado, assumiu a direção da Farmácia Moderna fundada por seu pai, inicialmente na Rua Sete de Setembro esquina coma a atual Praça Professor Botelho Reis, depois transferida para sede própria no atual número 166 da Rua Barão de Cotegipe.
Dos filhos de Martinho Guimarães, três tornaram-se farmacêuticos – Joaquim, Pompílio e Maria Amélia. E farmacêuticos também os netos, Jairo e Jones (filhos de Alzira) e Elizabeth (filha de Joaquim).
No exercício de sua nobre profissão, em Leopoldina, Joaquim Custódio Guimarães foi profissional competente, dedicado, cidadão respeitadíssimo que se fez indispensável à comunidade. Trabalhou desde muito criança na farmácia do pai fazendo entregas e outros serviços. Fundou, em 1933, o laboratório farmacêutico por ele denominado Instituto Martinho Guimarães - nome dado em homenagem ao pai - cujos produtos, lançados em Leopoldina, foram receitados em todo o Brasil: Bismutilan, Calciotone, Euritival, Geri-Tone, Neocolagol, Enterovermil, Hepatormon, dentre outros.
Presidiu o Clube da Farmácia, no Rio de Janeiro. Viajou por quase todo o Brasil e, algumas vezes, ao exterior. Guardava estima especial pelo dentista Job Nogueira, que lhe ofereceu o almoço festivo de formatura quando de sua chegada a Leopoldina. Manifestava também especial apreço ao amigo, padre José Domingues, pelo estímulo que este lhe dispensava nos momentos difíceis, em muitas visitas ao Laboratório.
Dizia-se também reconhecido ao irmão Pompílio, que lhe custeara a permanência no Rio de Janeiro durante a formação universitária.
Como industrial, já enormemente atarefado, não se furtava a abraçar iniciativas de interesse da comunidade. Assim é que participou da direção de diversas entidades em nosso município. Foi presidente do Clube Leopoldina, diretor da Caixa Escolar do Grupo Ribeiro Junqueira, secretário do Asilo Santo Antonio, conselheiro da Casa de Caridade Leopoldinense e presidente da Associação Comercial de Leopoldina. Para esta última contribuiu na aquisição do terreno onde hoje se situa. Também auxiliou Rubem Duarte na construção do prédio.
Esteve na presidência do Esporte Clube Ribeiro Junqueira, sendo obra sua a iluminação do estádio. Rotariano dedicadíssimo não aquiesceu, todavia, à sua indicação para Governador do Distrito Rotário 4580, indicando para o posto o companheiro José Gomes Domingues.
Como delegado do Rotary Clube de Leopoldina compareceu à Convenção Internacional de Rotary realizada em Atlantic City (USA), no ano de 1951.
Manteve durante muitos anos o jornal “Ilustração”, de gratíssima lembrança entre os leitores leopoldinenses. Amava profundamente esta cidade. É doação dele a imagem de Jesus Crucificado, no altar da Catedral de São Sebastião.
Joaquim Custódio Guimarães, falecido aos 13 de julho de 1987, era casado com Da. Maria Pureza do Carmo Guimarães desde 24 de junho de 1942. O casal teve seis filhos dentre os quais o atual Vice-Presidente de Relações Institucionais da Rede Globo, Evandro Guimarães, Elisabeth, Emerson, Eloá (falecida), Alziro e Eliane. Legaram, Joaquim Guimarães e esposa, a todos os seus filhos a marca da intelectualidade, do espírito público e da simpatia.
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Cel. Olivier Fajardo
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Pater familias do clã dos Fajardos, tradicional família de Leopoldina com raízes no Distrito de Piacatuba, o Cel. Olivier Fajardo de Paiva Campos foi político, vereador por várias legislaturas, Presidente e Vice-Presidente da Câmara Municipal, grande fazendeiro, um dos acionistas-fundadores da Cia. de Fiação e Tecidos Leopoldinense, fundador e editor do histórico jornal leopoldinense, Nova Fase.
Seu Olivier nasceu no dia 31 de janeiro de 1883, na Fazenda São Pedro, pertencente a seu avô materno, Francisco Esmério de Paiva Campos, em Piacatuba. Foi criado na Fazenda Santa Cruz, de seus pais, Capitão José Fajardo de Mello Campos (Cap. Zeca) e Maria Esmério Campos (Da. Sinhá), fazenda esta que já pertencera, no passado, ao bisavô de. Olivier, Sr. Joaquim Honório de Campos (o Barão do Rio Pardo).
Primogênito dentre treze irmãos, casou-se aos 22 anos, em 25 de fevereiro de 1905, com sua prima Oziêta Fajardo, filha de seu tio, Cel. Joaquim Fajardo de Mello Campos, um dos maiores fazendeiros da Mata Mineira, político influente, que ao falecer precocemente em 1910 possuía 1.300 alqueires de terras.
Oziêta e Vié (como também era intimamente conhecido) não deixaram descendentes, mas criaram os sobrinhos, José Maria, Joaquim e Maria (Lilia) como verdadeiros filhos.
A vocação de Olivier pela política vinha das tradições da família, pois seu trisavô, Cel. Domingos Henriques de Gusmão, foi um dos fundadores de São João Nepomuceno e maior benfeitor da Igreja da Matriz, da Piedade. O bisavô, Joaquim Honório de Campos, foi vereador à Intendência de Leopoldina e recebeu o título de Barão do Rio Pardo em decorrência de serviços prestados à instrução pública, além de ter construído uma igreja (“do Rosário”), em Piacatuba, demolida na década de 40.
O avô, Cap. José Fajardo de Mello, pioneiro dos Fajardos em Leopoldina, foi conselheiro e vereador à mesma Intendência, membro da Subcomissão Distrital que recrutou os voluntários locais para a Guerra do Paraguai, além de ter executado, às suas expensas, as obras para o abastecimento d’água do Arraial e, segundo informações a serem confirmadas, comandado a construção daquele conhecido e centenário calçamento da principal rua de Piacatuba – com legítimo “meio-fio”. Ou seja, o fio-da-água passando pelo meio da rua.
Seu pai, Cap. Zéca Fajardo, foi Presidente do Conselho Distrital de Piedade e integrante do Conselho Municipal de Leopoldina, em fins do século XIX e princípios do século passado.
Olivier foi nomeado para o posto de Capitão da 2ª Cia. do 797º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional por decreto assinado pelo Presidente da República, Wenceslau Braz, em 25 de abril de 1914.
Elegeu-se, pela primeira vez, vereador especial pelo distrito da cidade em 1915, sob a sigla do extinto PRM. Até 1918 Olivier integrava, com familiares e amigos, a legião de partidários do Dr. Ribeiro Junqueira. Posteriormente, por desavenças internas mudou-se para fileiras oposicionistas, embora no mesmo partido.
Em 1926, após os acontecimentos que originaram a “unificação da política municipal” – fusão das duas correntes políticas de Leopoldina, Olivier Fajardo atuou, por algum tempo, como Presidente Interino da Câmara Municipal, em substituição ao Presidente daquela Casa Legislativa, Dr. Carlos Coimbra da Luz. Lembre-se que, por essa época os cargos de Presidente e Vice-Presidente, da Câmara, equivaliam aos de Prefeito e Vice-Prefeito, respectivamente.
Até por volta de 1935 e 36, Olivier viveu com esposa e filhos em companhia de sua sogra e tia, Da. Guilhermina Balbina Henriques Soares Fajardo, viúva do Cel. Joaquim Fajardo, proprietária da Fazenda Aurora, empreendimento que Olivier administrava. Com o falecimento de Da. Guilhermina, por aquela época, Olivier mudou-se para a cidade de Leopoldina, fixando residência em uma Chácara cuja sede ficava nas proximidades da ponte que liga a atual Rua Prof. Joaquim Guedes Machado com a Rua das Flores.
Em outubro de 1958 o Cel. Olivier foi, mais uma vez eleito para uma cadeira de vereador em Leopoldina e, a 31 de janeiro de 1959 – dia em que completava 79 anos – foi escolhido Presidente da Câmara Municipal. De novo, em janeiro de 1961, o Jornal Ilustração informava que o Cel. Olivier Fajardo era reconduzido ao posto de Presidente da Câmara Municipal de Leopoldina.
No dia 19 de novembro de 1961, quando em visita aos sobrinhos, Abdon e Lília (ela, sua filha de criação), residentes na Fazenda Santa Cruz, Olivier Fajardo sucumbiu, vitimado por violento ataque cardíaco.
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NOTA: Agradecendo os dados acima coligidos ao pesquisador e genealogista leopoldinense, Plínio Fajardo Alvim, de cujos trabalhos nos valemos sob autorização expressa do autor, nesta biografia deixamos consignada modesta homenagem a esse grande valor da história leopoldinense, à sua enorme e amicíssima família. Tivemos a honra de pessoalmente conhecer Olivier Fajardo no fim dos anos 50, quando ainda jovem estudante secundário frequentávamos a casa de seu irmão, Sr. Octacílio Fajardo (o “Sô Nem”), casado com Da. Carolina (a bondosa “Da. Catita”), na rua Tiradentes, em Leopoldina, em razão da estreita amizade que nos unia a seus filhos mais novos, Zéca, Lêda, Léa, Sebastião, Osório, Ruth, Nicolina, Maria do Carmo e aos primos, Adauto, Dirceu, Rubens, Geraldo e Vicente.
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Pater familias do clã dos Fajardos, tradicional família de Leopoldina com raízes no Distrito de Piacatuba, o Cel. Olivier Fajardo de Paiva Campos foi político, vereador por várias legislaturas, Presidente e Vice-Presidente da Câmara Municipal, grande fazendeiro, um dos acionistas-fundadores da Cia. de Fiação e Tecidos Leopoldinense, fundador e editor do histórico jornal leopoldinense, Nova Fase.
Seu Olivier nasceu no dia 31 de janeiro de 1883, na Fazenda São Pedro, pertencente a seu avô materno, Francisco Esmério de Paiva Campos, em Piacatuba. Foi criado na Fazenda Santa Cruz, de seus pais, Capitão José Fajardo de Mello Campos (Cap. Zeca) e Maria Esmério Campos (Da. Sinhá), fazenda esta que já pertencera, no passado, ao bisavô de. Olivier, Sr. Joaquim Honório de Campos (o Barão do Rio Pardo).
Primogênito dentre treze irmãos, casou-se aos 22 anos, em 25 de fevereiro de 1905, com sua prima Oziêta Fajardo, filha de seu tio, Cel. Joaquim Fajardo de Mello Campos, um dos maiores fazendeiros da Mata Mineira, político influente, que ao falecer precocemente em 1910 possuía 1.300 alqueires de terras.
Oziêta e Vié (como também era intimamente conhecido) não deixaram descendentes, mas criaram os sobrinhos, José Maria, Joaquim e Maria (Lilia) como verdadeiros filhos.
A vocação de Olivier pela política vinha das tradições da família, pois seu trisavô, Cel. Domingos Henriques de Gusmão, foi um dos fundadores de São João Nepomuceno e maior benfeitor da Igreja da Matriz, da Piedade. O bisavô, Joaquim Honório de Campos, foi vereador à Intendência de Leopoldina e recebeu o título de Barão do Rio Pardo em decorrência de serviços prestados à instrução pública, além de ter construído uma igreja (“do Rosário”), em Piacatuba, demolida na década de 40.
O avô, Cap. José Fajardo de Mello, pioneiro dos Fajardos em Leopoldina, foi conselheiro e vereador à mesma Intendência, membro da Subcomissão Distrital que recrutou os voluntários locais para a Guerra do Paraguai, além de ter executado, às suas expensas, as obras para o abastecimento d’água do Arraial e, segundo informações a serem confirmadas, comandado a construção daquele conhecido e centenário calçamento da principal rua de Piacatuba – com legítimo “meio-fio”. Ou seja, o fio-da-água passando pelo meio da rua.
Seu pai, Cap. Zéca Fajardo, foi Presidente do Conselho Distrital de Piedade e integrante do Conselho Municipal de Leopoldina, em fins do século XIX e princípios do século passado.
Olivier foi nomeado para o posto de Capitão da 2ª Cia. do 797º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional por decreto assinado pelo Presidente da República, Wenceslau Braz, em 25 de abril de 1914.
Elegeu-se, pela primeira vez, vereador especial pelo distrito da cidade em 1915, sob a sigla do extinto PRM. Até 1918 Olivier integrava, com familiares e amigos, a legião de partidários do Dr. Ribeiro Junqueira. Posteriormente, por desavenças internas mudou-se para fileiras oposicionistas, embora no mesmo partido.
Em 1926, após os acontecimentos que originaram a “unificação da política municipal” – fusão das duas correntes políticas de Leopoldina, Olivier Fajardo atuou, por algum tempo, como Presidente Interino da Câmara Municipal, em substituição ao Presidente daquela Casa Legislativa, Dr. Carlos Coimbra da Luz. Lembre-se que, por essa época os cargos de Presidente e Vice-Presidente, da Câmara, equivaliam aos de Prefeito e Vice-Prefeito, respectivamente.
Até por volta de 1935 e 36, Olivier viveu com esposa e filhos em companhia de sua sogra e tia, Da. Guilhermina Balbina Henriques Soares Fajardo, viúva do Cel. Joaquim Fajardo, proprietária da Fazenda Aurora, empreendimento que Olivier administrava. Com o falecimento de Da. Guilhermina, por aquela época, Olivier mudou-se para a cidade de Leopoldina, fixando residência em uma Chácara cuja sede ficava nas proximidades da ponte que liga a atual Rua Prof. Joaquim Guedes Machado com a Rua das Flores.
Em outubro de 1958 o Cel. Olivier foi, mais uma vez eleito para uma cadeira de vereador em Leopoldina e, a 31 de janeiro de 1959 – dia em que completava 79 anos – foi escolhido Presidente da Câmara Municipal. De novo, em janeiro de 1961, o Jornal Ilustração informava que o Cel. Olivier Fajardo era reconduzido ao posto de Presidente da Câmara Municipal de Leopoldina.
No dia 19 de novembro de 1961, quando em visita aos sobrinhos, Abdon e Lília (ela, sua filha de criação), residentes na Fazenda Santa Cruz, Olivier Fajardo sucumbiu, vitimado por violento ataque cardíaco.
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NOTA: Agradecendo os dados acima coligidos ao pesquisador e genealogista leopoldinense, Plínio Fajardo Alvim, de cujos trabalhos nos valemos sob autorização expressa do autor, nesta biografia deixamos consignada modesta homenagem a esse grande valor da história leopoldinense, à sua enorme e amicíssima família. Tivemos a honra de pessoalmente conhecer Olivier Fajardo no fim dos anos 50, quando ainda jovem estudante secundário frequentávamos a casa de seu irmão, Sr. Octacílio Fajardo (o “Sô Nem”), casado com Da. Carolina (a bondosa “Da. Catita”), na rua Tiradentes, em Leopoldina, em razão da estreita amizade que nos unia a seus filhos mais novos, Zéca, Lêda, Léa, Sebastião, Osório, Ruth, Nicolina, Maria do Carmo e aos primos, Adauto, Dirceu, Rubens, Geraldo e Vicente.
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Américo Lobo Leite Pereira
Foto: Américo Lobo Pereira - InternetLeopoldina desde os primeiros tempos primou por contar com notáveis advogados. Assim é que repassando nossa rica história forense vamos encontrar, já na metade do século XIX, a vocação e o sucesso do Dr. Américo Lobo, um talentoso advogado que honrou o foro de Leopoldina.
Profissional do direito e destacado político brasileiro, o Dr. Américo Lobo era filho de Joaquim Lobo Leite Pereira. Nascido em 1841, formou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito de São Paulo onde, em 03.12.1862, recebeu o grau de bacharel.
Em abril de 1863 foi nomeado Juiz Municipal e de Órfãos do termo de Pouso Alegre, no sul de Minas, e ali permaneceu até 30.09.1865. Nesse mesmo ano foi removido para Rio Pardo, também em Minas. Dois anos depois solicitou demissão do cargo e ingressou na política, pelo partido liberal, sendo eleito deputado da 13ª legislatura (1867-1870).
Dissolvida a Câmara em 1868, desligou-se do seu partido político e passou a dedicar-se à propaganda republicana no município de Leopoldina, transformando-se num republicano histórico.
Proclamada a república, no período provisório, foi nomeado governador do Estado do Paraná, em fevereiro de 1890, cargo do qual pediu demissão no mesmo ano. Voltou ao Estado de Minas Gerais e foi eleito, em setembro daquele ano, senador por três anos.
A ele, nossa região ficou a dever a criação da Alfândega de Juiz de Fora, um importante instrumento de desenvolvimento da Zona da Mata. Foi um dos representantes de Minas que mais trabalhou no Congresso.
Em decreto de 15.10.1894 foi nomeado Ministro do Supremo Tribunal Federal, onde tomou posse em 8 de dezembro do mesmo ano.
Primoroso cultor das letras, o Dr. Américo Lobo deixou valiosa contribuição à literatura brasileira.
Foi casado com D. Manuela Urbana de Queirós Lobo e faleceu na cidade do Rio de Janeiro em 01.10.1903, sendo sepultado no cemitério de São João Batista.
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NOTA: Os elementos históricos desta biografia constam de pesquisa de José Luiz M. Rodrigues e Nilza Cantoni e dos “Dados Biográficos do STF e STJ” de Laurênio Lago, Ed. Biblioteca do Exército, ano 1978.
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Francisco de Paula Ferreira de Rezende

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(Foto: Francisco de Paula Ferreira de Rezende)
Francisco de Paula Ferreira de Rezende com seu livro “Minhas Recordações” será, provavelmente, quem maior contribuição deixou à história de Leopoldina do Século XIX. Nasceu e viveu no tempo da Regência, na cidade de Campanha, no sul da província de Minas Gerais, em 18 de fevereiro de 1832.
Era filho do Coronel Valério Ribeiro de Rezende e de D. Francisca de Paula Ferreira de Rezende. Foi batizado em 20 de abril do mesmo ano pelo Cônego João Dias de Quadros Aranha, tendo sido seus padrinhos, conforme de costume, os avós que ainda estavam vivos, que eram, o Comendador Francisco de Paula Ferreira Lopes (avô materno) e Francisca de Paula Galdina de Rezende (avó paterna).
O menino Francisco de Paula viveu boa parte da infância, na Fazenda Bom Jardim, propriedade de seu avô, situada a três léguas de Campanha. Desde essa época conviveu com os políticos do seu tempo, principalmente, Evaristo Ferreira da Veiga e Diogo Antônio Feijó.
O pai foi Coletor (por uns 5 ou 6 anos), comerciante, fazendeiro e Juiz de Paz, em Campanha.
Em 16.11.1855, Francisco de Paula formou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito de São Paulo, recebendo o grau de bacharel. Nesse curso teve como colegas, entre outros, Américo Brasiliense de Almeida e Melo, Antônio Ferreira Viana, Evaristo Ferreira da Veiga, Francisco Manuel das Chagas (Barão de Itaipu) e Paulino José Soares de Sousa.
Formado, retornou a Campanha onde foi nomeado, aos 13.12.1855, Curador Geral de Órfãos e Promotor de Capelas e Resíduos. Ali, chegou a Promotor Público. Por decreto de 30.10.1856, veio a ser nomeado Juiz Municipal e de Órfãos em Queluz (atual Conselheiro Lafaiete), Minas Gerais, onde permaneceu até 1861. Naquela cidade, acumulou, também, o cargo de Delegado de Polícia.
Em 1861 mudou-se para Leopoldina onde se estabeleceu como advogado. Na verdade, ao transitar por Leopoldina seu destino era São Fidelis (RJ), onde imaginava fixar residência, depois da perda do cargo de Juiz Municipal em Queluz. Aqui, porém, pretendendo apenas pernoitar, encontrou por acaso um ex-colega de faculdade, de São Paulo, Gabriel de Paula Almeida Magalhães que, provando-lhe o sucesso de sua banca advocatícia na cidade, convenceu-o a ficar.
Foi atendendo, pois, ao convite insistente do amigo “Bié”, que Francisco de Paula decidiu ficar em Leopoldina. Decisão da qual confessou jamais ter-se arrependido.
O episódio está relatado na página 20 do livro “Histórias de um Médico”, de Cássio de Rezende. Relata o Dr. Cássio - filho do biografado - que seu pai deixando a magistratura em 1861, na cidade de Queluz de Minas, partiu a cavalo na direção de Leopoldina à cata de lugar promissor onde sentar banca de advogado. Pensava chegar a São Fidelis, no Estado do Rio. Cansado, porém, com os cavalos estropiados, um escravo como pajem e uma dívida de dois contos de réis, parou em frente ao único hotel de Leopoldina e, antes de apear, enquanto negociava com o hoteleiro a hospedagem, alguém lhe gritou da janela do sobrado ao lado:
-“Então, estais aqui?!..”. E prossegue Cássio de Rezende: ... “volvendo a cabeça, quem meu pai havia de encontrar? Ninguém menos que seu colega Bié, um sujeito que tinha escapado de ser Visconde e que, já naquela época, era milionário. Gabriel de Almeida Magalhães que, no seio da família, tinha apelido de Bié, pelo qual era também conhecido entre os colegas... Em vez de apear no hotel, diz meu pai que deu uma rápida meia volta à esquerda, e foi cair nos braços do colega que ele não via desde a formatura. Tendo contado ao Dr.Gabriel que sua viagem não passava de procura de uma advocacia qualquer, disse-lhe o amigo que estava achado o que o ele queria, isto é, o que lhe convinha era a cidade de Leopoldina. E para convencer meu pai de que tinha razão, mostrou-lhe os seus assentamentos e, então, com um pouco de inveja, verificou meu pai que, enquanto ele partira para Queluz levando dois serviçais e de lá saíra possuindo menos do que levara, o Dr. Gabriel, pelo contrário, tendo vindo para Leopoldina logo depois de formado, pouco mais trazendo de seu além do cavalo em que montava e, na garupa, a importância da própria formatura que ainda estava devendo, no fim de pouco mais de cinco anos, tinha pago todas as dívidas e já era tido até em conta de capitalista”.
Registre-se, à parte, que o advogado Gabriel de Almeida Magalhães tornou-se astro de brilho intenso nos céus da história leopoldinense. Político notável, foi um dos fundadores da Casa de Caridade Leopoldinense. Na aurora da república transferiu-se para o Rio de Janeiro onde a família se fixou definitivamente. Seu neto, Rafael de Almeida Magalhães foi Governador do extinto Estado da Guanabara e, mais recentemente, Ministro da Previdência Social.
Francisco de Paula Ferreira de Rezende decidiu montar sua banca de advogado em Leopoldina. Em 1865, para apoiar seu irmão Valério, adquiriu a antiga fazenda Córrego da Onça a qual, como ele mesmo informa, decidiu crismar com a designação de "Fazenda Filadélfia", homenagem à cidade em que se proclamou a primeira das repúblicas americanas.
Consta que vinte anos depois de adquirida, a Filadélfia contava 100 alqueires de terras, boa parte em matas, 150 mil pés de café e vinte e tantos serviçais.
Antes de adquirir a fazenda Francisco de Rezende morou, em Leopoldina, num sobrado que, por suas descrições, deveria situar-se na atual Rua Lucas Augusto, um pouco acima da Prefeitura.
Depois comprou uma chácara da qual doou parte, “que julgaram necessária”, para a construção do novo cemitério da cidade. (Trata-se do terreno do atual cemitério de Leopoldina)
Quanto a seu irmão, Valério Ribeiro de Rezende, este teria vindo para Leopoldina com o objetivo de ser agricultor, mas tornou-se, inicialmente, dono de um colégio de instrução secundária, até que ambos passassem a se dedicar exclusivamente à Fazenda, cuja principal cultura era o café
A historiadora Nilza Cantoni anota, ainda, que Francisco de Paula chegou a ser nomeado substituto de Juiz Municipal a 02.01.1880, pela presidência da província, conforme consta de ata no Livro nº 7 da Câmara, fls. 17, verso.
Para que se tenha uma idéia de nossa cidade quando por aqui aportou Francisco de Rezende (1861), ele conta que chegou a conhecer um aldeamento de índios Puris na estrada que ligava Tebas ao então arraial do Rio Pardo (Argirita). A Vila de Leopoldina, incluindo o bairro da Grama que era mais distante, possuía não mais que 70 ou 80 casas.
No biênio 1864-1865 Francisco Rezende ocupou cadeira da Assembléia Legislativa da província como Deputado Provincial, o que corresponderia hoje ao Estadual. Logo depois foi indicado pelo presidente da província para candidato a Deputado Geral, o que recusou por dele divergir politicamente.
Por mais de uma vez declarou-se republicano apaixonado. Tão apaixonado a ponto de buscar nos grandes republicanos de Roma o nome para os filhos (Cássio, Flamínio e Mânlio) e mudar, como foi dito acima, o nome de sua fazenda adquirida como tributo à pioneira república americana.
Deixa claro que era republicano também porque não concordava com o apoio da Coroa à abolição da escravatura “feita de afogadilho”, segundo ele, sem que o país estivesse preparado, obedecendo a interesses externos e “destruindo a capacidade de produção do País”.
Com o advento do regime republicano fez parte da comissão encarregada de elaborar a constituição do Estado de Minas Gerais, em companhia de Joaquim Felício dos Santos e Pedro Augusto Carneiro Lessa, a convite do Congresso Republicano do Estado.
A 21.01.1890 foi nomeado 3º Vice-Governador do Estado, sendo transferido para 2º Vice-Governador por decreto de abril do mesmo ano.
Por essa época, tendo o Governo Federal consultado correligionários, deputados de Minas, sobre a indicação de um jurisconsulto mineiro, de provado saber e patriotismo, para ser nomeado Ministro do Supremo Tribunal Federal, seu nome foi o indicado e ele nomeado para o cargo em decreto de 25.05.1892, com posse em 04 de junho do ano seguinte. No Tribunal exerceu também a função de procurador-geral da República.
Francisco Rezende era casado com D. Inácia Luiza Barbosa de Rezende, filha do Conselheiro e depois Senador Luiz Antonio Barbosa. Deixou grande descendência que, segundo seu filho Cássio, foi a seguinte: Valério Barbosa de Resende, advogado em Belo Horizonte; Francisca Eugênia Barbosa de Resende; Luiz Barbosa de Resende, engenheiro; Francisco Barbosa de Rezende, advogado e presidente do Conselho Nacional do Trabalho; Gaspar Barbosa de Resende, médico em São Paulo; Cássio Barbosa de Resende, médico no Rio de Janeiro; Flamínio Barbosa de Rezende, que exerceu o cargo de Desembargador do Tribunal de Apelação do Distrito Federal; e Mânlio advogado em São Paulo.O casal teve ainda duas filhas que faleceram em tenra idade.
Como jornalista, colaborou, entre outros, com os jornais Correio do Povo, A Ordem (editado em Ouro Preto) e O Estado de Minas Gerais (órgão oficial do Estado).
Escreveu, ainda, “Julgamento de Pilatos” ou, “Jesus Perante a Razão e os Evangelhos”, em 1885 e, “O Brasil e o Acaso”, publicado em 1893, após a sua morte. Além desses, três outros manuscritos ficaram inéditos até sua morte: “Comentários Bíblicos”, “O Mosaísmo Perante a Razão” e “Minhas Recordações”. Este último, escrito aos 56 anos (1888).
Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 26.10.1893. Foi sepultado no cemitério São João Batista.
Dentre os filhos do biografado, tivemos oportunidade de pessoalmente conhecer, nos anos 70, o médico Dr. Cássio Barbosa de Resende, em seu consultório da Rua São José, 70 (sobreloja), no centro do Rio de Janeiro. Dr. Cássio, hoje falecido, deixou-nos, como acima mencionado, sua importantíssima obra, “Histórias de um Médico”, na qual faz alusões à vida da família após a mudança de seu pai para o Rio de Janeiro, como Desembargador; à casa em que viveram na Rua Pedro Américo, no bairro do Catete; ao “Ateneu Leopoldinense”, o colégio secundário que seu tio Valério conduziu em Leopoldina; às lavouras de café da Fazenda Filadélfia e outras; aos hábitos bizarros das pessoas com as quais conviveram, no meio rural leopoldinense, seu culto pai e sua mãe, mulher da mais fina estirpe que conhecera, na juventude, as duas filhas do Imperador; e às falências desesperadoras dos fazendeiros da região (inclusive do pai) com o advento da Lei Áurea.
Lei contra a qual não se insurge pela evidência de sua necessidade e justiça mas que, “no afogadilho com que foi promulgada, a todos surpreendendo e arruinando”, lhe pareceu ato de irresponsabilidade de uma monarquia submissa a pressões externas.
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NOTA: Os dados desta biografia foram coletados em anotações históricas de José Luiz Machado Rodrigues (a quem agradecemos); nos arquivos do Supremo Tribunal Federal; e nos livros, “Minhas Recordações e “Histórias de um Médico”, no texto referidos.
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LEIA MAIS EM: http://www.cantoni.pro.br/alla/FerreiraRezende.htm - Patrono da Cadeira nº11 da Academia Leopoldinense de Letras - Titular: José Luiz Machado Rodrigues
Era filho do Coronel Valério Ribeiro de Rezende e de D. Francisca de Paula Ferreira de Rezende. Foi batizado em 20 de abril do mesmo ano pelo Cônego João Dias de Quadros Aranha, tendo sido seus padrinhos, conforme de costume, os avós que ainda estavam vivos, que eram, o Comendador Francisco de Paula Ferreira Lopes (avô materno) e Francisca de Paula Galdina de Rezende (avó paterna).
O menino Francisco de Paula viveu boa parte da infância, na Fazenda Bom Jardim, propriedade de seu avô, situada a três léguas de Campanha. Desde essa época conviveu com os políticos do seu tempo, principalmente, Evaristo Ferreira da Veiga e Diogo Antônio Feijó.
O pai foi Coletor (por uns 5 ou 6 anos), comerciante, fazendeiro e Juiz de Paz, em Campanha.
Em 16.11.1855, Francisco de Paula formou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito de São Paulo, recebendo o grau de bacharel. Nesse curso teve como colegas, entre outros, Américo Brasiliense de Almeida e Melo, Antônio Ferreira Viana, Evaristo Ferreira da Veiga, Francisco Manuel das Chagas (Barão de Itaipu) e Paulino José Soares de Sousa.
Formado, retornou a Campanha onde foi nomeado, aos 13.12.1855, Curador Geral de Órfãos e Promotor de Capelas e Resíduos. Ali, chegou a Promotor Público. Por decreto de 30.10.1856, veio a ser nomeado Juiz Municipal e de Órfãos em Queluz (atual Conselheiro Lafaiete), Minas Gerais, onde permaneceu até 1861. Naquela cidade, acumulou, também, o cargo de Delegado de Polícia.
Em 1861 mudou-se para Leopoldina onde se estabeleceu como advogado. Na verdade, ao transitar por Leopoldina seu destino era São Fidelis (RJ), onde imaginava fixar residência, depois da perda do cargo de Juiz Municipal em Queluz. Aqui, porém, pretendendo apenas pernoitar, encontrou por acaso um ex-colega de faculdade, de São Paulo, Gabriel de Paula Almeida Magalhães que, provando-lhe o sucesso de sua banca advocatícia na cidade, convenceu-o a ficar.
Foi atendendo, pois, ao convite insistente do amigo “Bié”, que Francisco de Paula decidiu ficar em Leopoldina. Decisão da qual confessou jamais ter-se arrependido.
O episódio está relatado na página 20 do livro “Histórias de um Médico”, de Cássio de Rezende. Relata o Dr. Cássio - filho do biografado - que seu pai deixando a magistratura em 1861, na cidade de Queluz de Minas, partiu a cavalo na direção de Leopoldina à cata de lugar promissor onde sentar banca de advogado. Pensava chegar a São Fidelis, no Estado do Rio. Cansado, porém, com os cavalos estropiados, um escravo como pajem e uma dívida de dois contos de réis, parou em frente ao único hotel de Leopoldina e, antes de apear, enquanto negociava com o hoteleiro a hospedagem, alguém lhe gritou da janela do sobrado ao lado:
-“Então, estais aqui?!..”. E prossegue Cássio de Rezende: ... “volvendo a cabeça, quem meu pai havia de encontrar? Ninguém menos que seu colega Bié, um sujeito que tinha escapado de ser Visconde e que, já naquela época, era milionário. Gabriel de Almeida Magalhães que, no seio da família, tinha apelido de Bié, pelo qual era também conhecido entre os colegas... Em vez de apear no hotel, diz meu pai que deu uma rápida meia volta à esquerda, e foi cair nos braços do colega que ele não via desde a formatura. Tendo contado ao Dr.Gabriel que sua viagem não passava de procura de uma advocacia qualquer, disse-lhe o amigo que estava achado o que o ele queria, isto é, o que lhe convinha era a cidade de Leopoldina. E para convencer meu pai de que tinha razão, mostrou-lhe os seus assentamentos e, então, com um pouco de inveja, verificou meu pai que, enquanto ele partira para Queluz levando dois serviçais e de lá saíra possuindo menos do que levara, o Dr. Gabriel, pelo contrário, tendo vindo para Leopoldina logo depois de formado, pouco mais trazendo de seu além do cavalo em que montava e, na garupa, a importância da própria formatura que ainda estava devendo, no fim de pouco mais de cinco anos, tinha pago todas as dívidas e já era tido até em conta de capitalista”.
Registre-se, à parte, que o advogado Gabriel de Almeida Magalhães tornou-se astro de brilho intenso nos céus da história leopoldinense. Político notável, foi um dos fundadores da Casa de Caridade Leopoldinense. Na aurora da república transferiu-se para o Rio de Janeiro onde a família se fixou definitivamente. Seu neto, Rafael de Almeida Magalhães foi Governador do extinto Estado da Guanabara e, mais recentemente, Ministro da Previdência Social.
Francisco de Paula Ferreira de Rezende decidiu montar sua banca de advogado em Leopoldina. Em 1865, para apoiar seu irmão Valério, adquiriu a antiga fazenda Córrego da Onça a qual, como ele mesmo informa, decidiu crismar com a designação de "Fazenda Filadélfia", homenagem à cidade em que se proclamou a primeira das repúblicas americanas.
Consta que vinte anos depois de adquirida, a Filadélfia contava 100 alqueires de terras, boa parte em matas, 150 mil pés de café e vinte e tantos serviçais.
Antes de adquirir a fazenda Francisco de Rezende morou, em Leopoldina, num sobrado que, por suas descrições, deveria situar-se na atual Rua Lucas Augusto, um pouco acima da Prefeitura.
Depois comprou uma chácara da qual doou parte, “que julgaram necessária”, para a construção do novo cemitério da cidade. (Trata-se do terreno do atual cemitério de Leopoldina)
Quanto a seu irmão, Valério Ribeiro de Rezende, este teria vindo para Leopoldina com o objetivo de ser agricultor, mas tornou-se, inicialmente, dono de um colégio de instrução secundária, até que ambos passassem a se dedicar exclusivamente à Fazenda, cuja principal cultura era o café
A historiadora Nilza Cantoni anota, ainda, que Francisco de Paula chegou a ser nomeado substituto de Juiz Municipal a 02.01.1880, pela presidência da província, conforme consta de ata no Livro nº 7 da Câmara, fls. 17, verso.
Para que se tenha uma idéia de nossa cidade quando por aqui aportou Francisco de Rezende (1861), ele conta que chegou a conhecer um aldeamento de índios Puris na estrada que ligava Tebas ao então arraial do Rio Pardo (Argirita). A Vila de Leopoldina, incluindo o bairro da Grama que era mais distante, possuía não mais que 70 ou 80 casas.
No biênio 1864-1865 Francisco Rezende ocupou cadeira da Assembléia Legislativa da província como Deputado Provincial, o que corresponderia hoje ao Estadual. Logo depois foi indicado pelo presidente da província para candidato a Deputado Geral, o que recusou por dele divergir politicamente.
Por mais de uma vez declarou-se republicano apaixonado. Tão apaixonado a ponto de buscar nos grandes republicanos de Roma o nome para os filhos (Cássio, Flamínio e Mânlio) e mudar, como foi dito acima, o nome de sua fazenda adquirida como tributo à pioneira república americana.
Deixa claro que era republicano também porque não concordava com o apoio da Coroa à abolição da escravatura “feita de afogadilho”, segundo ele, sem que o país estivesse preparado, obedecendo a interesses externos e “destruindo a capacidade de produção do País”.
Com o advento do regime republicano fez parte da comissão encarregada de elaborar a constituição do Estado de Minas Gerais, em companhia de Joaquim Felício dos Santos e Pedro Augusto Carneiro Lessa, a convite do Congresso Republicano do Estado.
A 21.01.1890 foi nomeado 3º Vice-Governador do Estado, sendo transferido para 2º Vice-Governador por decreto de abril do mesmo ano.
Por essa época, tendo o Governo Federal consultado correligionários, deputados de Minas, sobre a indicação de um jurisconsulto mineiro, de provado saber e patriotismo, para ser nomeado Ministro do Supremo Tribunal Federal, seu nome foi o indicado e ele nomeado para o cargo em decreto de 25.05.1892, com posse em 04 de junho do ano seguinte. No Tribunal exerceu também a função de procurador-geral da República.
Francisco Rezende era casado com D. Inácia Luiza Barbosa de Rezende, filha do Conselheiro e depois Senador Luiz Antonio Barbosa. Deixou grande descendência que, segundo seu filho Cássio, foi a seguinte: Valério Barbosa de Resende, advogado em Belo Horizonte; Francisca Eugênia Barbosa de Resende; Luiz Barbosa de Resende, engenheiro; Francisco Barbosa de Rezende, advogado e presidente do Conselho Nacional do Trabalho; Gaspar Barbosa de Resende, médico em São Paulo; Cássio Barbosa de Resende, médico no Rio de Janeiro; Flamínio Barbosa de Rezende, que exerceu o cargo de Desembargador do Tribunal de Apelação do Distrito Federal; e Mânlio advogado em São Paulo.O casal teve ainda duas filhas que faleceram em tenra idade.
Como jornalista, colaborou, entre outros, com os jornais Correio do Povo, A Ordem (editado em Ouro Preto) e O Estado de Minas Gerais (órgão oficial do Estado).
Escreveu, ainda, “Julgamento de Pilatos” ou, “Jesus Perante a Razão e os Evangelhos”, em 1885 e, “O Brasil e o Acaso”, publicado em 1893, após a sua morte. Além desses, três outros manuscritos ficaram inéditos até sua morte: “Comentários Bíblicos”, “O Mosaísmo Perante a Razão” e “Minhas Recordações”. Este último, escrito aos 56 anos (1888).
Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 26.10.1893. Foi sepultado no cemitério São João Batista.
Dentre os filhos do biografado, tivemos oportunidade de pessoalmente conhecer, nos anos 70, o médico Dr. Cássio Barbosa de Resende, em seu consultório da Rua São José, 70 (sobreloja), no centro do Rio de Janeiro. Dr. Cássio, hoje falecido, deixou-nos, como acima mencionado, sua importantíssima obra, “Histórias de um Médico”, na qual faz alusões à vida da família após a mudança de seu pai para o Rio de Janeiro, como Desembargador; à casa em que viveram na Rua Pedro Américo, no bairro do Catete; ao “Ateneu Leopoldinense”, o colégio secundário que seu tio Valério conduziu em Leopoldina; às lavouras de café da Fazenda Filadélfia e outras; aos hábitos bizarros das pessoas com as quais conviveram, no meio rural leopoldinense, seu culto pai e sua mãe, mulher da mais fina estirpe que conhecera, na juventude, as duas filhas do Imperador; e às falências desesperadoras dos fazendeiros da região (inclusive do pai) com o advento da Lei Áurea.
Lei contra a qual não se insurge pela evidência de sua necessidade e justiça mas que, “no afogadilho com que foi promulgada, a todos surpreendendo e arruinando”, lhe pareceu ato de irresponsabilidade de uma monarquia submissa a pressões externas.
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NOTA: Os dados desta biografia foram coletados em anotações históricas de José Luiz Machado Rodrigues (a quem agradecemos); nos arquivos do Supremo Tribunal Federal; e nos livros, “Minhas Recordações e “Histórias de um Médico”, no texto referidos.
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LEIA MAIS EM: http://www.cantoni.pro.br/alla/FerreiraRezende.htm - Patrono da Cadeira nº11 da Academia Leopoldinense de Letras - Titular: José Luiz Machado Rodrigues
Dinah Botelho Capdeville

(Foto: Dinah Botelho Capdeville)
A primeira aviadora, mulher, diplomada em Minas, foi Dinah Botelho Capdeville uma leopoldinense nascida em 15 de setembro de 1913.
Dinah é filha de Nestor Capdeville e de Hermínia Botelho Capdeville. Cursou o Colégio São José, das irmãs Lintz, na Rua Barão de Cotegipe. Com o pai, Nestor, assimilou noções de administração indo trabalhar por dois anos na Cooperativa dos Produtores de Leite de Leopoldina, mais precisamente entre janeiro de 1943 e dezembro de 1945.
Aos 24 de janeiro de 1945 titulou-se com a Carteira de Piloto da Aeronáutica Brasileira, para recreio e desportos. No curso para obtenção desse brevê, por sua perícia e vocação, sobressaiu-se dentre os melhores alunos da Escola, tornando-se a primeira mulher a pilotar um avião em Minas Gerais.
Pouco tempo depois, Dinah foi incluída entre os pilotos solicitados a efetuar buscas a uma aeronave desaparecida, no dia 12.11.1948, nas matas da serra de Petrópolis, com dois leopoldinenses a bordo. Eram eles, o piloto Elias Mattos, seu colega de turma, e o empresário Antonio Resende Peres, também conhecido como “Totônio Peres”, ex-goleiro do Ribeiro Junqueira com passagem pelo América F.C., do Rio de Janeiro.
Infelizmente, as procuras resultaram infrutíferas e os desaparecidos, com os destroços do avião, somente encontrados ano e meio depois, ao pé do chamado “Pico do Papagaio”, por um colono da região. A identificação dos corpos, naquela época em que nem se cogitava de exame pelo DNA, só foi possível através das alianças encontradas entre os ossos das vítimas.
Como todo aviador, Dinah adorava voar. O Dr. Francisco Mendonça Gama, nosso estimado Chiquinho Gama, certamente dos mais perspicazes anotadores do folclore leopoldinense, conta que os “pousos” de Dinah no Aeroporto de Leopoldina, que se situava na várzea onde hoje está o Estádio do RJ, eram divertidos... Deleitava-se ela em fazer várias aproximações e arremeter o avião. Ou seja, vir baixando como quem vai pousar e, de repente, aprumar a aeronave em novo vôo.
Um dia alguém comentou: - “Será que ela não pretende pousar nunca?” Ao que um outro respondeu: - “Quando a gasolina estiver acabando ela desce...”
Dinah, em sua mocidade, marcou época também como grande desportista no vôlei e no basquete. Ficou célebre um torneio de vôlei disputado no Clube Leopoldina, no início dos anos 50, quando o time em que jogava saiu campeoníssimo graças às violentas cortadas do alto de seu metro e oitenta de altura.
Carnavalesca apaixonada, organizava e participava de animados blocos que contagiavam as ruas da cidade e os salões do Clube Leopoldina.
Dinah Botelho Capideville é, portanto, dos personagens de vida mais marcante e exemplar de nossa terra. Mas talvez o feito que mais lhe haja proporcionado alegrias ao coração tenha sido poder ajudar sua irmã Ester que, residindo na zona rural, por um certo tempo precisou apoio para seguir na educação dos filhos. Entregou-os a Dinah, com a responsabilidade de orientá-los e prover-lhes o estudo. Desta tarefa ela se desincumbiu com desvelos de uma verdadeira mãe, vindo a ganhar dos sobrinhos o carinhoso apelido de Tia Grande.
Em 1971 Dinah transferiu residência para o Rio de Janeiro. Os últimos anos de sua vida, segundo relato de seu primo Joseph Gribel, ela os passou na tranqüilidade de seu apartamento do Largo do Machado, tendo como grande alegria falar dos bons tempos e de sua linda mocidade nesta Leopoldina de tantas saudades. Faleceu no Rio de Janeiro a 26.06.2005.
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(NOTA: Agradecemos os principais dados colhidos para esta biografia ao amigo Joseph C. Gribel, que no-los passou a 06.02.2004)
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Antonio José Monteiro de Barros
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É comum quando se fala dos fundadores de Leopoldina vir à mente a justa lembrança daquelas figuras lendárias com as quais nos afeiçoamos desde curso primário. O aprofundamento na história de Leopoldina vai demonstrar, entretanto, que outras pessoas deram sua contribuição importante para que o Feijão Cru se transformasse na Leopoldina dos nossos dias.
Um destes certamente será o Dr. Antonio José Monteiro de Barros, pessoa pouco lembrada, raramente incluída entre as celebridades do amanhecer leopoldinense, mas que foi presença decisiva na transformação da vila em cidade.
Registro induvidoso disto nossos historiadores foram encontrar no memorialista Francisco Rezende, em seu livro Minhas Recordações. Disse Rezende: “Por simples amor ao lugar ou talvez antes para com ele formar para si um verdadeiro feudo, Antonio José promoveu e conseguiu a elevação de Leopoldina a FREGUESIA e, ao mesmo tempo, a VILA, pela Lei Provincial nº 666, de 1854 e, sete anos depois, elevou a Vila a CIDADE, pela Lei nº 1116, de 18.10.1861”.
E “não havia uma só eleição de qualquer natureza em que se apresentasse como candidato, que ele perdesse qualquer outro voto que não fosse unicamente o seu”!
Segundo Barroso Júnior, em artigo para a Revista Acaiaca de março de 1954, Antonio José Monteiro de Barros era proprietário fundador da Fazenda Paraíso e sobrinho do senador do Império, Padre Dr. Marcos. Ostentava, ainda, o título de advogado formado pela faculdade de Pernambuco, não se tendo notícia, todavia, de que haja exercido a profissão em Leopoldina.
Consta ter sido ele o PRIMEIRO VEREADOR do distrito de Leopoldina, na Câmara Municipal da Vila de São Manuel do Pomba. Mandato, aliás, que passou a ser exercido por seu Suplente, o Capitão João Gualberto Ferreira Brito, quando o Dr. Antonio José, em 1840, elegeu-se deputado, à terceira legislatura provincial.
Há registro de que ele se elegeu mais tarde deputado à Assembléia Geral, por Minas Gerais, sendo reconduzido ao cargo por três legislaturas.
Era casado com Helena, sobrinha do Senador do Império, Padre Dr. Marcos Antonio Monteiro de Barros, que foi cônego da Sé de Mariana e costumava veranear na Fazenda do Paraíso.
Em 21.08.1817 Dr. Marcos foi nomeado Vigário Capitular de Mariana e, segundo consta, teria ocorrido por sua indicação a nomeação do primeiro Cura de Leopoldina, o Padre Manuel Antonio Brandão, que era natural de Sumidouro de Mariana e se houvera ordenado aos 03.06.1811.
Antonio José, ainda segundo Francisco Rezende, na Corte e em todos os lugares por onde andou, foi sempre muito estimado e respeitado. E tão estimado foi que, ao perder sua condição financeira, o que o levou a endividar-se com muita gente, jamais se encontrou na cidade alguém que o recriminasse. Pelo contrário, seus credores foram unânimes em apregoar que - tratando-se de pessoa tão boa e prestativa - o prejuízo que a eles causara era de ser “considerado como um dinheiro muito bem empregado”.
Como dito acima, foi ele o construtor e primeiro proprietário da Fazenda Paraíso, histórica e portentosa propriedade rural situada às margens do Rio Pirapetinga, com acesso pela esquerda da BR-116, sentido Leopoldina/Rio, no alto da Serra da Vileta.
Consta que o “Paraíso”, posteriormente, teria sido adquirido pelo Barão de Mesquita, o mesmo que dá nome à conhecida rua da Tijuca, no Rio de Janeiro. Em passado recente foi adquirida por Ari Vasconcelos Cunha, pertencendo, ainda hoje, a sede e algumas terras no seu entorno, a um dos filhos de Ari.
No início do século a Fazenda do Paraíso estaria entre as maiores, mais luxuosas e bem equipadas fazendas do Estado, talvez do País. Tinha uma sede que, além de muito grande e bem decorada, fora guarnecida por clássico mobiliário e grande número de objetos e preciosidades bem ao estilo da esposa do proprietário, Sra. Helena, filha de um Visconde, sobrinha de um Senador, senhora acostumada ao luxo aristocrático e dotada de muito bom gosto.
Relata Francisco Rezende que a casa era tão bem decorada que depois que o Dr. Antonio José teve que dela desfazer-se, “bem poucos foram os habitantes de Leopoldina, de uma certa ordem, que não tivessem nas suas casas algum ou alguns daqueles mesmos objetos, comprados por trinta ou por quarenta o que valia duzentos ou trezentos”.
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NOTA: Agradecemos aos estudiosos da história leopoldinense, Nilza Cantoni e a José Luiz M. Rodrigues os conteúdos informativos desta biografia. Nilza, aliás, reluta em incluir o Antonio José como um dos fundadores de Leopoldina porque ele só aparece na região a partir de 1838. Informa ela também não estar documentalmente comprovada sua atuação como nosso vereador no Pomba.
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É comum quando se fala dos fundadores de Leopoldina vir à mente a justa lembrança daquelas figuras lendárias com as quais nos afeiçoamos desde curso primário. O aprofundamento na história de Leopoldina vai demonstrar, entretanto, que outras pessoas deram sua contribuição importante para que o Feijão Cru se transformasse na Leopoldina dos nossos dias.
Um destes certamente será o Dr. Antonio José Monteiro de Barros, pessoa pouco lembrada, raramente incluída entre as celebridades do amanhecer leopoldinense, mas que foi presença decisiva na transformação da vila em cidade.
Registro induvidoso disto nossos historiadores foram encontrar no memorialista Francisco Rezende, em seu livro Minhas Recordações. Disse Rezende: “Por simples amor ao lugar ou talvez antes para com ele formar para si um verdadeiro feudo, Antonio José promoveu e conseguiu a elevação de Leopoldina a FREGUESIA e, ao mesmo tempo, a VILA, pela Lei Provincial nº 666, de 1854 e, sete anos depois, elevou a Vila a CIDADE, pela Lei nº 1116, de 18.10.1861”.
E “não havia uma só eleição de qualquer natureza em que se apresentasse como candidato, que ele perdesse qualquer outro voto que não fosse unicamente o seu”!
Segundo Barroso Júnior, em artigo para a Revista Acaiaca de março de 1954, Antonio José Monteiro de Barros era proprietário fundador da Fazenda Paraíso e sobrinho do senador do Império, Padre Dr. Marcos. Ostentava, ainda, o título de advogado formado pela faculdade de Pernambuco, não se tendo notícia, todavia, de que haja exercido a profissão em Leopoldina.
Consta ter sido ele o PRIMEIRO VEREADOR do distrito de Leopoldina, na Câmara Municipal da Vila de São Manuel do Pomba. Mandato, aliás, que passou a ser exercido por seu Suplente, o Capitão João Gualberto Ferreira Brito, quando o Dr. Antonio José, em 1840, elegeu-se deputado, à terceira legislatura provincial.
Há registro de que ele se elegeu mais tarde deputado à Assembléia Geral, por Minas Gerais, sendo reconduzido ao cargo por três legislaturas.
Era casado com Helena, sobrinha do Senador do Império, Padre Dr. Marcos Antonio Monteiro de Barros, que foi cônego da Sé de Mariana e costumava veranear na Fazenda do Paraíso.
Em 21.08.1817 Dr. Marcos foi nomeado Vigário Capitular de Mariana e, segundo consta, teria ocorrido por sua indicação a nomeação do primeiro Cura de Leopoldina, o Padre Manuel Antonio Brandão, que era natural de Sumidouro de Mariana e se houvera ordenado aos 03.06.1811.
Antonio José, ainda segundo Francisco Rezende, na Corte e em todos os lugares por onde andou, foi sempre muito estimado e respeitado. E tão estimado foi que, ao perder sua condição financeira, o que o levou a endividar-se com muita gente, jamais se encontrou na cidade alguém que o recriminasse. Pelo contrário, seus credores foram unânimes em apregoar que - tratando-se de pessoa tão boa e prestativa - o prejuízo que a eles causara era de ser “considerado como um dinheiro muito bem empregado”.
Como dito acima, foi ele o construtor e primeiro proprietário da Fazenda Paraíso, histórica e portentosa propriedade rural situada às margens do Rio Pirapetinga, com acesso pela esquerda da BR-116, sentido Leopoldina/Rio, no alto da Serra da Vileta.
Consta que o “Paraíso”, posteriormente, teria sido adquirido pelo Barão de Mesquita, o mesmo que dá nome à conhecida rua da Tijuca, no Rio de Janeiro. Em passado recente foi adquirida por Ari Vasconcelos Cunha, pertencendo, ainda hoje, a sede e algumas terras no seu entorno, a um dos filhos de Ari.
No início do século a Fazenda do Paraíso estaria entre as maiores, mais luxuosas e bem equipadas fazendas do Estado, talvez do País. Tinha uma sede que, além de muito grande e bem decorada, fora guarnecida por clássico mobiliário e grande número de objetos e preciosidades bem ao estilo da esposa do proprietário, Sra. Helena, filha de um Visconde, sobrinha de um Senador, senhora acostumada ao luxo aristocrático e dotada de muito bom gosto.
Relata Francisco Rezende que a casa era tão bem decorada que depois que o Dr. Antonio José teve que dela desfazer-se, “bem poucos foram os habitantes de Leopoldina, de uma certa ordem, que não tivessem nas suas casas algum ou alguns daqueles mesmos objetos, comprados por trinta ou por quarenta o que valia duzentos ou trezentos”.
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NOTA: Agradecemos aos estudiosos da história leopoldinense, Nilza Cantoni e a José Luiz M. Rodrigues os conteúdos informativos desta biografia. Nilza, aliás, reluta em incluir o Antonio José como um dos fundadores de Leopoldina porque ele só aparece na região a partir de 1838. Informa ela também não estar documentalmente comprovada sua atuação como nosso vereador no Pomba.
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Clóvis Salgado

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LEIA MAIS: http://www.cantoni.pro.br/alla/Clovis.htm - Academia Leopoldinense de Letras - Patrono da Cadeira nº5: Clóvis Salgado - Titular: José Gabriel Couto de Viveiros Barbosa
Clóvis Salgado da Gama nasceu em Leopoldina (MG) no dia 20 de janeiro de 1906, filho de Luís Salgado Lima e de Virgínia da Gama Salgado. Bacharelou-se em Medicina em 1929.
Iniciou suas atividades profissionais como assistente de cirurgia, e ingressou na vida política, fundando e dirigindo o jornal Nova Fase.
Filiou-se ao Partido Republicano Mineiro (PRM), pelo qual candidatou-se às eleições para a Assembléia Nacional Constituinte realizadas em maio de 1933, obtendo uma suplência.
Depois da instauração do Estado Novo em 1937, Clóvis Salgado passou a dedicar-se ao magistério. Foi também um dos organizadores da Cruz Vermelha em Minas Gerais, para a qual fundou e organizou uma escola de enfermagem. A partir de 1944 foi diretor do Hospital São Vicente de Paula e do Hospital das Clínicas da Universidade de Minas Gerais (UMG).
Em 1950 elegeu-se vice-governador do Estado de Minas Gerais na legenda do PRM, em chapa com Juscelino Kubitschek, eleito governador. Antes de completar seu mandato Kubitschek resolveu candidatar-se à presidência da República. Para isso, a Constituição impunha-lhe que renunciasse ao governo dez meses antes do término de seu mandato, entregando-o ao vice-governador Clóvis Salgado.
Em março de 1955, Clóvis Salgado assumiu o governo de Minas Gerais, tendo Juscelino Kubitschek lançado sua candidatura à presidência da República. Em maio de 1955 o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) mineiro rompeu oficialmente com o governo de Clóvis Salgado, depois que o PRM se recusou a apoiar a candidatura de João Goulart e vice-presidente na chapa de Juscelino. Em meados de 1955, acionando a Polícia Militar, Clóvis Salgado tomou uma série de medidas ligadas à mobilização e reforço das forças policiais tendo em vista o acirramento das disputas eleitorais.
Como governador deu atenção especial à educação e à saúde, promovendo a criação do Departamento de Saúde Pública e do Departamento Social do Menor. Participou da elaboração de um novo código do ensino primário e favoreceu a criação de numerosos colégios estaduais e cursos de segundo ciclo nas escolas normais oficiais. Foi um dos fundadores da Universidade Mineira de Arte e presidente da Cultura Artística de Minas.
Em 1956, quando Juscelino Kubitschek assumiu a presidência, Clóvis Salgado tomou posse como Ministro da Educação e Cultura. Com o intuito de estabelecer uma adequação entre o sistema educacional e as transformações que se operavam no país, promoveu a reestruturação desse sistema com o programa "Educação para o Desenvolvimento", que configurava 12 proposições cujas diretrizes seriam capazes de reformular os ensinos secundário e superior. Durante sua gestão, dispensou especial atenção ao ensino técnico-profissional. Concedeu incentivos à Campanha Nacional de Teatro, à construção da Casa do Estudante do Brasil em Paris e ao projeto de um estabelecimento idêntico em Madri. Segundo a cientista política Maria Vitória Benevides, sua permanência na pasta da Educação durante todo o governo de Juscelino Kubitschek deveu-se ao fato de ter sido ele o único político capaz de compor com as facções partidárias por representar o PRM que, embora pequeno, servia de mediador entre o Partido Social Democrático (PSD) e a União Democrática Nacional (UDN), favorecendo a estabilidade política do período.
Em julho de 1960 Clóvis Salgado deixou o ministério, desincompatibilizando-se para disputar as eleições de outubro seguinte, quando Jânio Quadros foi eleito presidente da República. Nesse mesmo pleito voltou a eleger-se como vice-governador do estado de Minas Gerais na legenda do PRM. Depois de eleito, reassumiu, ainda em outubro, o Ministério da Educação e Cultura, permanecendo no posto até o final do governo Kubitschek, em janeiro de 1961. Apoiou o movimento político-militar de 31 de março de 1964 que destituiu o presidente João Goulart.
Entre 1964 e 1968 foi membro do Conselho Federal de Educação. Em abril de 1967, assumiu a Secretaria de Saúde de Minas Gerais, afastando-se do cargo em março de 1971. Em 1973, assumiu a direção da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), cargo que exerceu até 1976.
Casou-se com a cantora lírica Lia Portocarrero de Albuquerque Salgado, com quem teve três filhos. Faleceu em Belo Horizonte no dia 25 de julho de 1978.
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(Transcrição do Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro Pós 1930)
Iniciou suas atividades profissionais como assistente de cirurgia, e ingressou na vida política, fundando e dirigindo o jornal Nova Fase.
Filiou-se ao Partido Republicano Mineiro (PRM), pelo qual candidatou-se às eleições para a Assembléia Nacional Constituinte realizadas em maio de 1933, obtendo uma suplência.
Depois da instauração do Estado Novo em 1937, Clóvis Salgado passou a dedicar-se ao magistério. Foi também um dos organizadores da Cruz Vermelha em Minas Gerais, para a qual fundou e organizou uma escola de enfermagem. A partir de 1944 foi diretor do Hospital São Vicente de Paula e do Hospital das Clínicas da Universidade de Minas Gerais (UMG).
Em 1950 elegeu-se vice-governador do Estado de Minas Gerais na legenda do PRM, em chapa com Juscelino Kubitschek, eleito governador. Antes de completar seu mandato Kubitschek resolveu candidatar-se à presidência da República. Para isso, a Constituição impunha-lhe que renunciasse ao governo dez meses antes do término de seu mandato, entregando-o ao vice-governador Clóvis Salgado.
Em março de 1955, Clóvis Salgado assumiu o governo de Minas Gerais, tendo Juscelino Kubitschek lançado sua candidatura à presidência da República. Em maio de 1955 o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) mineiro rompeu oficialmente com o governo de Clóvis Salgado, depois que o PRM se recusou a apoiar a candidatura de João Goulart e vice-presidente na chapa de Juscelino. Em meados de 1955, acionando a Polícia Militar, Clóvis Salgado tomou uma série de medidas ligadas à mobilização e reforço das forças policiais tendo em vista o acirramento das disputas eleitorais.
Como governador deu atenção especial à educação e à saúde, promovendo a criação do Departamento de Saúde Pública e do Departamento Social do Menor. Participou da elaboração de um novo código do ensino primário e favoreceu a criação de numerosos colégios estaduais e cursos de segundo ciclo nas escolas normais oficiais. Foi um dos fundadores da Universidade Mineira de Arte e presidente da Cultura Artística de Minas.
Em 1956, quando Juscelino Kubitschek assumiu a presidência, Clóvis Salgado tomou posse como Ministro da Educação e Cultura. Com o intuito de estabelecer uma adequação entre o sistema educacional e as transformações que se operavam no país, promoveu a reestruturação desse sistema com o programa "Educação para o Desenvolvimento", que configurava 12 proposições cujas diretrizes seriam capazes de reformular os ensinos secundário e superior. Durante sua gestão, dispensou especial atenção ao ensino técnico-profissional. Concedeu incentivos à Campanha Nacional de Teatro, à construção da Casa do Estudante do Brasil em Paris e ao projeto de um estabelecimento idêntico em Madri. Segundo a cientista política Maria Vitória Benevides, sua permanência na pasta da Educação durante todo o governo de Juscelino Kubitschek deveu-se ao fato de ter sido ele o único político capaz de compor com as facções partidárias por representar o PRM que, embora pequeno, servia de mediador entre o Partido Social Democrático (PSD) e a União Democrática Nacional (UDN), favorecendo a estabilidade política do período.
Em julho de 1960 Clóvis Salgado deixou o ministério, desincompatibilizando-se para disputar as eleições de outubro seguinte, quando Jânio Quadros foi eleito presidente da República. Nesse mesmo pleito voltou a eleger-se como vice-governador do estado de Minas Gerais na legenda do PRM. Depois de eleito, reassumiu, ainda em outubro, o Ministério da Educação e Cultura, permanecendo no posto até o final do governo Kubitschek, em janeiro de 1961. Apoiou o movimento político-militar de 31 de março de 1964 que destituiu o presidente João Goulart.
Entre 1964 e 1968 foi membro do Conselho Federal de Educação. Em abril de 1967, assumiu a Secretaria de Saúde de Minas Gerais, afastando-se do cargo em março de 1971. Em 1973, assumiu a direção da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), cargo que exerceu até 1976.
Casou-se com a cantora lírica Lia Portocarrero de Albuquerque Salgado, com quem teve três filhos. Faleceu em Belo Horizonte no dia 25 de julho de 1978.
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(Transcrição do Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro Pós 1930)
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